sábado, 17 de maio de 2008
Diálogos roubados: com vocês, o COISO!
Herança portuguesa, o coiso é bem diferente da coisa. É coringa que nem ela, mas cabe num número muito maior de situações. Tem mais personalidade, é mais simpático e exercita nossa capacidade de abstração! Além de tudo é democrático, usado sem distinção por todas as classes. Olha só a conversa que roubei ontem:
_Ei, Coiso! Vem cá.
(o Coiso vem)
_Então você leva o coiso lá no coiso?
_Levo sim, madame. Onde é que fica o coiso mesmo, madame?
_Pois não conheces o coiso? Fica mesmo ali no coiso. Olha: sabes o coiso da Zambia? É a descer do coiso. Se fores no sentido do coiso, descendo do coiso, vais logo encontrar o coiso.
_Ah, é mesmo no coiso?
_É mesmo no coiso!
_Ah, pois tá. Já estou a levar.
E não é que eles se entenderam?
(Prometo investigar se o Coiso conseguiu chegar ao coiso e trazer o coiso para a madame.)
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Você já teve malária?
Essa é uma boa notícia.
Em 2003, o número de internados havia sido de 3 milhões, tempo em que a maioria dos doentes sequer procurava ajuda. O tratamento era pago, custava caro e só ia parar nos hospitais quem entrava em coma.
Em 2006, o governo de Angola decidiu fazer o que o Brasil até hoje não fez em relação à dengue: atacar o problema com seriedade.
Aprovou uma lei tornando o tratamento gratuito para todos, passou a usar o Coartem, o medicamento mais eficiente contra a malária no momento, e buscou apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, para trabalhar a prevenção.
Desde então o Unicef já distribuiu 1,8 milhão de mosquiteiros impregnados no país. No ano passado, 215.500 crianças com menos de 5 anos e 27.300 mulheres grávidas foram curadas com Coartem.
Resultado: o número de mortos caiu de 30 mil, em 2003, para 7 mil no ano passado. E a malária deixou de ser a primeira causa de mortalidade infantil nas maternidades de Luanda.

A médica Alexandra
Os cearenses Carlile e Miria
O médico cearense Antonio Carlile Lavor e sua mulher, a assistente social Miria Lavor, se mudaram para Angola para treinar os vigilantes de saúde de Luanda. Eles são os pais do programa brasileiro, cujo primeiro piloto Carlile implantou em Planaltina (DF) em 1975. Depois disso ele voltou para Jucás, sua terra natal, levando a idéia no bolso do jaleco. De lá ela foi ampliada para o Ceará, depois para o Nordeste Brasileiro (já com a chancela do Unicef) e finalmente para todo o país. Hoje o Brasil tem 220 mil agentes de saúde. Os dois foram contratados pelo Unicef como consultores do programa em Luanda.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Crescimento a olho nu
Angola não chega a ser como o China ou Dubai, onde estariam concentrados respectivamente 50% e 20% das gruas em operação em todo o mundo.
Mas, como já havia sido mencionado rapidamente aqui, Luanda é certamente a cidade com a maior quantidade de gruas que eu já vi na minha vida.
Para onde quer se olhe no horizonte, lá está um braço metálico erguendo pesos para um novo arranha-céu.
Em 2008, a previsão é de que a construção civil em Angola seja responsável por 30% do crescimento dos negócios do país que não incluem petróleo ou diamante.
Contribui muito para isso, além do aquecido mercado imobiliário, a realização do Campeonato Africano de Nações em Angola, em 2010. Novos estádios e centenas de hotéis estão a ser construídos por todas as províncias do país.
Embora a Odebrecht seja muito forte em Angola – está aqui desde 1982 e conta hoje com 1.200 funcionários brasileiros, fora os angolanos -, o Brasil ainda engatinha neste mercado.
O maior player é Portugal, que tem aqui operações das suas maiores empreiteiras: Mota Engil, Soares da Costa e Teixeira Duarte. Mas China vem avançando bastante sobre os negócios.sábado, 10 de maio de 2008
Hit da Candonga
O Brasil deu sua contribuição neste dia ensolarado em que tive o prazer de tomar CINCO candongueiros. O tempero brazuca veio em alto e bom som, na voz de José Augusto, com música de autoria própria que, ironias da vida, se chama Sábado.Vou poupá-los da letra toda, fiquem só com o refrão que o alto-falante da foto aí de cima berrava no meu ouvido:
“Eu já tentei
Fiz de tudo prá te esquecer
Eu até encontrei prazer
Mas ninguém faz como você
Quanta ilusão
Ir prá cama sem emoção
Se o vazio que vem depois
Só me faz lembrar de nós dois… “
Ninguém merece... (se quiser muito ouvir, clique aqui e vá na terceira música da lista)
Bota a kizomba aí, moço!
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Quem pode manda...
- Olha esse tráfego a esta hora!
- Está parado assim para o dono do país passar.
Quando o presidente da República ou os ministros de estado se deslocam, os batedores da polícia fecham as ruas – não importa o tamanho ou a importância da via para o trânsito – para que os digníssimos possam passar. Vale tudo para furar o congestionamento que atormenta os outros 6 milhões de almas: contra-mão, alta velocidade, furar sinal. Só exemplos cabeludos de tudo o que você não deve fazer ao volante.
Todos os outros carros param e ninguém pode se movimentar, sob risco de vida. Outro dia, o motorista de um brasileiro pensou que o cortejo tinha terminado e tentou sair com o carro. Os batedores que vinham atrás arrancaram-no do volante e o espancaram no meio da rua.
É assim, padrinho... Quem tem juízo obedece bem quietinho.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Faz dois meses hoje...
A título de curiosidade, os acessos a partir de Portugal ultrapassaram há muito os do Brasil. Angola permanece em terceiro lugar, mas temos visitas também da Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Austrália, República Dominicana, Tanzânia, Quênia, Emirados Árabes e Bahrein, entre outros.
Os dados são dinâmicos. Provavelmente, quando você clicar no link do Sitemeter, eles já estarão diferentes.
Grande Dicionário Angolano (III)
Passadeira - Faixa para travessia de peões.
Peão - No Brasil o chamamos pedestre, que também é bem estranho.
Como hoje acrescentei um link para outro blog que descobri sobre Luanda (Nos Cus de Judas), resolvi explicar, para que ninguém lhe estranhe o nome:
Cu - Traseiro, a popular bunda no Brasil. A expressão "Nos Cus de Judas" seria o equivalente a "Onde Judas perdeu as botas", que usamos no Brasil para designar um lugar muito longe. Antes que alguém se sinta ofendido pelo nome do blog do tuga, vale explicar que essa expressão foi usada como título do primeiro livro de António Lobo Antunes, escritor português, justamente sobre o período em que ele fez tropa em Angola.
Tropa - Exército. Eles dizem "fazer tropa" para o que chamamos "servir ao exército" no Brasil.
