Numa viajem para um país europeu, embarcou no avião um dirigente já bastante doente, que ao chegar perto do destino, marchou, check-in só de ida.Depois das complicações burocrática no aeroporto, o corpo ficou em câmara ardente numa das salas da embaixada. E aí começou a maka.
O homem estava casado com uma e vivia amigado com outra, com filhos de ambos os lados. Uma dizia que era ela quem lhe aquecia a cama e por isso tinha o direito de ficar para as condolências sentada no sofá preparado para o efeito. A outra, dizia, que nem pensar, ela era a primeira e papel passado, mãe dos seus filhos legítimos e se agora não lhe aquecia a cama era porque essa kitata da tuji (prostituta de m....) o tinha seduzido, gritando em pleno gabinete do embaixador que a tipa abria a dibanga ("abria as pernas) para todo o mundo. O embaixador viu-se aflito para resolver tão delicado assunto, tanto mais que estavam para chegar altas individualidades para homenagear o corpo do falecido.
Depois de muitos gritos e xinguilamentos à mistura, estiveram quase a chegar a vias de facto, ainda voaram umas estenções de cabelos brasileiros, conseguiu o diplomata parar o escândalo, prpondo e foi finalmente aceite, que uma ficaria a velar o morto das nove às doze e a outra das quatorze às dezassete horas. Já viram a complicação que dá ser adepto da bigamia para os que cá ficam a aguardar a sua vez?
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Estamos juntos, ya?
Ya, estamos juntos. Mas não o suficiente para eu confiar nos vizinhos que habitam o mesmo prédio que eu e juntos cuidarmos da área comum do edifício.
Ya, estamos juntos, mas não a ponto de eu pensar no peão que tenta atravessar a estrada e parar para que ele possa cruzá-la, já que ninguém mais lhe dá passagem.
Ya, estamos juntos. Menos na hora em que eu trafego pelo acostamento para furar o congestionamento, cortando a frente de todos os meus irmãos que estão parados no trânsito.
Ya, estamos juntos, mas desculpa lá se eu estou com pressa e vou mesmo furar esta bicha, porque pouco me importo com as dez pessoas que nela estão também têm seus afazeres e compromissos.
Ya, estamos juntos, claro que estamos juntos. Por isso tenho certeza que você nem vai ligar se eu parquear a minha viatura na entrada da sua garagem e ignorá-lo quando você vier me pedir para tirá-la porque, afinal, não tenho mesmo onde parquear.
Ya estamos juntos, mas nem por isso vou deixar de lavar minhas latas e pincéis de tinta na cisterna de 10 mil litros em que você e a a sua família armazenam a água em que se banham, lavam roupas, loiças e usam para cozinhar...
Ya, estamos juntos, mas não me venha me pedir passagem no trânsito porque precisa mudar de faixa, ou porque vai entrar na próxima rua à direita, porque eu não vou mesmo deixá-lo entrar e se você insistir vamos colidir e aí eu parto a sua cara!
Ya, estamos juntos, sim. E já estou a chegar, eu sei que marquei consigo, estou no trânsito, estás a ver? Chego logo.
Ya, estamos juntos. Mas agora você já me pagou metade adiantado, vou chupar bué de biricocas e nunca mais apareço para continuar o serviço para o qual me contratou.
Ya, estamos juntos, amigo. Mas cada um por si. E a ganância e o egoísmo por todos.
Ya, estamos juntos, mas não a ponto de eu pensar no peão que tenta atravessar a estrada e parar para que ele possa cruzá-la, já que ninguém mais lhe dá passagem.
Ya, estamos juntos. Menos na hora em que eu trafego pelo acostamento para furar o congestionamento, cortando a frente de todos os meus irmãos que estão parados no trânsito.
Ya, estamos juntos, mas desculpa lá se eu estou com pressa e vou mesmo furar esta bicha, porque pouco me importo com as dez pessoas que nela estão também têm seus afazeres e compromissos.
Ya, estamos juntos, claro que estamos juntos. Por isso tenho certeza que você nem vai ligar se eu parquear a minha viatura na entrada da sua garagem e ignorá-lo quando você vier me pedir para tirá-la porque, afinal, não tenho mesmo onde parquear.
