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domingo, 4 de julho de 2010

Da série: Mais valia estar calada

Afinal, enganei-me. Levaram-me os óculos de sol. É raro deixá-los no carro e sou até conhecida por já ter dito umas 3 ou 4 vezes à mesma pessoa que já foi roubada 3 ou 4 vezes (alto, nem sempre o carro foi assaltado... quase todas as vezes, os óculos desapareceram depois de deixar o carro a lavar) que não pode deixar os óculos no carro porque já se sabe que roubam e que burro que és e por aí fora. Óbvio que foi isso que ouvi, merecidamente, mal abri o bico para dizer: ai que triste que estou que acho que me levaram os óculos de sol. Para os que me perguntaram, como a minha querida amiga M. que, escandalizada disse: então e tu, viste e não fizeste nada? Não foste atrás deles? Hummm, tinha de ir? É que eu, mal vi a turma dos bandidos dentro do meu carro, fui dar uma volta para bem longe. Deixei-os à vontade. Remoí ainda uns quantos nomes que não escrevo aqui mas que, sendo eu uma garota do Norte, qualquer um dos leitores imagina levemente, o que terá sido. Claro que também andei a ver se encontrava um senhor agente para lhe dar uma notita (ups, claro que ele não aceitaria!) e levar-me até ao carro. Mas nada. Nada de agentes. Nem um finguelitas sequer. Por isso, de modos que, deixei-os fazer o serviço.
Para a próxima prometo ir atrás deles, se:
a) Decidir comprar uma AK-47.
b) Passar a andar acompanhada por um negrão de 1,90 x 1,90 (m) – Os leitores do blog que preenchem os requisitos é mandar CV. Com foto, claro.
c) Não me esquecer da capa de super-migas em casa, como aconteceu desta vez.
E é isto. Os óculos fazem-me falta, é certo mas, paciência. Antes isso do que partir uma perna. Ah, e se me virem por aí a piscar o olho assim, a torto e a direito, não é porque sou uma atrevida. É mesmo porque me levaram os óculos de sol.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Hoje não estou para ninguém, sim?

Então e vocês perguntam: migas, Portugal perdeu e tal... Estás de trombinhas? Sim. Enormes trombas. Ontem deu-me para ir ver o jogo fora de casa e pasmem-se: ver-o-jogo. Sim, até agora, porque trabalho (wow, juras migas?) e pronto também não sou nenhuma doente pela bola, nem pela selecção nem por nada dessas coisas chamadas “desporto”, sobretudo relacionadas com gajos que correm atrás de uma bola, decidi que sair a meio da tarde para “ir ver o jogo” seria, no meu caso ir dormir para o sofá e fazer de conta que vi o jogo. Por isso, de modos que ontem, eu vi Portugal a jogar pela primeira vez. E, se me virem por aí a ver jogos da selecção ou entre clubes, (vá, o FCP sou capaz de ver sozinha uma vez por época), trata-se de uma coisa chamada “solidariedade feminina”. Mas, e agora perguntam: então e porquê de trombinhas??? Já que eu ligo “tanto” ao jogo da selecção. Porque pronto, vi uns cabrões a assaltarem-me o carro. Mesmo dentro do carro. Eu nem queria acreditar mas sim, era verdade. Estavam lá uns mafiosos que claro, para lá entrarem tiveram de fazer aquele truque espectacular* que é estragarem a fechadura para... tcharan... levarem... nada. Não tinha nada para roubar. É chato, eu sei. Fosse eu aparecer a entrar no meu carro naquela altura, e ainda levava um enxerto de porrada só para não me armar e não deixar algo aos homens que coitados, andam a trabalhar e precisam de receber um mambo qualquer. Vá lá que não lhes deu para cagar lá dentro, como uns que assaltaram a casa de um colega e que decidiram que era de bom tom, já que levavam umas cenitas dele, deixarem-lhe uma “lembrança”, no meio do chão da sala. Amorosos. E pronto, era isto. Agora já pedi para arranjarem a fechadura porque neste momento, a porta ficou mesmo fixe que nem fecha mas, baixou em mim uma dúvida, que me inquieta: e deixá-la assim? Era ou não era de mestre?

*Até eu fazia melhor com um cordão das sapatilhas. Sim, tenho cara de sonsa mas genes de MacGyver...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

