segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Carta às garotas com viagem para Angola

Imaginem um país machista. Um país onde os homens têm a certeza que são bem sucedidos nas suas investidas. Parece-me que, aquando a entrada no país, para além do carimbo no passaporte, recebem uma espécie de “manual de sobrevivência masculina”. Manual esse que, nenhuma mulher conseguiu pôr a vista em cima, até ao momento. Creio que Angola tem uma espécie de “poção” da paixão que os leva a serem atrevidos e desinibidos. Mesmo, o mais tímido dos tímidos. Não é escolhida nacionalidade. Também não é escolhida idade. Comecemos pelo asiático. Homem com mais de 50 anos, de careca não assumida. Cantor de karaoke com talento especial para dedicar músicas sobretudo substituindo “Sweet Caroline” por “Sweet alvo a seduzir”. Politicamente correcto, a fugir para o tímido até. Mas, na hora de convidar para jantar, não está com meias medidas e o discurso é: vou-te buscar às 6h para irmos jantar. Solução? Agradecer o convite e declinar. Afinal, somos livres para escolher, certo? Ora, ora! Existe também o português que, por facilidade da língua, será o pior deles todos. Não escolhe cor nem nacionalidade. Idade, já é capaz de escolher mas, adiante. Ao fim de algum tempo, acho que nem as angolanas os aturam. Falo nas angolanas que os servem em restaurantes ou as que para eles trabalham. Não há paciência que resista e, até eu fico com vontade de entregar um “manual de sobrevivência femina” às garotas, para que possam responder aos atrevidos. Porém, nem só as angolanas são os alvos. A última tirada de um desconhecido, por sinal do Norte como eu, saiu mais ou menos assim: “n’um” há “dubida” que as mulheres do “Nuorte” “som” as mais bonitas, carago. “Bê-se” bem nesta mesa". Concluiu com um “o que eu gosto dessa raça”. Primeiro, fiquei a saber que tenho raça. Raça do Norte, parece. Segundo, percebi que este é o tipo de piropo que se adapta a qualquer local. Naquela mente existirá certamente a raça do Norte ou do Sul. A raça brasileira ou angolana. A raça de Benguela ou do Soyo. Solução? Fitar o guardanapo à nossa frente como se lá estivesse a passar o último episódio da nossa série de tv favorita. Finalizar com um “pois” e um sorriso. Existem também os tímidos. Aqueles tão tímidos que usam os nossos cartões profissionais para nos mandarem poemas e declarações com palavras como “inebriado” e “encantado”. São persistentes, mesmo após serem claramente ignorados e, não receberem qualquer e-mail de volta. Depois de serem convidados a desistir e a deixar de usar o e-mail profissional para fazer amizade com a tal garota que os deixa “inebriados” e “encantados” percebem a asneira que fizeram e assumem o erro. Envergonhados até. Caso tenham usado o seu nome verdadeiro, rezam para nunca serem apresentados à tal garota. Por fim, existem os angolanos. Manhosos com as angolanas mas mais comedidos com as estrangeiras. Os mais desinibidos podem mandar piropos como: ai se esta fosse a mãe dos meus filhos, deixava-a espancar-me até à morte. E ficava viúva e com os filhos orfãos, portanto. Há também os que dizem: ai branca, te quero. Ou ainda, se eu pudesse esta “mulhé” era minha. Podem também contar-nos a sua vida, após os primeiros cinco minutos de conversa, sem nada lhes ter sido perguntado. Dizem a profissão, para que possamos perceber que se trata de um homem trabalhador e com “posição”. Um bom partido, portanto. Desistem quando ignorados ou se dissermos que somos casadas.
Em qualquer um dos casos, podem rir-se caras amigas mas, sempre para "dentro". Nada como a descrição, a roçar a antipatia, para que os galanteadores indesejados desistam. Aos que não perceberem, um abraço e um queijo e um até loguinho vai fazê-los perceber. Concerteza.
Ah, mas tudo muda de figura se o galanteador vos interessar. Aí, acho que já não preciso dizer nada.

