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terça-feira, 5 de abril de 2011

Sabado teve reunião de condomínio em SP


Depois de quase um ano, a malta formada por X., Branquela de Angola, Ju, Candogueiro e o leitor AM juntou-se na casa da Ju para um almoço em grande, que durou toda uma tarde e acabou-se ao sabor dos brigadeiros que só tem na rua da Ju.

Luanda, como sempre, em nossos corações e saudades.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Por onde começaríamos a visita?


Angola prevê maior movimentação de turistas em 2011

Luanda – De acordo com o Ministério do Planeamento angolano, o país vai registar em 2011 um movimento de 479 345 turistas.

Os números constam do relatório do Ministério do Planeamento sobre o Plano Nacional 2011-2012, apresentado esta semana no Seminário Nacional sobre Sistema de Planeamento, Sistema Estatístico Nacional e Orçamento Geral do Estado (OGE).

O relatório avança que para este ano está previsto um incremento de 82 mil visitantes, ou seja, em 2010 visitaram Angola 397 904 turistas, já em 2009 o número de visitantes foi 365 784 e em 2008 ainda menos, 294 258 turistas.

África surge na quarta posição, com 48 127 visitantes, quando se compara o número de turistas nos vários continentes. Em primeiro lugar surge a Europa e à frente do continente africano estão ainda a América e a Ásia.

O Executivo angolano prevê criar, para o ano em curso, um plano estratégico de marketing e promoção para o turismo, que visa a divulgação das potencialidades turísticas que do país.

(c) PNN Portuguese News Network


Comentário do X: Tem coisas neste texto que não dá para não comentar:

1) como chegam a esse número: 479 345? E se for 344 ou 346?

2) A sério que este número todo de pessoas foram fazer turismo? Ficaram em que hotel? Andaram em que táxi? Comeram em que restaurante?

3) Definitivamente, não nos acostumamos, do lado de cá, com a palavra "planeamento".

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Retornei à Angola hoje à noite - e morri de saudades, como num fado rasgado...


Depois de praticamente um mês de negociações, idas e vindas de amigas à Lisboa, encontros e desencontros, caiu-me hoje às mãos o livro Aerograma, de Afonso Loureiro.

Filho direto do fabuloso blog de mesmo nome, listado ao lado, o livro de Afonso, já nas primeiras páginas está sendo, para mim, uma leitura misturada de alegrias e saudades desta terra distante que nos uniu a todos, os desta Casa, os dos outros blogues, os que ficaram, os que foram para outras paragens.

Tantas, tantas saudades...essa coisa que só quem se expressa em Língua Portuguesa sabe o que é...

Vou ler o Aerograma à maneira de Clarisse Lispector: aos poucos, poupando as páginas, para que a história não chege ao fim logo. E, de propósito, deixar o livro escondido em alguma gaveta de casa só para depois ter a grata supresa de encontrá-lo de novo.

A relação da Casa de Luanda com o Aerograma, na verdade, sempre foi muito esquisita. O Afonso chegou em Luanda pela mesma época que a maioria de nós, julho de 2008, mas só encontrou com um ou dois moradores daqui uma única vez. Não faço a menor idéia de o autor está mais para o look do Ricardo Pereira ou o aplomb do Zé Socrates. Virtualidades...

De longe, o rapaz sempre mostrou-se mais observador e narrador da realidade angolana - sem tintas para nenhum lado, como é hábito de quem abre um blog - mil vezes melhor do que nós, um bando de jornalistas, na sua maioria.

Até hoje desconfio que o Afonso é jornalista também. Escreve muito bem o rapaz.

Sem contar o manancial incrível de fotografias do blog, algumas delas copiadas sem a menor vergonha por jornais angolanos, a ponto do autor tomar a drástrica - e para nós gozadíssima - decisão de colocar uma marca d´àgua nas fotos.

De longe, à princípio, percebe-se logo o olhar humanista de Afonso, ao observar e escrever no blog e no livro coisas como:

"Percebo o sentimento dos que falam de África com um sorriso e um lágrima".

O que é, hoje, o blog Casa de Luanda senão só isso?

Ou ainda:

"Dizem que no dia que se chega a um país sabemos o suficiente para escrever um livro, mas que ao fim de um mês o conhecimento só enche uma página e ao fim de um ano escrevemos uma linha, a custo."

É isto mesmo: quanto moradores desta Casa não escrevem mais uma linha?

