sábado, 18 de setembro de 2010

Das semelhanças

Há uns tempos, uma amiga de Portugal queixava-se que tinha contratado uns trabalhos e a entrega desses trabalhos era sucessivamente adiada. Respondi que claro, nós portugueses temos esse problema em cumprir prazos. Isso e chegar a horas. Tira-me do sério, agendar reuniões e os intervenientes chegarem 1 hora depois, em passo "eu sou bom, aprecia só o meu modo gingão enquanto saio do meu jipão" e esse hábito repetir-se de cada vez que infelizmente tenho reunião com essas pessoas. Voltando à minha amiga, a última desculpa que ouviu da empresa que contratou foi que, o funcionário que tratava desse trabalho, tinha espirrado de manhã, viu tudo a andar à roda e teve de ir embora. Repito, isto em Portugal. A justificação foi mesmo esta e, eu faço questão de repetir: ele deu um espirro, viu tudo a andar à roda e foi embora. Ora, eu não vi nada de mal nesta desculpa. Estava incomodado, coitado. Claro que ela disse logo: não te faz lembrar nada? Angola? Pois. Nada me surpreende. Apenas respondi: não esquecer que em Angola, existiram muito bons professores. Quem nunca ouviu uma desculpa espectacular como esta*, para justificar uma ausência no trabalho, em Angola?
*Ou mais espectacular ainda que, os bons alunos superam muitas vezes as sumidades, que foram os professores.

sábado, 11 de setembro de 2010

A Casa de Luanda está em festa!


Chegou às 22h16 do dia 29, com 3,5 kg, olhos abertos a investigar o mundo, 51,5 cm de altura, se é que se pode dizer assim..

Chama-se L., filho dos nossos queridos F. e P., o maior novo morador da Casa de Luanda, sobrinho de todos os titios babões espalhados pelo Brasil.

Que Deus o proteja.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

E a vida continua... difícil

Só hoje me apercebi que o preço do combustível subiu 50% em Angola. Estando fora de Angola há algum tempo**, justifica-se esta minha distracção. Sem saber muito (para não dizer nada) sobre as razões desta subida tão drástica, prevejo já alguns problemas. Uma rápida pesquisa pela net, nos jornais de hoje, percebe-se que como sempre, o pobrezinho é que leva com a factura mais alta. O governo diz que os táxis não podem subir os preços. Hã Hã... Não podem. Imagino que não deve ter sido a primeira coisa que fizeram. E, como diziam alguns dos comentadores da notícia (sim, estou a referir-me ao jornal espectacular que tem os comentários livres a toda - e mais alguma - diarreia mental quando o assunto mete estrangeiros, com especial relevo para os da minha nacionalidade, oh yeah), pouca alternativa resta a quem realmente precisa do táxi para ir trabalhar. E aí, imagino, entrará a cooperação das empresas. Não sendo obrigatório pela lei geral do trabalho, o subsídio de transporte é prática comum nas empresas. Caso contrário, muitos dos trabalhadores gastariam grande parte dos magros salários em transportes. E, muito sinceramente, com uma subida tão brusca dos preços, não creio que os táxis aguentarão por muito tempo não subir os preços. Basta uma grevezinha, como aliás já aconteceu, para o governo perceber que afinal eles até dão jeito porque a malta precisa de ir trabalhar. E aí, começará o choradinho dos trabalhadores que mesmo que lhes seja prometido mais um subsídio extra caso sejam assíduos e pontuais, de forma a existir mais daquela coisa fixe chamada "produtividade" que geralmente, as empresas muito apreciam, estão-se mesmo a "fazer cocó" para o dinheiro extra e, continuarão a faltar ao ponto de em casos extremos, terem férias negativas. Como em muitos países, e aí incluo o meu com todos os seus defeitos, as consequências das decisões não são estudadas. Soluções alternativas? Não existem. Transportes públicos? Poucos, quase nenhuns. Regra geral, tão cheios que é difícil entrar mais um alfinete. Mas é esperar para ver as consequências desta decisão. Posso até estar enganadinha e tudo continuar maravilhoso como até agora.
**Ooooh... mas volto sim? ah ah ah ah (ler, em voz alta preferencialmente, como sorriso maléfico).

