segunda-feira, 3 de maio de 2010
Sobre as saudades do X. - que são a de toda a gente
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
No Chill Out, o sábado é sempre em grande
Dia desses, lembrei com muitas saudades dos agitos da Ilha, nomeadamente a noite de sábado no Chill Out, quando fecha o restaurante e vira uma discoteca metida à besta, cara até não dizer mais (USD 30 dólares, só para surgir e sorrir) e cujos critérios de seleção para saber quem entra rápido ou fica mofando na fila são mais abstratos do que os utilizados pela Real Academia de Ciências da Noruega para entregar o Nobel a Obama, recentemente.
Se você é homem, branco, e vai lá desacompanhado, fica no mínimo uma hora na fila para entrar. Se chega acompanhado de uma dama – seja ela uma catorzinha angolana ou uma brasileira mais saliente – passa na frente de todos e vai ser feliz imediatamente. No zunzunzun do sereno, carteiradas, sabem com quem está falando, conversas ao pé do ouvido e, claro, flertes, muitos flertes. Casais de angolanos bem nascidos não ficam um segundo à espera.
Lá dentro, um mundo artificial formado pela mistura de mwangolês com expatriados chama atenção. Todos estão no desespero para ver e ser visto, acabar a noite bem, no sentido bíblico, se os leitores inteligentes dessa Casa compreendem. Nuvens de catorzinhas diáfanas sobrevoam tugas horríveis nas suas camisas xadrezes de manga curta. Brasileiros mal-educados, por seu turno, diluem-se em litros de uísque e passam a se sentirem um Rockefeller da vida. Os de Pernambuco são os piores. Os papos geralmente começam em inglês e depois evoluem para a língua de Camões, sempre com a clássica pergunta: “você está em Angola há quanto tempo”?
O tumps-tumps das “mesas misturadoras” é ótimo. DJs evergando camisetas geralmente da grife Dolce & Gabanna fabricada no Dubai ou na China, além de óculos escuros imensos e cintos dourados, fazem às vezes de Jesus Luz - o namorado brasileiro da Madonna que agora meteu-se a Malvado - sem perceberem que nós notamos que tudo tocado ali é playback. Ah, que saudades do Kuduro sampleado ou da última versão de um house tocado no ultimo verão em Ibiza tendo o mar ao pé de si no Chill Out...
A noite avança... O uísque faz efeito...
Numa rodinha, um grupo de curitibanos – chatos como só um carnaval ao lado de uma namorada com TPM pode rivalizar – destilam pérolas como “ah, eu não vejo a hora de ir de férias para o Brasil”. Do lado, uma portuguesa afirma, em alto e bom som: “gostava imenso de conhecer um brasileiro mais a fundo…”. Então tá, vamos nessa. Quando toca o Créu, caem por terra os 500 anos de educação promovidos pela colonização nos dois lados do mar, isso tudo nas tais cinco velocidades.
No final da festa, lá pelas cinco da manhã, jipes imenos enfileira-se à porta, à espera que os grupinhos que se formam na calçada – a hora final é a de maior desespero, pois agora só sábado que vem, por isso ainda dá tempo – decidem se vão todos para o Talatona ou a baladinha pode continuar por ali, pela cidade, nos domínios de quem tem mais privacidade e não precisa dividir 100 metros quadrados com mais seis pessoas.
No final do dia, alguns integrantes dessa peça de teatro que tem lugar todos os sábados no Chill Out encontram-se num dos vários restaurantes da Ilha e, de óculos escuros, nem confiança para os demais.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Na galeria das saudades
Recebi essas fotos por e-mail e não sei quem foi o autor. Caso o mesmo se identifique terei o maior prazer em colocar os créditos.
Como dizem por ai: uma imagem vale mais do que mil palavras, então deixo de lero lero e envio as imagens...

