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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Estariam ascendendo um estopim?

Desde que os levantes no mundo árabe começaram que muitos se perguntam quando os mesmos chegarão a Angola. Agora o movimento ganha a internet e tem até data para acontecer.
Um site que eu não vou mencionar, pq não faço apologia ao crime, convoca os angolanos a irem a rua com data e hora marcados. O governos já deixou claro em comunicado em rádio e tv que se isso acontecer eles tomaram as medidas necessários amparados na lei e na constituição.
O alto comando alertou que, nestas circunstâncias podem ser tomadas medidas sérias, porque o poder não pode estar nas ruas.
Enquanto isso, o boato se espalha pela internet com textos que deixam claro que quem escreveu não é angolano e com certeza nunca esteve numa guerra e tão pouco corre o risco de ter o seu precioso sangue derramado pelas ruas.
Angola tem sim seus problemas, mas só quem não está aqui pode querer colocar o povo na rua contra o exército mais bem armado de toda a África.
Uma democracia se constrói na urna. E é lá que o povo vai dizer se aprova ou desaprova o que o governo faz. As últimas eleições foram em 2008 e as próximas serão em 2012, não faz o menor sentido colocar vidas em risco, fazer o povo sofrer mais do que já sofreu em 30 anos de guerra e ainda continua sofrendo.
Rezo para que o povo não caia nessa armadilha e que continue lutando de forma democrática para melhorar essa terra tão linda.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Mais uma Ponte entre Brasil e Angola


Amigos de Luanda!
Quem tem saudade de Angola põe o dedo aqui, que já vai fe-fe-fe-char!

Então, como vcs sabem, eu morro de saudade daquele lugar maluco e, desde que voltei, estou convencida de que há muito para falar e fazer para estreitar as relações entre o Brasil e alguns países africanos.

Aí, comecei a juntar outras pessoas que também têm essa mesma convicção e, juntos, criamos o tás a ver?, um coletivo multimídia que cria e executa projetos que estreitam os laços entre o Brasil e países africanos. O Filete, inclusive, entrou nessa minha maluquice e, mesmo estando na FSP, tb anda presente por aqui.

Acabamos de lançar nosso novo site, que ta super lindo e super cheio de coisas legais. Esse será um site-blog, em que postaremos referências que achamos bacanas. Gostaria mto que vcs entrassem, virassem leitores, mandasem suas contribuições sempre que tiverem vontade e se engajassem nos projetos que vcs tenham vontade! E é sério: quem tiver vontade de criar algum projeto, de desenvolver algum trabalho, de dar pitaco, as portas estão sempre abertas e eu to sempre disposta a conversar!

Bem na home tem o link pra assistir ao teaser do documentário.
E tb tem o link pra assistir um vídeo de 15 minutos que eu produzi em Salvador, junto com a galera que vai filmar comigo, sobre o lançamento da exposição Luanda Suave e Frenética.


Estamos juntos!

beijos,

Juliana Borges
www.tasaver.org

sábado, 26 de junho de 2010

Samuel ou, o Anselmo Ralph do Cazenga

Tenho vindo a tentar lembrar-me do apelido que lhe davam mas, não há forma de me lembrar. O nome era Samuel. Passado uns tempos quis que o chamassem de Anselmo. Como o Ralph, o cantor. Andava vestido à estrela e aparecia com óculos de sol igualmente... à estrela. Cheguei a mandá-lo apertar a camisa e tirar os óculos de sol pois o trabalho, não era nenhuma passerele. Mas ele, vaidoso e com a mania de que era gato, andava sempre no limite. Os colegas contavam-me que levava o envelope com o ordenado fechado e só o abria em frente à garota dele. Caso raro por estes lados. No entanto, chegava ao cúmulo de não ter dinheiro para o táxi, ter o ordenado dentro do envelope e pedir aos colegas dinheiro emprestado para o táxi, não fosse a garota dele perceber que faltava dinheiro no envelope. Caso mais raro ainda, por estes lados. Nunca conheci a garota dele e, depois de todas estas histórias não percebo se ela era uma Big Mama e ele corria o risco de levar duas chapadas e tombar com alguma coisa partida ou, sei lá, se ele era simplemente fofo com a sua amada. Certo dia, a discussão com os colegas era sobre a mobília da casa. Ela é que ia escolher. Os outros, contra, está claro. Onde já se viu a mulher escolher. Ele é que tem de ir comprar, já que ele é que vai pagar. Ele, com a teoria de que vão os dois escolher e que assim é que deve ser. Os outros, respondiam que assim ela ia habituar-se mal, ele é que pagava e escolhia. Caso arrumado. Tinham todos mais ou menos a mesma idade. Todos menos de 30 anos. Quando o Anselmo Ralph percebeu que não conseguia levar a melhor, pergunta-me. Como faria eu? Respondi que escolhia, junto com o meu querido. Assim é que eu achava correcto, já que viveríamos os dois na mesma casa. O Anselmo, radiante ouviu logo como resposta da oposição: mas ela é branca. A tua namorada não é branca. Por isso, não compara. Neste caso, como em tantos outros, à falta de argumentos, prevalece o sempre indiscutível e espectacular argumento da cor da pele.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Eu, descrente me confesso

