terça-feira, 11 de agosto de 2009

Próxima reunião de Condomínio...



E está chegando a hora...
No próximo final de semana, em São Paulo, não a de Luanda, mas a de Piratininga, quase todos os moradores da Casa vão se reunir, incluindo o Baião, vivas!, e todos que moram do lado de cá. Muitas lembranças, certamente, surgirão, aqui e acolá, daqui.
Um skyline de São Paulo, da minha antiga janela, está abaixo. Devemos ser muito loucos mesmo para amarmos essa cidade....Menina de Angola, prepare os lenços para chorar...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ainda, a chaga maldita da escravidão (ou escravatura), pela pena de Machado de Assis



Não temos mais o que discutir: Joaquim Maria Machado de Assis é, sem sombra de dúvidas, o maior escritor em Língua Portuguesa de todos os tempos. Que me desculpem os Queirozeanos que visitam o blog, mas o "Bruxo do Cosme Velho", como ficou conhecido o autor de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", entre tantas outras jóias, é o maior escultor da nossa língua em comum. 

Hoje a maioria dos brasileiros precisa ler Machado com um dicionário, pois ele escreve como se visse na Tuga, salpicando os textos com "fumos", "pequeno almoço", "ao pé de si" e por aí vai. Uma delícia.

Ontem, aproveitando um dia de pura preguiça, fui à uma livraria e comprei essa caixa com três livros da foto acima, que contém os três principais romances de Machado. Fazia décadas que havia lido-os e, como é sempre bom reler um livro com o peso dos anos, armei a minha rede indígena e comecei a viagem por "Memórias".

Ei que, no capítulo XII, intitulado "Um Episódio de 1814", Luanda - sempre Luanda, a adorável Luanda - salta das páginas do romance. Veja só o trecho abaixo. Trata-se da descrição de um jantar no Rio de Janeiro da época do Império, para comemorar a derrota de Napoleão Bonaparte.

Um sujeito, ao pé de mim, dava a outro notícia recente dos negros novos, que estavam a vir, segundo cartas que recebera de Loanda, uma carta em que o sobrinho lhe dizia ter já negociado cerca de quarenta cabeças, e outra carta em que... Trazia-as justamente na algibeira, mas não as podia ler naquela ocasião. O que afiançava é que podíamos contar, só nessa viagem, uns cento e vinte negros, pelo menos.

E eu, que já morei nesta cidade negra, já atravessei para lá e para cá a partir dessas duas pontas do Atlântico, fiquei imaginando que mundo era esse, no Rio de Janeiro do séc. 19, onde milhões de angolanos (4,5, para ser mais exato) foram transladados para cá e eram tratados assim, como números.

Abaixo uma fotinha do Museu da Escravatura, na zona sul de Luanda, de onde essas almas partiram para nunca mais voltar.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Xuxa fará show em Angola em outubro e mobiliza aspirantes a atrizes em filme sobre feiurinha


O sonho dos angolanos em ter um show de Xuxa será realizado. A "rainha dos baixinhos" se apresenta junto com o cantor local de maior sucesso, Maya Cool, no dia 10 de outubro, na festa da Amizade Brasil-Angola. O mestre de cerimônia será, pelo segundo ano, o apresentador Luciano Huck.

Agora vem a melhor parte disso tudo:

O programa ‘Revista África’, da TV Globo, acompanhará, durante todo o mês de agosto, a disputa de duas angolanas ao papel de fada no filme “Xuxa e o mistério da Feiurinha”, de Tizuka Yamazaki, diretora de outros filmes da apresentadora como “Xuxa Popstar” e “Xuxa Requebra”.

No programa que irá ao ar esta semana, dia 01, uma reportagem mostrará os primeiros dias das atrizes no Rio de Janeiro, onde estão para fazer os testes, e o encontro emocionado com a apresentadora.

No dia 8 de agosto, será exibida a reunião do elenco para as leituras do texto do filme. Já no dia 15 de agosto, o programa mostrará um making of do “TV Xuxa”, e fará suspense com o nome da vencedora, que será anunciado no “Revista África” da semana seguinte, 22 de agosto. Só então os telespectadores verão a volta da escolhida a Angola e a festa que os amigos farão para recepcioná-la.

A TV Globo Internacional exibe o “Revista África” todos os sábados, logo após o “Jornal Hoje”.


quarta-feira, 29 de julho de 2009

O Elinga não vai mais ser demolido

O celular tocou quando ainda era madrugada no Brasil, coisa de 8 da manhã em Luanda.

-- Yá, tás fixe? Tenho uma notícia boa para si, que sei que gostas tanto daquele sítio.

-- Aié?, respondi, brincando, uma vez que no Brasil a gente sempre diz: "não diga!" (quando na verdade quer é que o interlocutor continue a falar, no Brasil é tudo ao contrário).

