sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo aos leitores da Casa de Luanda


Tudo de bom no ano novo que começa amanhã. Há dois anos eu estava em Angola. Há uma semana encontrei dois amigos com quem vivi aí, e outro que continua a viver. Angola sempre aqui, ó, no peito. Abraços imensos. Comemorem bwé.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Exposição fotográfica tás a ver? convida a uma viagem pela África

Mostra organizada pelo coletivo multimídia tás a ver? será

inaugurada no dia 16/11 na galeria Matilha Cultural


Qual a primeira coisa que vem à sua cabeça quando se fala em África?

A exposição tás a ver?, que será inaugurada no dia 16/11 na Galeria Matilha Cultural, traz fotografias do continente africano que vão além dos estereótipos comumente associados à África, revelando também seu lado urbano e contemporâneo. “A ideia é abrir um espaço para uma nova imaginação sobre a África atual”, diz Juliana Borges, uma dos sete integrantes do coletivo.

As fotografias são recortes de realidades distintas e contrastantes captadas pelas lentes de sete profissionais integrantes do coletivo multimídia tás a ver?, que viveram e viajaram por mais de 18 diferentes países africanos. “Uma grande curiosidade e paixão pelo continente africano nos une e, nesta exposição, queremos dividir o que vimos e sentimos: uma África contemporânea, atual, vibrante, que mistura o tradicional e o moderno”, diz Roberta Lotti, jornalista e integrante do coletivo. A curadoria do material é assinada pelos cenógrafos Pedro Vieira e Claudia Afonso, especialistas em montagens de exposições.

Logo na entrada da galeria o visitante se depara com uma instalação de áudio com sons captados em algumas grandes cidades africanas: carros, lotações, conversas, músicas e vendedores ambulantes anunciando seus produtos. Divididas em cinco núcleos, cerca de 40 fotografias estarão expostas em móbiles com espelhos a partir de fios que saem de um grande mapa africano desenhado numa das paredes. Entre as imagens, o visitante poderá ver ruas, outdoors, mercados, estradas, retratos e texturas de mais de oito países diferentes do continente.

A exposição – a primeira de uma série de três – será inaugurada com um coquetel no dia 16/11, a partir das 19h. Com o patrocínio daMandalah, empresa de inovação consciente, a mostra convida os visitantes para uma viagem que permite integrar o que eles tradicionalmente já conhecem do continente a novas referências visuais.



Sobre o coletivo tás a ver?

O tás a ver? é um coletivo multimídia que desenvolve projetos em educação, arte e cultura para ampliar o diálogo e estreitar as relações entre o Brasil e países africanos. Foi criado em janeiro de 2010 por sete profissionais das áreas de comunicação e artes. Todos moraram em países africanos – como Angola, África do Sul, Moçambique, Mali e Etiópia – e voltaram com vontade de aproximar os dois lados do Atlântico. Entre os projetos em execução estão o documentário Luanda Geografias Emocionais, sobre a capital angolana e Manos, um livro com textos de jovens escritores brasileiros e moçambicanos.


Algumas das premissas do tás a ver?

  • buscar canais de troca humana, transcendendo a produção de bens culturais ou de comunicação;

  • ampliar os canais de comunicação entre empresas, governos e organizações sociais do Brasil e de países africanos;

  • mostrar aspectos contemporâneos dos países africanos que desconstroem os estereótipos associados à África;

  • reforçar a ideia de que a África é um continente diversificado, formado por 54 países;

  • estabelecer de fato uma relação de intercâmbio entre brasileiros e africanos;

  • criar conteúdos que possam ser disseminados livremente (CC).


Sobre a Matilha Cultural

A Matilha Cultural é uma entidade independente e sem fins lucrativos instalada em um edifício de três andares, localizado no centro de São Paulo. A Matilha integra um espaço expositivo, sala multiuso, café, além de um cinema com 68 lugares. Fruto do ideal de um coletivo formado por profissionais de diferentes áreas, a Matilha foi aberta em maio de 2009 e tem como principais objetivos apoiar e divulgar produções culturais e iniciativas sócio-ambientais do Brasil e do mundo.


Serviço

EXPO fotográfica tás a ver?
16 a 27 de novembro de 2010
Galeria Matilha Cultural

R. Rego Freitas, 542 - próximo à estação República do metrô, tel. (11) 3256-2636

matilhacultural.com.br
de terça a domingo, das 12h às 20h – o horário de funcionamento da casa pode variar conforme a programação.
entrada gratuita


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Retornei à Angola hoje à noite - e morri de saudades, como num fado rasgado...


Depois de praticamente um mês de negociações, idas e vindas de amigas à Lisboa, encontros e desencontros, caiu-me hoje às mãos o livro Aerograma, de Afonso Loureiro.

Filho direto do fabuloso blog de mesmo nome, listado ao lado, o livro de Afonso, já nas primeiras páginas está sendo, para mim, uma leitura misturada de alegrias e saudades desta terra distante que nos uniu a todos, os desta Casa, os dos outros blogues, os que ficaram, os que foram para outras paragens.

Tantas, tantas saudades...essa coisa que só quem se expressa em Língua Portuguesa sabe o que é...

Vou ler o Aerograma à maneira de Clarisse Lispector: aos poucos, poupando as páginas, para que a história não chege ao fim logo. E, de propósito, deixar o livro escondido em alguma gaveta de casa só para depois ter a grata supresa de encontrá-lo de novo.

A relação da Casa de Luanda com o Aerograma, na verdade, sempre foi muito esquisita. O Afonso chegou em Luanda pela mesma época que a maioria de nós, julho de 2008, mas só encontrou com um ou dois moradores daqui uma única vez. Não faço a menor idéia de o autor está mais para o look do Ricardo Pereira ou o aplomb do Zé Socrates. Virtualidades...

De longe, o rapaz sempre mostrou-se mais observador e narrador da realidade angolana - sem tintas para nenhum lado, como é hábito de quem abre um blog - mil vezes melhor do que nós, um bando de jornalistas, na sua maioria.

Até hoje desconfio que o Afonso é jornalista também. Escreve muito bem o rapaz.

Sem contar o manancial incrível de fotografias do blog, algumas delas copiadas sem a menor vergonha por jornais angolanos, a ponto do autor tomar a drástrica - e para nós gozadíssima - decisão de colocar uma marca d´àgua nas fotos.

De longe, à princípio, percebe-se logo o olhar humanista de Afonso, ao observar e escrever no blog e no livro coisas como:

"Percebo o sentimento dos que falam de África com um sorriso e um lágrima".

O que é, hoje, o blog Casa de Luanda senão só isso?

Ou ainda:

"Dizem que no dia que se chega a um país sabemos o suficiente para escrever um livro, mas que ao fim de um mês o conhecimento só enche uma página e ao fim de um ano escrevemos uma linha, a custo."

É isto mesmo: quanto moradores desta Casa não escrevem mais uma linha?

Parabéns, Afonso, por escrever este belo registro sobre esta terra que todos amaremos para sempre e por fazê-lo chegar até aqui, nesta outro ponta do triângulo chamado Brasil.

