sábado, 31 de maio de 2008

Bandeira a meio-pau

A Casa de Luanda está de luto. Hoje, 31 de maio de 2008, foi oficialmente fechado o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos em Angola, por determinação do governo. O argumento oficial é que o escritório não é mais necessário, agora que a paz e a democracia estão consolidadas no país... Mas já é mais do que público que a decisão está relacionada a declarações da organização feitas no exterior e à divulgação de um relatório sobre prisões arbitrárias.

Ou seja: o fechamento do OHCHR já é, em si, um exemplo da violação de um dos direitos mais fundamentais: o da liberdade de expressão. Só pra relembrar, o Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que:

“Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras”.

O escritório do OHCHR funcionava em Angola desde o fim da guerra civil, buscando apoiar o governo com a análise da situação dos direitos no país e a assistência na formulação de políticas para fortalecê-los.

Desnecessário? Na minha opinião, resta ainda muito por fazer: se por um lado o Estado empenha-se em garantir o acesso a direitos fundamentais como educação e saúde a parcelas cada vez maiores da população, por outro permanecem sérias restrições à liberdade de imprensa, ao funcionamento de organizações da sociedade civil e à justiça. Um país que tem feito tanta campanha pela democracia ultimamente não deveria esquecer-se desses que são alguns dos seus principais pilares.

Passei quase a semana toda lá na sede da OHCHR e compartilhei do sentimento de dever não cumprido (abortado...) de cada um dos seus funcionários. Estava também lá no momento em que desceram a bandeira das N.U. e a dobraram, para levar de volta a Genebra. Tenho milhares de críticas às N.U., e com conhecimento de causa, mas meu lado idealista ficou tocado com aquele ato simbólico. Por isso esta Casa de Luanda hoje desce seu estandarte a meio-pau.

Só para lembrar: a Declaração Universal dos Direitos Humanos está completando 60 anos agora em 2008. Há ainda um longo caminho a ser percorrido para que os 30 artigos que a compõem tornem-se realidade para todos, de todos os cantos do mundo. Decisões como essa apenas retardam ainda mais a difícil jornada.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Lá vem a Dorotéia

Dorotéia é já uma senhora, avançada na idade, meio cansada da lida. Grande que chega a ser exagerada, anda pelas ruas rebolando ancas largas. Bebe um pouco, mas não exagera, e além disso é doce no trato.

Eu havia chegado a Luanda disposto a manter-me longe de tipos como ela, mas sucumbi. Desde ontem, Dorotéia entrou na nossa rotina. É ela quem vai nos proteger do poeirão do cacimbo, que já me plantou uma tosse irritante no peito.

Dorô, como já está sendo chamada pela P., não é angolana. É japonesa. Uma Nissan Patrol com mais de dez anos de uso, mas bem conservada, que vai nos ajudar a vencer as longas estradas angolanas.

Xenofobia - Parte 2

Nosso leitor e comentarista Fernando Baião enviou mais estas fotos da guerra na África do Sul para a Casa de Luanda. Estas cinco são as "menos fortes", mas outras 39 estão a disposição dos leitores que quiserem ver cenas chocantes. Basta clicar aqui.

Para quem está chegando agora, as primeiras fotos postadas estão neste outro link.





quarta-feira, 28 de maio de 2008

Como nos tempos do apartheid

Em 2005, quando estive na África do Sul, chamou-me a atenção o clima de ódio racial no ar. Cheguei a escrever sobre isso no meu diário de viagem.

Parecia-me que, a qualquer momento, uma revolta da imensa população negra pobre contra a minoria branca rica descambaria para uma onda de violência desenfreada.

A onda chegou, mas bateu nos negros oriundos de outros países que vivem na África do Sul. Pelo menos 56 pessoas foram brutalmente assassinadas e outras 100 mil foram expulsas de suas casas.

O governo decidiu criar campos de refugiados para os estrangeiros. Os negros indesejados na África do Sul vão viver atrás de cercas.

Gente assassinada cruelmente, negros isolados em guetos... Exatamente como acontecia nos tempos do Apartheid.

Recebi por e-mail imagens feitas por um fotógrafo que acompanha o conflito. Como as imagens são fortes, deixo a cada um a decisão de abri-las. Se quiser vê-las, clique aqui. Ela estão acompanhadas pelo relato do fotógrafo que, infelizmente, não se identifica no e-mail.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A Grande Família Angolana

Todos estão sentados à volta da mesa, a comida pronta a ser servida e tia Justina acende o cigarro.

- Epá, mãezinha. Não vais acender isto logo agora.

Quem se queixa é o Oscar, que apesar de tratá-la por mãe, é enteado. Filho do primeiro casamento do tio Joaquim, já falecido. Com mais de 70 anos sulcados na face, tia Justina não lhe dá bola.