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Hoje é dia de Choro

Calma, não se trata de nenhum rio de lágrimas, muito menos de birra de menininha mimada, rs.

Em comemoração a semana da independência do Brasil a embaixada organizou um show de chorinho no Chá de Caxinde, hoje a partir das 20:30h.

Como sempre a divulgação não foi adequada e só fiquei sabendo por acaso ao "zapiar" pelo canal da TV Brasil.

Para quem não conhece o chorinho é um estilo de música tradicional brasileiro com mais de 130 anos, surgiu em meados de 1870 no Rio de Janeiro.

Apesar do nome soar triste a música é muito alegre e empolgante. Alguns dos "chorões" mais conhecidos são Chuiquinha Gonzaga e Pixinguinha.

Rodrigo Lessa Quarteto é o grupo que vai tocar hoje,sem dúvida nenhuma vale a pena conferir de perto esse show e matar um pouco das saudades do Brasil.

Para quem não conhece eu recomendo chorar conosco, esse tipo de choro, como o outro, faz muito bem a alma.

PS: Após não sei mais quantos meses de seca, hoje está chovendo em Luanda!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Invasão Financeira Brasileira em África

Esta notícia Saiu na Folha de São Paulo. Quem sabe não arranjamos um emprego de caixa de um desses dois bancos e vamos ser atendentes ali na rua Rey Katyavala, nas proximidades da Nilo, no Zé Pirão?


BB e Bradesco compram banco português na África
Instituições adquirem parte do BES, que atua em países como Líbia e Angola

Bradesco afirma que instituições brasileiras pretendem aplicar na África a sua experiência com bancarização

TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO

O Banco do Brasil e o Bradesco decidiram fazer uma aliança para iniciar atividades na África, região considerada estratégica para a diplomacia brasileira. O objetivo, segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), é estreitar o relacionamento comercial e dar suporte aos negócios de empresas brasileiras na região.
Para chegar à África, os dois bancos optaram por comprar parte das operações do português BES (Banco Espírito Santo), antigo parceiro do Bradesco e que está presente em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Líbia, Marrocos e Argélia. O BES tem 4,1% no Bradesco, que soma 6% do banco português.
Na África, os três bancos constituirão uma "holding" financeira, que controlará a rede de agências de varejo e o suporte ao comércio exterior e aos negócios de empresas brasileiras na região.
A "holding" atuará como plataforma para prospectar a compra de participações e fazer eventuais aquisições de bancos no continente. O desafio do grupo é entrar na África do Sul, um dos países de maior crescimento.

BANCARIZAÇÃO
Segundo o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, os bancos brasileiros pretendem aplicar sua experiência de bancarização no continente africano, onde os bancos locais só chegam a 15% da população.
"A África é a última fronteira de desenvolvimento do mundo. O continente está encontrando o seu caminho. Este salto é inevitável, é questão temporal."
O valor do negócio e a definição das participações de cada banco na nova empresa dependem de estudos de viabilidade técnica e jurídica. A expectativa é que o modelo saia entre 60 e 90 dias, segundo o diretor internacional do BB, Alan Toledo.

BANDEIRAS LOCAIS
O presidente do BES, Ricardo Salgado, afirmou que o banco português, que atua há quase cem anos na África, será majoritário. A proposta negociada é que os bancos trabalhem com parceiros locais e mantenham as operações com marcas dos bancos conhecidos dos africanos.
"Gostaria muito que não voltássemos ao espírito nacionalista da questão. Esse projeto, para ser vencedor, precisa utilizar a bandeira de cada país onde estiver instalado. Se pudermos ter parceiros locais, como temos em Moçambique e Angola, será magnífico", disse Salgado.
O BES abriu recentemente uma sede em Cabo Verde e tem cerca de 30 agências em Angola e outras 20 na Líbia. Em Moçambique, o BES fez uma parceria com o Moza Banco e, na Argélia, com o Banque Extérieure d'Algérie na área de leasing.

