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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Tudo tem seu preço

Windhoek tem um cinema moderníssimo, com cinco salas, som dolby digital, programação atualizadíssima, poltronas confortáveis, ar-condicionado, etc. etc. etc.

A entrada custa 22 dólares... namibianos. Noves fora o câmbio dá a bagatela de 2,3 dólares americanos.

Diz aí: dá pra acreditar nesse país?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

As atrações da Namíbia

Conforme prometi no post anterior, segue uma lista de atrações que merecem uma visita. Infelizmente as distâncias entre elas são realmente grandes e você vai precisar de um tempo relativamente longo para fazer tudo. Ou então, pode voltar várias vezes.

Windhoek – A capital é o principal ponto de chegada para quem vem do Brasil ou de Angola em vôo internacional. É uma cidade pequena, com pouco menos de 100 mil habitantes. Tem algumas construções antigas, um charme europeu, mas não tem tantas atrações que mereçam mais do que dois dias por aqui. Passe para pegar o carro, conheça um pouco a cidade e caia na estrada.


Etosha National Park – É o destino número 1 do turismo na Namíbia. O grande lago pantanoso atrai animais selvagens que ali se concentram em busca de água. É possível ver girafas, zebras, oryx, kudus, wildebests e springboks aos montes. Com sorte você também verá leões, elefantes, rinocerontes e hipopótamos, embora estes últimos sejam mais raros. Você pode se hospedar num dos três resorts dentro do parque e dirigir seu carro pelos estradas para ver os animais. A dica é sair assim que os portões são abertos, às por volta de 6h30. Depois das 9h30, os animais se escondem para fugir do calor e fica impossível ver qualquer coisa. No fim de tarde eles voltam a aparecer, mas você deve ficar atento para voltar antes do fechamento dos portões do hotel. Ninguém é autorizado a circular durante a noite fora dos limites do resorts. Eu sugiro que, em pelo menos um dia, você faça uma gamedrive oferecida pelo hotel. Custa USD 50 por pessoa, parte às 6h00 da manhã e o guia já sabe onde levá-lo para realmente ver os animais. A menos que você goste muito de bichos, três dias é um prazo bem razoável para o Etosha. Depois disso você vai começar a cansar das longas distâncias em estradas de cascalho.


Swakopmund – Esta pequena cidade de colonização germânica é uma pérola no litoral da Namíbia. As construções são todas em estilo alemão, o clima é relaxante e a cidade tem bons restaurantes e cafés para passear e dunas ao sul, onde é possível assistir a um lindíssimo por do sol no mar. É uma ótima parada para descansar das estradas se você estiver indo ou voltando de Sossusvlei. Eu sugiro dois dias aqui. O Alternative Space é uma pousada de um arquiteto que vale muito conhecer. Custa USD 50 por casal, com café da manhã incluído, mas que você mesmo prepara. É um conceito diferente de hotel, para backpackers mais exigentes.


Walvis Bay – Esta cidade a poucos quilômetros de Swakopmundo não tem maiores atrativos, mas oferece um passeio de barco maravilhoso. Você paga USD 45 por pessoa e embarca numa lancha que o leva para ver focas e golfinhos ao largo da baía. As focas dão um show a parte, porque sobem dentro dos barcos em busca de peixe. São completamente dóceis. Se estiver com azar, você vai ver muitos golfinhos. Se estiver com sorte, vai perder a conta. Nós fizemos o passeio com a Mula Mula, mas existe um outra operadora que usa barcos maiores. A baía é bem calma e você precisa ser muito sensível para enjoar.

Sossusvlei – É o parque das dunas. O lugar é lindíssimo. Você paga USD 17 por pessoa por dia de visita (dinheiro namibiano, não se esqueça). O segredo é partir às 5h00, quando os portões são abertos, para assistir o nascer do sol nas dunas, que ficam a 67 km do portão. É a única forma de fazer fotos como a que ilustra este item. Depois, o sol ilumina os dois lados da duna. Você consegue chegar com carro a 4 km das dunas. Depois, só avança com um 4X4 traçado. Se estiver com um carro normal, estacione ali e pegue um dos shuttles que o parque oferece até a duna de Sossusvlei. Na volta de Sossusvlei, não deixe de parar no Dead Valley, logo ao lado. A vista também é inacreditável. Depois disso, volte para o hotel porque o calor é muito grande. Se puder, vá assistir ao pôr-do-sol na Duna 45. Vale o passeio. Só fique atento ao horário de fechamento do portão para voltar antes.


Twyfelfontein – Esta cidade no deserto do Namibe fica do lado oeste do Etosha. Tem uma inscrições milenares em rochas, feitos pelo povo Sam, mas confesso que não achei tudo isso. O melhor mesmo foi o passeio dos Elefantes, no fim de tarde. Paga-se USD 37 por pessoa para um gamedrive em busca de elefantes na região. O guia dirige um caminhão todo aberto, onde você viaja confortavelmente. No meio do passeio ele faz uma parada para drinques gelados e no final, serve um espumante numa parada para que você contemple o pôr-do-sol na savana dourada. Nós ficamos hospedados no Twyfelfontein Lodge, que tem um coral de funcionários muito divertido no jantar.