O livro pode ser adquirido através da loja virtual do Aerograma (http://aerograma.net/livro), ou nas seguintes livrarias:

- Livraria Nazaré e Filho, na Praça do Giraldo, 46 – Évora - Livraria Apolo 70, Centro Comercial Apolo 70 – Lisboa - Livraria Diário de Notícias, Praça D. Pedro IV, 11 – Lisboa - Livraria Oficina do Livro, Praça D. Pedro IV, 23 – Lisboa - Livraria Portugal, Rua do Carmo, 70 – Lisboa - Livraria Círculo das Letras, Rua Augusto Gil, 15B – Lisboa - Livraria Barata, Av. de Roma, 11A – Lisboa - Natureoffice, Av. 5 de Outubro, 12E – Lisboa

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Brasil elege a primeira presidenta da sua história


Dilma Roussef, ex-ministra da Casa Civil, 54 anos. Lula anuncia que vai se dedicar a levar ao mundo seus programas sociais, nomeadamente o Bolsa Família, em países pobres da América Latina e da África. Dilma assume a presidência do Brasil em 1 de janeiro de 2011.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ah, como eu queria ter uma bola de cristal agora


O Mercado do Kinaxixi, numa altura em que ainda existia, em foto do Kota 50: só lembranças

Nos próximos dia, deve chegar aqui por casa o livro Aerograma, do blogueiro Afonso Loureiro, do ótimo Aerograma. Espero o título com muita expectativa - já tentamos fazê-lo cruzar o Atlântico duas vezes e não deu certo - e agora acho que vai. Obrigado, Afonso.

Vai ser muito bom para relembrar das coisas de Luanda, apesar de eu ter lido todos os posts, um a um, e o livro trazer lá uma ou outra novidade. Mas vamos lá. Tudo isso é para dizer do meu desejo de ter um portal de teletransporte ou uma bola de cristal e aparecer, de súbito, em Luanda, e ver o que mudou nestes quase dois anos em que parti.

Os leitores que quiserem me ajudar, podiam responder nos comentários:

1) Como está a noite da Ilha de Luanda?

2) Já houve a gala da revista Chocolate este ano?

3) O trânsito na rua Rey Katyavala ainda é muito caótico?

4) Os ônibus finalmente começaram a circular em Luanda?

5) Sónia Boutique ainda anuncia na TV, sempre que há coleções novas nas lojas?

6) Os vôos da Taag para o Rio de Janeiro ainda são muito divertidos?

7) O Elinga teatro e o Palos ainda bombam, com as baladas mais incríveis de Luanda?

8) As catorzinhas ainda pedem saldo como prova de amor?

9) Ainda existe o programa Nu Feminino, um momento de relax, na RNA?

10) A Coluna Gente, do Jornal de Angola, ainda cobre as festas e buxixos da sociedade com notas fantásticas também sobre artistas brasileiros?

11) Os brasileiros mais emperdernidos ainda vivem pros lados do Futungo de Belas?

12) As praias da moda ainda são as do Mussulo?

13) As festas de aniversário ainda começam na sexta e vão até domingo, nos buffets da Maianga?

14) Quais são as músicas da moda? A nosso memória lembra de "A Outra" e "Gnaxi".

15) Como estarão aquelas torres todas que subiam em 2008? As gruas ainda dominam a paisagem para os lados do Miramar?

16) E eleições, quando teremos em Angola?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Baleias

E a polêmica a cerca das baleias que visitam Luanda continua. Alguns angolanos andam alardeando aos 4 cantos do cyberespaço que as baleias são frequentadoras assíduas de Luanda.

Que elas passeiam por essas bandas não resta dúvidas, mas dai a dizer que é um fenômeno corriqueiro da paisagem da cidade existe uma enorme diferença.

Algumas fotos foram espalhadas, tiradas do Chicala, como se fosse assim, fácil, fácil dar de cara com as piruetas de uma baleia em meio ao caos do trânsito quando se volta do trabalho...

Mas agora a verdade vem a tona. Sim as baleias estavam no Chicala, mas não estavam assim tão perto e tão pouco foram vistas por todos. Apenas um pequeno grupo privilegiados que passeavam em seu barquinho pode apreciar o belo espetáculo.

Quem quiser ver as fotos publicadas no blog do Angola Bela é só clicar aqui..

Eu continuo procurando quem viu assim de tão pertinho as rainhas do mar.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

domingo, 10 de outubro de 2010

Conversas nossas

A vantagem do tempo fresco e chuvoso de Portugal é podermos passar o dia todo entre o sofá e a cozinha, o sofá e o computador, o sofá e um filmezito na televisão sem remorsos de se ter perdido um óptimo dia de praia, como em Luanda. Num dos momentos de preguicite domingueira, fui investigar como parava o meu outro blog. Fui recordar, coisa para a qual não sou muito dada. E claro, fui encontrar os sempre queridos comentários do FBaião. Um que já nem me lembrava, era a promessa de que beberíamos uma biricoca em Luanda. Nunca bebemos nenhuma. Juntos. Também prometemos, isso já na Casa, que ele me autografava o último livro. Também falhamos. Apesar da "personagem" polémica em alguns assuntos, é indiscutível que muito aprendemos com o FBaião. Inevitavelmente sobre Angola, o país que tínhamos todos, os da Casa e muitos dos comentadores, em comum. Num dos comentários que o FBaião fez no meu blog, dizia-me que quando engravidasse, para beber água do Bengo e o bebé nasceria forte e suadável. Tentei encontrar o comentário mas, são tantos os que fazia, quer aqui quer no outro blog que foi impossível encontrá-lo. Guardei-o na altura para mim e achei carinhoso, que o FBaião achasse que o meu bebé, na sua imaginação, iria de alguma forma estar ligado a Angola. Que eu estaria ainda em Angola, quando chegasse a altura. O comentário, terá sido feito à cerca de 2 anos. Esta na hora, Fernando, de beber a água do Bengo.
*Apesar de não apreciar especialmente de exposição no blog, este é o post em que decidi lembrar, o FBaião. Já passaram alguns meses que nos deixou mas, a recordação ficou. Para sempre.

sábado, 9 de outubro de 2010

O mundo

Uma casca de noz. Descobri uma nova esteticista em Portugal, que num momento de urgência me fez infiel à minha que já dura à 15 anos. Quando entrei, mulata, cara que ri e português com o meu sotaque. Depois de alguma conversa de momento, o costume nestas coisas duríssimas de garota, descobrimos que ela nasceu onde eu vivo agora. Os olhos brilhantes e o sorriso aberto deu para perceber que realmente, há coincidências muito boas, que juntam pessoas improváveis. Depressa percebemos que a família mora na área onde eu trabalho e, que ela viveu no país dela, praticamente os mesmos anos que eu. Nunca voltou. A diferença é que os olhos de menina dela, não viram o que os meus olhos de mulher vêm, hoje. Hã, e já lá voltei, outra vez (que me perdoe a antiguinha).

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Site sobre cultura africana lançado na Bienal de SP

Informação da Folha de São Paulo

Buala.org reúne artigos sobre literatura, música e artes visuais

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

De olho na mais nova geração de artistas africanos, um site que será lançado hoje na Bienal de São Paulo tenta mapear a produção cada vez mais forte dessa região.
Batizado de Buala, termo no dialeto quimbundo que significa casa ou aldeia, o novo portal deve cobrir todos os tipos de manifestação cultural na África, de literatura e música às artes, com foco em países de língua portuguesa.
"Existe uma nova geração de artistas que nasceu no pós-independência e começou a criar um discurso próprio", diz a portuguesa Marta Lança, editora do Buala.org. "Estão mais conscientes de seu lugar no mundo, buscando uma nova africanidade."
Já de pé, em fase de testes desde maio, o site registra por volta de 10 mil acessos por mês e tem cerca de 50 colaboradores espalhados pelo mundo, em especial em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Portugal e Brasil.
Para além da esfera lusófona, também há colaboradores no norte africano, no Senegal e na África do Sul.
"Para nós, interessa a situação atual, aquilo que é produzido hoje nesses países", diz Lança. "Não é uma África cristalizada no tempo. Interessam as grandes transformações das metrópoles."
Toda a reformulação urbanística de Luanda, por exemplo, é assunto para um amplo ensaio publicado no site.
Também há contribuições de escritores angolanos como Mia Couto e José Eduardo Agualusa, além da cobertura de fenômenos da cultura pop, como o estilo kuduro.
"É criar esse canal de informação entre o continente e a diáspora, usar a cultura digital para conhecer o continente", diz Lança. "Muitos dos próprios africanos não têm acesso ao discurso que está sendo produzido sobre eles."