Que não imaginava que ainda ia ver "tribos", em Angola que não falam português. Os homens, vestidos com panos da cintura para baixo (vá lá, podia ser mais "tribal" ainda). As mulheres igualmente semi-vestidas (e de mamocas ao léu). Os homens, à minha pergunta sobre a localização de um rio, olhavam de cajado na mão como se eu fosse um ser nunca antes visto. Sem sequer pestajenarem. Apenas um, velhinho, velhinho, dava uns toques de português e pediu boleia para o posto médico porque, depreendo pelo gesto da mão em círculos na barriga, que os intestinos não iam bem. Fotos, não há. Sou ainda demasiado tímida para pedir para tirar fotos destas situações. Mas para a próxima, fica prometido. E a boleia, foi dada, está claro.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

25 de maio: Dia da África

Ontem foi feriado aqui em Angola, comemoração ao dia da África. A rádio Mais fez uma grande festa no Chá de Caxinde, com apresentação ao vivo do programa de rádio Raizes.

Com direito a show ao vivo de Dodó Miranda, Banda Contrastes e Gabriel Thila, venda de roupas africanas e comidas típicas de países como Moçambique, Cabo Verde, Nigéria e RDC.

Nem preciso dizer que foi bwé de bonito essa festa, né???

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Petróleo, diamantes e musseques

A agência Habitat, das Nações Unidas, divulgou ontem o relatório "Planejando Cidades Sustentáveis", no qual sustenta que 200 mil pessoas no mundo deixam o campo todos os dias para viver em cidades - que obviamente não estão preparadas para recebê-las. O resultado disso é o crescimento assustador do número de pessoas a viver em moradias precárias - as favelas brasileiras, os musseques angolanos.

Em África estão os cinco países com os maiores percentuais mundiais de habitantes vivendo nessas condições. Serra Leoa, onde 97% da população é favelada, lidera o ranking.

Angola, o segundo maior produtor de petróleo de África, o terceiro maior produtor de diamantes do mundo, ocupa o 4o lugar da lista: 86,5% da população vive em musseques.

Antes que saiam já a criticar o brasileiro, de que só fala mal de Angola e esquece os seu país, coisas que cansei de ler por aqui: no Brasil, 29% da população é favelada. O que não é nenhum alívio, já que em números absolutos dá pouco mais de 55 milhões de pessoas - o equivalente a mais de quatro vezes a população total de Angola.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Kuduro eletrônico dominará o mundo

E não se dançou outro ritmo nos festivais de verão europeus, principalmente os realizados nos arredores de Lisboa, encerrados na semana passada, que não o Kuduro Progressivo do Buraca Som Sistema.

Trata-se de uma versão turbinada, mais sintética e de batida eletrônica mais forte ainda em relação à do Kuduro que conhecemos, nos apaixonamos e tentamos dançar em Luanda no ano passado - se bem que só o Candongueiro aprendeu.

No máximo, os brazukas e tugas encostam os joelhos uns nos outros, e só. No Chill Out e no Palos (se tiver reaberto), deve tá a cuiar... Na Gala da Chocolate já tocou no ano passado.

É uma força assombrosa o impacto desse ritmo nos ouvidos de quem não está acostumado, à primeira "oiçada". Simplesmente lisérgico, até. Portugal inteira cabulou e no ano que vem, no verão, certamente será a vez de todo o Brasil. Um carnaval do Kuduro, não haverá trocadilho melhor para a tv brasileira divulgar.

Saí pesquisando alguma coisa sobre o Buraka Som Sistema, cujo vídeo mandado pelo Candongueiro, publicado acima, é uma apresentação do grupo ocorrida na Tuga. Observem a catarse do público.