Ela foi a segunda mulher do tio Joaquim. Tiveram quatro filhos: três mulheres e um homem. Oscar vive ali pela sua casa como se filho fosse, mas a mãe verdadeira dele vive em Portugal.

- Nos falamos sempre, porque esse menino dá-me na paciência – queixa-se tia Justina. O “menino”, no caso, tem mais de 60 anos.

Em torno da mesa estão também o filho Manoel, duas das filhas, um genro, o Ricardo Lobo, que é mesmo tratado assim, pelos dois nomes, e dois sobrinhos da tia Justina: a Natália e o Eduardo, filhos da tia Mariana.

Tia Mariana mora na mesma rua, mas não veio. Com quase 90 anos, caminha com dificuldade. Tio Joaquim era irmão de tia Mariana.

O Manoel, esse sim filho mesmo da tia Justina, está com uma filha de três anos, Carolina. Nasceu de uma relação com uma moça que não chega a ser a segunda mulher do Manoel, já que não vivem juntos. A primeira mulher está em Portugal com as outras três filhas dele, que tia Justina vai visitar em julho.

O Ricardo Lobo conta histórias do tempo em que as festas começavam em Luanda antes das dez da noite e só acabavam depois das 5h30 da manhã.

- Tínhamos o toque de recolher e ninguém podia sair de casa nesse intervalo. À meia-noite a festa parava para que pudéssemos assistir à novela Gabriela.

A Natália lembra que O Bem Amado fazia o mesmo sucesso.

- Os políticos daqui começaram a imitar o jeito do Odorico Paraguaçu falar.

Todos já estão a fumar e a beber cafés com licores, e a relembrar os tempos de pato de Ricardo Lobo nas festas alheias.

- Certo dia chegamos eu e um amigo e o gajo na porta nos interpelou: “Os senhores são convidados?” Dissemos, claro que somos. E ele: “Da parte de quem?” E eu disse, da Noiva. E ele: “Ó desculpa lá amigo, mas isto aqui é um batizado”.

Todos caem na gargalhada.

Chega o tio Rafael, médico. Qual é mesmo o parentesco do tio Rafael? Natália tenta explicar:

- É assim, o meu tio Armando, irmão da minha mãe Mariana e do tio Joaquim, teve uma namorada, tás a ver? Eles viveram um tempo juntos, depois separaram-se, mas ela continuou amiga da família. Depois ela casou-se com o tio Rafael. Ela já morreu agora, mas o tio Rafael virou nosso tio.

Tás a ver? Assim é um domingo de uma típica família angolana, cheia de agregados e histórias dos tempos passados.

P.S. – Os nomes deste post estão todos trocados, claro, porque Luanda é uma cidade muito pequena.

domingo, 25 de maio de 2008

Luanda está dançando...

Porque hoje é Dia de África. E a cidade está em festa, com vários shows de ritmos musicais diferentes que ecoam pelas ruas e chegam à minha janela.

A festa não tem hora para acabar, já que amanhã ninguém trabalha. Aqui é sim. Quando o feriado cai no domingo, tranferem-no para a segunda-feira.

O Kuduro do Guarda

Este vídeo nos foi enviada pelo nossao leitor/colaborador Fernando Baião. Mostra um policial de trânsito em atuação num dos cruzamentos de Luanda.

Talvez o autor (que não é conhecido) tenha alterado a velocidade dos frames, mas posso assegurar que já vi alguns guardas cheios de trejeitos assim na cidade.

O Kuduro, pra quem ainda não sabe, é um dos estilos musicais mais populares em Luanda. A forma de dançá-lo lembra um pouco o estilo break do Michael Jackson no início dos nos 80.

video

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Para os amigos

O Grande Dicionário angolano hoje vai homenagear duas das freqüentadoras assíduas deste blog com dois termos novos. Um deles foi publicado pela Menina de Angola lá no sítio dela e já foi acrescentado ao dicionário na letra E. Vale ler o post da Menina, porque está realmente muito tocante.

A explicação do termo, como não poderia deixar de ser, veio do Fernando Baião, principal colaborador, desde o início, deste dicionário.

O segundo termo faz parte do nome do sítio desta outra moça, que hoje também saiu-se um tanto enigmática por lá.

Kianda - Sereia em quimbundo, no singular. No plural torna-se Ianda.

Estamos juntos, ya.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Ensinar a pescar

Minha avozinha nasceu em 1901 numa aldeia da Serra da Estrela, em Portugal. Ainda criança emigrou para fugir da fome que crescia nos campos portugueses. Nunca chegou a enriquecer no Brasil, mas tinha uma situação que lhe permitia ajudar aos mais necessitados. Cresci vendo-a servir refeições a senhoras e crianças muito pobres, que ela recebia no quintal de casa. Também acionava suas redes para conseguir roupas usadas.

