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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Estariam ascendendo um estopim?

Desde que os levantes no mundo árabe começaram que muitos se perguntam quando os mesmos chegarão a Angola. Agora o movimento ganha a internet e tem até data para acontecer.
Um site que eu não vou mencionar, pq não faço apologia ao crime, convoca os angolanos a irem a rua com data e hora marcados. O governos já deixou claro em comunicado em rádio e tv que se isso acontecer eles tomaram as medidas necessários amparados na lei e na constituição.
O alto comando alertou que, nestas circunstâncias podem ser tomadas medidas sérias, porque o poder não pode estar nas ruas.
Enquanto isso, o boato se espalha pela internet com textos que deixam claro que quem escreveu não é angolano e com certeza nunca esteve numa guerra e tão pouco corre o risco de ter o seu precioso sangue derramado pelas ruas.
Angola tem sim seus problemas, mas só quem não está aqui pode querer colocar o povo na rua contra o exército mais bem armado de toda a África.
Uma democracia se constrói na urna. E é lá que o povo vai dizer se aprova ou desaprova o que o governo faz. As últimas eleições foram em 2008 e as próximas serão em 2012, não faz o menor sentido colocar vidas em risco, fazer o povo sofrer mais do que já sofreu em 30 anos de guerra e ainda continua sofrendo.
Rezo para que o povo não caia nessa armadilha e que continue lutando de forma democrática para melhorar essa terra tão linda.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Agora sim eu entendi a reeleição


A reportagem da Folha de S.Paulo citada aqui ontem pelo X. teve uma continuidade. No episódio de hoje, o repórter explica a dependência da economia angolana do petróleo e encontra até um notável crescimento de outros setores, com fonte da Católica.

Além de se assustar com o preços cobrados por um café (5 USD) e um sanduíche (20 USD), ele tenta fazer uma rápida explanação do cenário político angolano, no trecho que - com a autorização do X., notório opositor das cópias de textos na internet -, reproduzo a seguir com o devido crédito:

"O futuro econômico de Angola também depende dos rumos da política. A nova constituição permitiu ao atual presidente, José Eduardo dos Santos, se candidatar. Ele deve ser o cabeça de lista do MPLA, partido do governo, em 2012. A partir daí, deve iniciar o plano de sucessão pacífica e renunciar, deixando o poder para o vice após mais de três décadas." (o grifo é nosso).

Xé, quer dizer então que o mais velho vai se candidatar à reeleição para em seguida renunciar? Epá, esses repórteres acreditam mesmo em tudo o que ouvem...

sábado, 7 de março de 2009

José Eduardo dos Santos vai recandidatar-se


O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, vai recandidatar-se às eleições presidenciais de 2009, foi avançado pelo secretário-geral do seu partido MPLA.

Embora o actual presidente ainda não tenha confirmado a sua candidatura, o secretário-geral do partido afirmou que José Eduardo dos Santos é o «candidato natural» do partido. Uma vez que o MPLA venceu as legislativas de Setembro com 81 por cento dos votos, espera-se que o resultado das eleições presidenciais de 2009 dê a vitória a José Eduardo dos Santos.

As eleições presidenciais ocorrerão apenas depois de o Parlamento votar com uma nova Constituição, que irá estabelecer se os futuros presidentes serão escolhidos pelo Parlamento ou pelo povo, como acontece actualmente. Se for realmente o Parlamento a escolher o novo presidente é natural que José Eduardo dos Santos seja reeleito uma vez que o seu partido controla dois terços da Assembleia. 

Segundo Alcides Sakala, porta-voz do maior partido da oposição, a UNITA, «o presidente tem que ser eleito pelo povo» e, se for esse o caso, então «Eduardo dos Santos já é o vencedor».

Fonte:(c) PNN Portuguese News Network

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Angola 2009

Como correram melhor do que o próprio MPLA esperava as legislativas de 2008, o presidente José Eduardo dos Santos parou de dizer que não mais seria candidato a reeleição nas presidenciais de 2009.

