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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Programa para quem vive em Lisboa



Como me ensinou o F., a maioria dos leitores desse blog vive em Portugal. Por isso, deixo essa dica cultural para quem está em Lisboa e quer conhecer uma das cidades mais bonitas do Brasil. 

De hoje até o dia 30, no shopping Colombo e na praça do Rossio, acontece a I Semana de Natal em Lisboa. 

A convite da Câmara Municipal (para nós, no Brasil, câmara é onde ficam só os vereadores, e não o prefeito), a capital do Rio Grande do Norte, o estado que fica na ponta do Brasil mais próxima da África - e a apenas 07 horas de vôo de Lisboa - vai promover uma série de eventos para divulgar suas belezas naturais. 

As principais: praias mais paradisíacas que qualquer outras no Brasil (na foto abaixo, Ponta Negra), 300 dias de sol por ano, temperatura que nunca é diferente de 28 graus e uma brisa morna que sopra sem parar.

Na foto acima, em primeiro plano, a fortaleza dos Reis Magos, jóia da arquitetura portuguesa colonial com o mesmo formato estrelar da de São Miguel, em Luanda, erguidas, aliás, na mesma época.

No final de julho, é a Prefeitura (ôps, câmara) de Lisboa que vem para cá mostrar porque "valapena" se aventurar na travessia do Atlântico e flanar pela cidade de Fernando Pessoa.

E Angola, com isso? Fica a apenas 04 horas, em vôo reto, de Natal, se vôos retos existissem e pudessem matar as saudades com tanta rapidez.

sábado, 20 de junho de 2009

O encontro

O telefone tocou no meio da tarde de inverno, daquelas bem iluminadas por um sol frio que só o sul tropical sabe fabricar em fins de junho. Do outro lado, o sotaque angolano era inconfundível, trazendo à lembrança aquele sol acanhado nas tardes do cacimbo de Luanda, a caminho de uma bica na Nilo dos Combatentes.

- F., estou cá em São Paulo, engarrafado num tráfego que mais me lembra o de Luanda, tás a ver?

Era Fernando Teixeira, o Baião, morador desta Casa, escritor angolano que melhor traduz a língua das cubatas de Luanda, pai do Pequeno Dicionário Angolano que tantos visitantes atrai para cá. Conhecíamo-nos apenas pela rede, graças a este blog, mas já nos unia há muito a solidariedade com que ele sempre defendeu este espaço dos ataques totalitários.

Marcamos encontro para a noite seguinte, jantar sob as árvores do Chácara Santa Cecília, em Pinheiros. Durante duas horas falamos de várias Angolas. A da infância do Baião, a dos primeiros anos de independência, aquela em que moramos eu e a P., a dos preços mais altos do mundo, onde toda esta história começou.

Muitas Angolas, uma única saudade a nos unir, a mim e ao Baião. E ao X., que a esta hora está já a se matar de invejas por não ter tido a chance de desfrutar deste momento. Principalmente depois que souber que, já não bastasse o prazer da visita, presenteou-me o Baião com três de seus livros, incluído aí o último, cujo lançamento foi aqui anunciado.

Fernando, bom retorno a Portugal e já sabes: nas tuas voltas a São Paulo, tens cá um amigo, ya.

Tamos juntos!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Reunião de Condomínio

Foi tudo em grande, como se diz em Angola. Na última sexta-feira, encontraram-se na cobertura das estrelas de Greg Salibian, o fotógrafo que viu Luanda como nenhum outro, a Branquela de Angola, a Ju, o F., e este que vos dedilha algumas saudades da Kianda, o X.

Tudo em São Paulo, a outra São Paulo, irmã-gêmea e prima rica da São Paulo da Assunção de Luanda (alguém aí sabia que é esse o nome completo da nossa querida "Rio de Janeiro de África" ou "Lisboa de África"?)