Anda tão desabitadazinha a nossa Casa, não é?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Meu amor por São Paulo

Todos que me conhecem, especialmente os amigos que fiz e com quem morei em Luanda, sabem que minha sina é morar longe, muito longe. Hoje, estou num extremo do Brasil, completamente morto de saudades das duas São Paulo - a de Luanda e a de Piratininga. Um inferno viver assim.
Ontem a revista Wallpaper divulgou o vídeo abaixo, que compartilho com os leitores da Casa. Trata-se de uma excelente radiografia da São Paulo brasileira, onde vivi por 8 anos até me mudar para a outra, onde vivi por apenas seis meses, que valeram pelos oito, talvez...
Quem, de Angola ou de outro país nunca veio ao Brasil, ou a São Paulo, não sabe o que está perdendo. É um lugar fantástico.

PS: Sim, Migas, graças a Deus a capital do teu país não se chama São Paulo de Lisboa, senão eu estaria fo-**-do.

http://link.brightcove.com/services/player/bcpid66631060001?bctid=207544211001

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Propósito

O presidente Lula visitou Angola no último dia 18 e o primeiro ministro de Portugal José Socrates, a deduzir do cartaz postado pela Migas, também esteve em Luanda recentemente...Os leitores da Casa, em território angolano, podem dar para nós um panorama do que foram fazer aí os dois chefes de estado?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

E ontem foi assim: Unidos pela Voz #2


O momento. A morna enamorada.

Mais uma Ponte entre Brasil e Angola


Amigos de Luanda!
Quem tem saudade de Angola põe o dedo aqui, que já vai fe-fe-fe-char!

Então, como vcs sabem, eu morro de saudade daquele lugar maluco e, desde que voltei, estou convencida de que há muito para falar e fazer para estreitar as relações entre o Brasil e alguns países africanos.

Aí, comecei a juntar outras pessoas que também têm essa mesma convicção e, juntos, criamos o tás a ver?, um coletivo multimídia que cria e executa projetos que estreitam os laços entre o Brasil e países africanos. O Filete, inclusive, entrou nessa minha maluquice e, mesmo estando na FSP, tb anda presente por aqui.

Acabamos de lançar nosso novo site, que ta super lindo e super cheio de coisas legais. Esse será um site-blog, em que postaremos referências que achamos bacanas. Gostaria mto que vcs entrassem, virassem leitores, mandasem suas contribuições sempre que tiverem vontade e se engajassem nos projetos que vcs tenham vontade! E é sério: quem tiver vontade de criar algum projeto, de desenvolver algum trabalho, de dar pitaco, as portas estão sempre abertas e eu to sempre disposta a conversar!

Bem na home tem o link pra assistir ao teaser do documentário.
E tb tem o link pra assistir um vídeo de 15 minutos que eu produzi em Salvador, junto com a galera que vai filmar comigo, sobre o lançamento da exposição Luanda Suave e Frenética.


Estamos juntos!

beijos,

Juliana Borges
www.tasaver.org

E ontem foi assim: Unidos pela Voz #1

Serão muito fixolas!! Não conhecia os NuSoulFamily, cujo (um dos) vocalista é o Virgul dos Da Weasel. Já sabe que para a próxima tem de trazer o mano Pacman que pronto, as "adeptas" agradecem (cof cof cof). Big Nelo (e sus muchachos bailarinos) também foi bem giro (bacana, antes que o X. se manifeste) e claro, Paulo Flores e Mariza dispensam apresentações e comentários. Nota 20! "Roubarei" a engraçada expressão do Paulo que disse, aquando o início da canção "Inocente": quem não cantar, a mãe é quêquêquê... :-)
Kianda, sentiste as (boas) vibrações? Volto mais tarde com umas fotinhas...

domingo, 18 de julho de 2010

O maior Kylapeiro do Brasil

ORA, POIS
O ator Lázaro Ramos embarca hoje para Portugal. Fica até o final de agosto para filmar "O Grande Kilapy", longa do cineasta angolano Zezé Gamboa. Volta para lançar seu livro infantil, "A Velha Sentada", em setembro.

