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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Petróleo, diamantes e musseques

A agência Habitat, das Nações Unidas, divulgou ontem o relatório "Planejando Cidades Sustentáveis", no qual sustenta que 200 mil pessoas no mundo deixam o campo todos os dias para viver em cidades - que obviamente não estão preparadas para recebê-las. O resultado disso é o crescimento assustador do número de pessoas a viver em moradias precárias - as favelas brasileiras, os musseques angolanos.

Em África estão os cinco países com os maiores percentuais mundiais de habitantes vivendo nessas condições. Serra Leoa, onde 97% da população é favelada, lidera o ranking.

Angola, o segundo maior produtor de petróleo de África, o terceiro maior produtor de diamantes do mundo, ocupa o 4o lugar da lista: 86,5% da população vive em musseques.

Antes que saiam já a criticar o brasileiro, de que só fala mal de Angola e esquece os seu país, coisas que cansei de ler por aqui: no Brasil, 29% da população é favelada. O que não é nenhum alívio, já que em números absolutos dá pouco mais de 55 milhões de pessoas - o equivalente a mais de quatro vezes a população total de Angola.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Angola explica a Queda da Bastilha?

Comício político no arredores de Luanda em 2008: marchon, marchon!

Hoje, como todo mundo sabe, comemora-se a queda da Bastilha, um marco histórico da humanidade na luta contra a desigualdade social – se bem que pouca coisa mudou na terra do fromage, marriage - e da fulerage - desde que Marie Antoniette teve o pescocinho separado do colar de pérolas .

Mas eu não consegui deixar de achar surreal essa notícia abaixo, lida hoje na Angop, sobre as comemorações do 14 Juillet nas ruas de Luanda. “Audácia pura”, como diria um personagem de TV no Brasil cujo nome não lembro mais, dos organizadores. Por muito menos deboche cabecinhas coroadas rolaram “em” Europa.

Segue a notícia.

Queda da bastilha representa início da igualdade entre os cidadãos

Luanda - A queda da bastilha de França representa para o povo francês o "início do princípio" da república, baseado em valores como a igualdade, fraternidade e liberdade, considerou hoje, em Luanda, o embaixador francês em Angola, Francis Blondet.

O diplomata falava à Angop a propósito do dia nacional da França, que se comemora hoje (14 de Julho), e assinala a queda da Bastilha (que serviu como prisão do estado absolutista francês), em 1789.

Segundo o embaixador, o 14 de Julho vem afastar em França a ditadura e a monarquia absoluta contra os homens e a vontade da colectividade.

"Essa data representa o dia da libertação do povo de Paris, de modo simbólico, pois foi a 4 de Agosto do mesmo ano que se pôs fim ao sistema político, no qual uma categoria de cidadãos superava as outras", explicou.

Para a França de hoje, adiantou, o 14 de Julho é uma festa militar, com desfile do exército, inclusive estrangeiro,e este ano terá como convidado especial o da Índia.

Disse que todos os anos a efeméride é comemorada com a presença de vários chefes de Estados convidados.

Em Luanda, a data vai ser celebrada com uma cerimónia oferecida pelo embaixador da França em Angola, durante a qual vai proferir um discurso.

A bastilha foi originalmente concebida apenas para um portal de entrada ao bairro parisiense de Saint-Antoine, motivo pelo qual era denominada bastilha de Saint-Antoine, mas ficou conhecida por ter sido uma prisão e funcionou desde o início do século 17 até o final do século18.

A mesma foi derrubada a 14 de Julho de 1789.

Actualmente o local foi transformado em praça pública, onde todos os anos é apresentado um desfile militar em saudação a data.



domingo, 15 de fevereiro de 2009

Uma história tristíssima

Assisti a história na TV esta semana:

Cerca que 15 angolanos que ficaram cegos por causa da guerra civil vieram para o Brasil há uns 10 anos, mais especificamente para o Paraná, e aqui ingressaram na faculdade de música. Como muitos no seu país, eles foram estudar no exterior com apoio financeiro de bolsas e assumiram o compromisso de voltarem, depois de formados, para dar o seu "contributo" na reconstrução nacional.

