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segunda-feira, 8 de junho de 2009

De Luanda para a Sorbonne


E não é que um post publicado em outubro neste Casa de Luanda vai ser usado como texto de abertura de capítulo de uma tese de doutorado sobre a relação entre Brasil e Angola a ser defendida na prestigiada Universidade de Sorbonne em breve?

É aquele que falava da hilária - e tensa - travessia do Atântico feita no avião da Taag na rota Luanda-Rio de Janeiro. O texto não está mais nos arquivos deste blog.

Ninguém segura esse Casa de Luanda!!!

PS: obrigado ao leitor A.P. pelos arquivos preciosos

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A velha amizade que nunca acaba


E continua a render frutos, da melhor qualidade, como esta exposição que amanhã inaugura em Luanda - onde infelizmente não estou para prestigiar. É o trabalho de um fotógrafo brasileiro, João Paulo Barbosa, que vive solto pelo mundo e tem fotos de tribos da Amazônia expostas em grande no Washington D.C., patrocinadas pela National Geographic.
Nesta mostra, que abre as portas amanhã (19) em Luanda, ele vai mostrar um pouco mais das afinidades entre brasileiros e angolanos clicados por suas lentes. A exposição abre às 18h, na União Nacional dos Artistas Plásticos, a UNAP, que fica na Rua Rainha Ginga, números 29/33. Se você estiver em Luanda, não deixe de prestigiar.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Desafio a todos os leitores

Estava eu a organizar minhas fotos quando me deparei com a imagem do , céu roxo de tanto esforço por continuar iluminado, navios calmos a flutuar no azul da baía de Luanda.

Decidi colocá-la na porta de entrada da Casa, apenas temporariamente. Porque é certo que já está muito defasada. Essa imagem foi capturada pela P. em março de 2008, havíamos acabado de chegar em Angola e estávamos hospedados na casa de uma amiga na Ilha.

Esse skyline por certo já não existe. Está mudado, com muitos prédios novos.

Lanço então um desafio, aos moradores desta Casa que continuam a residir em Angola e também aos leitores que por lá estejam: fotografar a cidade a partir da ilha, para atualizar a porta de entrada da Casa de Luanda.

Os interessados em participar podem subir a imagem em algum álbum virtual (picasa, flickr ou outro) e nos enviar um link via comentário neste blog. A melhor imagem, devidamente creditada ao autor, vai substituir essa que por ora aí está.

Alguém aceita o desafio?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Angola para sempre



Passe o mouse sobre a foto para ler a legenda.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tiros em Luanda

A rua onde moramos amanheceu movimentada hoje. Logo às 8h, o guarda de uma das casas abriu fogo. Foram dois ou três tiros de pistola, seguidos por uma rajada de AK 47. Como se tratasse de casa de um general das Forças Armadas Angolanas, atualmente também deputado, em poucos minutos o bairro estava cheio de unimogues da Polícia Nacional.

Os policiais cercaram a casa, mas ninguém ousava entrar. Dali a pouco chegaram quatro motocicletas dos Ninjas, a Polícia de Intervenção Rápida, uma espécie de Bope da meganha angolana. Do lado de fora, as aspostas corriam soltas.

- Vão lhe passar. Este gajo não tem chances - diziam alguns colegas que fazem seguranças em outras casas.
- Eh quê? Vão apenas lhe prender. Vai apanhar um bocado, mas depois lhe soltam. Essas empresas são todas de generais. Então o quê?
- E não entram por quê esses polícias?
- Ehehe, estão mesmo a suar com medo do gajo.
- Nem vale à pena. Ele fez muito tiro, não deve ter mais munição.

As armas, diziam os colegas, pertenciam ao dono da casa, o tal general. Tentei saber o motivo da atitude do proteção pistoleiro. Estaria bêbado ou o quê?

- É assim, chefe. É muita frustração. Nós estamos aqui a trabalhar, não nos pagam. O Natal está a chegar e não temos dinheiro. Não veio salário, não veio décimo-terceiro, não veio nem um cabaz, chefe. É muita revolta mesmo.