O Buraka Som Sistema nasceu na freguesia da Buraca, em Amadora, nos arredores de Lisboa, e o conceito de Sound System, como sabemos (ou os que lembram vagamente...), é oriundo da Jamaica. Os seus membros são Lil'John, Riot e Conductor. Têm como colaborador frequente Kalaf. Estilosos totallies.

O primeiro sucesso foi a música "Yah!", em 2006, com a participação de Petty, Kalaf e Bruno Silva (Crushing Sun), seguindo-se novo sucesso com "Wawaba".

Em 2008, os Buraka Som Sistema lançaram a canção Sound of Kuduro. Esta conta com a participação de M.I.A, DJ Znobia, Saborosa e Puto Prata, sendo este o primeiro single do álbum Black Diamond, lançado no verão de 2008 e agora estourado. Saudades dos cartazes pregados pelas ruas, anunciando as festas, geralmente no Cine Atlântico...

Se a sua conexão em Luanda ou em qualquer outro lugar é lenta, deixe o video acima baixar inteiro primeiro, afaste as poltronas, aumento o volume ao máximo e “wegue wegue”….e nem confiança para quem não entender o que eles estão cantando...

terça-feira, 21 de julho de 2009

35 páginas sobre a economia de Angola


A revista País Económico - que eu sempre comprava ali na Africana, uma livraria vizinha ao Três em Um, café charmosinho na rua António Barroso, na Maianga - publicou na edição de julho um dossiê de 35 páginas sobre a economia angolana.

Tem pano para todas as mangas: banca, construção, automóveis, empresariado, transportes e acessibilidade, energia e indústria.

Leitura obrigatória para o grupo de amigos datilógrafos transformados em economistas de um dia para a noite no ano passado, de acuerdo?

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Tudo ao pormenor sobre a Gala da Beneficência

Danilo dos Santos, Grazi Massafera, Cauã Reymond, Joseana dos Santos e a primeira-dama Ana Paula dos Santos

O próximo ‘Revista África’ levará aos assinantes da TV Globo Internacional todos os detalhes da 3ª edição da Gala Internacional de Beneficência, realizada no ultimo dia 19, em Luanda. A equipe do programa esteve presente e fez a cobertura completa do jantar anual, organizado pelo Fundo de Solidariedade Social LWINI, com o objetivo de arrecadar fundos para ações de apoio às vítimas de minas terrestres.

Durante a festa, o ‘Revista África’ conversou com os atores da Rede Globo Grazi Massafera e Cauã Reymond, padrinhos do evento. O casal, que esteve pela primeira vez no continente africano, destacou a importância de participar de iniciativas em prol de questões humanitárias e aproveitou para agradecer o carinho recebido do povo angolano.

O programa deste sábado terá também uma entrevista com o secretário executivo do Fundo de Solidariedade Social LWINI, Alfredo Ferreira. O executivo falou sobre a criação da entidade, presidida pela primeira-dama angolana, Ana Paula dos Santos, e detalhou as quatro áreas de atuação da organização: educação, saúde, formação profissional e incentivo ao retorno das vítimas às suas regiões de origem.

A TV Globo Internacional exibe o ‘Revista África’ aos assinantes da Europa, África e Oriente Médio todos os sábados, logo após o ‘Jornal Hoje’.

Comentário do datilógrafo: no Brasil, a Grazi é deslumbrante mas, ao lado das deusas de ébano angolanas, sinceramente, não passaria em nenhum casting se eu fosse o diretor da novela.


sábado, 14 de março de 2009

Bento 16 chega em Angola


Joseph Ratzinger aterra em Luanda em duas semanas: "me-da"!

O Papa Bento XVI visitará Angola entre os dias 20 e 23 deste mês. Os quatro dias marcarão a primeira visita do chefe da igreja católica ao país, que este ano comemora 500 anos de evangelização. A TV Globo Internacional transmitirá a missa que o religioso celebrará na Esplanada de Cimangola, em Luanda, no dia 22. A cerimônia será exibida para Europa, África e Oriente Médio, a partir das 10h (horário de Luanda).

A transmissão terá os comentários do padre angolano Bantú Mendonça e de Fábbio Perez, responsável há anos pela narração no Brasil da tradicional Missa do Galo, realizada anualmente pelo Papa durante o Natal, em Roma, na Basílica de Santa Maria Maior. A jornalista Ilze Scamparini também levará, ao vivo, todos os detalhes para os assinantes do canal e aos telespectadores brasileiros através dos telejornais da TV Globo.