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Foto para o sentimento de Migas

Atiradoras de elite aponta suas armas para a porta de entrada da Casa, pelo lado dentro: ai de quem não estiver de acordo com as regras

O clima anda quente aqui na Casa, pois não? Acaso o Cacimbo já acabou em Angola? Gostava imenso de saber.
Bom, nos meus arquivos de fotos encontrei esta, publicada acima, que retrata bem o que está sentindo neste momento a Migas, descrito no post abaixo.
Para as meninas que são protagonistas, uma lembrança: eu simplesmente MIAKABO de rir todas as vezes que vejo esta foto, ela é a síntese do nosso final de projecto, ahahahaahaha
ahahahhaha
ahahahahaha
aahahahaha

sábado, 25 de setembro de 2010

A quem servir a carapuça

Lamento mas os meus posts não são democracias. Se os leitores acharem que podem comentar e acrescentar algo interessante ao tema, óptimo. Podem até discordar, wow! Não me faz confusão nenhuma que não partilhem as mesmas opiniões ou, apresentem outros pontos de vista. No entanto, comentários mal educados, como o que apaguei no post anterior serão apagados. Estúpidos, já nos bastam os que temos de aturar na vida real e para esses, não há tecla delete. Os outros, os tristes, dependem da minha disposição e tempo. E sim, quem se arrisca a comentar com má educação, também se arrisca a receber uma resposta no mesmo tom. Repito, dependendo da minha boa disposição e tempo, claro. Quanto aos outros autores, não seguem obrigatoriamente esta regra. Esta é a minha regra. E pronto, era isto minha gente. O tempo passa mas pelos vistos, os que não simpatizam comigo ou com a Casa de Luanda, continuam a visitar-nos. Palminhas!

sábado, 18 de setembro de 2010

Das semelhanças

Há uns tempos, uma amiga de Portugal queixava-se que tinha contratado uns trabalhos e a entrega desses trabalhos era sucessivamente adiada. Respondi que claro, nós portugueses temos esse problema em cumprir prazos. Isso e chegar a horas. Tira-me do sério, agendar reuniões e os intervenientes chegarem 1 hora depois, em passo "eu sou bom, aprecia só o meu modo gingão enquanto saio do meu jipão" e esse hábito repetir-se de cada vez que infelizmente tenho reunião com essas pessoas. Voltando à minha amiga, a última desculpa que ouviu da empresa que contratou foi que, o funcionário que tratava desse trabalho, tinha espirrado de manhã, viu tudo a andar à roda e teve de ir embora. Repito, isto em Portugal. A justificação foi mesmo esta e, eu faço questão de repetir: ele deu um espirro, viu tudo a andar à roda e foi embora. Ora, eu não vi nada de mal nesta desculpa. Estava incomodado, coitado. Claro que ela disse logo: não te faz lembrar nada? Angola? Pois. Nada me surpreende. Apenas respondi: não esquecer que em Angola, existiram muito bons professores. Quem nunca ouviu uma desculpa espectacular como esta*, para justificar uma ausência no trabalho, em Angola?
*Ou mais espectacular ainda que, os bons alunos superam muitas vezes as sumidades, que foram os professores.

sábado, 11 de setembro de 2010

A Casa de Luanda está em festa!


Chegou às 22h16 do dia 29, com 3,5 kg, olhos abertos a investigar o mundo, 51,5 cm de altura, se é que se pode dizer assim..

Chama-se L., filho dos nossos queridos F. e P., o maior novo morador da Casa de Luanda, sobrinho de todos os titios babões espalhados pelo Brasil.

Que Deus o proteja.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

E a vida continua... difícil

Só hoje me apercebi que o preço do combustível subiu 50% em Angola. Estando fora de Angola há algum tempo**, justifica-se esta minha distracção. Sem saber muito (para não dizer nada) sobre as razões desta subida tão drástica, prevejo já alguns problemas. Uma rápida pesquisa pela net, nos jornais de hoje, percebe-se que como sempre, o pobrezinho é que leva com a factura mais alta. O governo diz que os táxis não podem subir os preços. Hã Hã... Não podem. Imagino que não deve ter sido a primeira coisa que fizeram. E, como diziam alguns dos comentadores da notícia (sim, estou a referir-me ao jornal espectacular que tem os comentários livres a toda - e mais alguma - diarreia mental quando o assunto mete estrangeiros, com especial relevo para os da minha nacionalidade, oh yeah), pouca alternativa resta a quem realmente precisa do táxi para ir trabalhar. E aí, imagino, entrará a cooperação das empresas. Não sendo obrigatório pela lei geral do trabalho, o subsídio de transporte é prática comum nas empresas. Caso contrário, muitos dos trabalhadores gastariam grande parte dos magros salários em transportes. E, muito sinceramente, com uma subida tão brusca dos preços, não creio que os táxis aguentarão por muito tempo não subir os preços. Basta uma grevezinha, como aliás já aconteceu, para o governo perceber que afinal eles até dão jeito porque a malta precisa de ir trabalhar. E aí, começará o choradinho dos trabalhadores que mesmo que lhes seja prometido mais um subsídio extra caso sejam assíduos e pontuais, de forma a existir mais daquela coisa fixe chamada "produtividade" que geralmente, as empresas muito apreciam, estão-se mesmo a "fazer cocó" para o dinheiro extra e, continuarão a faltar ao ponto de em casos extremos, terem férias negativas. Como em muitos países, e aí incluo o meu com todos os seus defeitos, as consequências das decisões não são estudadas. Soluções alternativas? Não existem. Transportes públicos? Poucos, quase nenhuns. Regra geral, tão cheios que é difícil entrar mais um alfinete. Mas é esperar para ver as consequências desta decisão. Posso até estar enganadinha e tudo continuar maravilhoso como até agora.
**Ooooh... mas volto sim? ah ah ah ah (ler, em voz alta preferencialmente, como sorriso maléfico).

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Hoje é dia de Choro

Calma, não se trata de nenhum rio de lágrimas, muito menos de birra de menininha mimada, rs.

Em comemoração a semana da independência do Brasil a embaixada organizou um show de chorinho no Chá de Caxinde, hoje a partir das 20:30h.

Como sempre a divulgação não foi adequada e só fiquei sabendo por acaso ao "zapiar" pelo canal da TV Brasil.

Para quem não conhece o chorinho é um estilo de música tradicional brasileiro com mais de 130 anos, surgiu em meados de 1870 no Rio de Janeiro.

Apesar do nome soar triste a música é muito alegre e empolgante. Alguns dos "chorões" mais conhecidos são Chuiquinha Gonzaga e Pixinguinha.

Rodrigo Lessa Quarteto é o grupo que vai tocar hoje,sem dúvida nenhuma vale a pena conferir de perto esse show e matar um pouco das saudades do Brasil.

Para quem não conhece eu recomendo chorar conosco, esse tipo de choro, como o outro, faz muito bem a alma.