Ah, como foi bom ver que essas pessoas também existem do lado de cá do Atlântico. Sim, porque somente o F. eu conhecia de outros carnavais. As meninas e o Greg foi só em Luanda - e como Luanda eles só habitavam a minha memória afetiva.

Falamos de toda a humanidade, passando pelo emprego, pelas pessoas, pelos amores, pelas saudades, pelas frustações, pelo clima, pela decpeção como tudo acabou, pelos amigos do blog, pela política, pela ajuda mútua e, claro, pela vontade e desejo e possibilidade de uma dia voltar para Angola.

Estamos assim, hoje, no balanço geral:

  • O X. morando a mais de 2. 500 km do resto da malta, num canto do Brasil bem próximo de onde o voo da Aifrance se "despenhou" e sumiu, numa das história mais tristes que se possa contar nessa semana.
  • A Branquela de volta para o lugar de onde saiu antes de viver "pa" Luanda, com todas as suas roupinhas diáfanas (agora coberta de frio da cabeça aos pés) e olhares poéticos sobre o mundo.
  • A Ju, mais gente louca totally impossível, com mil planos novos na cabeça, dando para nós a certeza de que vai ser, no grupo, a mais mutável, uma vez que antes de voltar para casa no Brasil foi jogar um pouco de brilho na China.
  • O F., sempre sarcástico e com essas entradas na testa que só crescem, voltou temporariamente para o lugar onde nos conhecemos há quase dez anos, mas eu sei que ele não se adapta mais ao Brasil não, dado a aventurazona em que se meteu primeiro e depois arrastou, indiretamente, todos nós.
  • O Greg, ah o Greg, esse sempre tão gentil e observador da vida pelas lentes da fotografia, morto de saudades de Luanda, dizendo sempre que faltou algo, que lhe roubaram os doces como uma criança. E foi mesmo. Faltou a ele fazer "a foto" definitiva dessa cidade linda e ele ainda vai fazer.
  • Espiritualmente, estiveram presente o Zé, que nessa altura explora Maputo, e o João, perdido em algum lugar entre o Sudão e o Egito, outros dois lugares que devem ser fantásticos nesse continente fantástico.
  • E "toda a gente" que lê esse blog.

domingo, 3 de maio de 2009

Roberto Carlos, Angola, 50 anos de carreira e dores de cotovelo


"Embaixo dos caracóis dos teus cabelos, uma história pra contar de um mundo tão distante..."

Roberto Carlos faz 50 anos de carreira, 68 de vida, e começou um giro imenso pelo Brasil na semana passada cantando aqueles sucessos que todos nós, falantes da Língua Portuguesa, sabemos de cor e salteado. Gosto, particularmente, do disco que Maria Betânia gravou com as músicas dele. É um dos meus top-10 do iPod.

"No seu corpo é que eu encontro, depois do amor o desanso, e essa paz tão infinita..."

Tá, mas o que isso tem a ver com Angola e com esse blog - que anda a definhar a olhos vistos?

Roberto é um dos cantores brasileiros mais amados neste país africano e foi o primeiro a cantar a paz, em 2003, num show que entrou para a história e para a memória afetiva de todos que conheci aí pois comemorava 12 meses sem guerra. Foi o primeiro artista de cá a tomar coragem e ir deleitar os ouvidos cansados dos tiros com coisas como:

"Você não sabe quanto coisa eu faria pra te fazer feliz..."

Essa reportagem, exibida à época pela TV Globo, é uma preciosidade. Simples e tocante sobre o que é gostar de um artista e poder vê-lo de perto em Luanda. O marido surpreendeu a esposa colocando o LP de Roberto na cama na noite da lua-de-mel. E 32 ano depois foi ao show do Cine Tropical. Coisa do cotidiano que são mais bonitas do que muitos filmes românticos.

"De manhã um bom dia na cama, a coversa informal. O beijo depois do café, o cigarro o jornal..."

