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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Para o X: O padeiro que me queria criar

Algures na província do Kunene, em viagem profissional, paro para comprar pão. A cerca de 100km da cidade de Ondjiva, era o melhor pão da região, dizia o meu colega que vive lá. Entramos na padaria. Cá fora, um dos padeiros, velhote, conversava com uma garota. Falavam sobre mim e, nós ouvimos. Deliciados.
Padeiro: Não tenho dinheiro para criar uma branca destas.
Garota: Pois não.
Padeiro: Uma branca destas fica cara. E como é linda. Mas eu não tenho dinheiro para a criar.
Garota: Xé, cala a boca. Não vê que ela está acompanhada pelo marido?
Padeiro: Não é marido. É pai.
Tudo isto, sem qualquer pudor. Sem medo de ser ouvido. Com a ingenuidade característica de Angolano da província. Cá fora, ainda conversamos um pouco. Ele pergunta-me o nome e diz que tem um filho com o mesmo nome. Fiquei na dúvida. Que queria mesmo dizer ele com "criar"?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Praia na Índia

Mais especificamente em Cherai, no estado de Kerala, no sul do país.

O cara mais esquisito do lugar era eu, usando bermuda e camiseta.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Taj Mahal

"Foi a mais linda história de amor
Que me contaram e agora eu vou contar
Do amor do principe Xá-Jehan pela princesa Num Mahal
De de, dederede, de de, dederede, de de ... Taj Mahal"

(Jorge Ben Jor)

Ele é um símbolo internacional do amor eterno (no Brasil, virou até tema de samba-rock do Jorge Ben Jor). Maior complexo funerário do mundo, totalmente construído em mármore branco e adornado com pedras semipreciosas, o Taj Mahal ganhou essa fama porque, segundo a lenda, teria sido construído pelo imperador Shah Jahan como túmulo de sua esposa Mumtaz Mahal, que morreu ao dar à luz o seu 14º filho. Isso em 1632, numa sociedade onde a mulher, até hoje, tem um papel secundário.

História bonita e tal mas a verdade é que o Taj Mahal está se transformando, hoje, num símbolo de como a vida moderna destrói os sonhos românticos.

O primeiro golpe na lenda dos apaixonados vem da ciência. Historiadores enxergam um simbolismo escondido nas inscrições islâmicas que adornam as paredes do mausoléu. Estão reproduzidos ali 14 capítulos do Corão que tratam sobre o Dia do Julgamento Final e sobre os prazeres do paraíso. Um deles, no portão de entrada, é uma citação em que Alah convida os homens de fé a entrarem no seu paraíso.

Além disso, foi descoberto recentemente um texto em Sufi antigo que descreve como seria o trono de Deus e, adivinhem, a descrição é idêntica à planta do Taj Mahal. O texto constava da biblioteca do pai de Shah Jahan. Associando as duas evidências, os cientistas alegam que Shah podia, sim, ser muito apaixonado pela esposa. Mas que também se considerava Deus e o mausoléu, no caso, teria sido construído para ele mesmo reproduzindo as descrições do paraíso.

De que ela era megalomaníaco ninguém duvida. Basta olhar para o imenso mausoléu.

As flores feitas de pedras semi-preciosas foram engastadas no mármore

Estas foram esculpidas numa longa pedra de mármore branco

Mais adornos engastados nas paredes do palácio


As descobertas da ciência podem abalar o mito, mas não acabam com a magia do Taj Mahal. Esta está sendo destruída mesmo é pela poluição lançada na atmosfera por automóveis e indústrias da região.

A chuva se tornou ácida e já há alguns anos vem correndo o mármore do palácio. Trabalhos de recuperação da estrutura vêm sendo feitos e algumas medidas de contenção da emissão de poluentes têm sido tomadas, mas a verdade é que o palácio está ameaçado.

Além disso, o rio que passa por trás dele foi assoreado, perdeu vazão e baixou. O terreno se tornou instável e os alicerces dos minaretes ao norte estão abalados.

Ou seja, enquanto a ciência especula as intenções românticas de Shah Jahal, nosso estilo de vida está prestes a acabar com a estrutura física da representação do amor eterno.