E então, coincidentemente, surgiram espalhados pela cidade centenas de cartazes como esse, com excertos de discursos do presidente. Quem achar que estou exagerando, pode fazer uma visita ao Aerograma, onde o companheiro Afonso Loureiro mostra melhor a decoração zéduardiana de Luanda.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sim, nós podemos

Hoje acordei com aquela sensação de ano-novo. Dormi pouco, acompanhando a votação americana, e acordei com aquela injeção de esperança e otimismo que os anos-novos sempre me despertaram. Lá do outro lado do Atlântico, Barack Obama me encheu de entusiasmo.

Mas o que o novo presidente-eleito dos Estados Unidos representa para Angola?

Com seu slogan de campanha ("Yes, we can!"), Obama já conseguiu, antes mesmo de começar a governar, a incrível façanha de convencer as pessoas de que "sim, elas podem". E convenceu pessoas-chave:

-Os negros (americanos e não americanos), de que é possível um mundo onde as cores se misturam e pesam o mesmo na balança das oportunidades;
-Os jovens, de que política é coisa deles sim, e que há um mundo inteiro esperando por eles pra ser mudado.
-Os idealistas, de que sua batalha não está vencida e que a democracia nem sempre serve aos interesses dos poderosos;
-E finalmente a África, que pela primeira se vê representada nos genes e nas preocupações de um presidente americano, de que o continente tem tudo para deixar de ser o patinho feio do mundo.

Obama me emocionou com seu discurso dessa madrugada. Lembrou-nos de como um país deve ir muito além de uma coletividade de individuos. Deve ser uma unidade de pessoas que olham umas para as outras. Lembrou que temos histórias diferentes, mas um mesmo destino. Que enquanto respiramos, temos esperança.

E, principalmente, convocou os americanos e o mundo para um novo espirito de trabalho, baseado na responsabilidade, nas alianças, na esperança, na liberdade e na paz. Espero que o discurso ecoe em Angola, pois este país precisa como ninguém de todos esses valores.

Repito sua pergunta: Que mudanças veremos daqui a 100 anos?

E parafraseio também sua resposta: Cada um de nós é responsável por cada uma dessas mudanças, a cada dia, em cada ato.

Posso ser idealista, mas ainda acredito que a arma mais poderosa que temos é o BOM EXEMPLO. E é de exemplos como Obama que o mundo mais precisa neste momento.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

MPLA arrasa a concorrência*



O gráfico acima, divulgado pela Comissão Nacional Eleitoral de Angola ao meio-dia, mostra a última parcial das eleições legislativas de 2008, que transcorreram livremente, com adesão em massa da população, sem registro de violência ou maiores transgressões comprovadas da lei.

Todos tiveram a chance de votar, mas o resultado mostra que democracia não é apenas ir às urnas fazer um X num papel. A construção dessa idéia é uma coisa lenta, que requer educação universal de qualidade, imprensa livre, liberdade de expressão.

Num pleito com 14 concorrentes, a vitória de um deles com mais de 80% é o tipo de coisa que só acontecia em regimes autoritários como o de Fidel Castro ou da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, pra ficar em dois exemplos.

Esse resultado dá ao MPLA o direito de continuar ditando as regras sozinho, como sempre fez, só que agora legitimado pelas urnas. Vai-se mudar a constituição sem espaço para o debate de idéias, vai-se construir novas leis que podem ser melhores para os que estão no poder do que para a totalidade do povo angolano que eles, agora legitimamente, representam.

Quem quis assim foi o povo angolano, que escolheu continuar vivendo sob um regime de partido único. Seja feita a vontade do povo.