Depois de meia hora, um Ninja mais corajoso entrou no quintal da casa. Saiu cinco minutos depois arrastando o proteção rendido pelo colarinho. Na mão esquerda, o Ninja carregava o AK 47. O proteção foi levado. Vai passar o Natal, sem cabaz nem dinheiro, na cadeia.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Angola 2009

Como correram melhor do que o próprio MPLA esperava as legislativas de 2008, o presidente José Eduardo dos Santos parou de dizer que não mais seria candidato a reeleição nas presidenciais de 2009.

E então, coincidentemente, surgiram espalhados pela cidade centenas de cartazes como esse, com excertos de discursos do presidente. Quem achar que estou exagerando, pode fazer uma visita ao Aerograma, onde o companheiro Afonso Loureiro mostra melhor a decoração zéduardiana de Luanda.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Então é Natal

Árvore de Natal ao lado do Prédio Livro, no Bairro Operário, em Luanda
Então o Natal chegou, as ruas estão mais cheias, as praças dos mercados estão apinhadas de gente a procurar dos melhores preços e o trânsito está pior.
Os candongueiros buscam melhorar os lucros. Encurtam as distâncias e dobraram o preço da passagem para 100 kwanzas.
As empresas estão a anunciar na TV, com vendedores travestidos de Pai Natal, preços exagerados como se fossem a última pechincha da terra, corre já antes que acabe.
Algumas árvores gigantes apareceram enfeitadas, como a da foto no início do post, logo ali ao lado do Prédio Livro do Bairro Operário, no São Paulo.
E eu estou quebrando a minha cabeça pra saber qual vai ser afinal a surpresa que este ano vou fazer ao meu amor na noite feliz. Mas isso já não tem novidade nenhuma.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Os Deuses de Ébano

Leitoras da Casa de Luanda, peguem os seus leques. Este post, sobre aqueles que são considerados os dois homens mais bonitos de Angola, é um presente do X. para vocês. Os leitores, por seu turno, podem evitar a leitura do texto ou se conformarem com o facto de que a genética construiu esses deuses de ébano e depois jogou a fórmula fora, dada a harmonia perfeita entre altura e musculatura.
Kelcy, o modelo mais bonito de 2008: ele deixou para trás 400 candidatos (Foto: Kota 50)

Kelcy Manuel, 21 anos, 1,83 de altura e 90 cm de tórax, é o modelo número 1 do país, galardoado há um ano no primeiro concurso do género organizado por uma agência local. Venceu 400 candidatos e, como seus colegas de passerelles, guarda a sete chaves os segredinhos para manter a forma. “Apenas corro pela orla de Luanda na altura em que o sol nasce”, despista o manequim. Kelcy já representou o país em desfiles em Espanha, São Tomé e Príncipe e começa a aparecer frequentemente em revistas como Caras Angola e Chocolate (a Nova daqui).

Jelson Avelinho, Mister Angola 2009: da Rússia para Luanda (Foto: Zé Template no Funge)

Já Jelson Avelino é o novo Mister Angola 2009, eleito no último dia 22 num concurso onde 18 moços desfilaram, entre outras variações, de fatos de banho azul e sandálias Havaianas. Tudo teve lugar no Bar Sulo, na Ilha do Mussulo. Nascido na Rússia, Jelson tem 18 anos, 1,90 de altura, é do signo de peixes e voltou a residir em Angola há quatro anos. “Ainda troco algumas palavras em português, mas estou a me esforçar”, confessa, com aquele traquejo típico de quem estreia-se no mundo da fama.

A fina estampa Jelson mantém jogando basketbal. Em Abril, ele vai representar Angola no Manhunt Internacional, concurso badalado que ocorrerá em Taiwan. Como prémios, o novo Mister Angola ganhou uma viatura 0 km, uma bolsa de estudos numa universidade local, salão de beleza e ginásio de borla por um ano e, preparem-se tietes verde-amarelas, uma viagem ao Brasil.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

É branco? Paga.

Dia desses, tranquilamente estacionado numa rua de Luanda, aguardava a P. sair de uma embaixada quando reparei numa luta que se desenrolava bem atrás da Dorotéia.