Na universidade ensinaram-me que isso chamava-se assistencialismo e não era bom. Havíamos antes de "ensinar a pescar" e esses blábláblás que cabem bem na frente da sala de aula.

Ontem, quando postei os números da fome no mundo, descobri este sítio da Moira que, por uma dessas coincidências, também tratava do assunto. E lá fiquei sabendo que ela, ainda hoje, faz a mesma coisa que a minha avó fazia: alimenta pessoas pobres. Com a diferença que ela mora em Portugal, na rica Comunidade Européia dos euros com que tantos brasileiros sonham.

Quatro gerações se passaram desde que a fome expulsou minha avó da terra dela; e a fome continua a matar, a excluir, a destruir o futuro das crianças em todo o mundo.

Olho agora para todas as varas, linhadas e anzóis com que aportei em África para "ensinar a pescar" e me ponho a pensar: não seria melhor seguir o exemplo da Moira e da minha avó? Não tiraria pelo menos uma alma da tal lista macabra?

Não sei a resposta. Se é que há uma resposta.

Enquanto isso, outras 25 mil pessoas morrerão hoje no mundo por falta do que comer.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Números para pensar

  • 25 mil pessoas morrerão hoje de fome em todo o mundo.
  • 100 milhões de seres humanos vão entrar para o clube dos famintos por causa do aumento dos preços dos alimentos em todo o mundo
  • Eles se somarão aos 830 milhões que hoje já não têm o que comer todos os dias, chegando a quase 1 bilhão de pessoas passando fome.
  • 755 milhões de dólares é o valor extra que o World Food Programm das Nações Unidas precisa para manter sua operações atuais.

Enquanto isso, nos países ricos...

  • 10,9 bilhões de dólares foi o lucro líquido, nos três primeiros meses do ano, apenas da ExxonMobil, a maior empresa petrolífera do mundo.
  • 45 bilhões de dólares é o orçamento do Exército chinês para este ano.
  • 70 bilhões de dólares é o preço da guerra do Iraque no período de setembro deste ano a outubro de 2009.
  • 3,1 trilhões de dólares serão gastos pelos Estados Unidos só com o Departamento de Defesa no mesmo período.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Arquivo morto

Arquivo Nacional de Angola, 8h30. Encosto no balcão de atendimento, ninguém aparece.

(Era minha segunda visita ao lugar. Na primeira, cheguei desavisado às 15h e explicaram-me que o arquivo fecha às 14h30. Paciência, são as regras do lugar, não vou meter-me agora a querer mudar tudo. A que horas abre? Às 8h, disseram-me na ocasião.)

8h45, uma moça aparece atrás do balcão. Os monitores dos computadores estão cobertos por coloridos panos africanos. Eu a chamo, ela me olha com indiferença e segue acendendo as luzes da sala. Eu insisto, ela me fuzila:

- O atendimento começa às 9h.
- Haviam-me dito que abria às 8h.
- Abre às 8h, mas o atendimento começa às 9h.
- !?!?!?
- Está escrito nessa placa ao seu lado.

De fato, na coluna ao meu lado, um folha A4 presa com fita-cola informa o horário de atendimento, segundo norma do senhor diretor.

Comecei mal. Paciência, muita paciência.

9h01, encosto no balcão. Sem nenhuma vontade de ser simpática, a moça vem me atender. Explico o assunto da minha investigação: Palácio de Ferro (uma construção antiga de Luanda).

- Nossos computadores não estão a funcionar, não temos como fazer buscas no sistema.
- !?!?!?!?! E por que não me disseste antes?
- O senhor pode olhar a nossa lista bibliográfica a ver se encontra algo parecido.

Ela me entrega dois livros pretos, capa dura, 70 folhas (cada um) repletas de nomes de livros e autores que não seguem qualquer ordem aparente de indexação.

Paciência, paciência, paciência...

Começo a pesquisa.

JESUS, C.A. Montalto de
"A criminalidade Germânica"
Londres: JAS. Truscott & Son, 1916 - 6p.;

Atrás do balcão, a embaixadora da boa vontade senta-se à frente de um daqueles computadores que não estão a funcionar.

PALESTRAS PELO CONDE DE LAVRÁDIO
"Palestras pelo Conde de Lavrádio"
[19...] - 13p.;

Ouço a musiquinha cretina do windows a ser iniciado.

ZÉVÉNINE, D.
"Le culte des idoles en Sibérie"
D. Zévénine - Paris: Payot, 1952 - 269p.;

Sibéria? Nessa sala sem ar-condicionado que derrete minha testa?

SUNG, Kim Il
"Los jovenes deben continuar nuestra obra revolucionária"
Kim Il Sung - Pyongyang, Corea. Ediciones em Lenguas Extranjeras - 1976 - 269p.;

O que será que essa mulher faz tão compenetrada à frente desse computador que não serve para consultar o catálago do arquivo?