Por que o povo angolano escolheu isso? Por medo da volta à guerra? Por influência da propaganda avassaladora veiculada pela mídia estatal e pelas comunicações de obras e "benfeitorias" do governo durante os últimos anos? Por falta de compreensão dos benefícios de um regime com espaço para o debate de idéias?
Eu não sei a resposta. É uma boa questão para uma tese de mestrado.

* O título deste post reproduz a manchete de ontem do Jornal de Angola.

domingo, 7 de setembro de 2008

Última parcial nacional

Ao meio-dia, a parcial da lavada era a seguinte:

MPLA - 81%
Unita - 10%

O pleito teve problemas, sem dúvida, com a prorrogação da votação por um dia por causa da falta de material em algumas assembléias. No geral, porém, correu bem.

A Unita queixa-se de que houve violação da lei eleitoral e apresentou pedido de impugnação, que será julgado pelo Tribunal Constitucional. Alega que metade de seus delegados de fiscalização não foram credenciados pela Comissão Nacional Eleitoral, que faltaram listas de votação nas assembléias de voto e pessoas treinadas para trabalhar nas mesas de votação foram substituídas de última hora por pessoas estranhas ao processo.

Mesmo questionando o processo, diz que a vida continuará normalmente e que o partido exorta os angolanos a manterem a paz, porque outras eleições virão, agora a cada quatro anos.

Usa o seu direito de questionar o processo, mas com uma postura responsável, dentro da lei.

O grande vencedor, até o momento, é o povo angolano.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Coisas para esquecer

O Diário da África publicou esses dias um relato sobre o movimento de volta que a população oriunda do sul do país estaria fazendo antes das eleições. Precaução, por causa da memória do que aconteceu em 1992.

J. trabalha comigo. Ele nasceu em Viana, na província de Luanda, mas os pais são de Benguela. Na capital, sempre foi identificado como uma pessoa do sul, por causa do sobrenome e das origens.

Em 1992 ele ainda era criança, mas se lembra bem do que aconteceu:

"Meu pai era do MPLA, sempre foi. Mas era do Sul. Nós morávamos já aqui em Luanda quando a guerra voltou. Os comandos das FAPLA e dos Ninjas* saíram às ruas matando todas as pessoas oriundas do sul, como represália pela opção do Savimbi de voltar à guerra. Meu pai foi arrancado de casa, levado para um paredão e nós ficamos de longe, olhando, eu tinha certeza de que ele ia morrer. Meu pai dizia que era do MPLA, mas eles diziam que era mentira. O que o salvou foi um major que apareceu na última hora e o conhecia do partido. Depois daquilo, ele pegou as três armas que tinha em casa, deu nas nossas mãos e disse: 'Se surgirem de novo, vocês fazem tiro, não importa se for do MPLA ou da Unita. Qualquer um deles vai nos matar'. Por sorte, ninguém mais surgiu. Mas muita gente do sul que era inocente morreu, simplesmente por que tinha nascido no lugar errado."

* Ninjas - Apelido da Polícia de Intervenção Rápida, a divisão de elite da Polícia Nacional

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

E se...

Como perguntar não ofende, tenho colocado esta questão a muitos camaradas do Partido do Coração:

E se o MPLA não vencer? O que acontece?

Baseados em pesquisas secretas, que circulam apenas dentro do partido e que apontam para uma vitória esmagadora que daria 4 cadeiras ao M para cada cadeira da oposição, os camaradas apenas respondem: "Não há hipótese".

A resposta me deixa um pouco preocupado. Não muito, porque poderiam responder "fechamos a Assembléia e adeus democracia". Mas ainda assim um pouco preocupado, porque ninguém disse "Aceitamos o resultado e governamos com a oposição, já que essa terá sido a vontade do povo".

O "não há hipótese" significa que ninguém sequer cogita essa possibilidade. O pior revés que sofremos é sempre aquele que nos pega desprevinidos...

Como nada disso vai acontecer e o MPLA vai ter mesmo uma vitória esmagadora, não faz mal nenhum elocubrar. Pratique o exercício do voto. Responda à questão na enquete ao lado. As urnas fecham amanhã.