Durante sua passagem em Angola, a agenda de Bento XVI prevê ainda: cerimônia de boas-vindas no aeroporto internacional 4 de Fevereiro; visita ao presidente da República, José Eduardo dos Santos, no Palácio Presidencial de Luanda; reunião com autoridades políticas e civis e com o corpo diplomático angolano; encontro com jovens, no Estádio dos Coqueiros; encontro com os movimentos católicos para a promoção da mulher e cerimônia de despedida – também no aeroporto internacional –, dentre outras atividades.

Dando início aos preparativos para a presença do pontífice no país, o programa ‘Revista África’ mostrará, no próximo sábado, dia 14, os principais locais que representam a religiosidade do povo angolano e as expectativas para a visita do Papa ao continente africano – além de Angola, ele também passará pela África do Sul e Camarões.

As informações são da assessoria de imprensa da TV Globo Internacional

Comentários do X:

  • Se quando o presidente José Eduardo desloca-se por Luanda é aquele caos, o que não serão esses quatro dias na capital da República d' Angola, meu Deus?
  • O Papa terá coragem, depois de ver África e suas tragédias, especialmente a Aids, de continuar proibindo o uso da camisinha?
  • Até que ponto uma visita como essa projeta a verdadeira imagem de Angola ao redor do mundo?
  • Luanda ganhará algum reparo urbano que depois será usufruído pela populacão?


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Atendimento aos leitores e uma pergunta

Dois dos nossos leitores postaram dúvidas em diferentes posts antigos e então resolvi responder com uma nova postagem, que pode ser útil a futuros leitores com dúvidas semelhantes.

O J., que está prestes a vir para Angola, pergunta sobre cuidados a tomar com a Malária.
Caro J., eu não sou médico e portanto não posso receitar nada a ninguém, mas posso contribuir com a minha experiência. A primeira coisa que lhe pergunto é: quanto tempo vai ficar em Angola? Se for um período longo, (mais de três meses) eu lhe diria para NÃO tomar profilaxia. Os danos que o uso prolongado dessas drogas podem causar ao seu organismo são maiores do que os de uma eventual malária que talvez você nunca pegue. Além disso, a malária não é um bicho de sete cabeças como pensamos no Brasil. Se você tratá-la rapidamente e com bons medicamentos, fica curado em três dias e sem seqüelas. Se for um período curto, você pode considerar tomar a profilaxia, mas nesse caso é melhor se informar sobre outras drogas menos lesivas. O Mephaquim tem efeitos colaterais horríveis, principalmente alucinações durante o sono. Eu passei três meses na África em 2005 e tomei uma profilaxia (já nem me lembro qual), mas se fosse hoje, com a experiência que tenho agora, não teria tomado. O melhor contra a malária é a prevenção. Compre um bom mosquiteiro tratado e instale sobre a cama. Evite se expor no início da manhã e no fim da tarde, horários em que o mosquito mais ataca. Se for para a rua nesses horários, use repelente. Eu passei um ano em Angola com essas medidas e não peguei paludismo.

A professora Damiana Brito pergunta sobre o livro "Bom dia, camaradas", do Ondjak.
Professora, eu não li esse livro específico, mas coloco aqui a sua dúvida para que outros leitores que por ventura o tenham feito possam contribuir com opiniões. Em março estarei de volta ao Brasil e, se for do seu interesse, estou a disposição para um encontro com os seus alunos onde poderia contribuir com um pouco da minha experiência sobre Angola. Se lhe interessar, me escreva com os seus contatos e tentamos combinar por e-mail.

Amigos nos perguntam por e-mail: Por onde andam o F. e a P.?
Nós já saímos de Angola, amigos. Estamos neste momento em Delhi, na Índia, onde a conexão com a internet nem sempre tem sido muito fácil. Daí a ausência deste espaço. Agora, a pergunta a todos os leitores que por aqui passam: vocês se interessariam por ler algumas histórias da Índia?

Respondam à enquete na barra lateral. Se a maioria se interessar, posso publicar algumas coisas aqui nos próximos dias.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O anjo do Paludismo

A dor de cabeça começou leve, no final da tarde. Mas como ontem eu havia feito uma caminhada pela manhã do Miramar à Ilha (ida e volta), logo a atribui ao excesso de sol que havia tomado.

Depois do jantar, a dor aumentou. Mas em velocidade e intensidade inéditas. Tentei deitar, a dor piorou. Fiquei sentado na cama, comecei a sentir a pele arrepiar, o estômago a enjoar. Quis vomitar, mas não consegui.