No dia em que Luanda mudou para mim

Acabo de ler este post do Miguel. E ainda estou nervosa, só de o ler. Com aquela sensação que se tem quando se vê um filme de suspense ou, no meu caso, também antes dos testes na escola. Pela primeira vez aqui no blog decidi também falar da experiência que vivi, quase há um ano. Na altura, achei por bem não escrever nenhum post. Não por mim, por não querer recordar. Mas pelas vozes dos merdosos que eu sei que iam aparecer a perguntar se no meu país também não há assaltos e blá blá blá pardais ao ninho. E eu, sinceramente, não tenho pachorra para gente estúpida. Porque haver há. Eu é que em 30 anos de existência, nunca vivenciei nenhum. Em Portugal ou nos países para onde viajei. Nem ninguém da minha família ou amigos. E também não moro propriamente em Carrazeda de Ansiães. O mesmo já não posso dizer dos amigos/colegas que vivem em Luanda. Mas, adiante. Quando fui assaltada, ia sozinha. Ia ter com uns amigos para jantar. Estacionei ao lado do restaurante, também na ilha. A partir daí foi o inferno. Os parvalhões - dois - não iam armados. Ou pelo menos, eu não vi nada. Até porque, dois matulões, visivelmente alterados com álcool ou drogas, não precisam de grande ginástica para me assaltarem. O problema é que eles não disseram nada. Não pediram nada. Um avançou logo a enrolar-me o braço no pescoço, a tapar-me também a boca e o outro, a procurar pelo que podia. E eu, esperneei, gritei porque sinceramente não pensei que aquela merda fosse só um assalto. E resisti. Muito. Já no meio do chão, abri a mão e dei-lhes o telemóvel que levava. A perda foi só essa. "SÓ". Ainda perguntaram se eu tinha mais alguma coisa e eu, com um sangue-frio inimaginável disse que não, sentada no meio do chão, e com o dinheiro no bolso de trás. Fiquei toda dorida nos dias que se seguiram, pescoço e orelhas inchadíssimas e um pé arranhado. Os camaradas à volta, que acham que controlam os nossos carros, nada. Só olhavam, talvez tão assustados como eu, não fosse a seguir chover também para eles. E pronto, depois disto a minha vida em Luanda, nunca mais foi a mesma. E agora, quando me perguntam qual é, para mim, o pior problema de Luanda, eu respondo: a segurança. Esta não foi a única situação de perigo. Tive outra, há poucos meses. Outro parvalhão, desta vez com um faca. E eu, em pânico (e feita estúpida), voltei a resistir mesmo depois do primeiro episódio me ter mentalizado que jamais resistiria novamente. Mas não. Desta vez pirei-me virada de costas para ele. O que é sempre bom quando o gajo que vem atrás de nós tem uma faca na mão. O que me safou é que aquele era um bandido ingénuo, um baby-bandido, e seguiu a vida dele quando viu que eu ia dar trabalho. Não fui feita para ser assaltada, está visto. Esta última, ainda por cima, foi num fim de tarde no regresso a casa depois de ter tido um acidente de carro, também o mais violento nos meus 30 anos de existência (culpa do outro que bateu por trás a uns, sei lá, 80km/hora), naquela "autoestrada" ali para os lados da Corimba. Já em casa, lembrei-me do que um amigo me tinha dito depois do outro assalto. "Nunca acontecem dois azares no mesmo dia". Pois. Parece que em Luanda tudo pode acontecer.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Só um parêntesis...

E pronto, deixei cair a minha capa de super-mulher. Hei-de recuperá-la mas, nos próximos tempos confesso que vou andar com o chamado “medinho”. Pois é, após 2 anos de Luanda, de Cazenga e de Mulemba. Depois de Boavista e porto pesqueiro, com tudo de mau e podre que se pode imaginar. Depois de deixar admirados alguns homens, por andar de carro sozinha em certos sítios considerados perigosos e para onde eles não iam sozinhos. Depois de ter noção que andava com uma sorte do caneco. Eis que sofri a minha primeira tentativa de assalto, em plena cidade, às 10h da manhã. No meio do trânsito confuso de uma rotunda. Com dezenas de carros à minha volta, a escolhida fui eu. O método foi o mesmo que o F. descreveu à uns tempos. Com o portátil e a carteira no chão do carro. Com o telemóvel ali ao lado. Com o relógio no braço esquerdo e o anel na mão esquerda. O bandido deve ter ficado atordoado. Frustrado. Confuso. Deve ter pensado que perdera as suas capacidades de persuasão. Ou então, a cara de mau. Depois de tentar abrir a porta e dar alguns murros no vidro. Depois de abrir o casaco, para mostrar sei lá eu o quê. Depois de dizer “dá tudo o que tens”. O que fez a garota? Ignorou. Olhou para ele com cara de paisagem. Por sorte não abriu uma nesga de vidro e disse: quê? Ou então: vai lá à tua vidinha e deixa-me ir à minha, que já se faz tarde. Ou ainda: sai do meio da estrada que ainda te atropelam, pá. E porquê que a garota fez isto? Porque não sabia que um assalto era assim. Porque só depois juntou as situações. Murros no vidro – mostrar casaco – dá tudo o que tens. Tudo isso só fez sentido, depois. Quando já tinha saído do meio da confusão. Quando percebi que tinha escapado a um assalto, graças à minha cara de ai-não-me-chateies-que-hoje-é-sexta-feira-e-eu-ando-bué-cansada. Aí, a capa de super-mulher caiu e as lágrimas saltaram. Aí, desejei estar em casa. Na minha casa, em Portugal.

A programação segue dentro de momentos. Preciso pensar e olhar para coisas bonitas e esquecer esta m*rda de manhã. Vamos lá fechar o parêntesis e continuar com a viagem ao Uíge.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Momento de Tensão

O enorme jipe tenta estacionar em 45 graus numa vaga em que sua largura não cabe e, com isso, pára o trânsito da Major Kanhangulo, na Baixa, quase em frente à ONU, às 10h30.