Sou de uma geração que foi patrulhada na escola para não gostar do "Rei' pois, diziam os professores marxistas, ele se alinhou à ditadura militar e, ao contrário de Caetano Veloso e Gilberto Gil e Chico Buarque, não fazia "música de protesto". Bobajada de quem não se apaixona nunca, "num é?"

Pois bem, em Luanda eu e meu pequeno grupo de amigos brazukas aprendemos a redescobrir a beleza da poesia desse grande cantor pelas lentes de Leonel, nosso querido motorista que todos os dias nos brindava com " Detalhes", " Mulher Pequena" e diversos outros sucessos no seu toca-discos. No "Karaóke" do Danadão, só dava Roberto, não era?

"Quando a coisa fica quente, ai essa mulher me usa.. quero só que se arrebente algum botão da sua blusa..."

Agora, vejo na Sic uma longa matéria sobre os portugueses que vivem no Brasil e que também são loucos pelo Rei. Um tuga, desidratado de tanto chorar, revelou que a canção que abre esse post é o seu hino do exílio - e talvez seja o de todos nós que, um dia, moramos longe do nosso país. Outra, numa prova de concisão incrível, diz que as músicas de Roberto são fantásticas porque dizem à pessoa amada aquilo que queremos dizer e não sabemos. Quer uma prova?

"Não adianta nem tentar, me esquecer, durante muito tempo em sua vida, eu vou viver..."

Roberto canta uma música para cada pessoa e para cada um dos seus amores. E a sua, qual é?

"Daqui pra frente, tudo vai ser diferente, você vai aprender a ser gente, porque o seu orgulho não vale nada, na-da!"


quarta-feira, 4 de março de 2009

O banho do angolano

Conforme o X. já havia anunciado por aqui, o angolano Rico, vencedor do Big Brother África, fez ponta no Big Brother Brasil 9. Passagem rápida (ele já deixou a casa), mas marcante.
Rico chegou botando os concorrentes brasileiros para dançar kuduro e tarrachinha e impressionando as meninas da casa com a quantidade de mulheres que diz ter conquistado no BB África. Mas o ponto alto foi mesmo quando resolveu tomar banho. Totalmente pelado.
Os caretíssimos concorrentes brasileiros, que se acham os descolados mas na hora da verdade passam três meses tomando banho de cueca, fizeram fila para ver Rico pelado no chuveiro. As meninas, alegarando recato vejam só vocês, e não foram olhar.
A única que, por acidente, viu o angolano pelado se impressionou. Saiu fazendo propaganda para as outras: "Não é fraco não, o menino."

segunda-feira, 2 de março de 2009

O F. faz idade nova


São 22h do domingo no Brasil e só agora tive tempo de desejar feliz aniversário e parabéns ao F., essa figura ranzinza, mau humorada, chata, cri-cri, curiosa e, para além de todos esses adjetivos, um amigo maravilhoso, criador desse blog que, oxalá, nunca vai se acabar.

F. ficou mais velho e, certamente, mais careca.

Parabéns, camarada, que possamos nos encontrar muito em breve aqui na terra dos papagaios e dos potiguares. Na foto, nos dirigíamos à Barra do Dande, lembram-se todos?

As aventuras de Fulano

Para quem ficou curioso em acompanhar a viagem de Fulano pela África, anunciada aqui pelo X: o blog dele é o Candongueiro e já teve postagem ontem. Vale acompanhar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Fulano deixa Angola rumo ao Leste da África

Fulano, na primeira visita ao nosso antigo local de trabalho: 
ele vai deixar saudades em Luanda

Na semana passada, deixou Angola para fazer uma viagem de cinco meses entre a África do Sul e o Egito o nosso querido Fulano, uma verdadeira instituição dentro do círculo de amigos que transitam na órbita deste blog. 

Foi com ele, juntamente aos morados da Casa Branca, que vivi os momentos mais engraçados nesse país. Cafés na pastelaria Nilo nunca foram válvulas de escape tão boas quando ele resolvia destilar todo o veneno que na maioria das vezes sua educação britânica tolhia.