sábado, 16 de agosto de 2008

as seitas religiosas ,em Luanda

O território angolano está a ser invadido por inúmeras seitas que praticam o exorcismo em crianças, acusadas pelos pais e parentes próximos de serem feiticeiras. Para além dos maus tratos e queimaduras em grande parte do corpo de que essas crianças são vítimas, também já houve mortes. São seitas que vêm dos países a norte de Angola, que se instalam nos bairros maioritariamente habitados por pessoas oriundas daquelas regiões. Aproveitam-se das condições miseráveis em que vivem essas pessoas e sobretudo do desagregamento familiar existente. Têm nomes esquisitos, tais como, Missão Evangélica Fraternidade da Fé Espantosa(MEFFE), Missão Evangélica do Monte de Deus ou Igreja Profética Verdadeira do Mundo. Os pseudos pastores dizem que não recebem nada pelo tratamento, "pois se de graça recebem,de graça devem dar, o nosso pagamento virá do céu". Aproveitam-se da fraqueza humana e ainda gozam.
Perguntei a uma crente cristã, o que pensava disto e ela referiu que a culpa é do diabo. Aqui em Angola o diabo tem muita força, é preciso rezar, rezar e rezar.Veio com os russos e instalou-se de pedra e cal, e a partir daí, a luta entre o bem e o mal tem sido violenta. Aproveitou para me falar de uma seita que existe lá para os lados do Kazenga Grande, cujas sessões e rezas são feitas com todos os crentes nus, homens, mulheres e crianças, da meia-noite até de madrugada. Devem estar possuidos pelo demónio, dizia a minha crente, tapando a cara cheia de pudor.
Já não bastava a proliferação das Igrejas Universais e Manás que levam milhões através dos dizimos e as mesquitas muçulmanos que começam também a aparecer em força no meio dos nossos musekes e a raptar as nossas crianças para servirem de escravos nos seus países.
Já temos de tudo em Angola e agora aparece o tal diabo a entrar a sério nas nossas casas.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Redes Sexuais - HIV

Para ver. Ouvir. Tornar a ver e ouvir. Depois pensar. Muito.

* Cortesia da minha amiga M.J. (enviado por e-mail)

Enjoy!

Em Maio último, recebi um e-mail de um antigo Professor da Faculdade que dizia: Não foste tu que uma vez pensaste em fazer o mestrado em Itália? Pois pensei. Oh se pensei! Mas o rumo mudou e agora estou aqui. No mesmo e-mail, enviou-me um link muito engraçado. Claro está que, depois de ver os primeiros minutos só consegui concluir: Eh lá, mas eu já estou em Itália! Fica aqui o link para que possam perceber do que falo (sobretudo nas questões relativas ao trânsito).

http://tcc.itc.it/people/rocchi/fun/europe.html

Ao Prof. R.S., meu mestre: Digamos então, que ando em estágio, ok?

Duck: o Angolano rico sem dinheiro

Um dia já escrevi sobre o Duck. Eu gostava daquele garoto. Era bem-humorado, com uma boca enorme e uns dentes brancos, brancos. A pele muito negra fazia crer que não era Angolano. Mas era. Angolano de Malanje. Um dos Portugueses que trabalhava com ele chamava-o de carvão. Ele respondia: diga, água de feijão… Água de feijão, contou-me ele, por ter a cara vermelha e, assemelhar-se à água do feijão vermelho cozido. Eu ria-me. Achava justo, a troca de apelidos. Dava para perceber que o Duck não gostava de ser tratado de carvão. Quase sempre, eu ouvia as suas conversas calada. Mas um dia, falavam sobre um filme Angolano e eu mostrei interesse pelo tema. Ficou prometido ele emprestar-me o filme dele, pirata como convém, para eu ver e se gostasse, ele comprava um para mim. Para mostrar aos amigos de Portugal, dizia ele. No dia seguinte, o filme estava comigo. Depois de o ver, ele perguntou-me se eu tinha gostado. Quando lhe disse que sim, ele respondeu: então fique com ele. E não aceitou o meu dinheiro. O Nando, um colega dele dizia: Eu já lhe tinha dito, o Angolano é rico sem dinheiro. E eu achei engraçada a expressão.
O Duck, era também o garoto que comprava o mata-bicho. Os outros começavam a trabalhar e ele, ia com o seu caderninho onde registava os pedidos, comprar o mata-bicho dos colegas. Era o shop boy, dizia o Nando. O mata-bicho nunca era igual. Sanduiche de frangalhada, bife com cebola, omolete. Quase sempre acompanhado por uma gasosa. Um dia pergunto-lhe: então conta lá Duck, o que vai ser o mata-bicho de hoje? Frangalhada - disse ele, acrescentando – quer ajudar? Confesso que não percebi logo. O Duck, estava disposto a partilhar a sua sanduíche de frangalhada comigo. Agradeci e confesso que fiquei feliz pelo gesto. Como dizia o Nando: O Angolano é rico sem dinheiro.