Dois carros nos separam do que está a manobrar. Todos irritados com a demora, a buzinar, quando um rapaz trajando camisa azul para fora das calças, mochila nas costas e boné na cabeça se aproxima do carro à nossa frente.

Eu e o A., do Diário da África, assistimos a cena toda. O rapaz começa a esmurrar a porta, o vidro. Ameaça tirar uma arma da cintura. A moça ao volante do carro se assusta, deita para o lado, mas não abre a porta. O gatuno está nervoso, ela também. Não sei se é intencional, mas ela acelera o carro e bate na traseira da caminhonete que estava parada à frente.

Foi o que a salvou. Os dois ocupantes da caminhonete saltaram para ver o estrago - que, afinal, não aconteceu - e o gatuno resolveu fugir. Saiu caminhando calmamente e passou bem ao lado do meu vidro, como se nada tivesse acontecido.

Se fosse no Brasil
Seria pior, eu sei. Ele jamais teria tentado uma assalto desse tipo se não estivesse verdadeiramente armado. E a resistência dela teria resultado em disparos e a provável morte da vítima. Mas, não se iludam, caros angolanos: é para lá que Luanda caminha se as autoridades continuarem a fechar os olhos a fingir que a criminalidade não existe.

domingo, 5 de outubro de 2008

A despedida de Greg

Ilha do Cabo, Luanda . Foto de Greg Salibian

Cota 50 era o único angolano naquele encontro de brasileiros e deu o tom do que sentia, assim que me cumprimentou, com o seguinte relato:

– Quando eu era prisioneiro dos portugueses, durante a guerra colonial, o que eu mais sofria era com as despedidas. Os soldados vinham do Tuga fazer a tropa aqui, nós formávamos grandes amizades, mas depois de um ano eles voltavam deixando uma saudades do caraças.

Aquela reunião era a despedida de um grande amigo não só do Cota, mas de todos nós. Enquanto escrevo este texto, o fotógrafo Greg Salibian atravessa o Atlântico com destino ao Rio. Bilhete só de ida.

Quando o assaltaram há duas semanas, os gatunos levaram, junto com lentes e flashes, a liberdade de Greg trabalhar. A empresa que o contratou considerou importar equipamento novo dos Estados Unidos, mas isso demoraria mais do que o tempo que Greg ainda tinha para ficar em Angola. Seu contrato era de três meses e terminaria em novembro.

Assim, decidiram indenizá-lo em dinheiro, pagar o mês que faltava, e lhe dar o bilhete de volta mais cedo. Um final feliz para o caso do assalto, mas triste para todos os que com ele conviviam por aqui. Em apenas dois meses, Greg aprendeu a enxergar uma beleza angolana que a maioria de nós leva muito mais tempo para perceber.

Em homenagem, esta Casa realizará esta semana uma exposição de imagens que ele deixou antes de partir. E continuará, claro, com as portas abertas para que ele continue a publicar, sempre que quiser, as saudades que vai sentir de Angola.

domingo, 21 de setembro de 2008

Gangues juvenis, em Luanda

"Squad", é o nome dado à maior parte dos gangues juvenis da nossa cidade de Luanda, que nem sequer sabem o que aquilo quer dizer. Muitos desses gangues, de juvenis não têm nada, apesar de apresentarem B.I. de componentes com 16 e 17 anos, a verdade é que a maior parte deles até já têm 30, bigode e barba cerrada. São jovens que já "cheiraram" de tudo, mesmo gasolina e outros materiais corrosivos. Kabiri (Cão), era um garoto que frequentava um desses gangues, chamado assim porque tinha arrancado um naco de carne do braço de um companheiro, quando este lhe quis roubar um pacote de liamba, enquanto dormia nas arcadas do prédio Treme-Treme, na baixa da capital. Já não regulava muito bem da cabeça, mas era um perigoso, já levava muitos assaltos e até mortes e violações no seu cadastro. Drogava-se com dibanga, cocaína misturada com outras drogas pesadas, droga que começou a aparecer em todos os sítios da Luanda noturna e ultimamente nos mercados do Kazenga. Dizia ele, que tinha ficado assim, porque incarnou o espírito do seu avô, feiticeiro e fundador de uma seita misteriosa que actuava de noite, as sessões eram à porta fechada, onde os crentes se despiam ao som dos ngomas (tambores), dançando e gritando até ao chegar do Sol, incluindo mulheres e crianças. O espirito do tal avô tinha entrado na sua cabeça e lhe ordenava coisas estranhas para fazer.Para afastar os espíritos maus tinha que boiar. Andou muito tempo a bater a zona das bombas de gasolina da Avenida Comandante Jika, vendendo de dia, cigarros e discos, e à noite, droga, Viagra e filmes pornográficos. Numa noite, apareceu baleado, ninguém sabe como foi, se foi gangue rival ou a polícia. Morreu um bandido, mas apareceram muitos mais para o substituir.