Ya estamos juntos, mas nem por isso vou deixar de lavar minhas latas e pincéis de tinta na cisterna de 10 mil litros em que você e a a sua família armazenam a água em que se banham, lavam roupas, loiças e usam para cozinhar...
Ya, estamos juntos, mas não me venha me pedir passagem no trânsito porque precisa mudar de faixa, ou porque vai entrar na próxima rua à direita, porque eu não vou mesmo deixá-lo entrar e se você insistir vamos colidir e aí eu parto a sua cara!
Ya, estamos juntos, sim. E já estou a chegar, eu sei que marquei consigo, estou no trânsito, estás a ver? Chego logo.
Ya, estamos juntos. Mas agora você já me pagou metade adiantado, vou chupar bué de biricocas e nunca mais apareço para continuar o serviço para o qual me contratou.
Ya, estamos juntos, amigo. Mas cada um por si. E a ganância e o egoísmo por todos.
domingo, 10 de agosto de 2008
Em contagem decrescente
Sempre vi as eleições em Setembro de forma positiva. Optimista de que os episódios de violência do passado não voltarão a acontecer. Qualquer um é unânime em concordar que o país precisa de paz para prosseguir com o crescimento económico, desenvolvimento, qualidade de vida dos cidadãos. Talvez este último seja o objectivo mais “esquecido”. Contudo, o acontecimento aproxima-se. 5 de Setembro foi a data escolhida e qualquer um está com muita expectativa. Angolano ou estrangeiro.
Vivo num condomínio em que sou a única estrangeira. Todos os outros vizinhos são negros, pertencentes a uma classe que eu não consigo identificar. Não são ricos nem pobres. Mas também não são classe média. Eu diria que são mais pobres do que ricos, segundo os meus padrões. Mas, são ricos o suficiente para terem água nos reservatórios, gerador, carros e comida na mesa. Num dos últimos fins-de-semana, houve festa numa das casas do condomínio. Ao que parece, um aniversário. Arrependi-me da minha opção em ficar em casa, nessa noite de Sábado. A festa prolongou-se até de madrugada com o DJ a esmerar-se na escolha das músicas. Para meu desespero já que tinha decidido ficar em casa para dormir cedo. Depois de chegar das compras, por volta das 10h da noite, vi que no meu lugar de estacionamento tinha outro carro. Não pedi para tirarem mas antes, para darem um “jeitinho” (à boa maneira do Norte) para que pudessem ficar os dois. O meu e o do convidado. O convidado, nitidamente bêbado, mandou-me esperar e voltou à festa, supostamente em busca da chave. Minutos depois, tinha-se esquecido do meu pedido e já dançava junto com os outros. Consegui resolver a questão de outra forma mas, confesso que não gostei da atitude. Esta história ilustra a minha verdadeira preocupação. Não tenho dúvidas que as eleições vão dar lugar a muita bebedeira, festa, comportamentos exagerados. E isso preocupa-me. Se até agora nunca tinha sentido desconforto por morar num local onde a minha casa é a única de “brancos”, nessa noite percebi que as “biricocas” podem desencadear episódios desconfortáveis mesmo em locais onde nos sentimos bem.
Vivo num condomínio em que sou a única estrangeira. Todos os outros vizinhos são negros, pertencentes a uma classe que eu não consigo identificar. Não são ricos nem pobres. Mas também não são classe média. Eu diria que são mais pobres do que ricos, segundo os meus padrões. Mas, são ricos o suficiente para terem água nos reservatórios, gerador, carros e comida na mesa. Num dos últimos fins-de-semana, houve festa numa das casas do condomínio. Ao que parece, um aniversário. Arrependi-me da minha opção em ficar em casa, nessa noite de Sábado. A festa prolongou-se até de madrugada com o DJ a esmerar-se na escolha das músicas. Para meu desespero já que tinha decidido ficar em casa para dormir cedo. Depois de chegar das compras, por volta das 10h da noite, vi que no meu lugar de estacionamento tinha outro carro. Não pedi para tirarem mas antes, para darem um “jeitinho” (à boa maneira do Norte) para que pudessem ficar os dois. O meu e o do convidado. O convidado, nitidamente bêbado, mandou-me esperar e voltou à festa, supostamente em busca da chave. Minutos depois, tinha-se esquecido do meu pedido e já dançava junto com os outros. Consegui resolver a questão de outra forma mas, confesso que não gostei da atitude. Esta história ilustra a minha verdadeira preocupação. Não tenho dúvidas que as eleições vão dar lugar a muita bebedeira, festa, comportamentos exagerados. E isso preocupa-me. Se até agora nunca tinha sentido desconforto por morar num local onde a minha casa é a única de “brancos”, nessa noite percebi que as “biricocas” podem desencadear episódios desconfortáveis mesmo em locais onde nos sentimos bem.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Cartão sem crédito
Eu não sei bem as razões desse fenômeno (embora saiba que a guerra, claro, está entre elas) da falta de confiança no próximo.