PS: Após não sei mais quantos meses de seca, hoje está chovendo em Luanda!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Invasão Financeira Brasileira em África

Esta notícia Saiu na Folha de São Paulo. Quem sabe não arranjamos um emprego de caixa de um desses dois bancos e vamos ser atendentes ali na rua Rey Katyavala, nas proximidades da Nilo, no Zé Pirão?


BB e Bradesco compram banco português na África
Instituições adquirem parte do BES, que atua em países como Líbia e Angola

Bradesco afirma que instituições brasileiras pretendem aplicar na África a sua experiência com bancarização

TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO

O Banco do Brasil e o Bradesco decidiram fazer uma aliança para iniciar atividades na África, região considerada estratégica para a diplomacia brasileira. O objetivo, segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), é estreitar o relacionamento comercial e dar suporte aos negócios de empresas brasileiras na região.
Para chegar à África, os dois bancos optaram por comprar parte das operações do português BES (Banco Espírito Santo), antigo parceiro do Bradesco e que está presente em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Líbia, Marrocos e Argélia. O BES tem 4,1% no Bradesco, que soma 6% do banco português.
Na África, os três bancos constituirão uma "holding" financeira, que controlará a rede de agências de varejo e o suporte ao comércio exterior e aos negócios de empresas brasileiras na região.
A "holding" atuará como plataforma para prospectar a compra de participações e fazer eventuais aquisições de bancos no continente. O desafio do grupo é entrar na África do Sul, um dos países de maior crescimento.

BANCARIZAÇÃO
Segundo o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, os bancos brasileiros pretendem aplicar sua experiência de bancarização no continente africano, onde os bancos locais só chegam a 15% da população.
"A África é a última fronteira de desenvolvimento do mundo. O continente está encontrando o seu caminho. Este salto é inevitável, é questão temporal."
O valor do negócio e a definição das participações de cada banco na nova empresa dependem de estudos de viabilidade técnica e jurídica. A expectativa é que o modelo saia entre 60 e 90 dias, segundo o diretor internacional do BB, Alan Toledo.

BANDEIRAS LOCAIS
O presidente do BES, Ricardo Salgado, afirmou que o banco português, que atua há quase cem anos na África, será majoritário. A proposta negociada é que os bancos trabalhem com parceiros locais e mantenham as operações com marcas dos bancos conhecidos dos africanos.
"Gostaria muito que não voltássemos ao espírito nacionalista da questão. Esse projeto, para ser vencedor, precisa utilizar a bandeira de cada país onde estiver instalado. Se pudermos ter parceiros locais, como temos em Moçambique e Angola, será magnífico", disse Salgado.
O BES abriu recentemente uma sede em Cabo Verde e tem cerca de 30 agências em Angola e outras 20 na Líbia. Em Moçambique, o BES fez uma parceria com o Moza Banco e, na Argélia, com o Banque Extérieure d'Algérie na área de leasing.

Anda tão desabitadazinha a nossa Casa, não é?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Meu amor por São Paulo

Todos que me conhecem, especialmente os amigos que fiz e com quem morei em Luanda, sabem que minha sina é morar longe, muito longe. Hoje, estou num extremo do Brasil, completamente morto de saudades das duas São Paulo - a de Luanda e a de Piratininga. Um inferno viver assim.
Ontem a revista Wallpaper divulgou o vídeo abaixo, que compartilho com os leitores da Casa. Trata-se de uma excelente radiografia da São Paulo brasileira, onde vivi por 8 anos até me mudar para a outra, onde vivi por apenas seis meses, que valeram pelos oito, talvez...
Quem, de Angola ou de outro país nunca veio ao Brasil, ou a São Paulo, não sabe o que está perdendo. É um lugar fantástico.

PS: Sim, Migas, graças a Deus a capital do teu país não se chama São Paulo de Lisboa, senão eu estaria fo-**-do.

http://link.brightcove.com/services/player/bcpid66631060001?bctid=207544211001

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Propósito

O presidente Lula visitou Angola no último dia 18 e o primeiro ministro de Portugal José Socrates, a deduzir do cartaz postado pela Migas, também esteve em Luanda recentemente...Os leitores da Casa, em território angolano, podem dar para nós um panorama do que foram fazer aí os dois chefes de estado?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

E ontem foi assim: Unidos pela Voz #2


O momento. A morna enamorada.

Mais uma Ponte entre Brasil e Angola


Amigos de Luanda!
Quem tem saudade de Angola põe o dedo aqui, que já vai fe-fe-fe-char!

Então, como vcs sabem, eu morro de saudade daquele lugar maluco e, desde que voltei, estou convencida de que há muito para falar e fazer para estreitar as relações entre o Brasil e alguns países africanos.

Aí, comecei a juntar outras pessoas que também têm essa mesma convicção e, juntos, criamos o tás a ver?, um coletivo multimídia que cria e executa projetos que estreitam os laços entre o Brasil e países africanos. O Filete, inclusive, entrou nessa minha maluquice e, mesmo estando na FSP, tb anda presente por aqui.

Acabamos de lançar nosso novo site, que ta super lindo e super cheio de coisas legais. Esse será um site-blog, em que postaremos referências que achamos bacanas. Gostaria mto que vcs entrassem, virassem leitores, mandasem suas contribuições sempre que tiverem vontade e se engajassem nos projetos que vcs tenham vontade! E é sério: quem tiver vontade de criar algum projeto, de desenvolver algum trabalho, de dar pitaco, as portas estão sempre abertas e eu to sempre disposta a conversar!

Bem na home tem o link pra assistir ao teaser do documentário.
E tb tem o link pra assistir um vídeo de 15 minutos que eu produzi em Salvador, junto com a galera que vai filmar comigo, sobre o lançamento da exposição Luanda Suave e Frenética.


Estamos juntos!

beijos,

Juliana Borges
www.tasaver.org

E ontem foi assim: Unidos pela Voz #1

Serão muito fixolas!! Não conhecia os NuSoulFamily, cujo (um dos) vocalista é o Virgul dos Da Weasel. Já sabe que para a próxima tem de trazer o mano Pacman que pronto, as "adeptas" agradecem (cof cof cof). Big Nelo (e sus muchachos bailarinos) também foi bem giro (bacana, antes que o X. se manifeste) e claro, Paulo Flores e Mariza dispensam apresentações e comentários. Nota 20! "Roubarei" a engraçada expressão do Paulo que disse, aquando o início da canção "Inocente": quem não cantar, a mãe é quêquêquê... :-)
Kianda, sentiste as (boas) vibrações? Volto mais tarde com umas fotinhas...

domingo, 18 de julho de 2010

O maior Kylapeiro do Brasil

ORA, POIS
O ator Lázaro Ramos embarca hoje para Portugal. Fica até o final de agosto para filmar "O Grande Kilapy", longa do cineasta angolano Zezé Gamboa. Volta para lançar seu livro infantil, "A Velha Sentada", em setembro.