Como todo expatriado está para o diabo assim como a malária está para a cruz, já logo achei que havia recebido a visita do anjo do paludismo. Crença nem tão infundada, haja vista que o Miramar tem mosquito que baste e, devo confessar, sou bem descuidado com isso.

Odeio o cheiro dos repelentes, a consistência, a ardência que provocam na pele e a sensação de estar todo melado depois de usá-los. Entendo perfeitamente o asco dos pobres seres alados quando se deparam com uma pele pálida de expatriado cheia dessa gosma. Melhor passar longe.

Bom, lá fui eu bater à clinica no meio da noite requisitando uma gota espessa. Não custa nada, só 1400 kwanzas (19 dólares). Exagero? Atire a primeira pedra o expatriado com mais de seis meses em Angola que nunca fez um desses para descobrir que tinha uma gripe. É mesmo assim. O terror que os estrangeiros têm da malária a transforma na suspeita número 1 para todo tipo de enfermidade, de espinhela caída à unha encravada.

No meu caso, posso dizer orgulhoso, é a segunda vez que faço o exame em nove meses. Mas isso porque eu sou relaxado, tenho convicção de que passarei por Angola sem viver a experiência das febres terçãs. Mas conheço expatriado que faz um teste por mês, em média, e sempre sai do hospital com o bolso cheio de Coartem, por via das dúvidas.

Na hora que leva para o sair o resultado, já comecei a me sentir melhor. A dor diminuiu enquanto eu dava umas boas risadas com o Casseta&Planeta da semana passada (sim, aqui passa com uma semana de atraso), o sono bateu e, quando a P. ligou para a clínica para saber o resultado, eu já estava quase dormindo.

Claro que não era paludismo. E peguei num sono profundo sem saber, afinal, que raio de surto foi aquele.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O que é que África tem?

O F. já referiu neste bonito post, o quanto Angola o mudou. Não sei ainda se, para o bem ou para o mal, mas muda sim. Também posso confirmar. Já na minha última viagem a Portugal eu senti isso. Perdida no meio de lojas com coisas e coisinhas que outrora eu talvez perdesse algum tempo a apreciar, neste momento, eu fico é com vontade de ir à minha vida. Sozinha, parei até durante uns segundos e senti-me uma estrangeira que não reconhece aquele espaço como seu. A confusão de pessoas, a música nas lojas, as escolhas entre o azul clarinho, o azul turquesa e o azul marinho. Simplesmente não dá. As depressões dos amigos (mais das amigas, confesso) porque os amores vão mal, porque o emprego vai mal, porque a vida vai mal. E, no meio das minhas conversas com um amigo Moçambicano a estudar em Portugal, percebo que afinal em África, somos muito mais felizes. E ele agradece-me por perceber isso. Percebo que afinal, apesar dos amores irem mal, dos empregos irem mal, da vida ir muito mal, aqui não sabem o que é ficar dias sem água, sem luz, sem palavras para descrever a miséria de alguns sítios do Mundo. Eu também me queixo e esperneio e digo mal da minha sorte. Agora menos vezes, curiosamente. E encaro as dificuldades com outra calma, com outro optimismo. Esqueço-me onde deixei o carro num shopping, ando uma hora à procura e nenhum dos parvalhões do parque me ajuda? A migas segue calma. Calminha. É doce para meninos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Semana de TV na Casa de Luanda - III

A última reportagem da série feita no Quênia mostra a euforia do povo de Kisumu logo após o primeiro discurso de Barack Obama como presidente eleito dos Estados Unidos. E tem também os melhores trechos da entrevista da avó queniana dele.

Para quem está chegando agora, vale lembrar: estes filmes foram feitos por mim no Quênia para a TV Estado.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Semana de TV na Casa de Luanda - II

Mais uma reportagem feita no Quênia, na semana da eleição do Obama (se você quiser ver a primeira, publicada na segunda-feira, clique aqui).

Esta reportagem foi feita na véspera da eleição nos Estados Unidos, na porta da casa de Sarah Obama, a avó emprestada de Barack Obama. Sarah, claro, estava recolhida, mas a porta da casa estava fervendo de gente.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Semana de TV na Casa de Luanda

Toda casa que se preze tem de ter uma boa sala de TV. Esta semana, a Casa de Luanda vai apresentar algumas das últimas produções feitas por seus moradores.

Os três filmes que serão apresentados foram feitos no Quênia, na primeira semana de novembro, quando Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos. A idéia era mostrar como a família africana do novo chefe do mundo estava acompanhando a eleição.