Existem outras atrações pelo país, mas como não tivemos tempo de visitá-las, acho esquisito escrever sobre elas.

Algumas razões para visitar a Namíbia

Muitos amigos tem me pedido dicas de viagem pela Namíbia, depois da propaganda que fiz aqui na Casa. Então, lá vão alguns motivos para cruzar a fronteira de Angola – ou o Atlântico, dependendo de onde você está:


O carro que alugamos por USD 92 por dia
Dirigir é muito fácil – As estradas são bem conservadas, mesmo as que ainda são de cascalho. Não existem buracos. No início do ano dirigimos mais de 3.500 km pelo país sem ver um único buraco. Nem no Brasil isso existe. Nas estradas de cascalho a conservação é tão boa que é possível dirigir a 70 km/h sem sustos. As ruas e estradas são bem sinalizadas, não tem como você se perder. É permitido virar para qualquer dos lados sem cair numa armadilha policial e quando você é parado, só lhe pedem a carteira de motorista. Nada de gasosas. Único incoveniente: dirige-se do lado esquerdo da rua, como na Inglaterra. Mas você se acostuma rápido. O aluguel de uma Toyota Hylux 4X4 totalmente equipada para camping, com duas barracas no teto e seguro total cobrindo inclusive pneus e vidros sai por volta de USD 90 adiária. Para um carro turismo normal é possível pagar a partir de USD 29. Pode parecer caro para quem vive no Brasil; é de graça para quem vive em Luanda. Nós alugamos com a Advanced Car Hire, uma turma bem profissional, mas eles só trabalham com carros 4X4.

A piscina do Opuwo Country Lodge

Os preços são muito baratos – Para quem vive em Angola, não há comparação possível. Uma diária num resort dentro do Etosha National Park, por exemplo, sai por volta de USD 100 por casal. Com pensão completa, em bangalôs totalmente novos, com AC, banheiro privativo, piscina, etc. etc. etc. Esse ainda é dos mais caros, porque é gerenciado pelo governo e fica dentro do parque. Do lado de fora você encontra belíssimas opções de hotéis de charme por preços a partir de USD 50 por casal. Além disso, tudo é muito mais barato, e com qualidade muito melhor do que em Angola. Um jantar completo com uma garrafa de vinho para duas pessoas nos restaurantes dos hotéis gira em torno de USD 30. Em Windhoek, pode-se conseguir preços ainda mais baixos. E tudo isso em ambientes charmosos, bonitos, bom serviço e boa comida. É como se você estivesse na Europa, mas sem os preços em Euros, que encarecem tudo para quem vem do Brasil. Para opções de hotéis ou mesmo pacotes completos, consulte a Chameleon. Eles fizeram nossas reservas nos lodges e foram impecáveis.

O país está preparado para receber turistas – Os hotéis são realmente muito bons, confortáveis, limpos, bonitos, novos. Todas as estradas tem placas indicando as entradas para os hotéis. Nós viajamos duas semanas sem levar um único endereço conosco e não nos perdemos nenhuma vez. As pessoas são genuinamente hospitaleiras, simpáticas, querem realmente ajudá-lo sem esperar nenhum dinheiro em troca, como muitas vezes acontece aos turistas no Brasil e em vários outros países pelo mundo. Você se sente seguro andando pelas ruas.

A savana dourada no deserto

As atrações valem a viagem – O país é realmente lindo, com uma paisagem das mais ecléticas. Desde as savanas douradas cobrindo os campos secos do Deserto do Namibe até as florestas temperadas ao redor de Windhoek, passando por dunas de areia lindíssimas em Sossusvlei. Os animais vivem soltos por todos os lados e, se tiver sorte, você vai vê-los pelas estradas mesmo antes de entrar no Etosha.

As dunas de Sossusvlei

Uma dica importante: troque algum dinheiro assim que chegar ao aeroporto de Windhoek. Especialmente se for noite ou final de tarde. As taxas do Thomas Cook do aeroporto são praticamente as mesmas das cidade, onde tudo fecha às 17h. Se você não tiver dólares namibianos ou rands (dinheiro da África do Sul), a única forma de pagar suas contas será o cartão de crédito internacional, mas alguns postos de gasolina não os aceitam. Quem vive em Angola se acostuma a usar dólares americanos em qualquer lugar, mas na Namíbia ninguém aceita dinheiro estrangeiro, com exceção do rand, que tem o mesmo valor do dólar namibiano e é largamente aceito. Os cartões de crédito internacionais podem ser usados para sacar dinheiro nas ATMs, se você estiver em apuros.

No próximo post vou publicar uma lista das atrações. Não sai da linha que eu já volto.