Tudo começou com um pneu furado. O dono do carro não conseguia trocar porque o macaco estava com problemas. Foi chegando gente, mais gente, uns a dar palpites, outros mesmo a sujar as mãos, e daí a nada já eram cinco angolanos, entre eles um policial fardado, a brigar com o macaco.

Desci da Dorotéia para assistir a peleja já disposto a oferecer o meu macaco e imediatamente colou-se ao grupo um bêbado. Vinha meio tropeçando, falando alto, deixa lá comigo, eu troco esse pneu. E se jogou embaixo do carro, mexeu daqui, fuçou dali... milagrosamente o carro começou a subir, para espanto de todos os outros.

Enquanto fazia força, o bêbado ia dizendo, como se fosse um mantra: vai me dar 2 mil kwanzas, vai me dar 2 mil kwanzas.

Os outros se riam , 2 mil kwanzas? E gritavam, Xé, trabalha mais e fala menos. O bêbado continuava o seu mantra, vai me dar 2 mil kwanzas, vai me dar 2 mil kwanzas, até que o policial perguntou:

POLICIAL: - Quem é que vai lhe dar 2 mil kwanzas?
BÊBADO: - O branco.

Gargalhada geral.

POLICAL: - O branco? Qual branco?
BÊBADO: - Esse branco aí.
EU, percebendo que ele se referia a mim: - Eu vou lhe dar 2 mil kwanzas? Mas esse carro nem é meu. Estou aqui só assistindo.

O bêbado esbugalhou os olhos, que já estavam arregalados:

BÊBADO - Como não é seu? Então eu venho ajudar a trocar o pneu e o carro não é seu? É de quem? Eu só vim porque o kota estava aí parado, achei que o carro era do kota. Agora tem de me dar 2 mil kwanzas.

Todos riam de se matar, trabalha mais e fala menos, oh.

Com o serviço quase pronto, o dono do carro tirou 100 kwanzas do bolso e deu ao policial. O senhor agente, naturalmente, ficou com 50 kwanzas, sem ter feito força nenhuma. Deu os outros 50 ao bêbado, que saiu quietinho, sem uma reclamação.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Só um parêntesis...

E pronto, deixei cair a minha capa de super-mulher. Hei-de recuperá-la mas, nos próximos tempos confesso que vou andar com o chamado “medinho”. Pois é, após 2 anos de Luanda, de Cazenga e de Mulemba. Depois de Boavista e porto pesqueiro, com tudo de mau e podre que se pode imaginar. Depois de deixar admirados alguns homens, por andar de carro sozinha em certos sítios considerados perigosos e para onde eles não iam sozinhos. Depois de ter noção que andava com uma sorte do caneco. Eis que sofri a minha primeira tentativa de assalto, em plena cidade, às 10h da manhã. No meio do trânsito confuso de uma rotunda. Com dezenas de carros à minha volta, a escolhida fui eu. O método foi o mesmo que o F. descreveu à uns tempos. Com o portátil e a carteira no chão do carro. Com o telemóvel ali ao lado. Com o relógio no braço esquerdo e o anel na mão esquerda. O bandido deve ter ficado atordoado. Frustrado. Confuso. Deve ter pensado que perdera as suas capacidades de persuasão. Ou então, a cara de mau. Depois de tentar abrir a porta e dar alguns murros no vidro. Depois de abrir o casaco, para mostrar sei lá eu o quê. Depois de dizer “dá tudo o que tens”. O que fez a garota? Ignorou. Olhou para ele com cara de paisagem. Por sorte não abriu uma nesga de vidro e disse: quê? Ou então: vai lá à tua vidinha e deixa-me ir à minha, que já se faz tarde. Ou ainda: sai do meio da estrada que ainda te atropelam, pá. E porquê que a garota fez isto? Porque não sabia que um assalto era assim. Porque só depois juntou as situações. Murros no vidro – mostrar casaco – dá tudo o que tens. Tudo isso só fez sentido, depois. Quando já tinha saído do meio da confusão. Quando percebi que tinha escapado a um assalto, graças à minha cara de ai-não-me-chateies-que-hoje-é-sexta-feira-e-eu-ando-bué-cansada. Aí, a capa de super-mulher caiu e as lágrimas saltaram. Aí, desejei estar em casa. Na minha casa, em Portugal.