As cúpulas do Taj Mahal e, abaixo, a mesquita que faz parte do complexo

P.S. – Mumtaz morreu em 1631 e a obra começou em 1632, mas só acabou em 1653. A dúvida é: onde ficou enterrado o corpo da Mumtaz enquanto o Taj não ficava pronto?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Nova Índia

Mumbai, Aeroporto Doméstico, 4h00 am, 4 de fevereiro de 2009

No saguão do aeroporto domestíc de Mumbai, depois de uma peregrinação errante pela cidade (leia aqui), nos aproximamos do balcão da Jet Airways.

Explicamos nosso infortúnio a uma jovem que fala um inglês perfeito. Queremos mudar nossa passagem aérea do vôo de 14h45 para o primeiro da manhã com destino a Delhi.

Ela consulta os computadores, digita algumas teclas e nos emite o novo bilhete. Sem cobranças extras, sem reclamação. Estamos no vôo que partirá às 7h.

Entramos no saguão lotado do moderníssimo aeroporto domestíc e somos encaminhados para o primeiro raio-x. Das malas que serão despachadas. Depois de verificadas, elas são seladas pelos funcionários da companhia. Medida de segurança, que foi reforçada depois dos ataques terroristas de novembro passado.

Fazemos o check-in, despachamos a mala e vamos tirar um cochilo num café com confortáveis sofás onde outros turistas estrangeiros roncam à solta.

Às 5h30 despertamos e vamos para a imensa fila de checagem. Penso que certamente haverá atrasos, porque é muita gente na fila. Mas a nova checagem de segurança, desta vez feita pelo exército indiano é muito eficiente. Eles abrem bagagem de mão, fazem revista corporal depois do detector de metais, mas são vários homens trabalhando e tudo é muito rápido.

Na sala de embarque, computadores oferecem acesso gratuito à Internet.

Às 6h20, a companhia começa a chamar os passageiros, os soldados checam novamente os selos de inspeção das bagagens na porta, todos embarcam e o avião decola, lotado, às 7h em ponto. Rápido, eficiente e bem organizado.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sabor local

Como todo mundo sabe, na Índia a vaca é um animal sagrado. Portanto, não existe a menor chance de saborear picanha, filé mignon ou qualquer tipo de beef por aqui.

Mesmo assim, a Índia tem MacDonalds. Mas como sobreviveria a cadeia internacional de hambúrgueres sem o Big Mac, seu carro chefe no mundo todo?

Com vocês, a solução: Chicken Maharaja Mac.




A receita é simples: dois hambúrgueres (de frango), alface, queijo, molho especial (no caso ligeiramente apimentado e com curry, para satisfazer o gosto local), cebola e picles no pão com gergelim.

Acompanhado por batatas e gasosa custa 125 rupias. Noves fora o câmbio sai por USD 2,60.

Provei ontem em Bangalore e posso garantir que o sabor é bem interessante.

P.S. – Alguns pratos non veg na Índia levam carne de carneiro ou de bode, mas o campeão de bilheteria é mesmo o frango. Ou me torno vegetariano, ou vou criar penas até o final da viagem.

Velha Índia

Aeroporto Internacional de Mumbai, 0h30 am, 4 de fevereiro de 2009.

Acabamos de chegar à Índia e, claro, o shuttle do hotel que deveria nos apanhar não aparece. Temos uma conexão para Delhi amanhã à tarde, marcamos um hotel para descansar um pouco da longa maratona de vôos que começou às 6h30 de ontem em Cape Town.

Esperamos uma hora, então decidimos apanhar um táxi pré-pago. Custa 200 rupias, algo como 4 USD. Pagamos no guichê dentro do aeroporto e nos encaminhamos para o ponto de táxi.

O motorista designado é magro, mal-vestido, barba por fazer. Tem a cara da fome e não fala – nem entende – uma palavra de inglês. Damos o nome do hotel, ele não entende. Mostramos no papel, ele não sabe ler.

Rapidamente, juntam-se a nós outros dez taxistas semi-alfabetizados, alguns com rudimentos de inglês, a língua de instrução da Índia, mas nenhum conhece o hotel.

Alguém tem a brilhante idéia de chamar um agente de um mega-cinco-estrelas que está todo engravatado ali a espera de um cliente. Com inglês perfeito, ele entende onde fica o hotel e explica em hindi ao nosso motorista.

Embarcamos. Ele sai dirigindo como um louco pelas avenidas vazias na madrugada, uma mão na direção, a outra na buzina. Chega ao hotel e, claro, não é o lugar correto.

