terça-feira, 6 de maio de 2008

Hoje eu tô chatinho...

A notícia do Jornal de Angola dizia que o Pepetela (que eu adoro) ia autografar seu novo livro (que eu quero comprar) hoje, no Centro Cultural Português. Só não dizia onde fica o tal Centro Cultural (tudo bem, isso eu decobri sozinho outro dia) nem a que horas se daria a noite de autógrafos. Agora estou em casa reclamando e o Pepetela deixou de vender um livro.

Onde é que foi parar o serviço?

Teorias da Conspiração

No início eu achei exagero, quando li neste blog angolano, a suposta existência de um plano secreto para desestabilizar a Unita. Segundo o sítio, claramente contra o MPLA, o governo de angola teria tramado uma série de ações contra os líderes oposicionistas. Para mim era só mais discurso político, que se inflama conforme se aproximam as eleições parlamentares de setembro.

Mas aí hoje deparo-me na rua com uma manchete no Jornal de Angola, o principal do país: "Paiol de morteiros descoberto no Bié". Em letras garrafais no alto da página.

Para os meus critérios jornalísticos, a descoberta de um paiol num país que passou 27 anos em guerra civil já não seria, em si, manchete de capa. Ainda mais se o jornal nem tinha equipe na Província do Bié e a notícia foi tirada da Rádio Nacional. Lá dentro, é praticamente uma nota escondida em duas colunas, num canto. Nem o alto da página 3 mereceu.

Serviu, no entanto, para dizer na capa que a Polícia Nacional acredita se tratar de um antigo paiol das forças militares da Unita. Exatamente como o sítio citado acima previu que aconteceria... Simples coincidência?
Essa briga ainda vai esquentar muito.

Depois do rapper, dançou o gatuno

Ele foi rápido na hora de tomar o cordão de ouro do rapper 50 Cent, como já foi contado aqui. Mas a Polícia Nacional de Angola foi ainda mais rápida. No domingo, o Gatuno foi preso, mas já não portava mais a jóia do artista americano. Segundo disse a polícia, ele a perdeu pouco depois do roubo.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

É a Casa virando notícia

Depois do Global Voices, já referido em post anterior, agora foi a vez do Notícias Lusófonas render citação a esta Casa de Luanda.

Desta vez, citando o post sobre o navio chinês carregado com armas. O colunista até se inspirou no estilo da Casa pra também chamar a história toda de "opereta".

Todas as faces da cultura

Nas aulas de antropologia, aprendemos que cultura é o conjunto das formas de agir, pensar, comunicar-se e manifestar-se de um povo.

Quando nos mudamos a outro país, queremos logo entrar em contato com a música, os ritos, a culinária e tudo o mais que expresse a parte final da definição. Porém, nem sempre estamos abertos da mesma maneira aos exotismos nas formas de agir e pensar. (Confesse: você nunca desejou que os ingleses dirigissem do “lado certo” ao atravessar a rua em Londres?)

Aqui em Luanda, uma das coisas que mais me incomoda é a fila (bicha, para tugas e locais) do caixa. Melhor, incomodava. Pois foi com ela que hoje aprendi uma valiosa lição.

Das lojinhas do bairro até os grandes supermercados, é sempre igual. Procuro a última pessoa da fila e pego meu lugar atrás dela, como sempre fiz na vida. Então vem um espertinho a encostar de lado. Quando vejo, já passou. Depois vem outro e entrega discretamente a lata de cerveja e o dinheirinho trocado ao atendente do caixa. Que obviamente recebe. E quando finalmente vem o terceiro eu reclamo:

- Estamos todos esperando, sabia?
- Angola é assim, madrinha. Quem tem pouca coisa passa na frente.
- Também tenho só uma caixinha de chá e uma geléia, mas mesmo assim aguardo minha vez. (Na minha cabeça isso parece tão lógico, verdade tão indiscutível...)

É aí então que a senhora da frente, com o carrinho abarrotado, me convida para passar adiante... Hmmm, dilema ético!

- Mas senhora, se cada um que vier com uma coisinha passar na frente, a bicha nunca anda. Não é justo com os outros...
- E também não é justo vocês esperarem todo esse tempo para passar uma ou duas coisinhas. Vai lá, menina! Não me custa nada dar lugar a uma ou duas pessoas. Se a próxima fizer o mesmo, e assim por diante, a bicha vai rápido e ninguém sai perdendo.

E agora, quem tem razão? Cabe a cada um decidir o fim da história. O fim da minha foi assim:

Passei na frente com meu chá e minha geléia e aprendi uma grande lição: é preciso deixar de lado nossas verdades e entrar na lógica das outras culturas para vivê-las por inteiro. E é nessa desconstrução de dogmatismos e intolerâncias que chegamos a um mundo de mentes mais criativas e corações mais pacíficos.

domingo, 4 de maio de 2008

Dois pesos e duas medidas

Na hora de pesar o prato, a P. estranhou:

- 575g? Essa balança está certa? Olhando para o prato dá para ver que não tem mais de 400g.
- A balança está certa, senhora.

O meu prato já estava sendo pesado e o visor mostrava 1.595g. Um quilo, segundo o atendente, era o peso do prato. Mesmo assim, 595g era muita coisa para a quantidade de comida. Procurei, ao lado do caixa, o prato vazio que serve de tara e vi que ele era diferente do que estávamos usando. Busquei um prato igual ao nosso no início da fila e coloquei-o na balança: pesava 1.200g.

- Aí está o problema – eu disse. – O prato pesa mais do que vocês lançaram na balança.

O atendente fez cara de quem não entendia nada. Chamou outro. Nesse meio tempo, tirei a prova. Coloquei o prato que eles haviam usado na tara na balança e ele era 200g mais leve.

Os espertalhões usam um prato para registrar a balança e colocam outro, mais pesado, no serviço do bufê. Ficou assim esclarecido o nome da casa: o restaurante Magia faz truque na balança.

Para quem vive em Luanda, o restaurante fica no Shopping Chamavo, na Avenida dos Combatentes. Quando for comer por lá, atenção no peso do prato.

sábado, 3 de maio de 2008

A noite em que o rapper dançou

O show era do Festival Internacional da Paz, no Pavilhão da Cidadela. A grande atração era o rapper americano 50 Cent, amado pelo público angolano que lota a porta do hotel Trópico, onde ele sempre se hospeda quando passa por Luanda.

Na noite de quarta-feira, sete mil pessoas lotaram o ginásio. 50 Cent e a banda G Unit iniciaram a apresentação com vários sucessos cantados em coro pela platéia extasiada.

De repente, um homem fura o bloqueio da segurança e sobe ao palco. Um fã mais ousado? Não, um gatuno abusado que arrancou o cordão de ouro do pescoço do rapper e pulou de volta para a platéia.

O cantor ainda pulou atrás, tentando reaver a jóia, mas não o alcançou. Contrariado, encerrou o show na hora, cancelou as duas apresentações que faria na quinta e na sexta e tomou um avião de volta para os Estados Unidos.