Parabéns, Afonso, por escrever este belo registro sobre esta terra que todos amaremos para sempre e por fazê-lo chegar até aqui, nesta outro ponta do triângulo chamado Brasil.

O livro pode ser adquirido através da loja virtual do Aerograma (http://aerograma.net/livro), ou nas seguintes livrarias:

- Livraria Nazaré e Filho, na Praça do Giraldo, 46 – Évora - Livraria Apolo 70, Centro Comercial Apolo 70 – Lisboa - Livraria Diário de Notícias, Praça D. Pedro IV, 11 – Lisboa - Livraria Oficina do Livro, Praça D. Pedro IV, 23 – Lisboa - Livraria Portugal, Rua do Carmo, 70 – Lisboa - Livraria Círculo das Letras, Rua Augusto Gil, 15B – Lisboa - Livraria Barata, Av. de Roma, 11A – Lisboa - Natureoffice, Av. 5 de Outubro, 12E – Lisboa

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ah, como eu queria ter uma bola de cristal agora


O Mercado do Kinaxixi, numa altura em que ainda existia, em foto do Kota 50: só lembranças

Nos próximos dia, deve chegar aqui por casa o livro Aerograma, do blogueiro Afonso Loureiro, do ótimo Aerograma. Espero o título com muita expectativa - já tentamos fazê-lo cruzar o Atlântico duas vezes e não deu certo - e agora acho que vai. Obrigado, Afonso.

Vai ser muito bom para relembrar das coisas de Luanda, apesar de eu ter lido todos os posts, um a um, e o livro trazer lá uma ou outra novidade. Mas vamos lá. Tudo isso é para dizer do meu desejo de ter um portal de teletransporte ou uma bola de cristal e aparecer, de súbito, em Luanda, e ver o que mudou nestes quase dois anos em que parti.

Os leitores que quiserem me ajudar, podiam responder nos comentários:

1) Como está a noite da Ilha de Luanda?

2) Já houve a gala da revista Chocolate este ano?

3) O trânsito na rua Rey Katyavala ainda é muito caótico?

4) Os ônibus finalmente começaram a circular em Luanda?

5) Sónia Boutique ainda anuncia na TV, sempre que há coleções novas nas lojas?

6) Os vôos da Taag para o Rio de Janeiro ainda são muito divertidos?

7) O Elinga teatro e o Palos ainda bombam, com as baladas mais incríveis de Luanda?

8) As catorzinhas ainda pedem saldo como prova de amor?

9) Ainda existe o programa Nu Feminino, um momento de relax, na RNA?

10) A Coluna Gente, do Jornal de Angola, ainda cobre as festas e buxixos da sociedade com notas fantásticas também sobre artistas brasileiros?

11) Os brasileiros mais emperdernidos ainda vivem pros lados do Futungo de Belas?

12) As praias da moda ainda são as do Mussulo?

13) As festas de aniversário ainda começam na sexta e vão até domingo, nos buffets da Maianga?

14) Quais são as músicas da moda? A nosso memória lembra de "A Outra" e "Gnaxi".

15) Como estarão aquelas torres todas que subiam em 2008? As gruas ainda dominam a paisagem para os lados do Miramar?

16) E eleições, quando teremos em Angola?

domingo, 4 de julho de 2010

Da série: Mais valia estar calada

Afinal, enganei-me. Levaram-me os óculos de sol. É raro deixá-los no carro e sou até conhecida por já ter dito umas 3 ou 4 vezes à mesma pessoa que já foi roubada 3 ou 4 vezes (alto, nem sempre o carro foi assaltado... quase todas as vezes, os óculos desapareceram depois de deixar o carro a lavar) que não pode deixar os óculos no carro porque já se sabe que roubam e que burro que és e por aí fora. Óbvio que foi isso que ouvi, merecidamente, mal abri o bico para dizer: ai que triste que estou que acho que me levaram os óculos de sol. Para os que me perguntaram, como a minha querida amiga M. que, escandalizada disse: então e tu, viste e não fizeste nada? Não foste atrás deles? Hummm, tinha de ir? É que eu, mal vi a turma dos bandidos dentro do meu carro, fui dar uma volta para bem longe. Deixei-os à vontade. Remoí ainda uns quantos nomes que não escrevo aqui mas que, sendo eu uma garota do Norte, qualquer um dos leitores imagina levemente, o que terá sido. Claro que também andei a ver se encontrava um senhor agente para lhe dar uma notita (ups, claro que ele não aceitaria!) e levar-me até ao carro. Mas nada. Nada de agentes. Nem um finguelitas sequer. Por isso, de modos que, deixei-os fazer o serviço.
Para a próxima prometo ir atrás deles, se:
a) Decidir comprar uma AK-47.
b) Passar a andar acompanhada por um negrão de 1,90 x 1,90 (m) – Os leitores do blog que preenchem os requisitos é mandar CV. Com foto, claro.
c) Não me esquecer da capa de super-migas em casa, como aconteceu desta vez.
E é isto. Os óculos fazem-me falta, é certo mas, paciência. Antes isso do que partir uma perna. Ah, e se me virem por aí a piscar o olho assim, a torto e a direito, não é porque sou uma atrevida. É mesmo porque me levaram os óculos de sol.