Rico, branco, bem nascido, falante de diversas línguas e morador de um dos bairros mais ricos de uma das cidades mais ricas do mundo, ele tinha tudo para nunca passar sequer calor, mas escolheu a África e mais particularmente Angola para dar o pontapé numa carreira profissional de sucesso.

Fulano foi a primeira pessoa que, no primeiro dia de Luanda, me levou até aos bares da Ilha, ao alto da Fortaleza de São Miguel, me mostrou as luzes da baía a partir da perspectiva do Miramar e disse, com sua voz pausada: "esse é o lado turístico de Luanda, amanhã vamos ao Roque Santeiro". 

Nesse tempo todo - um ano! - transformou-se na maior autoridade expatriada em Catorzinhas que eu conheci. Sabia tudo ao pormenor do que elas gostam ou não. Nesta festa, atingiu o pico da tietagem. Deve ter tido por aí umas dez namoradas angolanas e, no meu entender, foi embora com o coração em frangalhos por causa de uma muito bonita. 

Viu Angola talvez com a perspectiva mais interessante de todos nós, o grupinho que transita na órbita do blog. Tal qual um São Francisco de Assis, despiu-se de toda riqueza e ajudou muito, mais muito, todos aqueles que sentaram ao seu lado durante 365 dias.

Segue bem, Fulano, nessa longa jornada pelo lado leste da África.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Carnaval de São Paulo homenageia Angola

Desfile da Tom Maior em 2008: o maior espetáculo da Terra vira os olhos para Angola

E tem mais Angola no Brasil essa semana!

Nada menos do que a Escola de Samba Tom Maior, representante máxima da minha querida Zona Oeste, em São Paulo, vai ter o país da Palanca Negra, do funge, do Kinaxixi, do Elinga, da Ilha de Luanda, das Quedas de Kalundulo, das Zungueiras, dos Kotas, Putos, Damas e Kambas como tema do desfile que vai colorir o sambódromo do Anhembi às 2h da manhã (hora local) do próximo sábado. Martinho da Vila vai ser homenageado também. A TV Globo Internacional transmitirá ao vivo (ou "em directo", ehehe).

De Luanda, fiquem com os dedos cruzados para a Tom Maior, que ficou em quinto lugar no ano passado, levar o título. E lembrem-se que no carnaval brasileiro tudo é estilizado. Os carnavalescos, esses verdadeiros poétas do asfalto, são livres para narrar o que querem. "Só quem sabe onde é Luanda saberá lhe dar valor", já cantou Gilberto Gil.

Patrulhas ideológicas, por favor, fiquem todas sentadinhas vendo o desfile! Nada de criticar as alas que falam da corte da Rainha Ginga ou das alegorias que retratam Agostinho Neto e outros vultos da Pátria, ok?

As informações abaixo são do jornal Folha de São Paulo.

Segundo o carnavalesco da Tom Maior, Marco Aurélio Ruffin, a sugestão do tema do enredo foi dada pelo cantor Martinho da Vila, que também será homenageado devido a sua canção "Tom Maior", que inspirou o nome da escola. O músico também é destacado por ser o embaixador cultural de Angola no Brasil.

Enredo

O enredo "Uma Nova Angola se Abre Para o Mundo! Em Nome da Paz, Martinho da Vila Canta a Liberdade" aborda a história, a cultura e, principalmente, a reconstrução de Angola após a guerra civil que devastou o país durante quase 30 anos.

"Angola tem muitas coincidências com o Brasil em relação à religião, à música e à espontaneidade do povo. Na verdade, a origem do samba se deu com o semba, uma música típica angolana que veio para o Brasil com os escravos e se transformou no samba", diz o presidente da Tom Maior, Marko Antônio da Silva.

O abre-alas da escola vai apresentar Angola destruída com o término da guerra civil. "Esse momento marca a destruição de Angola, mas também representa o início de um novo capítulo, um novo trajeto para o país. É um momento muito festejado por lá", afirma Silva.

