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terça-feira, 26 de julho de 2011

1 criança morre a cada 15 minutos

Hoje o blog abre espaço para falar de um assunto muito mais importante do que os costumeiros posts relacionados ao dia a dia em Angola.

Uma catástrofe natural está matando milhares de pessoas na África. A seca que castiga o leste da Áfricas está matando uma criança a cada 15 minutos.

A Somália é o país mais afetado e milhares de refugiados tem emigrado pelo deserto para os campos de ajuda humanitária no Kenia.

Infelizmente, esses refúgios não estão dando conta de atendar a tanta procura e pedem ajuda urgentemente.

Os países desenvolvidos se prontificaram a ajudar, mas o dinheiro não chega, e enquanto não chega mais uma criança morre.

Se você assim como eu se sensibiliza com o sofrimento de tantas crianças inocentes e não sabe como ajudar, ou mesmo tem medo que a sua ajuda caia em mãos oportunistas a ONU, por meio da sua agência de ajuda para refugiados tem um site para receber doações.

Clique aqui para acessar o site da UNHCR

É rápido, fácil e seguro, basta ter um cartão de crédito, as doações podem ser programadas para serem feitas mensalmente ou individual.

Não importa o valor, por menor que seja a quantia é uma ajuda válida.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Coisas para lembrar

Até 1990, Angola era um país comunista clássico. Toda a atividade econômica estava nas mãos do Estado, os cidadãos tinham cotas de suprimentos básicos etc. Eu, que fui criado dentro da cultura diferente, sempre associei esse modelo de organização social a uma coisa triste, desesperançada. Se calhar, fruto da propaganda capitalista.

J., o mesmo do post abaixo, viveu o comunismo na infância e tem uma visão bem diferente do que foi aquilo:

"As pessoas eram mais humanas, havia mais afeto mesmo, entre os estranhos. Se eu parasse na estrada, a caminho da escola, logo parava uma viatura e me oferecia uma boléia. Hoje? Iam é me atropelar. Só vais no carro se der algum dinheiro. As pessoas pensam só em si. Naquela altura, tínhamos os sábados vermelhos, onde todos se uniam para fazer a limpeza dos bairros, das ruas, eram momentos em que as pessoas se ajudavam umas às outras. Quase não existiam gatunos, você podia deixar a viatura aberta na rua. Mas, agora que somos uma economia de mercado, todo mundo só pensa em si próprio, em acumular riqueza passando por cima dos outros. Não estou a dizer que aquele modelo económico era melhor, tinha muitas falhas. Mas, do ponto de vista da união entre as pessoas, epá, isto aqui era outro país."

domingo, 20 de abril de 2008

Pra não dizer que não falei das flores


Sim, Luanda por enquanto chega aos meus olhos embaçada pela poeira. Chega coberta de lixo e esgoto, porque é deles que desvio todos os dias para chegar ao trabalho. Chega marcada de guerra, porque mãos empunhadas de fuzis escoltam as calçadas por onde passo. Chega cheia de contradições porque Toyotas e Kandongueiros dividem minhas boléias. Chega bem mal-explicada, porque quando eu pergunto as vozes calam.

Mas chega também com a força e o colorido das flores. As flores que nascem ousadas atrás da poeira, ao lado do lixo e do esgoto, e dão vida às ruas com suas roupas estampadas. Carregam sobre a cabeça grandes pétalas de plástico recheadas de frutas. Não se curvam sob o sol ardente, não esperam acontecer. Seguem “caminhando e cantando”, (e os brasileiros sabem o que estou cantando...).

Arranjam-se em pequenos buquês nas esquinas, ensinando à Luanda o espírito de iniciativa e coletividade de que ela tanto necessita. Logo nas primeiras semanas vi um desses buquês em ciranda, com flores ensinando outras flores a ler e escrever. “Aprendendo e ensinando uma nova lição”. Lição que, espero, sigam ensinando aos irmãos que, equivocados, insistem que sábio é esperar.

Vim para Angola regar flores. E faço delas meu mais forte refrão.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Nem só de defeitos...

Do jeito que o blog vai, parece que Luanda só tem defeitos irreparáveis. Não é verdade. Já nos beneficiamos de pelo menos uma grande qualidade: a solidariedade das mulheres luandenses.

No sábado, quando precisamos pedir informações no transporte para chegar a um bairro distante, duas delas foram além das explicações. Nos levaram até a porta do local que procurávamos, desviando inclusive de seus caminhos. Apenas por simpatia, sem pedir nenhuma recompensa. Quantos de nós faríamos o mesmo por dois estranhos?