segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Semana Greg Salibian




Chicala, Ilha de Luanda

Foto: Greg Salibian

A tranquilidade de Lobito

Lobito, a poucos quilômetros da cidade de Benguela, abriga o maior porto do sul de Angola. Isso lhe gera uma riqueza que está refletida nas ruas bem cuidadas, nos passeios sem buracos, nas fachadas renovadas dos edifícios.

O fato de ter um porto movimentado não a transforma, porém, numa cidade tumultuada de gente. Na Restinga, ao contrário, a sensação é de se estar numa cidadezinha pacata de litoral. As ruas têm poucos carros, as pessoas caminham tranqüilamente pelas ruas, sentam-se nas praças para tomar gelados, as crianças brincam nos parquinhos infantis, tudo iluminado por um lindíssimo sol de fim de tarde.

A praia da restinga é linda e quem quiser descansar das mazelas de Luanda com estilo, pode se hospedar no charmoso Hotel Terminus, na beira da praia, por módicos USD 240 por noite. É um preço alto, sem dúvida, mas se considerarmos que qualquer pensãozinha mal-construída custa USD 120 em Luanda, o Terminus é uma pechincha.

domingo, 5 de outubro de 2008

A despedida de Greg

Ilha do Cabo, Luanda . Foto de Greg Salibian

Cota 50 era o único angolano naquele encontro de brasileiros e deu o tom do que sentia, assim que me cumprimentou, com o seguinte relato:

– Quando eu era prisioneiro dos portugueses, durante a guerra colonial, o que eu mais sofria era com as despedidas. Os soldados vinham do Tuga fazer a tropa aqui, nós formávamos grandes amizades, mas depois de um ano eles voltavam deixando uma saudades do caraças.

Aquela reunião era a despedida de um grande amigo não só do Cota, mas de todos nós. Enquanto escrevo este texto, o fotógrafo Greg Salibian atravessa o Atlântico com destino ao Rio. Bilhete só de ida.

Quando o assaltaram há duas semanas, os gatunos levaram, junto com lentes e flashes, a liberdade de Greg trabalhar. A empresa que o contratou considerou importar equipamento novo dos Estados Unidos, mas isso demoraria mais do que o tempo que Greg ainda tinha para ficar em Angola. Seu contrato era de três meses e terminaria em novembro.

Assim, decidiram indenizá-lo em dinheiro, pagar o mês que faltava, e lhe dar o bilhete de volta mais cedo. Um final feliz para o caso do assalto, mas triste para todos os que com ele conviviam por aqui. Em apenas dois meses, Greg aprendeu a enxergar uma beleza angolana que a maioria de nós leva muito mais tempo para perceber.

Em homenagem, esta Casa realizará esta semana uma exposição de imagens que ele deixou antes de partir. E continuará, claro, com as portas abertas para que ele continue a publicar, sempre que quiser, as saudades que vai sentir de Angola.

O nascimento de Carlos Unene

Me chamara a atenção aquele miúdo tristonho, filho de uma das alfabetizadoras do curso. Enquanto a mãe assistia a aula, ele ficava ali fora comendo terra e lambendo pedrinhas.
"Dona Miquelita, qual o nome dele?".
"Triste".
"Não, Dona Miquelita. O nome..."
"É mesmo esse, formadora... O miúdo se chama Triste"
"O que é isso, Dona Miquelita? Por que a senhora dá um nome desses pro seu filho?"
"É que ele nasceu mesmo assim, triste, desgraçado. O pai só quer saber da irmã mais velha".
"E qual o nome dela?"
"Felicidade".

Parece piada de mau gosto, mas é sério. Pedimos pra ela contar a história pra câmera, e a prova está no vídeo do post aí embaixo, filmado e editado pelo F.

Depois de muita conversa, Dona Miquelita aceitou mudar o nome do miúdo, desde que eu o batizasse...

Eu queria uma palavra em Umbundo (língua local), e achei que Unene (forte) cairia perfeito. Ela ainda não estava satisfeita. Queria um nome português. Resolvi então abençoar o pequeno Unene com o nome da pessoa que mais admiro no mundo. E assim Triste virou Carlos Unene, xará do meu paizinho e com a força dos que vivem de plantar sorrisos e mudar destinos.

sábado, 4 de outubro de 2008

Uma história triste

Quando criamos esta Casa, nossa intenção era publicar centenas de pequenos web documentários sobre a vida em Luanda. A sensação de insegurança em Luanda, porém, nos impediu circular livremente com a filmadora. Até hoje, publicamos praticamente um único filminho feito por nós, sobre as Tranças de Luanda.

Em Benguela, essa sensação de insegurança não existe. Portanto, a filmadora voltou a funcionar.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Baía Azul

O alcatrão serpenteia por uma paisagem de montanhas secas. Tudo é ocre, parece que estamos a cruzar um deserto. Na época das chuvas, ficarão todas verdes, explica-me o moto-taxista que me leva na garupa.

Num entroncamento da estrada, bem defronte a uma imensa montanha, entra-se à direita e depois de mais algumas curvas, subidas e descidas, chega-se à estrada de chão. Mais alguns metros e surge essa maravilha da foto abaixo.


A foto dispensa explicações maiores para a origem do nome do lugar... Mas é bom avisar: o que tem de azul, tem também de fria essa água. (Lembra da Corrente de Benguela, que estudávamos na escola? Explica tudo.)

A Baía Azul é um vilarejo de casas montadas numa falésia. Parece ter parado no tempo, com algumas vivendas antigas desgastadas pela maresia e pelos anos. E lá pelas tantas, caminhando pela areia branca, encontrei esse velho caminhão, que já perdeu a conta do tempo em que se deixou morrer diante da beleza azul dessa baía.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Mais Benguela

Como eu havia citado aqui ontem, seguem as fotos do Banco Nacional e do Governo Provincial com a luz favorável. E também algumas outras pra vocês conhecerem um pouco mais de Benguela.

Sede do Banco Nacional de Angola em Benguela
O Palácio do Governo Provincial
Esplanada do restaurante GMX, à beira-mar
Mais esplanada do GMX
Uma rua principal, numa tarde de terça-feira

E uma praça florida, bem no meio da cidade