sábado, 3 de julho de 2010

Hospital Geral de Luanda pode desabar

Mais: aqui
É raro ler as notícias todas deste jornal porque não resisto depois, mais à frente, a ler os comentários dos leitores. Regra geral, fecho a janela do jornal on-line com vómitos. É sempre tão fácil escondermos-nos atrás de uma janela de comentários de um jornal ou de blogs para escrever barbaridades ou xenofobices de graça duvidosa. Quanto à notícia, lamento mesmo por quem precisa de lá ir. Vergonhoso.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Pequeno ensaio sobre a união angolana


Não resisti e roubei esta foto do blog da Ju. Do alto desta "mota", mil séculos de civilização nos contemplam. São oito pessoas sendo transportadas. 8 mil vezes mais felizes do que os utentes de Hummers e Prados da vida...


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Aerograma

Um dos últimos post que escrevi aqui na Casa, também foi para publicitar um livro. O livro do nosso querido FBaião*. Desta vez, não posso também deixar de referir que o nosso "vizinho" Afonso Loureiro do blog Aerograma terá publicado brevemente o seu livro, inspirado no blog que escreve diariamente, a partir de Luanda. E eu, fico bem feliz, caneco! Porque, apesar de não o conhecer pessoalmente, sempre gostei bastante do blog dele. Sobretudo porque vi o blog crescer já quando estava em Angola e, muitas das visões eram partilhadas. Muito mais tinha para dizer mas... o blog e agora o livro, falarão por mim!
* E como é bom voltar a ler as "conversas" com o FBaião!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Lesliana Pereira estreia-se em grande no cinema brasileiro ao lado de Xuxa


Lesli, que de feia não tem nada: nas telas verde-amarelas

Depois de conquistar toda Angola com seu charme, a ex-miss Lesliana Pereira, com quem passei horas agradáveis durante uma manhã antes dela passar a coroa e transformar-se em apresentadora do Revista África, na TV Globo, "estreou-se em grande" (como aprendi a dizer por aí, ahaha) no cinema brasileiro no filme "Xuxa e o mistério de Feiurinha".

Perto de Lesli, a feiurinha deve ser a Xuxa. O filme entrou em cartaz no dia do Natal e deve chegar à Luanda em breve.
Viva Lesli, viva Angola! Quero conferir o talento dramático dela.

Bom ano novo a todos os leitores! O blog não morreu, viu Rubra Rosa (será que é uma homenagem a um personagem da novela Fera Ferida o seu nome?)!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Na guerra, uns choram. Outros, vendem lenços

A Caras brasileira deu uma capa para o desfile da grife O Bicho Comeu, de propriedade da irmã de Xuxa, Solange Meneguel, em Luanda, há duas semanas. O texto abaixo é o da revista.

Cerca de 50 crianças, a maioria de Angola, participaram do desfile. "Elas são espontâneas e têm uma alegria contagiante. Houve uma identificação imediata com o nosso estilo. Todas adoraram as roupas. E fiquei feliz de poder contribuir de alguma forma para manter o alto-astral delas. São meninas muito vaidosas", contou Solange, que, no mesmo dia, inaugurou uma loja no Belas Shopping, a primeira internacional da Bicho Comeu.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O dia em que Maysa cantou em Angola

Uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos chamou-se Maysa. Ela cantou, como ninguém, com sua voz única, a tristeza, os amores mal resolvidos, a "fossa", sentimento do qual ganhou o título de musa. Era uma fadista da época do bolero e nascimento da Bossa Nova. Nada pode ser mais triste - e mais bonito - nesse mundo do que ouvir Maysa cantar Ne me quitte pas, canção que, depois que ela executou no Olympia, em Paris, ninguém nunca mais lembrou que um dia tivesse sido cantada por Jacques Brel.