Depois, a escola apresenta elementos da etnia angolana e da cultura do país africano, com destaque para a religião, que inclui a umbanda e a macumba.

As riquezas de angola também serão destacadas com um carro alegórico que representa o petróleo e outros minério explorados no país africano.

O último setor da escola vai fazer uma homenagem ao samba. Martinho da Vila deve desfilar neste último carro alegórico.

"A expectativa é superar o resultado do ano passado, em que ficamos em quinto lugar. Pelo nosso projeto acredito que estaremos disputando o titulo com certeza", diz o presidente da escola.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Ricco entra no Big Brother Brasil 9

Ricco, vencedor do último Big Brother África: agora, no Brasil

Lembram do Ricco, o angolano que ganhou a última edição do BBB África, tornou-se um dos rostos mais conhecidos do país, e cuja vitória frente aos 12 concorrentes foi marcada pela polêmica se entregaria ou não o prêmio de 100 mil dólares a uma instituição de caridade de Luanda?

Pois então: no próximo dia 28, Ricardo David Ferreira Venâncio, 21 anos, entrará na "casa mais vigiada do país" durante numa festa que terá DJs (será o meu amigo Malvado? Ou o Bruno M?) e comidas típicas de Angola no cardápio. Ricco ficará apenas 4 dias no programa, como já aconteceu com um argentino "noutra altura". 

Será, certamente, uma oportunidade ótima para nós, os "retornados", matarmos a saudade do sotaque daí, vermos se o comportamento de Ricco para com as brasileiras será o mesmo dos "kambas" que atacam as brazukas no Chill Out - e, last but not least, se o moço sabe dançar kuduro de verdade, e não essa dancinha que uma banda baiana anda por aí difundindo como original de Angola.

Fico imaginando como essa notícia vai causar um frenesi na imprensa angolana, nomeadamente na coluna Gente, de Alberto Pegado, do Jornal de Angola. Não falará-se-á noutra coisa no país da Palanca Negra durante semanas a fio...

PS: Dica preciosa do leitor paulistano AM

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Uma história tristíssima

Assisti a história na TV esta semana:

Cerca que 15 angolanos que ficaram cegos por causa da guerra civil vieram para o Brasil há uns 10 anos, mais especificamente para o Paraná, e aqui ingressaram na faculdade de música. Como muitos no seu país, eles foram estudar no exterior com apoio financeiro de bolsas e assumiram o compromisso de voltarem, depois de formados, para dar o seu "contributo" na reconstrução nacional.

Tudo muito bem se agora, faltando alguns semestres para a formatura - quando todos já estão tocando piano divinamente -, a instituição de fomento ao estudo, baseada em Luanda, não mandasse o recado categórico de que o dinheiro acabou e que os angolanos precisam voltar urgentemente para o seu país. 

Terríveis como só eles sabem ser, os jornalistas fizeram uma matéria dramática mostrando o sofrimento dessas pessoas, a dificuldade para viver uma vida sem exergar nada, o amor que já tinham pelo Brasil e o risco que corriam em voltar para o país sem a formação completa - além, claro, de questionar o que um grupo de pianistas cegos iam fazer em Luanda, nessa altura da reconstrução nacional. 

Rampas nas ruas das Ingombotas? Braile nas entradas dos teatros onde eles forem tocar? Sinal sonoro no cruzamento da Rua Rey Katyavala? É bom lembrar que eles vivem, atualmente, em Curitiba, exemplo mundial de bons equipamentos urbanos, inclusive para quem não exerga um palmo à frente do nariz. Aliás, não exerga nem o nariz.

O Instituto dos Cegos do Paraná entrou na justiça para evitar a "deportacão" do grupo e, segundo a TV, agora é a fundação angolana que vai recorrer na justiça para ter os seus "retornados" em casa o mais breve possível.