EIN FUHRER FUR AUSLANDISCHE STDIERENDE
Berlin: Verlag Walter de Grayterr & Co. Berlin und Leipzig, 1928 - 40p.;

Chega. Levanto da cadeira, livros de consulta na mão, dirijo-me à diletante funcionária.

COTTA, J. C. Montalto de
"Aparências e Realidades"
Lisboa: Agência Geral do Ultramar, 1965 - 191 p.;

Ela se surpreende com a minha chegada, entretida que estava no jogo de paciência do windows no computador que... você já sabe.

- Já terminou? Não encontrou nada?

A paciência (a minha, não a do windows) esgota. Não resisto.

- Quero estes livros.

Entrego a ela a lista dos títulos que copiara já pensando em escrever este post. Ela arregala os olhos.

- Tudo isso? Não creio que o senhor vá encontrar algo sobre o Palácio de Ferro nestes...
- A senhora tem alguma idéia de onde eu posso encontrar dados sobre o Palácio de Ferro?
- Não. Como eu já disse, o senhor deve tentar nas listas...
- Foi exatamente o que acabei de fazer. E estes são livros que eu gostaria de olhar.

Silêncio. Ela fecha a cara ainda mais.

- Só aguardar.
- Preciso pra já.

Ela se levanta irritada. Vai ter de abandonar o baralho do Bill Gates.

- Vou lá dentro buscar, mas vai demorar uns 10 minutos ou mais.
- Não há problema. Temos até as 14h30. Enquanto a senhora procura os livros, vou ali na lojinha da frente comprar uma água, que está muito quente aqui dentro.

Ela some lá para dentro, eu sumo lá para fora.

Aha, deve estar até agora a espera de que eu volte.


P.S. - Será que quando dizem que por aqui é preciso ter paciência, estão a se referir ao joguinho de cartas do windows?

Em ano eleitoral...

Deu na capa do Jornal de Angola de hoje: "TPA inicia exibição de programa Reconstrução e Desenvolvimento".

O texto explica que a Televisão Pública de Angola exibe, a partir de hoje, um programa diário (segunda a sexta) sobre o processo de reconstrução no país, "dando ao telespectador uma imagem real das mudanças e melhorias proporcionadas na vida do cidadão".

Então tá.

domingo, 18 de maio de 2008

Homenagem a Santa Bakhita

Bakhita era sudanesa, foi escravizada e vendida a um italiano no século 19. Levada para a Itália, conheceu a Igreja Católica e se tornou freira. Morreu em 1947 e em 1992, devido às inúmeras graças conseguidas por fiéis de todo mundo, foi santificada pelo Papa João Paulo II.

Os salesianos de Angola decidiram homenageá-la dando seu nome ao centro de formação profissional que construíram no município do Cazenga, região de Luanda.

O lugar ficou conhecido como Bakhita. E os moradores, então, aproveitaram o nome para "batizar" a cadela do lugar.


Então é assim: a santa acabou virando nome de cachorro. Mas, justiça seja feita, Bakhita (a cadela) é muito amável, acolhedora, sempre disposta a brincar com todos os que chegam. Talvez seja influência da santa que ela, mesmo sem saber, homenageia.

O cacimbo chegou...

E a mboa lá de casa já está a sentir frio...


sábado, 17 de maio de 2008

Diálogos roubados: com vocês, o COISO!

Nosso Grande Dicionário Angolano estava a cometer uma grande injustiça, deixando de fora aquela que é, de longe, a palavra mais popular de Angola: o COISO!

Herança portuguesa, o coiso é bem diferente da coisa. É coringa que nem ela, mas cabe num número muito maior de situações. Tem mais personalidade, é mais simpático e exercita nossa capacidade de abstração! Além de tudo é democrático, usado sem distinção por todas as classes. Olha só a conversa que roubei ontem:

_Ei, Coiso! Vem cá.
(o Coiso vem)
_Então você leva o coiso lá no coiso?
_Levo sim, madame. Onde é que fica o coiso mesmo, madame?
_Pois não conheces o coiso? Fica mesmo ali no coiso. Olha: sabes o coiso da Zambia? É a descer do coiso. Se fores no sentido do coiso, descendo do coiso, vais logo encontrar o coiso.
_Ah, é mesmo no coiso?
_É mesmo no coiso!
_Ah, pois tá. Já estou a levar.

E não é que eles se entenderam?

(Prometo investigar se o Coiso conseguiu chegar ao coiso e trazer o coiso para a madame.)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Você já teve malária?

Fazer uma pergunta dessas a um angolano equivaleria a perguntar para alguém, em São Paulo, se já ficou gripado alguma vez na vida. A malária ainda é endêmica por aqui. No ano passado, 2 milhões de pacientes foram internados nos hospitais de Angola com paludismo (vide o Grande Dicionário).