Pois bem, por esses dias, assisti à minissérie que a TV Globo levou ao ar sobre a cantora "na altura" em que arrumava as malas para deixar Luanda, em janeiro desse ano. Um ano antes, tinha lido a biogafia Maysa, Só Numa Multidão de Amores (Ed. Globo), escrita pelo querido amigo, jornalista cearense Lyra Neto.

Pois não é que Maysa apresentou-se em várias cidades de Angola, em fevereiro de 1969? Eu tinha esquecido esse detalhe, até que a minissérie me reavivou a memória e fiquei imaginando: como terá sido isso?

Contactei o autor do livro e ele me autorizou a publicar o trecho que conta a passagem de Maysa por Luanda e pelo Lobito. Meu Deus!, quão revelador é o trecho, sobre vários aspectos: como a elite angolana se divertia, como os brasileiros nunca sabem mesmo nada de Angola e como a imprensa daquela época noticiou o fato.

Leiam com carinho o trecho abaixo. Para além do estilo delicioso do autor, trata-se de um panorama monumental da Angola de 1969, cinco anos antes de tudo mudar, para sempre. E, como cantava Maysa, talvez sem saber, para os "retornados", "O Meu Mundo Caiu..."

No final daquele ano, ainda em Lisboa, Maysa foi convidada para uma experiência inédita em sua carreira: cantar na África acompanhada do Thilo’s Combo, o grupo musical lusitano que estava fazendo uma revolução musical na terra do fado, agregando elementos do jazz e da Bossa Nova às sonoridades locais. O cachê não era lá grande coisa, mas ela não estava em condições de exigir seu peso em ouro. Durante um mês, de meados de janeiro até a segunda quinzena de fevereiro de 1969, enfrentaria uma maratona de shows em boates, teatros e clubes de Angola. “Em breve, teremos a magnífica cançonetista que o Brasil perdeu”, festejou o jornal angolano O Comércio.

Ao descer do avião da tap em Luanda e ser indagada sobre o que esperava do público africano, foi bem sincera: “Não tenho a mínima idéia. Não conheço a África nem sei muito sobre o seu povo”. A respeito disso, Maysa calculou que ela e os africanos estariam mais ou menos empatados. Eles também não deveriam saber nada sobre aquela cantora brasileira que colocava os pés pela primeira vez no continente. A desconfiança cresceu quando, ainda no aeroporto, precisou explicar a um jornalista do Diário de Luanda que os estilos da Bossa Nova e do iê-iê-iê, dos quais ele ouvira falar vagamente, não tinham nada a ver um com o outro.

Mas o repórter é que estava mal informado. Por força da influência econômica e cultural da metrópole sobre a colônia – Angola só conquistaria a independência de Portugal seis anos depois, em 1975 – os luandenses sabiam, sim, quem era Maysa. Tanto que, duas semanas antes da chegada, ela era capa da revista Notícia, principal publicação do país e que vivia sob a mira da rígida censura angolana. “Maysa vem a Luanda”, dizia a chamada. Lá dentro, uma entrevista feita pela jornalista Edite Soeiro, a primeira mulher a exercer a profissão no país, constantemente convocada para prestar esclarecimentos aos censores, por causa dos textos que escrevia e das calças compridas que teimava em usar.

Edite entrevistou a cantora em Lisboa, quando a turnê em Angola foi confirmada. Sem dúvida, as duas se entenderam bem, pois a conversa rendeu oito páginas da revista. Incentivada pela jornalista, Maysa soltou o verbo: “Canto para botar pra fora o que tenho dentro de mim. Explico: ‘Botar pra fora’ é uma expressão feia, mas que se usa muito lá no Brasil. Tudo bem, posso substituí-la por outra, mais fácil de entender por aqui: vomitar. Canto para vomitar todas as coisas que estão em mim, que me saem pelos olhos, pelos dedos, pela boca”.