-- Uma fonte do Ministério da Cultura me garantiu ontem que o Elinga Teatro não será mais demolido para dar lugar a um prédio de oito andares em formato de parque de estacionamento.

Nem o anúncio do que seria o final da crise financeira internacional me deixou tão feliz, confesso a vocês, porque só quem já viveu as noites frenéticas do Elinga (Zé, Ju, Xuxis, Fulano e cia. sabem bem) sabe que ali é "a balada" de Luanda.

--- Pois então, volte para cá pois, depois que "vocês" partiram, Luanda voltou a ser um deserto...

Ai, ai, ai, ai....

terça-feira, 28 de julho de 2009

O mundo virá abaixo, certamente...

...porque vocês não fazem a menor idéia de quem será a atração musical do show do Dia da Amizade Brasil-Angola, em novembro...

sábado, 25 de julho de 2009

Foi assim, em Luanda

Ao arrumar alguns papéis, daqueles que se guardam ao longo do tempo com afecto, encontrei este desenho. Decidi partilhá-lo hoje convosco. Talvez porque esta imagem fala de uma Luanda antiga, relembra-me tempos em que se anunciaram sonhos e desafios.

Foi há 34 anos. Havia a guerra. E desenhos. Porque havia crianças e vida também. Assim, foi naquele tempo em que grupos de desalojados povoaram durante semanas o então Liceu D. Guiomar de Lencastre.
Nzinga Mbandi ainda não chegara. Naquele espaço, erguia-se o Liceu Feminino, nascido em 1954, que se orgulhava da educação que proporcionara a jovens e futuras mulheres durante duas décadas.
Em Junho de 1975, o liceu abriu as suas portas para servir de abrigo temporário a quem vinha fugido da guerra. Nas salas de aulas escutaram-se, pela primeira vez, outras línguas e viram-se panos de todas as cores.
Na cerca, nos jardins interiores, na sala de Lavores e até perto do tanque onde se ia espreitar os jacarés (lá, ao pé da sala de Canto Coral) cuidava-se de gente. E procurava-se cuidar por inteiro. Os espaços exteriores encheram-se de alegria com os sorrisos e cantorias dos grupos de crianças que se distribuíam por diferentes actividades e, assim, iluminavam, sem saber, o cinzento de muitos dias daquele cacimbo quente.

Campanhas de limpeza, acções para angariar alimentos, organização de espaços e refeições constituíram algumas das inúmeras tarefas diárias que ocupavam os dias de todos os que tentavam preservar rotinas e vidas. Novos vocábulos ouviam-se nos corredores da escola e o léxico crescia e enriquecia a par de cada vivência. Dividir era a operação principal e a mais difícil daquele tempo. Era preciso dividir espaços, horas, pensamentos, tarefas, alimentos. Dividir sem apenas subtrair, fazendo os restos virar ganhos. Nos muitos nadas descobriram-se parcelas e assim se partiu para novas operações.

Julho, 1975. Tempo de partidas bruscas. De fugas, perdas, lutos. De sonhos, alegrias, esperanças e celebrações de vida. Tudo coube nesse cacimbo. Misturavam-se prazeres e dores, nascimentos e despedidas, despiam-se as vestes da ingenuidade trazida da infância e das ilusões exponencialmente romanceadas pelo sonho vivido intensamente.
Depois da dipanda, o Guiomar de Lencastre deu lugar ao Nzinga Mbandi. Hoje, nas suas instalações recuperadas em 2000, vejo partilhar outros saberes e gosto de saber que se fala de outros reis e rainhas, também. Já não há portões fechados no Liceu, nem cartões de saída, nem vendedores de picolés. Há zungueiras que por ali passam e tudo é possível comprar, no meio do barulho de vozes de uma nova geração que marca a saída do Nzinga agora.

Luanda apresenta-se transfigurada, mas guarda silenciosamente os seus mistérios. Neles encontro a generosidade e coragem de quem soube morar por baixo dos traços destes desenhos. Aqueles que guardo, junto com o brilho dos olhos e sorrisos daquelas crianças.

Luanda merece. E esta é uma das estórias que se podia contar!

terça-feira, 21 de julho de 2009

35 páginas sobre a economia de Angola


A revista País Económico - que eu sempre comprava ali na Africana, uma livraria vizinha ao Três em Um, café charmosinho na rua António Barroso, na Maianga - publicou na edição de julho um dossiê de 35 páginas sobre a economia angolana.

Tem pano para todas as mangas: banca, construção, automóveis, empresariado, transportes e acessibilidade, energia e indústria.

Leitura obrigatória para o grupo de amigos datilógrafos transformados em economistas de um dia para a noite no ano passado, de acuerdo?