Imaginem um país machista. Um país onde os homens têm a certeza que são bem sucedidos nas suas investidas. Parece-me que, aquando a entrada no país, para além do carimbo no passaporte, recebem uma espécie de “manual de sobrevivência masculina”. Manual esse que, nenhuma mulher conseguiu pôr a vista em cima, até ao momento. Creio que Angola tem uma espécie de “poção” da paixão que os leva a serem atrevidos e desinibidos. Mesmo, o mais tímido dos tímidos. Não é escolhida nacionalidade. Também não é escolhida idade. Comecemos pelo asiático. Homem com mais de 50 anos, de careca não assumida. Cantor de karaoke com talento especial para dedicar músicas sobretudo substituindo “Sweet Caroline” por “Sweet alvo a seduzir”. Politicamente correcto, a fugir para o tímido até. Mas, na hora de convidar para jantar, não está com meias medidas e o discurso é: vou-te buscar às 6h para irmos jantar. Solução? Agradecer o convite e declinar. Afinal, somos livres para escolher, certo? Ora, ora! Existe também o português que, por facilidade da língua, será o pior deles todos. Não escolhe cor nem nacionalidade. Idade, já é capaz de escolher mas, adiante. Ao fim de algum tempo, acho que nem as angolanas os aturam. Falo nas angolanas que os servem em restaurantes ou as que para eles trabalham. Não há paciência que resista e, até eu fico com vontade de entregar um “manual de sobrevivência femina” às garotas, para que possam responder aos atrevidos. Porém, nem só as angolanas são os alvos. A última tirada de um desconhecido, por sinal do Norte como eu, saiu mais ou menos assim: “n’um” há “dubida” que as mulheres do “Nuorte” “som” as mais bonitas, carago. “Bê-se” bem nesta mesa". Concluiu com um “o que eu gosto dessa raça”. Primeiro, fiquei a saber que tenho raça. Raça do Norte, parece. Segundo, percebi que este é o tipo de piropo que se adapta a qualquer local. Naquela mente existirá certamente a raça do Norte ou do Sul. A raça brasileira ou angolana. A raça de Benguela ou do Soyo. Solução? Fitar o guardanapo à nossa frente como se lá estivesse a passar o último episódio da nossa série de tv favorita. Finalizar com um “pois” e um sorriso. Existem também os tímidos. Aqueles tão tímidos que usam os nossos cartões profissionais para nos mandarem poemas e declarações com palavras como “inebriado” e “encantado”. São persistentes, mesmo após serem claramente ignorados e, não receberem qualquer e-mail de volta. Depois de serem convidados a desistir e a deixar de usar o e-mail profissional para fazer amizade com a tal garota que os deixa “inebriados” e “encantados” percebem a asneira que fizeram e assumem o erro. Envergonhados até. Caso tenham usado o seu nome verdadeiro, rezam para nunca serem apresentados à tal garota. Por fim, existem os angolanos. Manhosos com as angolanas mas mais comedidos com as estrangeiras. Os mais desinibidos podem mandar piropos como: ai se esta fosse a mãe dos meus filhos, deixava-a espancar-me até à morte. E ficava viúva e com os filhos orfãos, portanto. Há também os que dizem: ai branca, te quero. Ou ainda, se eu pudesse esta “mulhé” era minha. Podem também contar-nos a sua vida, após os primeiros cinco minutos de conversa, sem nada lhes ter sido perguntado. Dizem a profissão, para que possamos perceber que se trata de um homem trabalhador e com “posição”. Um bom partido, portanto. Desistem quando ignorados ou se dissermos que somos casadas.
Em qualquer um dos casos, podem rir-se caras amigas mas, sempre para "dentro". Nada como a descrição, a roçar a antipatia, para que os galanteadores indesejados desistam. Aos que não perceberem, um abraço e um queijo e um até loguinho vai fazê-los perceber. Concerteza.
Ah, mas tudo muda de figura se o galanteador vos interessar. Aí, acho que já não preciso dizer nada.
Em qualquer um dos casos, podem rir-se caras amigas mas, sempre para "dentro". Nada como a descrição, a roçar a antipatia, para que os galanteadores indesejados desistam. Aos que não perceberem, um abraço e um queijo e um até loguinho vai fazê-los perceber. Concerteza.
Ah, mas tudo muda de figura se o galanteador vos interessar. Aí, acho que já não preciso dizer nada.