PS: quer saber o que é um Kilapeiro? Casa de Luanda já explicou, aqui

domingo, 4 de julho de 2010

Da série: Mais valia estar calada

Afinal, enganei-me. Levaram-me os óculos de sol. É raro deixá-los no carro e sou até conhecida por já ter dito umas 3 ou 4 vezes à mesma pessoa que já foi roubada 3 ou 4 vezes (alto, nem sempre o carro foi assaltado... quase todas as vezes, os óculos desapareceram depois de deixar o carro a lavar) que não pode deixar os óculos no carro porque já se sabe que roubam e que burro que és e por aí fora. Óbvio que foi isso que ouvi, merecidamente, mal abri o bico para dizer: ai que triste que estou que acho que me levaram os óculos de sol. Para os que me perguntaram, como a minha querida amiga M. que, escandalizada disse: então e tu, viste e não fizeste nada? Não foste atrás deles? Hummm, tinha de ir? É que eu, mal vi a turma dos bandidos dentro do meu carro, fui dar uma volta para bem longe. Deixei-os à vontade. Remoí ainda uns quantos nomes que não escrevo aqui mas que, sendo eu uma garota do Norte, qualquer um dos leitores imagina levemente, o que terá sido. Claro que também andei a ver se encontrava um senhor agente para lhe dar uma notita (ups, claro que ele não aceitaria!) e levar-me até ao carro. Mas nada. Nada de agentes. Nem um finguelitas sequer. Por isso, de modos que, deixei-os fazer o serviço.
Para a próxima prometo ir atrás deles, se:
a) Decidir comprar uma AK-47.
b) Passar a andar acompanhada por um negrão de 1,90 x 1,90 (m) – Os leitores do blog que preenchem os requisitos é mandar CV. Com foto, claro.
c) Não me esquecer da capa de super-migas em casa, como aconteceu desta vez.
E é isto. Os óculos fazem-me falta, é certo mas, paciência. Antes isso do que partir uma perna. Ah, e se me virem por aí a piscar o olho assim, a torto e a direito, não é porque sou uma atrevida. É mesmo porque me levaram os óculos de sol.

sábado, 3 de julho de 2010

Hospital Geral de Luanda pode desabar

Mais: aqui
É raro ler as notícias todas deste jornal porque não resisto depois, mais à frente, a ler os comentários dos leitores. Regra geral, fecho a janela do jornal on-line com vómitos. É sempre tão fácil escondermos-nos atrás de uma janela de comentários de um jornal ou de blogs para escrever barbaridades ou xenofobices de graça duvidosa. Quanto à notícia, lamento mesmo por quem precisa de lá ir. Vergonhoso.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Hoje não estou para ninguém, sim?

Então e vocês perguntam: migas, Portugal perdeu e tal... Estás de trombinhas? Sim. Enormes trombas. Ontem deu-me para ir ver o jogo fora de casa e pasmem-se: ver-o-jogo. Sim, até agora, porque trabalho (wow, juras migas?) e pronto também não sou nenhuma doente pela bola, nem pela selecção nem por nada dessas coisas chamadas “desporto”, sobretudo relacionadas com gajos que correm atrás de uma bola, decidi que sair a meio da tarde para “ir ver o jogo” seria, no meu caso ir dormir para o sofá e fazer de conta que vi o jogo. Por isso, de modos que ontem, eu vi Portugal a jogar pela primeira vez. E, se me virem por aí a ver jogos da selecção ou entre clubes, (vá, o FCP sou capaz de ver sozinha uma vez por época), trata-se de uma coisa chamada “solidariedade feminina”. Mas, e agora perguntam: então e porquê de trombinhas??? Já que eu ligo “tanto” ao jogo da selecção. Porque pronto, vi uns cabrões a assaltarem-me o carro. Mesmo dentro do carro. Eu nem queria acreditar mas sim, era verdade. Estavam lá uns mafiosos que claro, para lá entrarem tiveram de fazer aquele truque espectacular* que é estragarem a fechadura para... tcharan... levarem... nada. Não tinha nada para roubar. É chato, eu sei. Fosse eu aparecer a entrar no meu carro naquela altura, e ainda levava um enxerto de porrada só para não me armar e não deixar algo aos homens que coitados, andam a trabalhar e precisam de receber um mambo qualquer. Vá lá que não lhes deu para cagar lá dentro, como uns que assaltaram a casa de um colega e que decidiram que era de bom tom, já que levavam umas cenitas dele, deixarem-lhe uma “lembrança”, no meio do chão da sala. Amorosos. E pronto, era isto. Agora já pedi para arranjarem a fechadura porque neste momento, a porta ficou mesmo fixe que nem fecha mas, baixou em mim uma dúvida, que me inquieta: e deixá-la assim? Era ou não era de mestre?

