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domingo, 10 de outubro de 2010

Conversas nossas

A vantagem do tempo fresco e chuvoso de Portugal é podermos passar o dia todo entre o sofá e a cozinha, o sofá e o computador, o sofá e um filmezito na televisão sem remorsos de se ter perdido um óptimo dia de praia, como em Luanda. Num dos momentos de preguicite domingueira, fui investigar como parava o meu outro blog. Fui recordar, coisa para a qual não sou muito dada. E claro, fui encontrar os sempre queridos comentários do FBaião. Um que já nem me lembrava, era a promessa de que beberíamos uma biricoca em Luanda. Nunca bebemos nenhuma. Juntos. Também prometemos, isso já na Casa, que ele me autografava o último livro. Também falhamos. Apesar da "personagem" polémica em alguns assuntos, é indiscutível que muito aprendemos com o FBaião. Inevitavelmente sobre Angola, o país que tínhamos todos, os da Casa e muitos dos comentadores, em comum. Num dos comentários que o FBaião fez no meu blog, dizia-me que quando engravidasse, para beber água do Bengo e o bebé nasceria forte e suadável. Tentei encontrar o comentário mas, são tantos os que fazia, quer aqui quer no outro blog que foi impossível encontrá-lo. Guardei-o na altura para mim e achei carinhoso, que o FBaião achasse que o meu bebé, na sua imaginação, iria de alguma forma estar ligado a Angola. Que eu estaria ainda em Angola, quando chegasse a altura. O comentário, terá sido feito à cerca de 2 anos. Esta na hora, Fernando, de beber a água do Bengo.
*Apesar de não apreciar especialmente de exposição no blog, este é o post em que decidi lembrar, o FBaião. Já passaram alguns meses que nos deixou mas, a recordação ficou. Para sempre.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sobre as saudades do X. - que são a de toda a gente

A próposito do pedido do X. para que cá voltemos todos a escrever como se fazia no antigamente, preciso deixar uma resposta pública.

Eu, uma praia no Kwanza Sul, o pôr do sol
de Angola: saudades que nunca acabam


X., meu kamba, como sabes bem, não há dia em que eu não pense em Luanda, ou não me recorde com saudades da vida que lá tinha, tão breve e tão intensa.

Talvez sejam mesmo essas saudades mal curadas que me impeçam de voltar a escrever, aqui ou em qualquer outro lugar... Depois de Luanda, nunca mais tive blog (e aí está a tentativa da Casa da Garoa para atestar esse fracasso).

Fico feliz com os encontros que tivestes com o Agualusa e o Ondjaki, escritores que tanto admiro. Do Agualusa já li quase tudo o que publicou, (o 'Barroco Tropical', que devorei no início do ano, é LITERATURA da melhora qualidade, não só angolana, mas internacional); à prosa do Ondjaki, tão marcada pelo ritmo e gírias de Luanda, recorro sempre que me apertam as saudades do sotaque da capital. Se ainda não o conheces, não demora mais. Recomendo-te, para iniciar-te, 'Bom dia Camaradas'. Vais ficar encantado com a narrativa do miúdo que nos guia por suas aventuras de criança por uma Luanda pré-capitalista.

Queria ter a tua força para continuar a viver Angola, amigo X., mesmo estando tão longe de lá. ,

Kandandu forte do amigo.

F.

P.S. - Por fim, gostava imenso de receber a carta da Ju, se não for algo muito pessoal. Nem sabia que andava ela por Angola de novo... Inveja.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Aos que pensam em viver em Angola

Tenho recebido muitos comentários de pessoas que cá chegam em busca de informações sobre Angola. Geralmente receberam proposta de emprego e estão nas dúvidas que assaltam a alma em momentos de grandes mudanças. Normal.

O que eu poderia dizer?

Aceite o desafio. Mas só o faça certo de que deixa no Brasil, em Portugal, onde quer que esteja, os medos que tantas dúvidas lhe trazem. Porque mudanças são difíceis, para qualquer lugar do mundo. Nenhum povo é igual a outro; misérias, riquezas, costumes, tudo é diferente.

Mude-se para Angola com o coração aberto para amar o sotaque, as comidas, a inocência escancarada do angolano comum; mude-se para Angola aberto a entender a frieza, a distância, os medos de uma gente que por séculos não teve em quem confiar; entender e aceitar que não se apaga tanta dor de tanta guerra tão facilmente.

Vá disposto a aprender muito, porque Angola tem mais a lhe ensinar do que os diplomas que carrega. Vá pronto a ser mudado, mais do que a mudar.

E enquanto lá estiver, liberte-se de Luanda. Deixe-se perder pelas províncias tão belas e tão puras. Viva Angola intensamente, cada segundo. Porque quando a hora chegar, antes do que você espera, poderá levar na bagagem, em lugar de engarafamentos, preços altos, faltas de água e luz, a alegria das Mumuílas diante da câmera, a lembrança do vento fresco da Serra da Leba no rosto, o deslumbre da luz nas tardes de Luanda.

E partirá, então, cheio de saudades, mas feliz por saber que ajudou a transformar, pelo menos, um Triste em Forte.


terça-feira, 9 de junho de 2009

A madrugada ia alta...

...em Luanda na última sexta-feira quando o skype tocou aqui em casa, em São Paulo.

Do outro lado da tela, com imagens borradas pelo vinho e pela lentidão da conexão, o amigo A., do Diário da África, e as queridas F. e Flávia da Costa alimentavam nossas saudades (minha e da P.) de algumas das noitadas de jantares e mais interessantes que vivemos na querida Luanda.

A Luanda dos trânsitos, dos calores, dos preços altos; a Luanda das zungueiras, da Ilha do Cabo, dos melhores amigos de uma existência inteira.

Por isso as saudades. Por isso tanto saudosismo que não cabe num oceano inteiro.