Tudo em Luanda é pré-pago. Telemóvel, só de cartão. Pós-pago é privilégio para companhias e olhe lá. TV a cabo, Internet, a mesma coisa. Assina-se o contrato e paga-se adiantado por três meses. Depois desse prazo o serviço é cortado e você é obrigado a voltar lá e pagar por mais três.
Aluguel, só com um ano de adiantamento. Sem direito a arrependimentos, porque se você decidir mudar por qualquer razão, adeus dinheirama.
A prova definitiva da crise de confiança está espalhada em outdoors pela cidade: o primeiro cartão de crédito pré-pago de Angola. Funciona assim: você tem de carregar o cartão (com valores entre 100 e 1.500 dólares) antes de sair gastando.
Fiquei a pensar. Se vou ter de levar o dinheiro no bolso ao caixa do carregamento, por que mesmo eu faria um cartão desses? Não seria mais fácil usar o dinheiro a cada compra?
Tudo em Luanda é pré-pago. Telemóvel, só de cartão. Pós-pago é privilégio para companhias e olhe lá. TV a cabo, Internet, a mesma coisa. Assina-se o contrato e paga-se adiantado por três meses. Depois desse prazo o serviço é cortado e você é obrigado a voltar lá e pagar por mais três.
Aluguel, só com um ano de adiantamento. Sem direito a arrependimentos, porque se você decidir mudar por qualquer razão, adeus dinheirama.
A prova definitiva da crise de confiança está espalhada em outdoors pela cidade: o primeiro cartão de crédito pré-pago de Angola. Funciona assim: você tem de carregar o cartão (com valores entre 100 e 1.500 dólares) antes de sair gastando.
Fiquei a pensar. Se vou ter de levar o dinheiro no bolso ao caixa do carregamento, por que mesmo eu faria um cartão desses? Não seria mais fácil usar o dinheiro a cada compra?
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
O dia em que Dorotéia conheceu o mar
Ela entrou para a família faz pouco tempo, mas já conquistou seu espaço no nosso coração. Teve um breve período no hospital, para um check-up (ela é velhinha, tadinha). Mas depois mostrou todo o seu vigor e prestou valorosos serviços na mudança para a casa definitiva.
Por isso, este fim de semana, Dorotéia ganhou uma folga e decidiu conhecer o mar.

O destino escolhido foi Cabo Ledo e para chegar até lá, Dorô teve de vencer alguns quilômetros de estrada.
O esforço, porém, foi recompensado. Vejam a cara de alegria da Dorô de frente para a praia.
Depois de um passeio na areia, uma pausa para um café e uma água água.

E Dorô ganhou a estrada novamente, porque afinal, tinha de voltar para Luanda.
No caminho, porém, ela arrumou tempo para assistir ao pôr-do-sol no Miradouro da Lua.