Essa é uma boa notícia.

Em 2003, o número de internados havia sido de 3 milhões, tempo em que a maioria dos doentes sequer procurava ajuda. O tratamento era pago, custava caro e só ia parar nos hospitais quem entrava em coma.

Em 2006, o governo de Angola decidiu fazer o que o Brasil até hoje não fez em relação à dengue: atacar o problema com seriedade.

Aprovou uma lei tornando o tratamento gratuito para todos, passou a usar o Coartem, o medicamento mais eficiente contra a malária no momento, e buscou apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, para trabalhar a prevenção.

Desde então o Unicef já distribuiu 1,8 milhão de mosquiteiros impregnados no país. No ano passado, 215.500 crianças com menos de 5 anos e 27.300 mulheres grávidas foram curadas com Coartem.

Resultado: o número de mortos caiu de 30 mil, em 2003, para 7 mil no ano passado. E a malária deixou de ser a primeira causa de mortalidade infantil nas maternidades de Luanda.

A seguir, a Casa de Luanda apresenta gente comum que está ajudando Angola a vencer essa guerra:

O vigilante Tomás
Laurindo Tomás se orgulha de ser vigilante da Saúde. O programa foi implantado no ano passado pelo governo provincial de Luanda, que se baseou no modelo brasileiro de agentes comunitários. Tomás ganha 4 mil kwanzas por mês (US$ 53) para visitar 100 famílias perto da casa onde mora, no Bairro Boa Esperança, em Cacuaco. Ensina noções básicas de saúde, encaminha doentes ao posto médico, consegue mosquiteiro para as grávidas e garante que os bebês recebam as vacinas. Soma-se a outros 1.669 vigilantes em seis municípios.
O médico Pascoal
Domingos Pascoal dirige a Unidade Sanitária de Cacuaco, posto de saúde para onde correm todos os doentes em busca de tratamento. Antes, vivia uma rotina de emergência, pois os infectados por malária só chegavam ali em estado crítico. Hoje, graças aos agentes de saúde e à gratuidade do tratamento, o posto vive mais cheio. Mas Pascoal não se queixa. Agora, pelo menos, ele consegue curar mais gente.

A mãe Maria
Mãe de sete filhos, Maria Cecília João Miguel teve malária na última gravidez. Foi encaminhada por Tomás para o posto de saúde dirigido por Pascoal e recebeu o tratamento. Tomou religiosamente os 15 comprimidos e livrou seu filho contrair a malária congênita – transmitidas da mãe para o bebê, as toxinas do plasmódio falcíparo impedem o desenvolvimento do feto e provocam sua morte no nascimento. O bebê de Maria nasceu saudável, há cinco meses, e hoje eles dormem sob um mosquiteiro impregnado doado pelo Unicef.

A médica Alexandra

É uma das coordenadoras do programa na Direção Provincial de Saúde de Luanda, interface do governo com o Unicef. Luta para que as direções municipais entendam a importância dessa guerra contra a Malária.

Os cearenses Carlile e Miria

O médico cearense Antonio Carlile Lavor e sua mulher, a assistente social Miria Lavor, se mudaram para Angola para treinar os vigilantes de saúde de Luanda. Eles são os pais do programa brasileiro, cujo primeiro piloto Carlile implantou em Planaltina (DF) em 1975. Depois disso ele voltou para Jucás, sua terra natal, levando a idéia no bolso do jaleco. De lá ela foi ampliada para o Ceará, depois para o Nordeste Brasileiro (já com a chancela do Unicef) e finalmente para todo o país. Hoje o Brasil tem 220 mil agentes de saúde. Os dois foram contratados pelo Unicef como consultores do programa em Luanda.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Crescimento a olho nu

Angola não chega a ser como o China ou Dubai, onde estariam concentrados respectivamente 50% e 20% das gruas em operação em todo o mundo.

Mas, como já havia sido mencionado rapidamente aqui, Luanda é certamente a cidade com a maior quantidade de gruas que eu já vi na minha vida.

Para onde quer se olhe no horizonte, lá está um braço metálico erguendo pesos para um novo arranha-céu.

Em 2008, a previsão é de que a construção civil em Angola seja responsável por 30% do crescimento dos negócios do país que não incluem petróleo ou diamante.

Contribui muito para isso, além do aquecido mercado imobiliário, a realização do Campeonato Africano de Nações em Angola, em 2010. Novos estádios e centenas de hotéis estão a ser construídos por todas as províncias do país.

Embora a Odebrecht seja muito forte em Angola – está aqui desde 1982 e conta hoje com 1.200 funcionários brasileiros, fora os angolanos -, o Brasil ainda engatinha neste mercado.