Tudo muito bem se agora, faltando alguns semestres para a formatura - quando todos já estão tocando piano divinamente -, a instituição de fomento ao estudo, baseada em Luanda, não mandasse o recado categórico de que o dinheiro acabou e que os angolanos precisam voltar urgentemente para o seu país. 

Terríveis como só eles sabem ser, os jornalistas fizeram uma matéria dramática mostrando o sofrimento dessas pessoas, a dificuldade para viver uma vida sem exergar nada, o amor que já tinham pelo Brasil e o risco que corriam em voltar para o país sem a formação completa - além, claro, de questionar o que um grupo de pianistas cegos iam fazer em Luanda, nessa altura da reconstrução nacional. 

Rampas nas ruas das Ingombotas? Braile nas entradas dos teatros onde eles forem tocar? Sinal sonoro no cruzamento da Rua Rey Katyavala? É bom lembrar que eles vivem, atualmente, em Curitiba, exemplo mundial de bons equipamentos urbanos, inclusive para quem não exerga um palmo à frente do nariz. Aliás, não exerga nem o nariz.

O Instituto dos Cegos do Paraná entrou na justiça para evitar a "deportacão" do grupo e, segundo a TV, agora é a fundação angolana que vai recorrer na justiça para ter os seus "retornados" em casa o mais breve possível.

E por que a foto do José Saramago no início desse post? Porque, num caso desses, a leitura ou a apreciação fílmica do "Ensaio Sobre a Cegueira" seria, em princípio, um começo de conversa para a solução do caso.

Um grupo de pianistas cegos "aterrando" em Luanda. Nem Saramago pensou nisso.



terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Lá vem polêmica

Eu sei que este post vai causar polêmica, mas eu tenho esse defeito de continuar me indignando com as injustiças... Fazer o quê?

2009 chegou com uma debandada geral de amigos estrangeiros que moravam em Angola. Foram abatidos pelo "blue stamp". (Vamos deixar claro desde já, esse não é o meu caso. Parto por livre e espontânea vontade. Poderia inclusive renovar meu contrato, mas por razões pessoais que explico neste post, decidi voltar.)

Funciona assim: 0s vistos angolanos de trabalho concedidos a estrangeiros têm validade de um ano, com possibilidade de duas renovações. Na segunda, o expatriado ganha um carimbo azul. Significa que, ao final do terceiro ano de trabalho, a renovação do visto lhe será negada. Ele terá de ir embora do país. Está na lei.

O governo alega que assim protege os angolanos. As companhias estrangeiras devem empregar mão-de-obra nacional e o carimbo azul as forçaria a isso. Na prática, porém, as empresas trazem outro estrangeiro para o lugar porque, ao mesmo tempo em que dá o carimbo azul, o governo permite que as companhias descontem dos impostos todas as despesas com passagens aéreas, com aluguéis milionários, com seguranças, motoristas e toda a estrutura de saúde especial que criam para manter os seus empregados expatriados.

Mas por que o governo de Angola permite isso? Eu não sei a resposta. Só sei que essa isenção é uma das responsáveis pela loucura dos preços em Angola. Como o dinheiro não sairá do orçamento delas, e sim dos impostos angolanos, as petrolíferas pagam qualquer preço que lhes peçam por aluguéis, empesas de seguranca, etc. etc. etc.

Quem ganha com essa isenção? Todos os generais que possuem empresas de proteção, pousadas, e hotéis, todos os políticos, ministros e pessoas influentes que são donos das casas do Miramar, do Alvalade e da Sagrada Família, cujos aluguéis chegam a custar 30 mil dólares por mês. Todos os angolanos ricos que são obrigatoriamente sócios dos estrangeiros em clínicas particulares de saúde, etc. etc. etc. Eles cobram o preço que lhes vem à cabeça, as petrolíferas aceitam e quem paga a conta é o erário angolano.

Em outras palavras, o carimbo azul é uma hipocrisia. A isenção é uma farra tributária e existe porque quem manda neste país ganha muito dinheiro com a presença de expatriados em Angola.