Agora entendi porque o trânsito hoje estava tão bom...

"Governo decreta tolerância de ponto

Luanda - O Governo angolano decretou tolerância de ponto na quarta-feira, 3 de Setembro, último dia da campanha eleitoral para as legislativas de sexta-feira próxima.

O despacho divulgado pelo Governo, nos órgãos de Comunicação Social, estipula que a tolerância de ponto abrange todo o país, não contemplando os trabalhadores que laborem em regime de turno.

O Conselho de Ministros, entretanto, havia já decretado tolerância de ponto em todo o país no dia das eleições legislativas, 5 de Setembro.

Fonte: Angop"

Moço, será que dá pra decretar essa tolerância eternamente?

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Advinhe qual era o partido?

Esta é da série "acredite se quiser".

Resolveram fazer, no fim de semana, um comício lá onde Judas furou as meias (sim, as botas ele perdeu muito antes), que por acaso é também o lugar onde habita este signatário. Montaram palco para o show, barraquinhas, bandeirinhas e aí descobriram que o Posto de Transformação da região não dava conta de iluminar a praça onde seria a festa.

Como resolveram o impasse? Desligaram a energia de metade do bairro para garantir a festa.

Resultado: minha casa está sem luz desde sexta-feira. O comício foi no sábado, mas como os técnicos não pretendiam trabalhar no fim de semana, desligaram já na sexta.

Só devem religar hoje. Ah, essa democracia...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Tempo de Antena

A Rádio Nacional de Angola resolveu o dilema de como distribuir a cobertura eleitoral entre todos os partidos que disputam a Legislativa do próximo dia 5.

No noticiário da manhã, ela intercalava uma reportagem (4 a 5 minutos) de alguma atividade do MPLA com outra (2 minutos) de outro partido. Era uma do MPLA, uma da oposição, outra do MPLA, outra da oposição, e assim por diante.

Entre as notas da oposição, duas davam conta da adesão de membros dos respectivos partidos citados, no caso a Unita e a PSD, que haviam se bandeado para o MPLA.

E que ninguém ouse acusar a RNA de tomar partido, pois não.

domingo, 10 de agosto de 2008

Em contagem decrescente

Sempre vi as eleições em Setembro de forma positiva. Optimista de que os episódios de violência do passado não voltarão a acontecer. Qualquer um é unânime em concordar que o país precisa de paz para prosseguir com o crescimento económico, desenvolvimento, qualidade de vida dos cidadãos. Talvez este último seja o objectivo mais “esquecido”. Contudo, o acontecimento aproxima-se. 5 de Setembro foi a data escolhida e qualquer um está com muita expectativa. Angolano ou estrangeiro.

Vivo num condomínio em que sou a única estrangeira. Todos os outros vizinhos são negros, pertencentes a uma classe que eu não consigo identificar. Não são ricos nem pobres. Mas também não são classe média. Eu diria que são mais pobres do que ricos, segundo os meus padrões. Mas, são ricos o suficiente para terem água nos reservatórios, gerador, carros e comida na mesa. Num dos últimos fins-de-semana, houve festa numa das casas do condomínio. Ao que parece, um aniversário. Arrependi-me da minha opção em ficar em casa, nessa noite de Sábado. A festa prolongou-se até de madrugada com o DJ a esmerar-se na escolha das músicas. Para meu desespero já que tinha decidido ficar em casa para dormir cedo. Depois de chegar das compras, por volta das 10h da noite, vi que no meu lugar de estacionamento tinha outro carro. Não pedi para tirarem mas antes, para darem um “jeitinho” (à boa maneira do Norte) para que pudessem ficar os dois. O meu e o do convidado. O convidado, nitidamente bêbado, mandou-me esperar e voltou à festa, supostamente em busca da chave. Minutos depois, tinha-se esquecido do meu pedido e já dançava junto com os outros. Consegui resolver a questão de outra forma mas, confesso que não gostei da atitude. Esta história ilustra a minha verdadeira preocupação. Não tenho dúvidas que as eleições vão dar lugar a muita bebedeira, festa, comportamentos exagerados. E isso preocupa-me. Se até agora nunca tinha sentido desconforto por morar num local onde a minha casa é a única de “brancos”, nessa noite percebi que as “biricocas” podem desencadear episódios desconfortáveis mesmo em locais onde nos sentimos bem.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Democracia com as próprias mãos