O maior player é Portugal, que tem aqui operações das suas maiores empreiteiras: Mota Engil, Soares da Costa e Teixeira Duarte. Mas China vem avançando bastante sobre os negócios.

sábado, 10 de maio de 2008

Hit da Candonga

O Brasil deu sua contribuição neste dia ensolarado em que tive o prazer de tomar CINCO candongueiros. O tempero brazuca veio em alto e bom som, na voz de José Augusto, com música de autoria própria que, ironias da vida, se chama Sábado.

Vou poupá-los da letra toda, fiquem só com o refrão que o alto-falante da foto aí de cima berrava no meu ouvido:

“Eu já tentei
Fiz de tudo prá te esquecer
Eu até encontrei prazer
Mas ninguém faz como você
Quanta ilusão
Ir prá cama sem emoção
Se o vazio que vem depois
Só me faz lembrar de nós dois… “

Ninguém merece... (se quiser muito ouvir, clique aqui e vá na terceira música da lista)

Bota a kizomba aí, moço!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Quem pode manda...

Rua Joaquim Kapango, 7h45, o trânsito todo parado em direção ao Largo das Ingombotas. Várias sirenes gritam ao fundo e duas mulheres conversam caminhando na calçada:

- Olha esse tráfego a esta hora!
- Está parado assim para o dono do país passar.

Quando o presidente da República ou os ministros de estado se deslocam, os batedores da polícia fecham as ruas – não importa o tamanho ou a importância da via para o trânsito – para que os digníssimos possam passar. Vale tudo para furar o congestionamento que atormenta os outros 6 milhões de almas: contra-mão, alta velocidade, furar sinal. Só exemplos cabeludos de tudo o que você não deve fazer ao volante.

Todos os outros carros param e ninguém pode se movimentar, sob risco de vida. Outro dia, o motorista de um brasileiro pensou que o cortejo tinha terminado e tentou sair com o carro. Os batedores que vinham atrás arrancaram-no do volante e o espancaram no meio da rua.

É assim, padrinho... Quem tem juízo obedece bem quietinho.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Faz dois meses hoje...

Que chegamos a Luanda e que este blog começou efetivamente a funcionar. Aproveito a data para agradecer a todos os que contribuíram para as 4.127 visitas e que clicaram 10.169 vezes nas nossas páginas, passando em média 5 minutos e 9 segundos em nossa Casa.

A título de curiosidade, os acessos a partir de Portugal ultrapassaram há muito os do Brasil. Angola permanece em terceiro lugar, mas temos visitas também da Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Austrália, República Dominicana, Tanzânia, Quênia, Emirados Árabes e Bahrein, entre outros.

Os dados são dinâmicos. Provavelmente, quando você clicar no link do Sitemeter, eles já estarão diferentes.

Grande Dicionário Angolano (III)

Um anônimo postou, num comentário, o significado de Santinho aqui em Luanda. O que me lembrou que há dias não ampliamos o dicionário, agora já com 165 palavras, já contadas as quatro que apresento a seguir:

Passadeira - Faixa para travessia de peões.
Peão - No Brasil o chamamos pedestre, que também é bem estranho.

Como hoje acrescentei um link para outro blog que descobri sobre Luanda (Nos Cus de Judas), resolvi explicar, para que ninguém lhe estranhe o nome:

Cu - Traseiro, a popular bunda no Brasil. A expressão "Nos Cus de Judas" seria o equivalente a "Onde Judas perdeu as botas", que usamos no Brasil para designar um lugar muito longe. Antes que alguém se sinta ofendido pelo nome do blog do tuga, vale explicar que essa expressão foi usada como título do primeiro livro de António Lobo Antunes, escritor português, justamente sobre o período em que ele fez tropa em Angola.
Tropa - Exército. Eles dizem "fazer tropa" para o que chamamos "servir ao exército" no Brasil.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Hoje eu tô chatinho...

A notícia do Jornal de Angola dizia que o Pepetela (que eu adoro) ia autografar seu novo livro (que eu quero comprar) hoje, no Centro Cultural Português. Só não dizia onde fica o tal Centro Cultural (tudo bem, isso eu decobri sozinho outro dia) nem a que horas se daria a noite de autógrafos. Agora estou em casa reclamando e o Pepetela deixou de vender um livro.

Onde é que foi parar o serviço?

Teorias da Conspiração

No início eu achei exagero, quando li neste blog angolano, a suposta existência de um plano secreto para desestabilizar a Unita. Segundo o sítio, claramente contra o MPLA, o governo de angola teria tramado uma série de ações contra os líderes oposicionistas. Para mim era só mais discurso político, que se inflama conforme se aproximam as eleições parlamentares de setembro.

Mas aí hoje deparo-me na rua com uma manchete no Jornal de Angola, o principal do país: "Paiol de morteiros descoberto no Bié". Em letras garrafais no alto da página.