Se soubesse da repercussão que teria a turnê no país, em vez de providenciar uma mala extra para guardar recortes de jornal, Maysa teria levado a Angola um contêiner. Depois de cantar com casa cheia no Cine Avis, de Luanda, viajou 740 quilômetros ao sul, por terra, até chegar em Lobito, onde se apresentou em outro cinema apinhado de gente, o Flamingo. O sucesso foi tão grande que os luandenses mandaram-na chamar de volta, agora para atuar em um cine ao ar livre, na periferia da cidade. O N’Gola, que cobrava preços populares, transbordou de gente que queria ver Maysa. “A seu jeito, o público do N’Gola é exigente. Assobia, pateia e grita quando não gosta do que está vendo”, advertiu o jornal O Comércio. “Esperamos que o subúrbio compareça em força neste encontro que o porá frente a frente com um dos expoentes máximos da canção brasileira”.

Maysa gelou. Temeu que se repetissem ali as cenas do Maracanãzinho e se preparou para o pior. Mas foi aplaudida calorosamente. “A assistência entusiasmada obrigou-a a ficar um pouco mais e a aplaudiu de pé, fato inédito naquela casa de espetáculo suburbana”, registrou a revista Noite e Dia, de Luanda. Maysa ficou sensibilizada ao ver que, ao contrário do que ocorria com o público dos festivais no Brasil e das boates de luxo de Copacabana, os freqüentadores do cine N’Gola, mais habituados a assistir a comédias pastelões e filmes baratos de capa-e-espada, faziam um respeitoso silêncio enquanto ela cantava. “Se é verdade que a cidade gostou de Maysa, a cançonetista parece ter-se deixado enamorar pela cidade”, disse o Diário de Luanda na edição de 12 de janeiro de 1969, dia da sua última apresentação no país. “O adeus desta noite poderá significar apenas um até breve. Oxalá assim aconteça”, desejou o jornal.

Contudo, Maysa nunca mais voltaria à África. Não só isso. Até mesmo seus dias de Europa estavam contados. Ela só retornaria a Madri rapidamente, para cobrir os móveis de casa com lençóis brancos. Por obra do acaso, um encontro que tivera em Lisboa, antes da viagem a Angola, seria responsável por mais uma reviravolta em sua vida.


Lyra Neto, in Maysa, Só Numa Multidão de Amores, Ed. Globo, São Paulo, 2007


quinta-feira, 30 de julho de 2009

Xuxa fará show em Angola em outubro e mobiliza aspirantes a atrizes em filme sobre feiurinha


O sonho dos angolanos em ter um show de Xuxa será realizado. A "rainha dos baixinhos" se apresenta junto com o cantor local de maior sucesso, Maya Cool, no dia 10 de outubro, na festa da Amizade Brasil-Angola. O mestre de cerimônia será, pelo segundo ano, o apresentador Luciano Huck.

Agora vem a melhor parte disso tudo:

O programa ‘Revista África’, da TV Globo, acompanhará, durante todo o mês de agosto, a disputa de duas angolanas ao papel de fada no filme “Xuxa e o mistério da Feiurinha”, de Tizuka Yamazaki, diretora de outros filmes da apresentadora como “Xuxa Popstar” e “Xuxa Requebra”.

No programa que irá ao ar esta semana, dia 01, uma reportagem mostrará os primeiros dias das atrizes no Rio de Janeiro, onde estão para fazer os testes, e o encontro emocionado com a apresentadora.

No dia 8 de agosto, será exibida a reunião do elenco para as leituras do texto do filme. Já no dia 15 de agosto, o programa mostrará um making of do “TV Xuxa”, e fará suspense com o nome da vencedora, que será anunciado no “Revista África” da semana seguinte, 22 de agosto. Só então os telespectadores verão a volta da escolhida a Angola e a festa que os amigos farão para recepcioná-la.

A TV Globo Internacional exibe o “Revista África” todos os sábados, logo após o “Jornal Hoje”.


quarta-feira, 29 de julho de 2009

O Elinga não vai mais ser demolido

O celular tocou quando ainda era madrugada no Brasil, coisa de 8 da manhã em Luanda.

-- Yá, tás fixe? Tenho uma notícia boa para si, que sei que gostas tanto daquele sítio.

-- Aié?, respondi, brincando, uma vez que no Brasil a gente sempre diz: "não diga!" (quando na verdade quer é que o interlocutor continue a falar, no Brasil é tudo ao contrário).

-- Uma fonte do Ministério da Cultura me garantiu ontem que o Elinga Teatro não será mais demolido para dar lugar a um prédio de oito andares em formato de parque de estacionamento.

