Mostrando postagens com marcador polícia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador polícia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O dia que eu quase fui parar na Esquadra

Não tive como recusar o convite feito com tanto entusiasmo pelo F. Então cá estou estreando no ecrã, como disse o bom e velho X, da Casa de Luanda. E não poderia estrear nessa casa de outra forma além de crítica, afinal tenho a enorme responsabilidade de manter a casa em ordem.

Ao ler o texto da Migas me lembrei de um caso surreal que aconteceu comigo no ano passado. Estava eu dirigindo meu carrinho comportadamente pelo largo do kinaxixi quando o Sr. Oficial me manda parar. Pede meus documentos e em nenhum momento fala o porquê de ter parado meu carro no meio do caos que é o trânsito no largo do kinaxixi. A seguir se deu um diálogo tão surreal que é impossível de ser descrito aqui, mas eu vou tentar...

Amigo: _ Sr, mas por que o senhor está multando-a?
Oficial: _ O pá, o Sr é o condutor? Não estou falando com o Senhor. Tá calado!
Amigo: _ Não senhor, mas eu só queria ajudá-la.
Oficial: _ Ohhhhh Vou te prender!!!! O senhor não é o condutor. Cala-te!
Euzinha entre os dois: _ Calma senhor! Amigo, deixa que eu falo com ele.
Amigo: _ Tá não precisa ficar nervoso oficial, eu só queria saber o que ela fez de errado para ser multada.
Oficial:_ Tás vendo alguma multa aqui? Vou te prender. Tas preso... Não estou a falar contigo.
Euzinha: _ Calma oficial a gente só quer entender o que aconteceu.
Oficial: (agora muito bravo). Pare o carro lá na esquadra móvel e me espere lá.

E lá fui eu parar o carro na esquadra móvel, enquanto o amigo ligava para o responsável dos transportes da empresa. Quando ele chegou o policial ainda não tinha vindo ter conosco e fomos até ele, tentar pegar minha carteira de habilitação.

Responsável pelo transporte: Sr. Oficial o senhor está com os documentos da senhora...
Oficial: _ Ooooo pá! Mas não mandei a senhora esperar na esquadra móvel?
Responsável pelo transporte: Mas eu sou responsável pelos transportes da empresa e queria saber o que a senhora fez..
Oficial (furioso):Ahhhhhhh mas a senhora sabe muito bem o que ela fez.... Vai esperar na esquadra móvel.
Euzinha: ????????????????????????

Voltamos para a esquadra móvel e mandamos os dois amigos que estavam no carro irem embora porque o oficial estava mesmo é querendo arrumar confusão ou como a gente bem sabe garantir uma graninha extra para o final de semana.

Depois de meia hora esperando na esquadra móvel, aparece o Sr. Oficial.

Oficial: O que se passa é o seguinte. A senhora não fez nada de errado, eu recebi uma notificação para parar todos os carros que tenham o final de placa igual ao dela para verificar. Os documentos da senhora estão todos corretos, não há problemas. Mas o senhor, cadê o senhor? O senhor fugiu? Eu disse que estava preso! Cadê o senhor?

Responsável pelo transporte: _ Ele foi embora
Euzinha: _ Ele voltou para o trabalho, tinha uma reunião na sonangol.
Oficial:_ Então o carro está apreendido até o senhor voltar.
Responsável pelo transporte.: _Mas o senhor disse que não havia nada de errado com o carro.
Oficial: _ Mas vocês deixaram o senhor fugir...
Responsável pelo transporte: _ Tá bom, ta aqui a chave pode levar.
Oficial: _ Mas a senhora vai comigo. Vai ficar na esquadra até o senhor chegar.
Euzinha:_ Eu não!!!!
Responsável pelo transporte:_ Mas a senhora não fez nada, não é justo ela ser responsabilizada.
Oficial:_ A senhora deixou o senhor fugir. Vai pra esquadra.
Responsável pelo transporte:_ Tá bom, então eu vou junto
Oficial: _ Não!!! O senhor não vai. A senhora vai sozinha.
Euzinha: Cara de pânico!!!! Sozinha???????????
Responsável pelo transporte: _ Não vai não, eu vou junto!
Oficial: _ Vou te prender!!! Já disse que eu vou sozinho com ela no carro.
Responsável pelo transporte: _ Tá bom vc vai no carro e eu vou no meu carro
Oficial: _ Não vai!!!! Vou te prender

No meio desse bate boca que foi realizado no melhor estilo angolano de ser (em alto e em bom som), chega um outro oficial mais velho de alta patente e pergunta o que está acontecendo.

O oficial explica todo o ocorrido, na versão dele é claro. Dando muita ênfase ao desrespeito do senhor brasileiro que fugiu após gritar e insultar o oficial.

Não sei quando ele gritou, muito menos quando ele ofendeu o Sr. Oficial, mas foi essa a versão dele para os fatos, mesmo eu e o responsável pelos transportes alegar que não era verdade.

O oficial mais velho puxa de lado o oficial mais novo, que ao nosso entender só podia estar drogado, bêbado ou alucinado de alguma forma. Depois de dois minutos o oficial mais velho volta com os meus documentos. E diz:

_ Podem ir embora, mas não façam mais nada de errado, hem!!!

Peguei os documentos e fui embora, mesmo sabendo que eu não tinha feito nada de errado. O pior não é nem a humilhação é a sensação de alivio por ter sido liberada sem ter de pagar gasosa por não ter feito nada de errado.

Será que no Brasil isso teria acontecido? Será que nos EUA isso teria acontecido? Será que em Portugal isso teria acontecido?