A programação segue dentro de momentos. Preciso pensar e olhar para coisas bonitas e esquecer esta m*rda de manhã. Vamos lá fechar o parêntesis e continuar com a viagem ao Uíge.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Os Cabetulas

Cabetula é uma síntese do jeito alegre e despachado do angolano lidar com as makas cotidianas. Sempre tentando ser o mais esperto, ele invariavelmente acaba a história mais enrascado do que começou. Faz graça com os costumes de Angola, uma receita clássica de humor em quadrinhos.

Meio gozador, kilapeiro que só, ele gosta de umas biricocas e de umas mboas também. Salo, isso já não é muito com ele.

Cabetula apareceu como uma fonte de novos verbetes para o Grande Dicionário Angolano e logo virou leitura diária obrigatória no Jornal de Angola. Aprendi muito sobre o país com as aventuras dele.

Perdeu o espaço semanas antes da eleições porque o humor pode ser um perigo, principalmente para os censores zelosos, sempre prontos a desconfiar do que não entendem. Uma pena. Sem a tira, sobra pouco para ler no panfletário jornalão.

Esta Casa teve o prazer de conhecer os autores do Cabetula, os irmãos, Lindomar e Olímpio, dois jovens cativantes, daqueles que nos fazem acreditar no futuro de Angola.

Os irmãos Olímpio e Lindomar, pais da personagem Cabetula

Eles contaram que a personagem é inspirada num tio deles, sempre enrascado, e trouxeram uma grande notícia de que: o Cabetula tem uma revista em quadrinhos feita em Portugal.

Se quiser um exemplo do humor do Cabetula, clique na tirinha do início do post para ampliá-la.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Advinhe qual era o partido?

Esta é da série "acredite se quiser".

Resolveram fazer, no fim de semana, um comício lá onde Judas furou as meias (sim, as botas ele perdeu muito antes), que por acaso é também o lugar onde habita este signatário. Montaram palco para o show, barraquinhas, bandeirinhas e aí descobriram que o Posto de Transformação da região não dava conta de iluminar a praça onde seria a festa.

Como resolveram o impasse? Desligaram a energia de metade do bairro para garantir a festa.

Resultado: minha casa está sem luz desde sexta-feira. O comício foi no sábado, mas como os técnicos não pretendiam trabalhar no fim de semana, desligaram já na sexta.

Só devem religar hoje. Ah, essa democracia...

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Banana Angolana X Banana do Resto do Mundo

Na linha de nacionalismo que começa com B e termina com E, com um URRIC pelo meio, como disse a Migas no post abaixo, vale a pena dar uma lida nesta pérola. Foi publicada num grande jornal de circulação diária em Luanda. Quem não souber qual é e ficar realmente interessado no assunto, pode clicar neste link.

Com vocês, a reportagem de alto da página de economia de hoje:

Consumidores preferem banana de produção local

Os consumidores angolanos preferem a banana produzida localmente, numa altura em o mercado angolano regista a presença de múltiplas variedades de banana, cujo diferenciador principal é a origem, conforme afirmou o director do Programa de Desenvolvimento Agrícola e Financeiro (ProAgro Angola) e director da Clusa.

“A maioria dos consumidores nacionais prefere a banana proveniente das plantas locais” - afirmou Estêvão Rodrigues. Apesar disso, continuou, a banana importada, principalmente da África do Sul, constitui uma séria concorrente. “Para conseguir bons resultados nos mercados interno e externo, os produtores nacionais devem apostar fortemente numa estratégia que privilegie fornecimentos de alta qualidade a tempo, aos preços mais baixos”.

Por exemplo, explicou, “ao pensarmos estender o mercado da banana do Vale do Cavaco à SADC, é preciso ter sempre presente que a banana produzida em Moçambique pode chegar à África do Sul a um preço mais competitivo do que a banana produzida em Benguela. Assim, para competir, o produtor benguelense deve aumentar a produtividade investindo em tecnologias adequadas para, em vez de obter, por exemplo, 25 toneladas por hectare, conseguir 50 toneladas de boa qualidade por hectare, que poderão ser escoadas de forma regular para um mercado garantido”.