*Até eu fazia melhor com um cordão das sapatilhas. Sim, tenho cara de sonsa mas genes de MacGyver...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A espera

Nele muito pensamos quando ainda cá nesta Casa vivíamos, em Luanda, mas eram só pequenos planos, não estavam então as condições criadas, problemas eram muitos, nem morada certa éramos capazes de colocar... Mas dos planitos que nasceram cá, ficou mesmo a ideia, que acabaríamos por concretizar em nossa volta ao Brasil.

Para que esteja completa, só falta chegar o novo morador da Casa de Luanda - está programado para fins de agosto. E que para seguir os passos do pai e da mãe, há de se chamar L., e já vai muito bem, obrigado, a dar chutos e pontapés na barriga da P., que não para e crescer.

sábado, 26 de junho de 2010

Samuel ou, o Anselmo Ralph do Cazenga

Tenho vindo a tentar lembrar-me do apelido que lhe davam mas, não há forma de me lembrar. O nome era Samuel. Passado uns tempos quis que o chamassem de Anselmo. Como o Ralph, o cantor. Andava vestido à estrela e aparecia com óculos de sol igualmente... à estrela. Cheguei a mandá-lo apertar a camisa e tirar os óculos de sol pois o trabalho, não era nenhuma passerele. Mas ele, vaidoso e com a mania de que era gato, andava sempre no limite. Os colegas contavam-me que levava o envelope com o ordenado fechado e só o abria em frente à garota dele. Caso raro por estes lados. No entanto, chegava ao cúmulo de não ter dinheiro para o táxi, ter o ordenado dentro do envelope e pedir aos colegas dinheiro emprestado para o táxi, não fosse a garota dele perceber que faltava dinheiro no envelope. Caso mais raro ainda, por estes lados. Nunca conheci a garota dele e, depois de todas estas histórias não percebo se ela era uma Big Mama e ele corria o risco de levar duas chapadas e tombar com alguma coisa partida ou, sei lá, se ele era simplemente fofo com a sua amada. Certo dia, a discussão com os colegas era sobre a mobília da casa. Ela é que ia escolher. Os outros, contra, está claro. Onde já se viu a mulher escolher. Ele é que tem de ir comprar, já que ele é que vai pagar. Ele, com a teoria de que vão os dois escolher e que assim é que deve ser. Os outros, respondiam que assim ela ia habituar-se mal, ele é que pagava e escolhia. Caso arrumado. Tinham todos mais ou menos a mesma idade. Todos menos de 30 anos. Quando o Anselmo Ralph percebeu que não conseguia levar a melhor, pergunta-me. Como faria eu? Respondi que escolhia, junto com o meu querido. Assim é que eu achava correcto, já que viveríamos os dois na mesma casa. O Anselmo, radiante ouviu logo como resposta da oposição: mas ela é branca. A tua namorada não é branca. Por isso, não compara. Neste caso, como em tantos outros, à falta de argumentos, prevalece o sempre indiscutível e espectacular argumento da cor da pele.

terça-feira, 22 de junho de 2010

O Kudoro chegou à Bahia

O Kuduro, ritmo angolano por excelência, atravessou o Atlántico (como menos intensidade com que chegou à Lisboa, é verdade) e domina Salvador. Vejam que gracinha esse bailarinho mirim.Te cuidam, kuduristas da Chicala ou Sambizanga ou ainda do Prenda.