* O filme, levei-o para Portugal e vi com alguns amigos nas férias de fim-de-ano 2007/2008. Todos gostaram de ver e, segundo eles, poder ter alguém a explicar certas expressões usadas cá, era essencial. A língua é a mesma mas, nem sempre usamos as mesmas expressões.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Bigamia Burguesa Angolana

Numa viajem para um país europeu, embarcou no avião um dirigente já bastante doente, que ao chegar perto do destino, marchou, check-in só de ida.Depois das complicações burocrática no aeroporto, o corpo ficou em câmara ardente numa das salas da embaixada. E aí começou a maka.
O homem estava casado com uma e vivia amigado com outra, com filhos de ambos os lados. Uma dizia que era ela quem lhe aquecia a cama e por isso tinha o direito de ficar para as condolências sentada no sofá preparado para o efeito. A outra, dizia, que nem pensar, ela era a primeira e papel passado, mãe dos seus filhos legítimos e se agora não lhe aquecia a cama era porque essa kitata da tuji (prostituta de m....) o tinha seduzido, gritando em pleno gabinete do embaixador que a tipa abria a dibanga ("abria as pernas) para todo o mundo. O embaixador viu-se aflito para resolver tão delicado assunto, tanto mais que estavam para chegar altas individualidades para homenagear o corpo do falecido.
Depois de muitos gritos e xinguilamentos à mistura, estiveram quase a chegar a vias de facto, ainda voaram umas estenções de cabelos brasileiros, conseguiu o diplomata parar o escândalo, prpondo e foi finalmente aceite, que uma ficaria a velar o morto das nove às doze e a outra das quatorze às dezassete horas. Já viram a complicação que dá ser adepto da bigamia para os que cá ficam a aguardar a sua vez?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Estamos juntos, ya?

Ya, estamos juntos. Mas não o suficiente para eu confiar nos vizinhos que habitam o mesmo prédio que eu e juntos cuidarmos da área comum do edifício.

Ya, estamos juntos, mas não a ponto de eu pensar no peão que tenta atravessar a estrada e parar para que ele possa cruzá-la, já que ninguém mais lhe dá passagem.

Ya, estamos juntos. Menos na hora em que eu trafego pelo acostamento para furar o congestionamento, cortando a frente de todos os meus irmãos que estão parados no trânsito.

Ya, estamos juntos, mas desculpa lá se eu estou com pressa e vou mesmo furar esta bicha, porque pouco me importo com as dez pessoas que nela estão também têm seus afazeres e compromissos.

Ya, estamos juntos, claro que estamos juntos. Por isso tenho certeza que você nem vai ligar se eu parquear a minha viatura na entrada da sua garagem e ignorá-lo quando você vier me pedir para tirá-la porque, afinal, não tenho mesmo onde parquear.

Ya estamos juntos, mas nem por isso vou deixar de lavar minhas latas e pincéis de tinta na cisterna de 10 mil litros em que você e a a sua família armazenam a água em que se banham, lavam roupas, loiças e usam para cozinhar...

Ya, estamos juntos, mas não me venha me pedir passagem no trânsito porque precisa mudar de faixa, ou porque vai entrar na próxima rua à direita, porque eu não vou mesmo deixá-lo entrar e se você insistir vamos colidir e aí eu parto a sua cara!

Ya, estamos juntos, sim. E já estou a chegar, eu sei que marquei consigo, estou no trânsito, estás a ver? Chego logo.

Ya, estamos juntos. Mas agora você já me pagou metade adiantado, vou chupar bué de biricocas e nunca mais apareço para continuar o serviço para o qual me contratou.

Ya, estamos juntos, amigo. Mas cada um por si. E a ganância e o egoísmo por todos.