Se o governo quer mesmo estimular a contratação de quadros angolanos, pode começar por mudar a isenção de impostos. Em lugar de descontar despesas com expatriados, que tal permitir apenas a dedução nos impostos do dinheiro gasto em treinamento e formação de funcionários angolanos? Seria uma forma direta de incentivar a qualificação do trabalhador nacional para que ele tivesse condições de assumir os melhores cargos nas empresas estrangeiras.

Com o tempo, as companhias teriam quadros angolanos suficientes para os melhores cargos e parariam de gastar fortunas com expatriados. Mas aí os preços dos aluguéis, o lucro das empresas de segurança, das locadoras de veículos, tudo isso despencaria. Se não puderem deduzir esses gastos dos impostos, as companhias não aceitarão pagar qualquer preço que lhes peçam, como acontece hoje.

Será que isso interessa a alguém?

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Preocupação legítima

Tou mesmo a ficar preocupado, depois da goleada de oito a um, que o M deu na oposição, eu esperava, para além de uma limpeza séria do balneário, que os novos e velhos governantes, apresentassem uma nova linguagem (e um programa para o quadriénio que aí vem com pés e cabeça), diferente dos discursos, mais que esfarrapados a que nos habituaram num passado recente. Até parece, que só mudaram a data dos discursos, pois o "papo", é o mesmo. Vamos fazer isto e aquilo, vamos acabar com a miséria e a fome do "nosso povo"; escolas, vão aparecer como o kisonde; casas para os pobres, vão ser milhões; condomínios e prédios altos a rendas proibitivas, nunca mais; corruptos, fora(?); justiça para todos; polícia na rua disciplinada, acabou a era da gasosa; água e electricidade em todos os bairros, acabou o tempo dos geradores; mais hospitais e saúde para todos no ano três mil. Já estou cansado de escrever tantas realidades, como eu já disse, aqui há uns tempos, "estou farto de realidades, o que eu quero são promessas". Se os discursos fossem flores, Angola era um jardim.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

As primeiras eleições gerais no nosso país, em 1992,trouxeram o multipartidarismo, uma oposição legalizada, às claras, jornais e rádios privados, falando de tudo e todos com um grande à vontade. Ás vezes, os do poder, não entendem o que é a liberdade, felizmente, não são todos, são a excepção para confirmar a regra. No entanto, nas províncias, realmente, a palavra liberdade ainda não consta nos compêndios da maioria dos nguvulus(governadores) lá do sítio.
Tem-se cometido erros, mas quem não erra, até dizem que errar é humano. Mas, aqui para nós, em kaxexe, sem que ninguém nos ouça, a verdade é que temos errado bwé. Também, a oposição que estamos com ela, entra na Assembleia, muda, e sai calada, a sua maior preocupação são os seus salários e a marca dos carros, para já não falar dos subsídios chorudos que recebem. Para que haja mudança é preciso debate de ideias, campanhas a favor da resolução dos problemas do Povo, de quem tanto falam e não fazem nada. O fosso entre ricos e pobres é cada vez maior no mundo, então em Angola, o buraco é tão grande, "que nem me fales", dizia o meu parente de Malanje, "vai de Cabinda ao Cunene".

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Fui convidado para colaborar como co-autor neste blogue e devo apenas falar do meu país. Tenho tanta coisa para contar, coisas más, miséria, fome, doenças, pouco ou nada de saúde, educação é o que se vê. Prostituição infantil, tráfico de orgãos, droga e alcool. Trânsito, falta de água e luz. Museke, lixo é bwé, cidade do asfalto não fica atrás. Coisas boas, povo generoso, gosta de receber bem, generoso até demais. Próximas eleições, coisas boas, será? Expatriado está com medo, angolano rico também. Pobre tem que aguentar, "é a minha sina já", diz ele, com esperança que tudo venha a melhorar. Promessas e mais promessas, bicho político é assim, promete para não perder a cadeira do poder, depois vira alzheimeroso, tudo esquece, o povo que se lixe, nem todos podem ser ricos, isso é que era bom, socialismo já era, ou melhor já foi, igualdade só no céu, mas isso não sei, pois ainda não morri, para saber, disse o João Domingos, criado (empregado) de um branco, cooperante da Teixeira Duarte, que diz não ter nada a ver com isso, está ali para cooperar e política não é com ele.