Nem o anúncio do que seria o final da crise financeira internacional me deixou tão feliz, confesso a vocês, porque só quem já viveu as noites frenéticas do Elinga (Zé, Ju, Xuxis, Fulano e cia. sabem bem) sabe que ali é "a balada" de Luanda.

--- Pois então, volte para cá pois, depois que "vocês" partiram, Luanda voltou a ser um deserto...

Ai, ai, ai, ai....

terça-feira, 21 de julho de 2009

35 páginas sobre a economia de Angola


A revista País Económico - que eu sempre comprava ali na Africana, uma livraria vizinha ao Três em Um, café charmosinho na rua António Barroso, na Maianga - publicou na edição de julho um dossiê de 35 páginas sobre a economia angolana.

Tem pano para todas as mangas: banca, construção, automóveis, empresariado, transportes e acessibilidade, energia e indústria.

Leitura obrigatória para o grupo de amigos datilógrafos transformados em economistas de um dia para a noite no ano passado, de acuerdo?

terça-feira, 14 de julho de 2009

Angola explica a Queda da Bastilha?

Comício político no arredores de Luanda em 2008: marchon, marchon!

Hoje, como todo mundo sabe, comemora-se a queda da Bastilha, um marco histórico da humanidade na luta contra a desigualdade social – se bem que pouca coisa mudou na terra do fromage, marriage - e da fulerage - desde que Marie Antoniette teve o pescocinho separado do colar de pérolas .

Mas eu não consegui deixar de achar surreal essa notícia abaixo, lida hoje na Angop, sobre as comemorações do 14 Juillet nas ruas de Luanda. “Audácia pura”, como diria um personagem de TV no Brasil cujo nome não lembro mais, dos organizadores. Por muito menos deboche cabecinhas coroadas rolaram “em” Europa.

Segue a notícia.

Queda da bastilha representa início da igualdade entre os cidadãos

Luanda - A queda da bastilha de França representa para o povo francês o "início do princípio" da república, baseado em valores como a igualdade, fraternidade e liberdade, considerou hoje, em Luanda, o embaixador francês em Angola, Francis Blondet.

O diplomata falava à Angop a propósito do dia nacional da França, que se comemora hoje (14 de Julho), e assinala a queda da Bastilha (que serviu como prisão do estado absolutista francês), em 1789.

Segundo o embaixador, o 14 de Julho vem afastar em França a ditadura e a monarquia absoluta contra os homens e a vontade da colectividade.

"Essa data representa o dia da libertação do povo de Paris, de modo simbólico, pois foi a 4 de Agosto do mesmo ano que se pôs fim ao sistema político, no qual uma categoria de cidadãos superava as outras", explicou.

Para a França de hoje, adiantou, o 14 de Julho é uma festa militar, com desfile do exército, inclusive estrangeiro,e este ano terá como convidado especial o da Índia.

Disse que todos os anos a efeméride é comemorada com a presença de vários chefes de Estados convidados.

Em Luanda, a data vai ser celebrada com uma cerimónia oferecida pelo embaixador da França em Angola, durante a qual vai proferir um discurso.

A bastilha foi originalmente concebida apenas para um portal de entrada ao bairro parisiense de Saint-Antoine, motivo pelo qual era denominada bastilha de Saint-Antoine, mas ficou conhecida por ter sido uma prisão e funcionou desde o início do século 17 até o final do século18.

A mesma foi derrubada a 14 de Julho de 1789.

Actualmente o local foi transformado em praça pública, onde todos os anos é apresentado um desfile militar em saudação a data.



domingo, 28 de junho de 2009

Luanda, a partir de Barroco Tropical



Com Agualusa (re)visitei e pensei Luanda, neste últimos dias.
Num primeiro momento, foi assim.


15 – São Paulo da Assunção de Luanda
Quando eu nasci, Luanda ainda usava todo o seu belo e sonoro nome cristão: São Paulo da Assunção de Luanda. Velha matrona mulata, orgulhava-se do parentesco com cidades como Havana, Saint-Louis, em Casamance ou São Sebastião do Rio de Janeiro. Foram os brasileiros, aliás, que vieram em seu socorro quando, em 1641, os holandeses aproveitaram a distracção ibérica para ocupar a Fortaleza de São Miguel. VI a minha cidade tornar-se africana. (…)p.92*