PS: quer saber o que é um Kilapeiro? Casa de Luanda já explicou, aqui

domingo, 4 de julho de 2010

Da série: Mais valia estar calada

Afinal, enganei-me. Levaram-me os óculos de sol. É raro deixá-los no carro e sou até conhecida por já ter dito umas 3 ou 4 vezes à mesma pessoa que já foi roubada 3 ou 4 vezes (alto, nem sempre o carro foi assaltado... quase todas as vezes, os óculos desapareceram depois de deixar o carro a lavar) que não pode deixar os óculos no carro porque já se sabe que roubam e que burro que és e por aí fora. Óbvio que foi isso que ouvi, merecidamente, mal abri o bico para dizer: ai que triste que estou que acho que me levaram os óculos de sol. Para os que me perguntaram, como a minha querida amiga M. que, escandalizada disse: então e tu, viste e não fizeste nada? Não foste atrás deles? Hummm, tinha de ir? É que eu, mal vi a turma dos bandidos dentro do meu carro, fui dar uma volta para bem longe. Deixei-os à vontade. Remoí ainda uns quantos nomes que não escrevo aqui mas que, sendo eu uma garota do Norte, qualquer um dos leitores imagina levemente, o que terá sido. Claro que também andei a ver se encontrava um senhor agente para lhe dar uma notita (ups, claro que ele não aceitaria!) e levar-me até ao carro. Mas nada. Nada de agentes. Nem um finguelitas sequer. Por isso, de modos que, deixei-os fazer o serviço.
Para a próxima prometo ir atrás deles, se:
a) Decidir comprar uma AK-47.
b) Passar a andar acompanhada por um negrão de 1,90 x 1,90 (m) – Os leitores do blog que preenchem os requisitos é mandar CV. Com foto, claro.
c) Não me esquecer da capa de super-migas em casa, como aconteceu desta vez.
E é isto. Os óculos fazem-me falta, é certo mas, paciência. Antes isso do que partir uma perna. Ah, e se me virem por aí a piscar o olho assim, a torto e a direito, não é porque sou uma atrevida. É mesmo porque me levaram os óculos de sol.

sábado, 3 de julho de 2010

Hospital Geral de Luanda pode desabar

Mais: aqui
É raro ler as notícias todas deste jornal porque não resisto depois, mais à frente, a ler os comentários dos leitores. Regra geral, fecho a janela do jornal on-line com vómitos. É sempre tão fácil escondermos-nos atrás de uma janela de comentários de um jornal ou de blogs para escrever barbaridades ou xenofobices de graça duvidosa. Quanto à notícia, lamento mesmo por quem precisa de lá ir. Vergonhoso.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Hoje não estou para ninguém, sim?

Então e vocês perguntam: migas, Portugal perdeu e tal... Estás de trombinhas? Sim. Enormes trombas. Ontem deu-me para ir ver o jogo fora de casa e pasmem-se: ver-o-jogo. Sim, até agora, porque trabalho (wow, juras migas?) e pronto também não sou nenhuma doente pela bola, nem pela selecção nem por nada dessas coisas chamadas “desporto”, sobretudo relacionadas com gajos que correm atrás de uma bola, decidi que sair a meio da tarde para “ir ver o jogo” seria, no meu caso ir dormir para o sofá e fazer de conta que vi o jogo. Por isso, de modos que ontem, eu vi Portugal a jogar pela primeira vez. E, se me virem por aí a ver jogos da selecção ou entre clubes, (vá, o FCP sou capaz de ver sozinha uma vez por época), trata-se de uma coisa chamada “solidariedade feminina”. Mas, e agora perguntam: então e porquê de trombinhas??? Já que eu ligo “tanto” ao jogo da selecção. Porque pronto, vi uns cabrões a assaltarem-me o carro. Mesmo dentro do carro. Eu nem queria acreditar mas sim, era verdade. Estavam lá uns mafiosos que claro, para lá entrarem tiveram de fazer aquele truque espectacular* que é estragarem a fechadura para... tcharan... levarem... nada. Não tinha nada para roubar. É chato, eu sei. Fosse eu aparecer a entrar no meu carro naquela altura, e ainda levava um enxerto de porrada só para não me armar e não deixar algo aos homens que coitados, andam a trabalhar e precisam de receber um mambo qualquer. Vá lá que não lhes deu para cagar lá dentro, como uns que assaltaram a casa de um colega e que decidiram que era de bom tom, já que levavam umas cenitas dele, deixarem-lhe uma “lembrança”, no meio do chão da sala. Amorosos. E pronto, era isto. Agora já pedi para arranjarem a fechadura porque neste momento, a porta ficou mesmo fixe que nem fecha mas, baixou em mim uma dúvida, que me inquieta: e deixá-la assim? Era ou não era de mestre?

*Até eu fazia melhor com um cordão das sapatilhas. Sim, tenho cara de sonsa mas genes de MacGyver...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A espera

Nele muito pensamos quando ainda cá nesta Casa vivíamos, em Luanda, mas eram só pequenos planos, não estavam então as condições criadas, problemas eram muitos, nem morada certa éramos capazes de colocar... Mas dos planitos que nasceram cá, ficou mesmo a ideia, que acabaríamos por concretizar em nossa volta ao Brasil.

Para que esteja completa, só falta chegar o novo morador da Casa de Luanda - está programado para fins de agosto. E que para seguir os passos do pai e da mãe, há de se chamar L., e já vai muito bem, obrigado, a dar chutos e pontapés na barriga da P., que não para e crescer.

sábado, 26 de junho de 2010

Samuel ou, o Anselmo Ralph do Cazenga

Tenho vindo a tentar lembrar-me do apelido que lhe davam mas, não há forma de me lembrar. O nome era Samuel. Passado uns tempos quis que o chamassem de Anselmo. Como o Ralph, o cantor. Andava vestido à estrela e aparecia com óculos de sol igualmente... à estrela. Cheguei a mandá-lo apertar a camisa e tirar os óculos de sol pois o trabalho, não era nenhuma passerele. Mas ele, vaidoso e com a mania de que era gato, andava sempre no limite. Os colegas contavam-me que levava o envelope com o ordenado fechado e só o abria em frente à garota dele. Caso raro por estes lados. No entanto, chegava ao cúmulo de não ter dinheiro para o táxi, ter o ordenado dentro do envelope e pedir aos colegas dinheiro emprestado para o táxi, não fosse a garota dele perceber que faltava dinheiro no envelope. Caso mais raro ainda, por estes lados. Nunca conheci a garota dele e, depois de todas estas histórias não percebo se ela era uma Big Mama e ele corria o risco de levar duas chapadas e tombar com alguma coisa partida ou, sei lá, se ele era simplemente fofo com a sua amada. Certo dia, a discussão com os colegas era sobre a mobília da casa. Ela é que ia escolher. Os outros, contra, está claro. Onde já se viu a mulher escolher. Ele é que tem de ir comprar, já que ele é que vai pagar. Ele, com a teoria de que vão os dois escolher e que assim é que deve ser. Os outros, respondiam que assim ela ia habituar-se mal, ele é que pagava e escolhia. Caso arrumado. Tinham todos mais ou menos a mesma idade. Todos menos de 30 anos. Quando o Anselmo Ralph percebeu que não conseguia levar a melhor, pergunta-me. Como faria eu? Respondi que escolhia, junto com o meu querido. Assim é que eu achava correcto, já que viveríamos os dois na mesma casa. O Anselmo, radiante ouviu logo como resposta da oposição: mas ela é branca. A tua namorada não é branca. Por isso, não compara. Neste caso, como em tantos outros, à falta de argumentos, prevalece o sempre indiscutível e espectacular argumento da cor da pele.

terça-feira, 22 de junho de 2010

O Kudoro chegou à Bahia

O Kuduro, ritmo angolano por excelência, atravessou o Atlántico (como menos intensidade com que chegou à Lisboa, é verdade) e domina Salvador. Vejam que gracinha esse bailarinho mirim.Te cuidam, kuduristas da Chicala ou Sambizanga ou ainda do Prenda.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Uma lágrima solitária para José Saramago


Para nós, brasileiros, foi a porta de reentrada e reencontro nessa maravilha chamada literatura portuguesa. Descanse em paz.

De Copa, Argentina, Coconuts, Esplanadas, Encontros e Saudades...

Tô sim! Quem está a falar? Yá, tá fixe, catorzinha!