Para os meus critérios jornalísticos, a descoberta de um paiol num país que passou 27 anos em guerra civil já não seria, em si, manchete de capa. Ainda mais se o jornal nem tinha equipe na Província do Bié e a notícia foi tirada da Rádio Nacional. Lá dentro, é praticamente uma nota escondida em duas colunas, num canto. Nem o alto da página 3 mereceu.

Serviu, no entanto, para dizer na capa que a Polícia Nacional acredita se tratar de um antigo paiol das forças militares da Unita. Exatamente como o sítio citado acima previu que aconteceria... Simples coincidência?
Essa briga ainda vai esquentar muito.

Depois do rapper, dançou o gatuno

Ele foi rápido na hora de tomar o cordão de ouro do rapper 50 Cent, como já foi contado aqui. Mas a Polícia Nacional de Angola foi ainda mais rápida. No domingo, o Gatuno foi preso, mas já não portava mais a jóia do artista americano. Segundo disse a polícia, ele a perdeu pouco depois do roubo.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

É a Casa virando notícia

Depois do Global Voices, já referido em post anterior, agora foi a vez do Notícias Lusófonas render citação a esta Casa de Luanda.

Desta vez, citando o post sobre o navio chinês carregado com armas. O colunista até se inspirou no estilo da Casa pra também chamar a história toda de "opereta".

Todas as faces da cultura

Nas aulas de antropologia, aprendemos que cultura é o conjunto das formas de agir, pensar, comunicar-se e manifestar-se de um povo.

Quando nos mudamos a outro país, queremos logo entrar em contato com a música, os ritos, a culinária e tudo o mais que expresse a parte final da definição. Porém, nem sempre estamos abertos da mesma maneira aos exotismos nas formas de agir e pensar. (Confesse: você nunca desejou que os ingleses dirigissem do “lado certo” ao atravessar a rua em Londres?)

Aqui em Luanda, uma das coisas que mais me incomoda é a fila (bicha, para tugas e locais) do caixa. Melhor, incomodava. Pois foi com ela que hoje aprendi uma valiosa lição.

Das lojinhas do bairro até os grandes supermercados, é sempre igual. Procuro a última pessoa da fila e pego meu lugar atrás dela, como sempre fiz na vida. Então vem um espertinho a encostar de lado. Quando vejo, já passou. Depois vem outro e entrega discretamente a lata de cerveja e o dinheirinho trocado ao atendente do caixa. Que obviamente recebe. E quando finalmente vem o terceiro eu reclamo:

- Estamos todos esperando, sabia?
- Angola é assim, madrinha. Quem tem pouca coisa passa na frente.
- Também tenho só uma caixinha de chá e uma geléia, mas mesmo assim aguardo minha vez. (Na minha cabeça isso parece tão lógico, verdade tão indiscutível...)

É aí então que a senhora da frente, com o carrinho abarrotado, me convida para passar adiante... Hmmm, dilema ético!

- Mas senhora, se cada um que vier com uma coisinha passar na frente, a bicha nunca anda. Não é justo com os outros...
- E também não é justo vocês esperarem todo esse tempo para passar uma ou duas coisinhas. Vai lá, menina! Não me custa nada dar lugar a uma ou duas pessoas. Se a próxima fizer o mesmo, e assim por diante, a bicha vai rápido e ninguém sai perdendo.

E agora, quem tem razão? Cabe a cada um decidir o fim da história. O fim da minha foi assim:

Passei na frente com meu chá e minha geléia e aprendi uma grande lição: é preciso deixar de lado nossas verdades e entrar na lógica das outras culturas para vivê-las por inteiro. E é nessa desconstrução de dogmatismos e intolerâncias que chegamos a um mundo de mentes mais criativas e corações mais pacíficos.

domingo, 4 de maio de 2008

Dois pesos e duas medidas

Na hora de pesar o prato, a P. estranhou:

- 575g? Essa balança está certa? Olhando para o prato dá para ver que não tem mais de 400g.
- A balança está certa, senhora.

O meu prato já estava sendo pesado e o visor mostrava 1.595g. Um quilo, segundo o atendente, era o peso do prato. Mesmo assim, 595g era muita coisa para a quantidade de comida. Procurei, ao lado do caixa, o prato vazio que serve de tara e vi que ele era diferente do que estávamos usando. Busquei um prato igual ao nosso no início da fila e coloquei-o na balança: pesava 1.200g.

- Aí está o problema – eu disse. – O prato pesa mais do que vocês lançaram na balança.

O atendente fez cara de quem não entendia nada. Chamou outro. Nesse meio tempo, tirei a prova. Coloquei o prato que eles haviam usado na tara na balança e ele era 200g mais leve.

Os espertalhões usam um prato para registrar a balança e colocam outro, mais pesado, no serviço do bufê. Ficou assim esclarecido o nome da casa: o restaurante Magia faz truque na balança.