Pousei o livro. Deixei-me partir do Porto de Luanda até à Ilha. Descansei alguns momentos num banco da marginal. Recordei a avenida. Hoje com calçadão. Outras presenças. Outras falas. Paisagens distintas da Luanda de antigamente, claro. História de um país. Angola em construção. Outras estórias. Sinais de Vida(s). O mesmo feitiço de sempre. Sorri.
Fui ao Baleizão antes de subir rumo à Fortaleza. A de S. Miguel. Canjonjei cada bocadinho daquela cassata que me satisfez outrora alguns desejos. Porque era o velho Baleizão. Ainda.
Olhei a Fortaleza que conheci menina. Museu das Forças Armadas que me apresentaram já mulher. Entre ameias e outros espaços, outros retratos. Mas sempre a beleza daquela paisagem: a Baía de Luanda e a Ilha do Cabo. Vistas de dia. Ao entardecer. De noite. Visitas feitas sempre com prazer.

Luanda corre a toda a velocidade em direcção ao Grande Desastre. Oito milhões de pessoas aos uivos, aos choros e às gargalhadas. Uma festa. Uma tragédia. Tudo o que pode acontecer, acontece aqui. O que não pode acontecer, acontece igualmente. (…) p. 93*

Este é um romance que não está colado à realidade, segundo o seu autor. No entanto, a sua obra conseguiu levar-me a pensar quantas realidades Luanda tem. Ou pode ter. Ou poderá vir a ter. Num Futuro Imperfeito. Será? Perco-me, por vezes, nos modos. Dos verbos, claro. A minha professora da 4ª classe dizia que só o Futuro Perfeito do Indicativo permitia indicar algo que se podia fazer com toda a certeza amanhã. Era quase como anunciar certezas grávidas de dúvidas, reconheço hoje. Como se o amanhã fosse um único possível. Ao Imperfeito, só atribuía a capacidade de indicar uma mera possibilidade ou eventualidade. Pois acho que este Imperfeito é o que nos ajuda a imaginar a pluralidade de realidades que podem chegar num qualquer amanhã. Eventualidades e outros factores podem conjugar-se e transformar ou até fazer nascer outras possibilidades. E o amanhã não será questionável, em certa medida? O Futuro e o amanhã. Até o de uma Luanda já contada em 2020, neste Barroco Tropical. Uma simples opinião.

A tarde declinava. Em Luanda não há hora mais bela. A luz é tão doce que mesmo atropelada nas ruas pelo furor do trânsito consegue por instantes salvar a cidade do desespero. (…)p.298*

Quase no fim, encontrei a luz. Vejo o pôr do sol. Lá. Além-mar. Dos mais bonitos, sim. E dou comigo a encerrar esta obra com a maciez de uma luz de Luanda que permite pensar o futuro. Porque futuro Luanda tem. Isso tem.

*Excertos do último romance de J.E. Agualusa.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Tudo ao pormenor sobre a Gala da Beneficência

Danilo dos Santos, Grazi Massafera, Cauã Reymond, Joseana dos Santos e a primeira-dama Ana Paula dos Santos

O próximo ‘Revista África’ levará aos assinantes da TV Globo Internacional todos os detalhes da 3ª edição da Gala Internacional de Beneficência, realizada no ultimo dia 19, em Luanda. A equipe do programa esteve presente e fez a cobertura completa do jantar anual, organizado pelo Fundo de Solidariedade Social LWINI, com o objetivo de arrecadar fundos para ações de apoio às vítimas de minas terrestres.

Durante a festa, o ‘Revista África’ conversou com os atores da Rede Globo Grazi Massafera e Cauã Reymond, padrinhos do evento. O casal, que esteve pela primeira vez no continente africano, destacou a importância de participar de iniciativas em prol de questões humanitárias e aproveitou para agradecer o carinho recebido do povo angolano.

O programa deste sábado terá também uma entrevista com o secretário executivo do Fundo de Solidariedade Social LWINI, Alfredo Ferreira. O executivo falou sobre a criação da entidade, presidida pela primeira-dama angolana, Ana Paula dos Santos, e detalhou as quatro áreas de atuação da organização: educação, saúde, formação profissional e incentivo ao retorno das vítimas às suas regiões de origem.

A TV Globo Internacional exibe o ‘Revista África’ aos assinantes da Europa, África e Oriente Médio todos os sábados, logo após o ‘Jornal Hoje’.

Comentário do datilógrafo: no Brasil, a Grazi é deslumbrante mas, ao lado das deusas de ébano angolanas, sinceramente, não passaria em nenhum casting se eu fosse o diretor da novela.