Estas vídeo-reportagens foram realizadas por mim, originalmente para a TV Estado, do site Estadão.com.br, no Brasil. Alguns dos nossos leitores já devem tê-los visto por lá.

Este que segue foi o primeiro filme que fiz, no dia 2 de novembro, assim que cheguei a Kisumu.

Fazendo história no Congo

A todos os que ainda não o fizeram, recomendo especialmente hoje a leitura do Diário da África, do companheiro A., que está em Goma, no Congo, acompanhando o conflito armado.

A riqueza do relato me fez lembrar os melhores momentos de Ryszard Kapuściński em "A Guerra do Futebol" e "Another Day of Life".

Não é apenas uma excelente cobertura jornalística do conflito no Congo. O que A. está fazendo por lá é história.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Encontro com Mumuílas

Era um passeio sem maiores pretensões até Chibia, município a 42 quilômetros de Lubango. Com a estrada reparada recentemente, um pulinho.

A área urbana é pouco mais do que uma cidade pendurada numa estrada, embora já existam por ali algumas casas novas, vistosas, sedes de direções municipais. Mas aí esticamos até Havailo, uma comunidade rural cerca de oito quilômetros a frente. E foi lá que as encontrei, as mulheres da tribo dos Mumuílas.

Elas usam adereços de miçangas e panos coloridos na cintura. Não cobrem o peito. Enfeitam os cabelos com uma pasta feita a partir da mistura de gordura do leite com cascas e sementes de algumas árvores.

Diz-me a senhora que nos acompanha que elas fazem isso para evitar os piolhos, já que não lavam a cabeça.

Não tenho como confirmar a história, porque nenhuma mulher Mumuíla fala a minha língua, nem eu a delas. Só sei que foi muito giro esse encontro inesperado com um povo que ainda sabe preservar tão bem a sua cultura.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Luanda fica no Quênia



Essas duas fotos são de uma cidade chamada Luanda, só que no extremo Oeste do Quênia, quase na fronteira com Uganda.

Como uma sina, Luanda estava no meu caminho todos os dias, entre Kisumu (a cidade onde eu estava hospedado) e Kogelo (a vila onde mora a avó emprestada do presidente eleito dos Estados Unidos).

Por isso o meu longo silêncio nesta Casa, ao longo desta semana. Eu até gostaria de contar algumas histórias dessa aventura, mas como a Casa é de Luanda, eu preciso pedir autorização aos demais moradores - e também aos leitores - para fugir do tema.

Vocês me autorizam?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sim, nós podemos

Hoje acordei com aquela sensação de ano-novo. Dormi pouco, acompanhando a votação americana, e acordei com aquela injeção de esperança e otimismo que os anos-novos sempre me despertaram. Lá do outro lado do Atlântico, Barack Obama me encheu de entusiasmo.

Mas o que o novo presidente-eleito dos Estados Unidos representa para Angola?

Com seu slogan de campanha ("Yes, we can!"), Obama já conseguiu, antes mesmo de começar a governar, a incrível façanha de convencer as pessoas de que "sim, elas podem". E convenceu pessoas-chave:

-Os negros (americanos e não americanos), de que é possível um mundo onde as cores se misturam e pesam o mesmo na balança das oportunidades;
-Os jovens, de que política é coisa deles sim, e que há um mundo inteiro esperando por eles pra ser mudado.
-Os idealistas, de que sua batalha não está vencida e que a democracia nem sempre serve aos interesses dos poderosos;
-E finalmente a África, que pela primeira se vê representada nos genes e nas preocupações de um presidente americano, de que o continente tem tudo para deixar de ser o patinho feio do mundo.

Obama me emocionou com seu discurso dessa madrugada. Lembrou-nos de como um país deve ir muito além de uma coletividade de individuos. Deve ser uma unidade de pessoas que olham umas para as outras. Lembrou que temos histórias diferentes, mas um mesmo destino. Que enquanto respiramos, temos esperança.

E, principalmente, convocou os americanos e o mundo para um novo espirito de trabalho, baseado na responsabilidade, nas alianças, na esperança, na liberdade e na paz. Espero que o discurso ecoe em Angola, pois este país precisa como ninguém de todos esses valores.

Repito sua pergunta: Que mudanças veremos daqui a 100 anos?

E parafraseio também sua resposta: Cada um de nós é responsável por cada uma dessas mudanças, a cada dia, em cada ato.

Posso ser idealista, mas ainda acredito que a arma mais poderosa que temos é o BOM EXEMPLO. E é de exemplos como Obama que o mundo mais precisa neste momento.