Que me contaram e agora eu vou contar
Do amor do principe Xá-Jehan pela princesa Num Mahal
De de, dederede, de de, dederede, de de ... Taj Mahal"
(Jorge Ben Jor)

História bonita e tal mas a verdade é que o Taj Mahal está se transformando, hoje, num símbolo de como a vida moderna destrói os sonhos românticos.
O primeiro golpe na lenda dos apaixonados vem da ciência. Historiadores enxergam um simbolismo escondido nas inscrições islâmicas que adornam as paredes do mausoléu. Estão reproduzidos ali 14 capítulos do Corão que tratam sobre o Dia do Julgamento Final e sobre os prazeres do paraíso. Um deles, no portão de entrada, é uma citação em que Alah convida os homens de fé a entrarem no seu paraíso.
Além disso, foi descoberto recentemente um texto em Sufi antigo que descreve como seria o trono de Deus e, adivinhem, a descrição é idêntica à planta do Taj Mahal. O texto constava da biblioteca do pai de Shah Jahan. Associando as duas evidências, os cientistas alegam que Shah podia, sim, ser muito apaixonado pela esposa. Mas que também se considerava Deus e o mausoléu, no caso, teria sido construído para ele mesmo reproduzindo as descrições do paraíso.
De que ela era megalomaníaco ninguém duvida. Basta olhar para o imenso mausoléu.

As flores feitas de pedras semi-preciosas foram engastadas no mármore

Estas foram esculpidas numa longa pedra de mármore branco

Mais adornos engastados nas paredes do palácio

As descobertas da ciência podem abalar o mito, mas não acabam com a magia do Taj Mahal. Esta está sendo destruída mesmo é pela poluição lançada na atmosfera por automóveis e indústrias da região.
A chuva se tornou ácida e já há alguns anos vem correndo o mármore do palácio. Trabalhos de recuperação da estrutura vêm sendo feitos e algumas medidas de contenção da emissão de poluentes têm sido tomadas, mas a verdade é que o palácio está ameaçado.
Além disso, o rio que passa por trás dele foi assoreado, perdeu vazão e baixou. O terreno se tornou instável e os alicerces dos minaretes ao norte estão abalados.
Ou seja, enquanto a ciência especula as intenções românticas de Shah Jahal, nosso estilo de vida está prestes a acabar com a estrutura física da representação do amor eterno.
As cúpulas do Taj Mahal e, abaixo, a mesquita que faz parte do complexo
P.S. – Mumtaz morreu em 1631 e a obra começou em 1632, mas só acabou em 1653. A dúvida é: onde ficou enterrado o corpo da Mumtaz enquanto o Taj não ficava pronto?

A área urbana é pouco mais do que uma cidade pendurada numa estrada, embora já existam por ali algumas casas novas, vistosas, sedes de direções municipais. Mas aí esticamos até Havailo, uma comunidade rural cerca de oito quilômetros a frente. E foi lá que as encontrei, as mulheres da tribo dos Mumuílas.





Eva Gabriela acordou numa manhã de 1996, abriu a porta da casa em que morava na província de Kuando Kubango, sudeste de Angola, e quando pisou do lado de fora, explodiu numa mina terrestre que havia sido colocada durante a noite. Perdeu a perna direita. Ela tinha 12 anos na época.
Luisa Miguel Adão Gaspar voltava do riacho, na província do Bengo, com um balde de água na cabeça quando pisou numa mina, em 1997. Passou três meses num hospital angolano. Perdeu a perna e a vista esquerda. Ficou seis meses na Alemanha, socorrida por uma ONG, para tentar reconstruir a face. Tinha 12 anos de idade. 