E por que a foto do José Saramago no início desse post? Porque, num caso desses, a leitura ou a apreciação fílmica do "Ensaio Sobre a Cegueira" seria, em princípio, um começo de conversa para a solução do caso.

Um grupo de pianistas cegos "aterrando" em Luanda. Nem Saramago pensou nisso.



sábado, 10 de janeiro de 2009

Do lado de cá, saudades do de lá

Esta ponte, chamada de Newton Navarro (um grande pintor potiguar) liga a cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, Brasil, a Luanda, capital da República d´Angola, de uma forma sentimental e poética, por sobre as águas do Oceano Atlântico.

As duas cidades estão quase em linha reta de acordo com os meridianos da Terra.

Há muitas histórias de Luanda para eu contar, do lado de cá, agora com o filtro do distanciamento.


terça-feira, 7 de outubro de 2008

S. Paulo e Luanda

Oi, gentes paulistanas
Chegado ao aeroporto de Guarulhos, depois de dez horas de voo, enfrentei uma chuvada daquelas iguais a Luanda, com muita trovoada, igual aos meus tempos de criança, em Malanje. Depois foi o trânsito infernal, julguei que estava no Rocha Pinto, aqui vi, que S. Paulo e Luanda em questão de trânsito, empataram. Bom, um pouco mais ordeiro e civilizado, nestas paragens, não têm os candongueiros nem meninos a vender de tudo nas ruas, salvo,aqueles que vendem ginguba torrada e quentinha na Avenida Paulista, agora bem melhor do que há quatro meses atrás, pois acabaram as obras de restauro. Fiquei no hotel FASANO, na zona dos Jardins. à noite, ainda pensei ir ao Teatro de Maria Della Costa, mas o sono e o fuso horário não permitiram, mais a chuva e o frio. Chegou a Primavera, mas o Sol, esse, escondeu-se, não sei se com medo das eleições autárticas, que estavam quentes, Marcia e Kassab, vão ao segundo "tour". Alckmin, apesar de andar a fazer propaganda com a mulher e a filha nas ruas ficou com a medalha de bronze. Quem andava todo contente no Estado de S. Paulo era o vosso Presidnete, Lula da Silva. Também não sabia que havia aqui problemas com o lixo, discutem-se os "lixões", pois aterros e mais aterros já não suportam tanto lixo. Felizmente, não se vê nas ruas, como em Luanda. S. Paulo é mesmo grande, tem mais habitantes que Angola inteira, muitos museus e teatros, as pessoas são bastante simpáticas, como todos os brasileiros, evidentemente. Todo o mundo fala de reenvidicações de terras, sobretudo os Quilombolas e o problema do grampeamento dos telefones dos ministros está a dar grande maka. Fui visitar os centros do Morumbi, Ibirapuera, El Dorado e Iguatemi, que fazem do nosso Belas Shopping uma loja de bairro. Fui beber umas chopes ao Bar Muralha, Brahama e outros que não me lembra o nome. Fiquei a saber do grande amor dos angolanos pelos caméricas, pois o seu recente Consulado, em S. Paulo, está localizado na Av dos Estados Unidos. Ainda experimentei o sorvete Rochinha e fui comer aos restaurantes Rodízio "Vento Aragano", gaúcho e como todos os sítios gaúchos, o dono é alemão. Fui ao Porto Robaya comer peixinho e ao português "Antiquários". Ainda tive tempo para ver o Obama da Baixada Fluminense a discursar no Rio, pela televisão, claro.Concorre às eleições com o nome patenteado de Barack Obama. Estive no Sírio-Libanês e realmente, médico brasileiro é outra coisa, você entra a morrer e sai com o moral elevadíssimo, não é só o tratamento, é também a forma de conviver com as pessoas, seja médico assistente, seja professor catedrático. Não sendo a primeira vez que vou a S. Paulo, a verdade é gostei. Estamos juntos. Kandandu para vocês