
Hoje faz uma semana que em Luanda só se fala no desabamento do prédio da Direção Nacional de Investigação Criminal (DNIC) da polícia angolana. Foi uma tragédia. Mais de 150 feridos e 30 mortos, na última contagem oficial.
O prédio, situado no bairro da Cidadela (não muito longe daqui), começou a ruir por volta de 1h30 de sábado passado, dia 29 de março. Às 4h30 foi tudo abaixo. A construção servia como detenção para suspeitos de crimes que ainda estavam a ser investigados. Entre os mortos, um bebê que nascera na cela da ala feminina e sua mãe. Um horror.
Em virtude da tragéda, a Defesa Civil de Luanda saiu às ruas tentando identificar outros prédios em risco de desabamento. Listou mais três, um deles bem na esquina do Largo do Kinaxixe, uma das regiões mais centrais da cidade.
Particularmente, acho que eles não procuraram direito. Diante do estado de abandono da maioria dos edifícios da cidade, não me espantaria se descobrissem que as estruturas de vários deles estão comprometidas.

Eva Gabriela acordou numa manhã de 1996, abriu a porta da casa em que morava na província de Kuando Kubango, sudeste de Angola, e quando pisou do lado de fora, explodiu numa mina terrestre que havia sido colocada durante a noite. Perdeu a perna direita. Ela tinha 12 anos na época.
Luisa Miguel Adão Gaspar voltava do riacho, na província do Bengo, com um balde de água na cabeça quando pisou numa mina, em 1997. Passou três meses num hospital angolano. Perdeu a perna e a vista esquerda. Ficou seis meses na Alemanha, socorrida por uma ONG, para tentar reconstruir a face. Tinha 12 anos de idade. 




















