Então eu passei dois meses e meio com a mochila nas costas, pé na estrada, visitando dez províncias que me pareceram tão mais relaxantes, tão mais tranquilas, sem o trânsito e a fumaça e bagunça urbana da cidade de Luanda. E não me cansava de repetir mentalmente, 'ah eu seria mais feliz em Benguela', para depois, mais alguma semanas, mudar para 'ah eu seria mais feliz em Lubango', e então mudar de novo para,'ah, eu seria tão mais feliz em Huambo'.
Estava tão compenetrado em tanto chão de estrada que só no último fim de semana me dei conta de que, depois de tanto tempo morando em Luanda, jamais tinha sentado o meu traseiro num barquinho para cruzar a baía que separa o continente da tão festejada Ilha do Mussulo. Então vamos lá, pá, que não se pode ficar sem conhecer o Mussulo.
E vinte minutos de travessia depois, lá estava eu, mergulhado nas águas verdes, bem clarinhas do mar, debaixo de um belo sol, pensando, 'ah, eu seria tão mais feliz vivendo no Mussulo'.
Com tanto lugar para ser feliz nesse país, alguém pode me explicar, por favor, por que é que tanta gente continua insistindo em viver em Luanda?