Segue por muitas linhas mais, acreditem. Mas vou poupá-los do maravilhoso tratado bananeira.

E eu, que nem sabia que a nacionalidade da banana que compro pelas ruas, devo declarar, como expatriado: prefiro a banana das zungueiras.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Vias de facto

O trânsito ia congestionado nas imediações do Zé Pirão, até aí nenhuma novidade, quando percebi uma agitação do outro lado da avenida. Um pequeno acidente entre dois candongueiros. Pequeno mesmo, nem se notava qual era o amassado novo, entre os tantos outros que já criam barbas nas maltratadas carrinhas.

Mas eis que os dois motoristas e mais seus cobradores e mais alguns passageiros, ou desocupados que por ali estavam, abandonaram os bons modos e partiram para pancadaria mesmo. Ali, às 9h da manhã, em plena luz do dia.

No meio de tudo, um senhor polícia (da ordem pública, não do trânsito), tentava acabar com a briga, mas estava mais era a apanhar do que a conseguir conter os ânimos.

Discussões acaloradas por causa do trânsito eu já havia visto aos montes, mas o pau comendo mesmo (como se diz lá no Brasil), foi a primeira vez.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Em ano eleitoral...

Deu na capa do Jornal de Angola de hoje: "TPA inicia exibição de programa Reconstrução e Desenvolvimento".

O texto explica que a Televisão Pública de Angola exibe, a partir de hoje, um programa diário (segunda a sexta) sobre o processo de reconstrução no país, "dando ao telespectador uma imagem real das mudanças e melhorias proporcionadas na vida do cidadão".

Então tá.

domingo, 18 de maio de 2008

Homenagem a Santa Bakhita

Bakhita era sudanesa, foi escravizada e vendida a um italiano no século 19. Levada para a Itália, conheceu a Igreja Católica e se tornou freira. Morreu em 1947 e em 1992, devido às inúmeras graças conseguidas por fiéis de todo mundo, foi santificada pelo Papa João Paulo II.

Os salesianos de Angola decidiram homenageá-la dando seu nome ao centro de formação profissional que construíram no município do Cazenga, região de Luanda.

O lugar ficou conhecido como Bakhita. E os moradores, então, aproveitaram o nome para "batizar" a cadela do lugar.


Então é assim: a santa acabou virando nome de cachorro. Mas, justiça seja feita, Bakhita (a cadela) é muito amável, acolhedora, sempre disposta a brincar com todos os que chegam. Talvez seja influência da santa que ela, mesmo sem saber, homenageia.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Você já teve malária?

Fazer uma pergunta dessas a um angolano equivaleria a perguntar para alguém, em São Paulo, se já ficou gripado alguma vez na vida. A malária ainda é endêmica por aqui. No ano passado, 2 milhões de pacientes foram internados nos hospitais de Angola com paludismo (vide o Grande Dicionário).

Essa é uma boa notícia.

Em 2003, o número de internados havia sido de 3 milhões, tempo em que a maioria dos doentes sequer procurava ajuda. O tratamento era pago, custava caro e só ia parar nos hospitais quem entrava em coma.

Em 2006, o governo de Angola decidiu fazer o que o Brasil até hoje não fez em relação à dengue: atacar o problema com seriedade.

Aprovou uma lei tornando o tratamento gratuito para todos, passou a usar o Coartem, o medicamento mais eficiente contra a malária no momento, e buscou apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, para trabalhar a prevenção.

Desde então o Unicef já distribuiu 1,8 milhão de mosquiteiros impregnados no país. No ano passado, 215.500 crianças com menos de 5 anos e 27.300 mulheres grávidas foram curadas com Coartem.

Resultado: o número de mortos caiu de 30 mil, em 2003, para 7 mil no ano passado. E a malária deixou de ser a primeira causa de mortalidade infantil nas maternidades de Luanda.