Av. dos Combatentes, meados dos anos 70

A mesma Av. dos Combatentes nos dias de hoje...
terça-feira, 8 de setembro de 2009
E por falar em Baião...

sexta-feira, 12 de junho de 2009
Guia de Leitura Muito Particular Sobre Angola
Por esses dias, talvez motivado por uma reportagem imensa que escrevi, eu recebi uma série de e-mails de uns amigos que me perguntam que livros fazem parte da minha estante emotiva sobre esse país chamado Angola. Sei que tem muita coisa bacana que foi escrita sobre a terra da Palanca Negra, mas esses livros resenhados abaixo, realmente, não dá para deixar de ler antes de embarcar ou de comprar entre uma viagem e outra.
Os Cus dos Judas, de António Lobo Antunes – O autor, cujo pai era brasileiro, prepara-se para voltar ao país depois de quase 30 anos e participar da Flip, de 3 a 5 de julho, disse ao Estadão que sente saudades das cocadas do Pará e, dizem as más línguas portuguesas que eu conheci em Luanda, mor-re de inveja do Nobel que Saramago ganhou. Em Os Cus..., ele teceu uma narrativa que é uma verdadeira torrente de sensações vividas durante a guerra de libertação, ali por volta de 1975. Não simpatizo com o título, pois acho que Angola pode ser tudo, menos um cu, muito menos de Judas, aquele que vocês sabem o que fez... Mas leiam, amigos, é uma descida aos infernos. Li antes de embarcar para Angola e agora, do lado de cá, vou reler para ver se confere.
Predadores, de Pepetela – Para entender como uma pessoa semi-alfabetizada, que herdou uma vendinha de um branco que fugiu para a Tuga em 1975 e nunca mais voltou, pôde subir nos quadros políticos do MPLA , virou uma pessoa rica, influente e, como diz o título, manteve-se sempre no poder, independente das mudanças causadas pela longa guerra. Inesquecível a passagem que mostra a tentativa de desviar um rio e fazer uma represa no Huambo. Pepetela é um gênio que diz que aprendeu tudo com Jorge Amado. Só li quando voltei para cá e fiquei assustado. Tudo confere.
Ébano, minha vida na África, de Ryszard Kapuscinski – Obrigatório antes de embarcar para a África, independente do país que se vá visitar. O polonês descreve como ninguém um ataque de malária, a ponto da gente sentir as mesmas dores. O olhar único sobre os mais de 10 mil reinos que haviam no continente da década de 20 para a de 70 não pode ser mais perfeito. Compre também A Guerra do Futebol, com mais crônicas, e O Imperador, uma delícia de perfil de Hailé Salassiê, ditador que governou a Etiópia por mais de 40 anos e era tão excêntrico que tinha até um empregado só para colocar almofadas embaixo dos seus pés quando sentava-se no trono, uma vez que era muito baixinho e não podia aparecer com as pernas balançando. Um dia inventou de visitar o Brasil e quase perdeu o cetro e a coroa. Não lembro agora do título (só disponível em inglês) do livro específico de Ryszard sobre Angola. Vou reler mil vezes toda a obra e, um dia, quem sabe escrever com um décimo do talento dele.

A Manilha e Libambo, de Alberto da Costa e Silva – Para quem consegue carregar esse tijolão de quase um quilo, uma verdadeira aula sobre África, dada por um dos maiores africanistas no Brasil. Complemente com A Enxada e a Lança. Não consegui acabar de ler todo e dei de presente ao amigo João, o Candongueiro das estrelas. Não dá para dizer que entende de África sem ter lido esse livro.
Made In África, de Luis da Câmara Cascudo – O folclorista-mór do Brasil, orgulho da minha terra potiguar, foi pra Angola nos anos 60 e fez uma pesquisa fabulosa sobre a influência da comida angolana na mesa do brasileiro. Uma torrente de emoções, acompanhada de muitas sugestões de pratos (ai que saudades da moamba de galinha, que do lado de cá chama-se galinha cabidela). Leia, mas se puder não se apaixone nunca pela comida marvilhosa de Angola, sob o risco de engordar 20 quilos em seis meses, como ocorreu a este datilógrafo, ao F. e ao C. do Diário de África.
E você, qual o livro sobre Angola que não pode faltar na estante?Update: Colaboração dos muy generosos leitores:
"Geração da Utopia", "Predadores", “Yaka”, “O Planalto e a Estepe”, “Mayombe”, “A Gloriosa Família”, “Parábola do Cágado Velho”, todos do Pepetela.
“ Crónica de um Mujimbo”, de Manuel Rui
“Roteiro da Literatura Angolana” de Carlos Ervedosa
“As Mulheres do Meu Pai”, de Agualusa
"Eugénio Ferreira - um Cabouqueiro da Angolanidade", de Eugénio Monteiro Ferreira e Carlos Ferreira