Para quem vive em Luanda, o restaurante fica no Shopping Chamavo, na Avenida dos Combatentes. Quando for comer por lá, atenção no peso do prato.

sábado, 3 de maio de 2008

A noite em que o rapper dançou

O show era do Festival Internacional da Paz, no Pavilhão da Cidadela. A grande atração era o rapper americano 50 Cent, amado pelo público angolano que lota a porta do hotel Trópico, onde ele sempre se hospeda quando passa por Luanda.

Na noite de quarta-feira, sete mil pessoas lotaram o ginásio. 50 Cent e a banda G Unit iniciaram a apresentação com vários sucessos cantados em coro pela platéia extasiada.

De repente, um homem fura o bloqueio da segurança e sobe ao palco. Um fã mais ousado? Não, um gatuno abusado que arrancou o cordão de ouro do pescoço do rapper e pulou de volta para a platéia.

O cantor ainda pulou atrás, tentando reaver a jóia, mas não o alcançou. Contrariado, encerrou o show na hora, cancelou as duas apresentações que faria na quinta e na sexta e tomou um avião de volta para os Estados Unidos.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Sinopse de uma Ópera Africana

A Ópera que agita Luanda estes dias envolve atores internacionais de peso, suas posições ou omissões, e um navio cheio de armamento. Infelizmente, não está em cartaz, com portas aberta ao público. É encenada principalmente a portas fechadas, em gabinetes refrigerados. Mas tem ingredientes suficientes para gerar uma crise – ou no mínimo um mal-estar – internacional.

Atores principais:
Zimbabwe – Realiza, em 29 de março, eleições presidenciais diretas, mas ninguém sabe o resultado até agora. O ditador Robert Mugabe, no poder há 28 anos e que só aceitou o pleito por causa das pressões internacionais, teria sido derrotado mas se recusa a aceitar o fato. Dois dias depois da votação, ele compra armas no mercado internacional.

China – Parceira comercial antiga de Mugabe, vende lançadores de granadas, morteiros, 3 milhões de munições para fuzis AK-47 e armas de pequeno porte ao ditador. Embarca tudo no navio Na Yue Jiang com destino à África.

Enredo:
Primeiro Ato
– O navio chega a Maputo, capital de Moçambique, e é proibido pelo governo daquele país de atracar. Dirige-se a Durban, na África do Sul. Atraca, mas os trabalhadores sul-africanos se recusam a descarregá-lo.

Segundo Ato – O navio parte para Luanda e atraca. A primeira informação oficial diz que ele voltará para Pequim com as armas. Dois dias depois, porém, a autoridade portuária divulga nota dizendo que alguns containeres com material de construção destinados a Angola serão descarregados.

Terceiro – Trabalhadores do porto informam que seis containeres já foram descarregados. Eles, porém, não sabem o que continham. O material teria sido levado para o Gabinete de Reconstrução Nacional, órgão vinculado à Casa Militar da Presidência da República – que em nota oficial desmente a autoridade portuária e sustenta que nada foi descarregado.

Neste ponto, surgem dois novos atores até então fora da trama:

Angola – Desde o fim da guerra civil, em 2002, recebeu 5 bilhões de dólares em empréstimos chineses para a reconstrução do país. É hoje o maior fornecedor de petróleo da China e o comércio bilateral entre os dois países ultrapassa os 8 bilhões de dólares por ano.

Organização das Nações Unidas – Encerrou, no dia 30 de abril, o mandato da Comissão dos Direitos Humanos em Angola, a pedido do governo, descontente com relatórios produzidos pela comissão. Diz, na sua carta de criação, que tem a finalidade de promover a tolerância e a convivência pacífica entre os países, entre outras coisas.

Último ato – Organizações Não Governamentais de direitos humanos tentam forçar o governo a mostrar o conteúdo dos containeres. Pedem apoio da ONU. O governo angolano continua negando que eles tenham sido descarregados. No prédio da ONU, todos os representantes oficiais se recusam a comentar o caso. E a Comissão de Direitos Humanos não pode se manifestar, já que perdeu seu mandato.

Desfecho – Ainda está por ser escrito, a espera de que ONU e Angola decidam se pretendem entrar para história como coadjuvantes da guerra, ou como protagonistas da paz no Zimbabwe.

Olha o Dicionário Angolano na Reuters!

Os méritos são da Flávia, do Fernando Baião, do Hélio (Viver em Luanda), da Kianda, da Menina de Angola, da Migas, da Mirella, do Rodrigo, e de todos os leitores que, direta ou indiretamente, colaboram para o Grande Dicionário Angolano.

Ele cresceu tanto que ganhou uma menção na página angolana da Reuters!

A chamada está no canto direito e remete a um blog do Global Voices que cita nosso dicionário.

Parabéns a todos!