Eu não vi, mas há quem jure que aconteceu, no dia 4 de fevereiro deste ano, data em que se comemora o Início da Luta Armada pela Independência de Angola.

O presidente José Eduardo dos Santos foi ao Memorial erguido no Cazenga, como habitualmente faz todos os anos na data. No caminho havia uma estrada nova, construída pelo governo provincial de Luanda com verbas do governo central.

Acontece que a tal estrada não estava lá tudo isso. E por essas e outras, a população da região estava revoltada com o governador provincial, Job Pedro Capapinha.

Como governador aqui ainda não é eleito pelo voto – é indicado -, a população decidiu fazer democracia com as próprias mãos. Quando a comitiva do governador chegava ao Memorial, foi recebida por uma chuva de pedras.

A comitiva do presidente, que vinha logo atrás, ficou parada mais de 40 minutos até que a polícia dispersasse os “eleitores”.

Depois dessa, o presidente decidiu ouvir a voz das “urnas”. Exonerou Capapinha.

Não quero nem ver no que dá se o Brasil aprende a usar a “cédula” de pedra...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O medo das urnas

Kianda comentou, a respeito do post anterior:

“O povo ainda não acredita, passado 6 anos, que a paz é efectiva... foram muitos anos em guerra e por vezes, de certeza, ainda parece que a paz não chegou !!!”

Por ruas e gabinetes de Luanda cresce um temor discreto, irracional, como se setembro este ano estivesse a vir grávido de maus agouros.

Se pergunta a qualquer pessoa, todos respondem de pronto que a paz está para ficar, não há hipótese da guerra voltar. Mas estarão todos tão seguros disso?

  • As Nações Unidas avaliam a possibilidade de elevar o nível de alerta do país para seus funcionários.
  • Uma petrolífera americana está a incentivar os familiares de seus funcionários a voltarem para casa em setembro.
  • Uma outra petrolífera incentiva os funcionários considerados não essenciais a tirarem férias no mesmo mês.
  • Duas grandes empreiteiras brasileiras já fretaram aviões para fins de agosto. Querem tirar o máximo de funcionários e seus familiares do país.
  • Uma consultoria brasileira que trabalha diretamente para o governo deu férias coletivas de duas semanas no início de setembro.

Parece que o Aeroporto 4 de Fevereiro vai ser o lugar mais movimentado de Luanda a partir de 20 de agosto.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Recado das Urnas

A pergunta é direta: se pudesse enviar um recado aos políticos que concorrerão na eleição de setembro, o que você diria?



Ingrácia Domingos, 47 anos (de camiseta preta, na foto), fica em silêncio. Ela tem sete filhos (Inês, a outra moça da foto é uma delas), mora numa casa humilde em Cacuaco, cidade distante cerca de 20 km de Luanda.

- Assim o senhor perguntando é difícil de dizer.

Não é tão difícil assim, Ingrácia. Difícil foi ter perdido o primeiro filho, que hoje teria 27 anos, para as febres do paludismo. Difícil foi ter visto a filha Vivia, de 7 anos, contorcendo-se das dores e diarréias do cólera que quase a levou também, ainda mesmo no ano passado.

- É que o senhor sabe, eu não vou encontrar nenhum deles pra poder dizer nada.