Era um sábado, meu primeiro dia em Luanda, e o Candongueiro resolveu me levar para passear na Ilha do Cabo. Escolheu o restaurante Coconuts (Hello, Miami?) e, em grande (expressão que aprenderíamos depois o significado), arrancamos (outra!) uma amizade que decerto será para sempre.

Candongueiro me descreveu a vida em Angola nos últimos 3 meses que lá tinha vivido, as argúrias, as dificuldades, a solidão, as doenças e, dificuldades das dificuldades, o que era viver num mundo povoado por catorzinhas diáfanas que jamais, em tempo algum, paravam de chamá-lo ao telemóvel.

Ah, como o Candongueiro é engraçado. Só quem o conhece sabe. Gestos lentos e raciocínio rápido. Porém, neste dia, para além de toda a confusão visual que instala-se na cabeça de um brasileiro que vê Luanda à luz do dia pela primeira vez, o que mais me deixou estupefacto (essa é uma das poucas palavras que mantém esse "c" do lado de cá) foi o fato dele vestir uma camisa da ARGENTINA.

Xé, comé? Um brasileiro, cujo passaporte internacional mais importante é sempre uma camiseta da seleção canarinho, vestindo uma camiseta da Argentina?

Lembrei-me disso hoje ao ver a surra que os hermanos (nossos eternos e mortais inimigos, muito mais do que aqueles que vamos enfrentar dia 25) deram na Coréia do Sul, a banda boa da Coréia....Enquanto que o Brasil, coitadinho, jogou feio e gauchamente errado e só conseguiu fazer um mísero "golo" (ahahah) a mais e tomou um da Coréia do Norte, a ruim, a totally fechada para o mundo.

Tava certo o Candongueiro. Virei argentino também desde que nasci, vale?

Saudades dessas mesas, desse café Delta, dessa brisazinha e, last but not least, de uma coisa chamada angola way of life.

Dali pegamos o carro e fomos até uma esplanada na Maianga, perto da Igreja da Sagrada Família, para os lados de onde tem um parque. Há uma fonte horrível a jorrar água e bebi pela primeira vez outra coisa horrível chamada Água das Pedras. Lá estávamos, para nos encontrarmos pela primeira vez em solo angolano, o F., a P. (que está grávida, caros leitores!!!!) e a Flávia da Costa... Tomamos cervejas numa caneca de alumínio, fizeram troça com o fato deu não saber converter kwanza em real, real em dólar, dólar em kwanza...e o resto é história dentro das histórias que seguiremos contando aqui.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Maior parte dos refugiados no Brasil é angolana

Brasília - Um relatório divulgado pelo Comité Nacional para Refugiados (Conare) brasileiro revela que a maioria dos refugiados no Brasil vem de Angola.

Do total de refugiados registado no Brasil, 2 789 vêm de África e a principal nacionalidade é angolana, com 1 688. Seguem-se colombianos (589), congoleses (420), liberianos (259) e iraquianos (199). De outros continentes estão no Brasil 959 refugiados do continente americano, 443 da Ásia e 98 da Europa.

Segundo o coordenador-geral do Conare, Renato Zerbini, no Brasil os refugiados sentem-se «tranquilos em relação à sua raça, religião, grupo social» devido à «hospitalidade do povo brasileiro». Em 2009, o Brasil concedeu refúgio a 275 pessoas de mais de 20 nacionalidades, número 175 por cento maior do que em 2008.

O relatório «Tendências Globais 2009», elaborado anualmente pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), mostra ainda que até Dezembro de 2009, pelo menos 43,3 milhões de pessoas foram forçadas a deslocar-se devido a conflitos e perseguições em todo o planeta, o maior número de «deslocações forçadas desde a metade dos anos 1990». A maior parte das deslocações forçadas ocorreu no Médio Oriente e em África.

(c) PNN Portuguese News Network

Show de Paulo Flores no Bahia - É Sempre uma Boa Pedida. Gostava imenso de ir


terça-feira, 15 de junho de 2010

Das mundanças

Quando chegamos a Angola, sentimos falta dos iogurtes dos bons. De ter um infindável mundo de escolhas no supermercado. Depois... depois habituámo-nos. Às vezes porque não há, outras porque são demasiado caras para o comum dos mortais. Alguns anos depois, a atitude é precisamente oposta. Saímos de Angola e em vez das bolachas com pepitas de chocolate escolhemos as Maria ou, em vez do iogurte com pedaços de xiripiti, escolhemos os de aroma de côco. Isto acontece comigo. Acho que faz parte das mudanças invisíveis que o países onde vivemos fazem em nós. No entanto, este post tem muito pouco de filosófico. Queria só dizer o quanto estou feliz por Angola não ter vuvuzelas. Há modas que se dispensam. E aquela, a ter chegado cá por altura do CAN, era capaz de me ter posto ali no Hospital Psiquiátrico da Maianga.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A África no centro do Mundo


E daqui a pouco (15h, hora do Brasil) estaremos TODOS ligados em todos os quadrantes do GloBo Terreste na abertura da Copa do Mundo 2010, na África do Sul. Nunca, na história da humanidade, tantos olhos estiveram voltados para a nossa querida África ao mesmo tempo. Que o evento de alcance global seja um pontapé inicial para um conjunto de mudanças (políticas, sociais, econômicas e culturais) que o Continente-Berço da humanidade precisa vivenciar.
E, não custa lembrar, o grito de gerra do lado de cá do Atlántico será um só:

VUVUZUELAS NELES, BRASIL!!!!!!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Semana de Reportagem na Casa de Luanda

Não tinha como não postar esta reportagem, publicada hj na Folha de São Paulo. Fiquei triste pela África toda.

RODRIGO MATTOS
ENVIADO ESPECIAL A EKURHULENI

Ne semana da abertura da Copa, a África do Sul viu ontem o primeiro grave incidente ligado ao torneio: ao menos 15 pessoas ficaram feridas e foram hospitalizadas devido a uma confusão antes do amistoso preparatório entre Coreia do Norte e Nigéria.
O tumulto ocorreu em uma sede oficial da Fifa para treinos, o estádio Makhulong, na pobre comunidade de Tembisa, no município de Ekurhuleni, próximo a Johannesburgo. É uma arena com 12 mil lugares, onde os norte-coreanos treinam.
A distribuição de ingressos gratuitos para a partida, o efetivo insuficiente de seguranças e as instalações precárias da arena contribuíram para o problema. Um policial sofreu ferimentos mais graves e outras 14 pessoas tiveram machucados leves.
Pouco antes da partida, a polícia fechou um portão do estádio por temer superlotação. Torcedores com e sem ingressos começaram a forçar a passagem pelo local e a polícia tentou contê-los, o que gerou um confronto.
Em menor número, os policiais tiveram que abrir o portão. Nesse momento, pessoas foram pisoteadas e um policial ficou preso entre o portão e a parede.
Houve mais feridos leves, incluindo crianças, mas só 15 foram levados aos hospitais.
Apesar do incidente, o jogo ocorreu sem pausa até o início do segundo tempo, quando caiu uma grade.
Não houve feridos, mas a partida foi paralisada por dez minutos, para que a polícia realocasse os torcedores.
"Nós subestimamos a quantidade de público", reconheceu o representante da confederação sul-africana Steve Godard. A massa de nigerianos não deveria ter sido surpresa. Tembisa tem forte presença de pessoas do país, como relataram torcedores no estádio. Na África do Sul, a comunidade é de 50 mil legais e inúmeros ilegais.
Foi a federação nigeriana de futebol quem decidiu distribuir ingressos gratuitos. Mas seus representantes se eximiram de culpa pelo episódio ao dizer que havia muita gente querendo ir ao jogo. E reclamaram de não ter estádio maior para o amistoso.
"Temos que investigar essas doações de ingressos", ressaltou o porta-voz da polícia Eugene Opperman.
Mas ele também reconheceu que só houve reforço de policiais após o incidente -uma empresa privada também fazia a segurança.
A Fifa e o comitê organizador se isentaram de culpa, pois a partida "não faz parte da operação da Copa-2010" e as entidades não cuidaram da distribuição de ingressos.
Mas foi a Fifa quem deu o aval para o estádio ser uma sede de treinos do Mundial.
Reformada por R$ 9 milhões, a arena ficou bem diferente do projeto original, que está disponível no site da Prefeitura de Ekurhuleni.
Entre as deficiências do estádio Makhulong está a falta de cadeiras numeradas no local, o que dificulta determinar quando o estádio atingiu sua lotação máxima.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Concorrência à altura