O recepcionista tenta ajudar. Explica de novo em hindi onde fica o nosso hotel. Nova disparada pela cidade, já com o taxista analfabeto a resmungar – afinal ele sabe falar alguma coisa em inglês – preços:

- Five hundred rupees.
- No way, sir. You got the wrong way. It is not my fault.
- Five hundred rupees more.
- No way. I won’t pay.

Ele deve ter entendido, porque afinal não acha o hotel. São 3h30. Precisamos tomar uma decisão:

- Please, take me to the Domestic Airport.
- X&%#@)*%?
- Domestic Airport.
- Domestíc?
- Yes, domestíc.

Ele volta para o aeroporto doméstico. Chegamos e ele quer 500 rupias. Dou 100. O erro foi dele. Já estou pagando 300 rupias para não chegar a lugar algum. Ele começa discutir em hindi, não quer aceitar. A P. pára um passageiro indiano que está chegando para embarcar. Ele começa a discutir com o motorista, nos defende, o taxista desiste.

Fico no prejuízo da diária do hotel – que já havia sido paga pela Internet no cartão e provavelmente não será reembolsada – e passo o resto da noite no aeroporto domestíc. Mas tudo acaba bem.

Amanhã, este relato continua com um retrato da nova Índia.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Delhi Brasil

Em apenas uma semana, nós conhecemos seis dos 40 brasileiros que vivem na capital da Índia. Um deles, o Gentil, é um paulistano de 26 anos. Brasileiro típico, alegre, expansivo, sempre fazendo piada sobre tudo. Ele mora em Delhi há seis meses e já tem cunhou algumas frases para definir o dia-a-dia de um ocidental neste país. Vamos a elas:

Sobre mulheres:
"Em cinco meses aqui eu só consegui pegar um telefone e, ainda assim, estava errado."
"Na Índia não tem mulher nem no banheiro feminino."

Sobre os filmes de Bollywood:
"São duas horas de dancinha pra cá, dancinha pra lá, sem beijo na boca."

Sobre o trânsito:
"Esse negócio de mão de direção é uma questão muito relativa." (Enquanto entrava na contra-mão de uma avenida de duas pistas para chegar a um posto de gasolina).
"Para entender o ritmo da Índia, você precisa observar como eles atravessam a rua. Se tentar correr, você morre atropelado. Mas se você for bem devagar, mesmo numa auto-estrada, os carros desviam e nada acontece."

Esta última ele atribui ao Luis, outro amigo brasileiro que fizemos aqui e que mantém, com a Júlia, o Shiva em Gurgaon. Para saber mais, leia também as impressões do Flávio, no Paletó de Linho. Os dois blogs já constam da nossa sala de leitura.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Indian Gate



O homem passa roupa na rua com o velho ferro a carvão
Na rua passa solta a vaga preta sagrada
Na lojinha o velho de barbas brancas passa o tempo a queimar incensos
E observa o turista que passa a observar
O homem que passa
A vaca que passa
O tempo que queima o incenso do velho
Na Velha Delhi
Que nunca passa

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A prova Swakopmund

Este post complementa um outro publicado pelo companheiro A. no Diário da África, onde ele revela a todos provas definitivas de que a Namíbia não existe.

Aqui, vou apresentar especificamente a prova chamada Swakopmund, suposta cidade no suposto litoral da suposta Namíbia. Vejam as fotos vocês mesmos:


Casas em estilo germânico, ruas limpas e sem buracos. A língua que mais se ouve é o alemão, que também está nos nomes das ruas. A princípio pensei que estivesse na Alemanha, mas aí percebi um detalhe que comprometia essa tese: todas as pessoas nessa suposta cidade são felizes. Bem-humoradas, educadas, atenciosas. E cobram preços baixíssimos pelos serviços.

Na pousada em que eu e a P. ficamos, o dono cobrava apenas 50 dólares por noite. No quarto havia duas taças de cristal e um espumante tinto sobre uma carta com uma recomendação: "Oferecemos este vinho para que vocês possam apreciar o pôr-do-sol nas dunas que ficam a poucos metros daqui".

O vinho era cortesia do hotel. O pôr-do-sol, uma cortesia da suposta Namíbia.

Definitivamente, esse lugar não existe.