De certo que não, Ingrácia. A chance de um deles aparecer na sua casa é a mesma de chegar a água encanada e tratada para acabar com as cinco viagens que você faz, todos os dias, para comprar bacias de 20 litros a dois quilômetros de sua casa. Idas e voltas, noves fora, são 20 quilômetros de caminhada todos os dias com 20 litros de água na cabeça.

- Se encontrasse um deles? Não saberia o que pedir.

Então você não tem água em casa, seus filhos adoecem por falta de saneamento, as caçulas estão fora da escola por falta de vaga e você não tem nada para pedir, Ingrácia?

- Já que o senhor insiste, eu pediria apenas para terem paciência, que é para aquela guerra não voltar. Porque quando ela voltou, em 1992, foi muito triste e mais gente morreu nas províncias. Só pediria isso a eles, para nunca mais voltar aquela guerra.

Paz. É só o que o povo pede.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Em ano eleitoral...

Deu na capa do Jornal de Angola de hoje: "TPA inicia exibição de programa Reconstrução e Desenvolvimento".

O texto explica que a Televisão Pública de Angola exibe, a partir de hoje, um programa diário (segunda a sexta) sobre o processo de reconstrução no país, "dando ao telespectador uma imagem real das mudanças e melhorias proporcionadas na vida do cidadão".

Então tá.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Teorias da Conspiração

No início eu achei exagero, quando li neste blog angolano, a suposta existência de um plano secreto para desestabilizar a Unita. Segundo o sítio, claramente contra o MPLA, o governo de angola teria tramado uma série de ações contra os líderes oposicionistas. Para mim era só mais discurso político, que se inflama conforme se aproximam as eleições parlamentares de setembro.

Mas aí hoje deparo-me na rua com uma manchete no Jornal de Angola, o principal do país: "Paiol de morteiros descoberto no Bié". Em letras garrafais no alto da página.

Para os meus critérios jornalísticos, a descoberta de um paiol num país que passou 27 anos em guerra civil já não seria, em si, manchete de capa. Ainda mais se o jornal nem tinha equipe na Província do Bié e a notícia foi tirada da Rádio Nacional. Lá dentro, é praticamente uma nota escondida em duas colunas, num canto. Nem o alto da página 3 mereceu.

Serviu, no entanto, para dizer na capa que a Polícia Nacional acredita se tratar de um antigo paiol das forças militares da Unita. Exatamente como o sítio citado acima previu que aconteceria... Simples coincidência?
Essa briga ainda vai esquentar muito.

sábado, 15 de março de 2008

UNITA x MPLA


As bandeiras da UNITA e do MPLA, respectivamente: união, por enquanto, só mesmo nesta imagem

No último dia 9 um confronto aberto entre partidários do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) e da UNITA (União Nacional para Independência Total de Angola) deixou três mortos e seis feridos em Mungo, na província de Huambo. É o capítulo mais recente de uma história de ódio entre as duas forças políticas que mergulharam o país na guerra civil durante 27 anos.

A guerra acabou em 2002, mas a proximidade das eleições parlamentares, marcadas para setembro, deixa todos preocupados. Afinal, foi assim que o primeiro acordo de paz foi quebrado, em 1992.

MPLA e UNITA estão, para os angolanos, como Grêmio e Internacional, para os gaúchos, Flamengo e Vasco para os cariocas, Corinthians e Palmeiras para os paulistas. Não se misturam e não se toleram até hoje. Com o agravante de que resolvem as diferenças à bala.

Não sei se as pessoas são realmente politizadas, mas existem muitas bandeiras do MPLA pelas ruas de Luanda. E também já notei muita gente com bonés e camisetas desse partido, no poder desde a independência, em 1975.

Até agora só vi um homem com uma camiseta da Unita. Talvez porque a liberdade de expressão ainda não seja uma conquista consolidada. (É por isso que assinamos com iniciais este blog. Atenção, amigos: na hora de deixar comentários, evitem citar nossos nomes.)