Tenho pra mim, que essas coisas acontecem em Angola por dois motivos básicos: preconceito e despreparo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Carnaval em Luanda, é em Janeiro

Ora, estava a menina migas toda cheirosinha, bonequeninha, bem dispostinha e outras coisas que tais, acabadas em inha, pronta para a festa de despedida dos queridos F. e P. quando,ao sair da sua humilde casinha, foi parada por uma senhora agente. Caso surreal número 1: a menina migas nunca foi parada por qualquer senhor agente nesta Luanda. Primeira vezinha, portanto. E eis que, a simpática agente informou que por ali, não podia passar. Caso surreal número 2: Desfile Carnavalesco, dizia a agente. A migas hiperventilou, claro. Hã? Como? E agora? Não pode ser! Desfile Carnavalesco em Janeiro? Como vou para a festa dos meus queridos? Os argumentos, seguiram-se, à boa maneira angolana. Ah, porque tenho um compromisso importante. Ah, porque eu passo rapidinho e ninguém vai dar por mim. Ah, porque eu tenho mesmo de ir. Ah, e se eu fizer de conta que também pertenço ao Desfile Carnavalesco? Nariz encarnado de palhaço, é coisa que trago sempre na bolsa, não vá precisar um dia. Mas nada. Os “não posso fazer nada” seguiram-se à mesma velocidade. E uma segunda agente dizia que tínhamos sido informados. Hã? Tu queres ver que andaram de porta em porta a informar que a rua ia fechar e eu estava a tomar banho e a cantar bem alto com os meus dois pulmõezinhos? Esse seria o caso surreal número 3 do dia. A menina não canta. Repira fundo e pensa, migas! Passemos ao Plano B: encontrar no meio do bairro um caminho alternativo e, pedir ajuda aos senhores angolanos das redondezas. Não há. Não há caminho alternativo. A pedinche continua, claro. E quando vão deixar passar? 21h, dizia a simpática agente. Hã? 21 quê? Mas são 16h! E eu tenho meeeesmo de ir. Eu também estou incomodada – rezingava a simpática agente – mas são ordens do chefe. Ora, ao fim de meia horita e depois da pressão de alguns angolanos que se juntaram, lá foi a menina migas, com pisquinhas intermitentes, contra-mão, a caminho da grande festa. Ah, assim vale a pena! Dá mais luta. Torna as coisas mais complicadas. Quase impossíveis. Afinal quem se lembraria de um desfile Carnavalesco em Janeiro?

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Pedinte fardado

Ao ler esta história no Sem Destino, lembrei-me desta outra que se passou há alguns dias comigo.

Estava eu outra noite pacientemente parado na fila da gasolineira, aguardando pela minha vez de saciar a sede de Dorotéia, quando um policial devidamente fardado aproximou-se do vidro do passageiro e pediu que eu o abrisse. Como se tratasse de uma autoridade, cedi, apesar dos protestos da P. Pois o referido ensaiou uma cantilena segundo a qual tinha um parente doente no hospital e precisava de algum dinheiro, dá-me só uns 200 kwanzas para pegar um candongueiro.

Como o bafo de álcool deixasse tonta até a Dorotéia, neguei-lhe o kumbú que cetamente seria investido em mais algumas cucas. A autoridade ainda ensaiou uma cara feia, mas partiu sem mais protestos.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Quem conduz, sempre paga

Já se falou por aqui que a polícia angolana não brinca em serviço. Quer dizer, serviço, não é propiamente o melhor termo. Se eu pudesse, dizia “não brinca em assalto” mas, como não posso, não digo. Agrada-me particularmente a ideia de ter passado despercebida durante estes meses todos de condução. Chego a pensar se, os meus cabelos loiros e olhos claros andam a ser confundidos por uma pele cor de café e olhos cor de chocolate. Sim, é verdade. Contra todas as expectativas nunca fui mandada parar para me identificar ao senhor agente. Pelo menos não enquanto condutora. Sinto-me a verdadeira agulha no palheiro. Porém, o meu mais-que-tudo deve ter gravado na testa: estes-kwanzas-que-tenho-na-carteira-estão-disponíveis-para-distribuir-aos-senhores-queridos-polícias. E claro, os polícias, que são tipos simpáticos, fazem o favor de lhe tirar os kwanzas da carteira. Uma das últimas vezes a história foi assim:

M.(Pisca para a esquerda)
Polícia (Encostado numa das esquinas do cruzamento, manda-o parar)
Segue-se o normal (carta de condução, passaporte, documentos do carro)
Polícia – Não pode virar à esquerda
M. – Não posso? Porquê? Não tem nenhum sinal a probir.
Polícia – Está a duvidar da autoridade? Não pode porque sou eu que faço os sinais.
M. – O quê???
Polícia – Não pode virar à esquerda porque eu digo que não pode e, pode perguntar a quem quiser que vão confirmar-lhe.
M. sai do carro e caminha com o simpático até ao cruzamento e verifica que o sinal indica “cruzamento”. Depois de uns largos minutos a tentar chamar o simpático à razão, o M. desiste e diz:
M. - Pronto, vamos lá resolver a questão. Posso pagar-lhe um lanche?
Polícia (de olhos arregalados) – Um lanche de quanto?

A história teve final feliz para os lados do polícia que comeu um “lanche” de cerca de 25 dólares. No final, pergunta ao M., como se já fosse grande amigalhaço:

Polícia – é arquitecto?
M. – Sou (não é nada)
Polícia – Eu vi logo. Os arquitectos costumam ter o carro cheio de papelada espalhada.
Conclusão: o homem-ladrão (cof, cof) perdão, o homem-polícia teria mais vocação para analisar comportamentos e tentar adivinhar profissões. Ah, mas talvez não desse tanto dinheiro...