Mas nem tudo é mau. E depois, quando me perguntam do que gosto de cá, não hesito: do clima. Para um brasileiro, eu acredito que não faça grande diferença mas, para nós, portugueses, este clima é muito diferente das nossas 4 estações. Eu até gostava, quando vivia em Portugal, das mudanças de estação. Ora agora é Outono e as ruas enchem-se de folhas, ora a seguir vem o Inverno e com ele o meu aniversário e o frio, muito frio e os bolos ao Domingo à tarde. E depois, vem a Primavera e o início dos dias bons e, a seguir o Verão e as férias e a praia com as inevitáveis nortadas e a água de mar que gela até aos ossinhos para quem mora no Norte, como eu, que vivo a 200 metros da praia e acho que já não vou lá, de bikinolas e toalha desde que estou cá. Faz 4 anos este ano. No entanto, desde que descobri o Verão o ano todo, não quero outra coisa (por hoje, amanhã logo se vê). Também já ouvi vozes contrárias que o calor daqui não é bom, que é calor demais. Vão para a Suécia. É melhor. Quando regresso a Portugal de férias, sobretudo no Inverno, sou menina para ficar em casa aí uns 3 dias, todo o dia de pijama, com o aquecedor a apontar para as perninhas. Ai que frio, ai tanta chuva e nhãnhãnhã... Depois, é que começo a conviver. Claro que também vou sentir falta de algumas pessoas. E de um mufetezinho. Mas acredito, que quando for uma velha jarreta, nos convívios familiares assim, tipo Natal, vou contar sempre a mesma história. Ah o clima, as praias, o mar, as saídas com vestidinhos esvoaçantes, as festas nos terraços dos amigos, pela noite dentro sempre, mas sempre com calor bom. E todos continuarão a comer as batatas com bacalhau (se entretanto o gajo não estiver extinto), ou o assado com esparregado, a olhar para o prato e a ignorar a 337ª vez que eu falo em Angola e no clima (naquele ano).
Carlos Botelho
Há 6 dias