P.S. - Não façam troça dessa cicatriz na fronte, que mais lembra uma antena de rádio. A pobre Dorô é uma heroína, lutou a guerra. Daí veio essa marca da qual nunca se livrou, porque não tem dinheiro para ir ao Brasil fazer cirurgias plásticas.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
assédio sexual
Fala-se muito agora de assédio sexual em tudo o que é lugar, ministérios, bancos, empresas de qualquer dimensão, hospitais e clínicas, até nas multinacionais e ongues. Nas escolas
é um escândalo nacional , abres as pernas ou não passas de ano. Arranjar emprego para mulher honesta é uma dificuldade tremenda. Os próprios maridos ficam assustados quando as suas mulheres vão prestar provas. É uma praga que assolou o país e ninguém põe cobro a isso. Já alguém escreveu que, as relações entre mulheres e homens estão a deixar de ser numa base de afectividade para serem uma troca de favores sexuais. Não há nenhum director, chefe de departamento, dono de empresa que não queira saltar em cima das jovens que se candidatam a um emprego. Virou um flagelo, já poucos lugares existirão que não tenham sido contagiados pelo vírus do assédio sexual. Será muito difícil encontrar um antídoto para este mal, na medida em que, os problemas sociais, afectam a maior parte da população. As mulheres têm que sustentar os filhos e frequentemente, maridos desempregados, são obrigadas, nas maior das vezes, a ceder. Grande parte das mais jovens são ingénuas e vão na onda, acabam por ser apanhadas na rede. Tanto umas como outras, calam-se, não denunciam os assediadores, o que torna mais complicado combater a situação vigente.A s denúncias seriam importantes para se formarem processos disciplinares nas empresas e serviços públicos e até, poderem ser levados à justiça, os mais depravados.
O angolano parece que nasceu para sofrer, 500 anos com o colonialismo às costas, a SIDA a fazer estragos, junto com a tuberculose, a cólera que não nos deixa e a malária que demora a nos deixar, a mosca tsé-tsé às portas da capital e agora esta pandemia que é o assédio sexual.
é um escândalo nacional , abres as pernas ou não passas de ano. Arranjar emprego para mulher honesta é uma dificuldade tremenda. Os próprios maridos ficam assustados quando as suas mulheres vão prestar provas. É uma praga que assolou o país e ninguém põe cobro a isso. Já alguém escreveu que, as relações entre mulheres e homens estão a deixar de ser numa base de afectividade para serem uma troca de favores sexuais. Não há nenhum director, chefe de departamento, dono de empresa que não queira saltar em cima das jovens que se candidatam a um emprego. Virou um flagelo, já poucos lugares existirão que não tenham sido contagiados pelo vírus do assédio sexual. Será muito difícil encontrar um antídoto para este mal, na medida em que, os problemas sociais, afectam a maior parte da população. As mulheres têm que sustentar os filhos e frequentemente, maridos desempregados, são obrigadas, nas maior das vezes, a ceder. Grande parte das mais jovens são ingénuas e vão na onda, acabam por ser apanhadas na rede. Tanto umas como outras, calam-se, não denunciam os assediadores, o que torna mais complicado combater a situação vigente.A s denúncias seriam importantes para se formarem processos disciplinares nas empresas e serviços públicos e até, poderem ser levados à justiça, os mais depravados.
O angolano parece que nasceu para sofrer, 500 anos com o colonialismo às costas, a SIDA a fazer estragos, junto com a tuberculose, a cólera que não nos deixa e a malária que demora a nos deixar, a mosca tsé-tsé às portas da capital e agora esta pandemia que é o assédio sexual.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Vida de Proteção
António pegou no batente às 8h de domingo. Deveria ter sido rendido por outro Proteção às 17h, mas o colega não apareceu. Ontem à noite, quando chegamos em casa, ele continuava lá, vigilante.
Agora pouco, já depois das 8h - hora em que deveria ter chegado outra rendição - António continuava lá. A P. fez uma sandes de queijo e foi perguntar a ele, afinal, quando seria substituído.
Ele não sabia. E estava a receber as refeições pelas quais, conforme reza o contrato, a empresa que o contrata é responsável?
Não. A empresa dá dinheiro para que eles comprem as refeições. Como ele achou que ia passar apenas o dia de domingo no posto, não levou dinheiro, porque poderia comer à noite em casa.
Aí a rendição não apareceu e ele ficou 24 horas sem comer e sem nos dizer nada.
É dura a vida de Proteção.
Agora pouco, já depois das 8h - hora em que deveria ter chegado outra rendição - António continuava lá. A P. fez uma sandes de queijo e foi perguntar a ele, afinal, quando seria substituído.
Ele não sabia. E estava a receber as refeições pelas quais, conforme reza o contrato, a empresa que o contrata é responsável?
Não. A empresa dá dinheiro para que eles comprem as refeições. Como ele achou que ia passar apenas o dia de domingo no posto, não levou dinheiro, porque poderia comer à noite em casa.
Aí a rendição não apareceu e ele ficou 24 horas sem comer e sem nos dizer nada.
É dura a vida de Proteção.
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