A seguir, a Casa de Luanda apresenta gente comum que está ajudando Angola a vencer essa guerra:

O vigilante Tomás
Laurindo Tomás se orgulha de ser vigilante da Saúde. O programa foi implantado no ano passado pelo governo provincial de Luanda, que se baseou no modelo brasileiro de agentes comunitários. Tomás ganha 4 mil kwanzas por mês (US$ 53) para visitar 100 famílias perto da casa onde mora, no Bairro Boa Esperança, em Cacuaco. Ensina noções básicas de saúde, encaminha doentes ao posto médico, consegue mosquiteiro para as grávidas e garante que os bebês recebam as vacinas. Soma-se a outros 1.669 vigilantes em seis municípios.
O médico Pascoal
Domingos Pascoal dirige a Unidade Sanitária de Cacuaco, posto de saúde para onde correm todos os doentes em busca de tratamento. Antes, vivia uma rotina de emergência, pois os infectados por malária só chegavam ali em estado crítico. Hoje, graças aos agentes de saúde e à gratuidade do tratamento, o posto vive mais cheio. Mas Pascoal não se queixa. Agora, pelo menos, ele consegue curar mais gente.

A mãe Maria
Mãe de sete filhos, Maria Cecília João Miguel teve malária na última gravidez. Foi encaminhada por Tomás para o posto de saúde dirigido por Pascoal e recebeu o tratamento. Tomou religiosamente os 15 comprimidos e livrou seu filho contrair a malária congênita – transmitidas da mãe para o bebê, as toxinas do plasmódio falcíparo impedem o desenvolvimento do feto e provocam sua morte no nascimento. O bebê de Maria nasceu saudável, há cinco meses, e hoje eles dormem sob um mosquiteiro impregnado doado pelo Unicef.

A médica Alexandra

É uma das coordenadoras do programa na Direção Provincial de Saúde de Luanda, interface do governo com o Unicef. Luta para que as direções municipais entendam a importância dessa guerra contra a Malária.

Os cearenses Carlile e Miria

O médico cearense Antonio Carlile Lavor e sua mulher, a assistente social Miria Lavor, se mudaram para Angola para treinar os vigilantes de saúde de Luanda. Eles são os pais do programa brasileiro, cujo primeiro piloto Carlile implantou em Planaltina (DF) em 1975. Depois disso ele voltou para Jucás, sua terra natal, levando a idéia no bolso do jaleco. De lá ela foi ampliada para o Ceará, depois para o Nordeste Brasileiro (já com a chancela do Unicef) e finalmente para todo o país. Hoje o Brasil tem 220 mil agentes de saúde. Os dois foram contratados pelo Unicef como consultores do programa em Luanda.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Hoje eu tô chatinho...

A notícia do Jornal de Angola dizia que o Pepetela (que eu adoro) ia autografar seu novo livro (que eu quero comprar) hoje, no Centro Cultural Português. Só não dizia onde fica o tal Centro Cultural (tudo bem, isso eu decobri sozinho outro dia) nem a que horas se daria a noite de autógrafos. Agora estou em casa reclamando e o Pepetela deixou de vender um livro.

Onde é que foi parar o serviço?

Depois do rapper, dançou o gatuno

Ele foi rápido na hora de tomar o cordão de ouro do rapper 50 Cent, como já foi contado aqui. Mas a Polícia Nacional de Angola foi ainda mais rápida. No domingo, o Gatuno foi preso, mas já não portava mais a jóia do artista americano. Segundo disse a polícia, ele a perdeu pouco depois do roubo.

sábado, 3 de maio de 2008

A noite em que o rapper dançou

O show era do Festival Internacional da Paz, no Pavilhão da Cidadela. A grande atração era o rapper americano 50 Cent, amado pelo público angolano que lota a porta do hotel Trópico, onde ele sempre se hospeda quando passa por Luanda.

Na noite de quarta-feira, sete mil pessoas lotaram o ginásio. 50 Cent e a banda G Unit iniciaram a apresentação com vários sucessos cantados em coro pela platéia extasiada.

De repente, um homem fura o bloqueio da segurança e sobe ao palco. Um fã mais ousado? Não, um gatuno abusado que arrancou o cordão de ouro do pescoço do rapper e pulou de volta para a platéia.

O cantor ainda pulou atrás, tentando reaver a jóia, mas não o alcançou. Contrariado, encerrou o show na hora, cancelou as duas apresentações que faria na quinta e na sexta e tomou um avião de volta para os Estados Unidos.