Dona Migas publicou um post em grego nesta Casa dia destes. Depois de muito matutar, entendi por alto o que ela quis dizer: estão gravando uma novela entre Lisboa e Luanda que se passa num avião, é isso?
Pois então, o Brasil também vai entrar na concorrência e colocar, entre essas beldades angolanas acima, alguma atriz famosa do naipe de Grazi Mazzafera ou quem sabe a Malu Mader. Concorrência à - e na - altura (palavra que no Brasil só significa medida de centimentragem e metragem, nada a ver com tempo, passado etc.). "Aterrar em Luanda", nome da telenovela, decerto será um sucesso, não acham?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Festa Junina em Luanda




O ano passado reclamei tanto de não ter ficado sabendo da festa junina da embaixada brasileira que esse ano já recebi uns 10 convites, rs.

O arraial chegou mesmo por essas bandas. Em maio já tivemos duas “festas juninas”, ainda não entendi por que em maio, mas enfim, pelo que me disseram foram muito boas.

Para quem não foi a nenhuma, ou para quem já foi e quer aproveitar mais um pouco das delícias de um autentico arraial brasileiro, segue a dica:

Festa Junina da Embaixada Brasileira, dia 05 de junho a partir das 18 horas no Tamariz, com muito forró e comidinhas típicas.

Entrada 1 kg de alimento não perecível.

Migas, quero te ver lá, hem!!!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

"Voo Directo"

in JN

Estou curiosa. Bastante. Sobretudo se existirem filmagens de exterior (e mais não digo). E sim, a Micaela mete a nossa Soraia num bolso. Diria eu, que já teve melhores dias, esta garota. Ah, e as hospedeiras de bordo não costumam ser todas assim... Escusam de sair já a marcar bilhetes de avião entre Lisboa-Luanda, seus babões.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Eu, descrente me confesso

Que não imaginava que ainda ia ver "tribos", em Angola que não falam português. Os homens, vestidos com panos da cintura para baixo (vá lá, podia ser mais "tribal" ainda). As mulheres igualmente semi-vestidas (e de mamocas ao léu). Os homens, à minha pergunta sobre a localização de um rio, olhavam de cajado na mão como se eu fosse um ser nunca antes visto. Sem sequer pestajenarem. Apenas um, velhinho, velhinho, dava uns toques de português e pediu boleia para o posto médico porque, depreendo pelo gesto da mão em círculos na barriga, que os intestinos não iam bem. Fotos, não há. Sou ainda demasiado tímida para pedir para tirar fotos destas situações. Mas para a próxima, fica prometido. E a boleia, foi dada, está claro.

domingo, 30 de maio de 2010

Made in Angola. Porque não?

Eu, aqui no blog me confesso: gostava de saber costurar. A sério que gostava. E fazer crochet e malha mas, na realidade, só aprendi a bordar e a fazer ponto aberto em toalhas de linho. E onde isso já lá vai! Tudo isto para dizer que, se soubesse costurar (e tivesse tempo), ensinava meia dúzia de angolanas e juntas criávamos uma empresa para fazer acessórios e quem sabe roupa, com tecidos africanos*. Nada demasiadamente africano, é certo, porque para isso já existem os costureiros locais. Ora, para quem acha a ideia interessante, eu diria que umas t-shirts lisas com uns apliques com tecidos africanos ficavam supimpas. Ou umas mantas em patchwork. E sacos para levar para a praia. E... tantas coisas mais. Eu tenho um saco lindo, lindo, que trouxe da Namíbia. E existe também um site (foto reirada do site), onde se podem comprar sacos feitos por artesãos do Rwanda. E claro, existe também a Vera que morou em Burkina Faso e que lá, já deu asas à imaginação nesta área (sim, que eu não sou assim tão idiota para me lembrar destas coisas sozinha), sempre junto das mulheres locais. Outra ideia, é fazer umas compotas e uns frasquinhos de gindungo catitas. Trouxe também duma viagem a São Tomé, uma compota deliciosa de papaia. Nota-se muito que eu já comprei tudo o que queria comprar, no que diz respeito ao artesanato** que se vende cá?
*Os tecidos africanos são, regra geral, fabricados na Holanda
**E quase nenhum é made in Angola

As palavras proibidas

Já todos sabemos que em Angola (e não só) há palavras proibidas. Quando vim para cá, ainda me lembro de ouvir alguém que viveu muitos anos em Moçambique: ah, não digas preto, é negro... ou escuro. Pfff, para mim, pura hipocrisia e, o termo escuro roça até o cómico mas, adiante. Eu sei que este post pode chocar muita gente e talvez, também só o publique agora que, me parece que a Casa tem menos audiência porque, em tempos, jamais me atreveria escrever algo com este tema. Ia sair polémica na certa. E porquê escrever? Logo agora que acabei de fazer umas pipoquinhas e estava a jiboiar pelo sofá, a fazer um update pelos blogs? Porque sim. E porque acabei de ler um comentário a um post, num blog duma garota - portuguesa - que cá está, a dizer que há certos termos que xiuuuu, não podem ser ditos assim. E eu, não concordo porque acho que a intenção e a maldade é que torna esses termos "proibidos". Em tempos, ao caminhar na rua e com um "cidadão angolano de raça negra" no meio do caminho, na conversa com uma zungueira, esta diz-lhe: deixa passar a pessoa. Ele vira-se e diz: esta? Esta não é pessoa. Ora, isto foi uma forma de racimo, de preconceito, do que lhe queiramos chamar. Óbvio que não gostei e nem respondi. Dei corda às sapatilhas e fui à minha vidinha que dali, não podia resultar boa coisa. É normal que, sendo os brancos, a minoria por cá, também sintamos na pele o facto de sermos diferentes. Tudo isto para dizer que, na minha opinião, preto ou negro é a mesma coisa. Se eu uso a palavra preto? Não. Porque sei que há almas deveras sensíveis e que acham que dizer preto é completamente diferente de dizer negro. E eu pronto, aceito mas não percebo. Porque para mim, tudo depende da intenção, da entoação que se dá à palavra (que por muitas cambalhotas que dê, num blog é difícil de explicar), do grupo com quem se conversa... enfim, uma infinidade de variáveis. Também já arrisquei a perguntar a uns colegas negros que trabalhavam comigo porque não gostavam que se usasse o termo preto. Disseram que não gostavam. Preto não. E, a justificação era tão boa que eu, já nem me lembro. E, eu respeito apesar de acreditar que a carga negativa nesta ou noutras palavras, depende de quem as usa. E pronto, aqui fica a minha opinião. Os angolanos (que segundo as minhas estatísticas serão 2 dos nossos 3 leitores) que nos lêem que opinem que a malta está cá para aprender e, quem sabe, não me fazem mudar de ideias sobre esta temática.
* Confesso que até tenho medo de clicar no Publish Post

"Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões"


Cometo aqui um delitozinho e reproduzo um texto escrito pelo professor Pasquale Cipro Neto, um dos maiores conhecedoes das artimanhas linguísticas desse idioma que nos use dos dois lados do Atlântico, escrito na semana passada para o caderno de turismo da Folha de São Paulo sobre Portugal. Muito bom, o professor está de parabéns, como sempre. Os leitores da Casa vão gostar, decerto, porque também se deparam com essas situações todos os dias, assim como nós, brasileiros, ao desembarcarmos em Luanda.

A entrada em vigor da reforma ortográfica brasileira intensificou a confusão que muita gente faz entre ortografia e língua. Nas conversas aqui e ali e na imprensa, foi um tal de "Mudou a língua", "Lula assina a lei que muda a língua" etc. Isso tem valor científico igual ao de frases do calibre de "Masturbação dá espinha", "Leite com manga, morre" etc.
Reformas ortográficas, como o nome já diz, mexem na ortografia, ou seja, na maneira de grafar as palavras. Um dia já se escreveu geraes (gerais), cam (cão), portuguez (português) etc. Quando se fala de língua, fala-se do sistema, da estrutura, e isso não se muda por lei ou decreto.
A (até agora fracassada) tentativa de unificar a grafia do português nos oito países que o têm como língua oficial surgiu da suposta necessidade de igualar ou aproximar o que é desigual em aproximadamente 1% do léxico português, ou seja, a grafia.
Em Portugal, grafa-se "direcção", "adoptar", "facto", mas isso não basta para que se diga que a língua de lá é diferente da de cá. Há diferenças, sim, de timbre (abertura da vogal: no Brasil se diz "prêmio", que aqui se grafa com circunflexo; em Portugal, diz-se "prémio", que lá se grafa com agudo), de vocabulário (aqui se diz "bonde", que em Portugal vira "eléctrico"), de formas (aqui se diz "Ela está dormindo"; em Portugal, é mais comum "Ela está a dormir") etc.
Outra diferença significativa se dá na emissão das palavras: nosso português é mais aberto, mais vocálico; o de lá é mais fechado, travado (parece que sai dos dentes...). Para muitos brasileiros, isso torna a língua "deles" irremediavelmente diferente e quase incompreensível.
Pois esses dois fatores (emissão e vocabulário), além de outros, como o uso dos pronomes ("Havia um aqui, mas tiraram-no", disse-me com toda a naturalidade uma funcionária da companhia telefônica, referindo-se a um telefone público que funcionava com cartão de crédito) fazem muitos brasileiros se sentirem num país de língua estrangeira quando estão em Portugal.
Nessas horas, um pouco de boa vontade e de leitura dos grandes escritores lusitanos pode ajudar. Quem já leu um clássico português não se surpreende quando vê numa publicidade da Coca-Cola a frase "A vida sabe bem", em que se emprega o verbo "saber" (como já se empregou no Brasil) com o sentido de "ter gosto", "ter sabor" ("A vida sabe bem" equivale a "A vida tem gosto bom" -com Coca-Cola, na publicidade).
Esse contato com os clássicos lusos (e também com os brasileiros, como Machado) facilitaria a compreensão de uma frase, que lá vi há algum tempo, exibida num cartaz do Ministério do Turismo ("Açores: férias que nunca esquecem", que equivale a "Açores: férias que nunca caem no esquecimento").
O que acabei de dizer em sabe Deus quantas linhas foi resumido brilhantemente por Caetano Veloso, que, no início da sua genial e antológica "Língua", diz isto: "Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões". Está dito tudo: a minha língua (o português do Brasil) se faz roçando (com todos os sentidos de "roçar") o português de Portugal. Em outras palavras, nossa língua e a deles são a mesma coisa, embora não sejam a mesma coisa. Simples assim? Simples assim.
E que isso (as "diferenças" idiomáticas) não seja motivo para ninguém se chatear em Portugal. Se você nunca foi, vá. Vá hoje, vá agora. Se já foi, repita. Eu, que já fui inúmeras vezes, iria agora, sem hesitar. Alguns dos motivos você encontra nos outros textos deste caderno.
Antes que alguém pergunte, o tal "Acordo Ortográfico" por ora é solenemente ignorado em Portugal. E, cá entre nós, não consigo imaginar um comerciante português substituindo uma placa centenária da fachada de sua loja só porque alguns selenitas acham que "direção" é melhor do que "direcção". A coisa lá ainda não pegou. E, pelo jeito, não vai pegar. É isso.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Pequeno ensaio sobre a união angolana


Não resisti e roubei esta foto do blog da Ju. Do alto desta "mota", mil séculos de civilização nos contemplam. São oito pessoas sendo transportadas. 8 mil vezes mais felizes do que os utentes de Hummers e Prados da vida...


Luanda encontra-se em Salvador


Não há mais como separar Brasil e Angola, isso é um fato, cada vez mais evidente. A partir da próxima segunda-feira, tem lugar em Salvador, capital da Bahia - justamente a cidade que recebeu aproximadamente 4,5 milhões de angolanos na "altura" da "escravatura - uma exposição esplendorosa de arte africana, cujo convite é publicado acima (clique na imagem para ampliá-la). Leitores da Casa de Luanda na Bahia façam o favor de visitá-la.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A Pátria de Chuteiras e de Salto Alto


Hoje a Seleção Brasileira desembarca na África do Sul. Gostaria imensamente de saber se toda a nação angolana já comprou sua camiseta, bandeira e demais adereços para torcer para o Brasil, que já é, naturalmente, o Hexacampeão da Copa do Mundo 2010.
Por aí toda a gente sabe o que significa a expressão "Salto Alto"?

25 de maio: Dia da África

Ontem foi feriado aqui em Angola, comemoração ao dia da África. A rádio Mais fez uma grande festa no Chá de Caxinde, com apresentação ao vivo do programa de rádio Raizes.

Com direito a show ao vivo de Dodó Miranda, Banda Contrastes e Gabriel Thila, venda de roupas africanas e comidas típicas de países como Moçambique, Cabo Verde, Nigéria e RDC.

Nem preciso dizer que foi bwé de bonito essa festa, né???

terça-feira, 25 de maio de 2010

Voltando ao mundo ... lentamente

Foi tão bom sentir a Casa a mexer outra vez !!! A alegria que senti ontem quando cá vim e encontrei tantos posts que me deliciaram. Umas vezes com um sorriso outras com uma lágrima no canto do olho. Senti saudades do kota Baião, é inevitável, esta Casa também era dele.
Claro que o mérito é do x de por a Casa a mexer, mas foi tão bom ler a Migas, eu sempre disse que ela tinha um "quê" inato para contar histórias, não sei como ela é na cozinha, mas graça no escrever, ela tem. E o F..., que bom também encontrá-lo aqui, mesmo dizendo que não volta, e voltando sempre, como um dia voltará, de certeza, a Luanda.

Não vim cá substituir o meu pai, não quero e mesmo que quisesse não conseguia, porque como disse um amigo meu, ele era irrepetível. Mas escrevo agradecendo o ontem ter ganho coragem de ir ler alguns emails enviados por ele, que a rapidez da doença não me tinha deixado tempo para ler, estavam a bold, aquele bold que diz que ainda ninguém os abriu.
A coragem de ir procurar o email enviado com o último livro que ele escreveu e nunca editou, e abrir os textos. Na primeira página o parágrafo:
"As pessoas não são eternas, nem insubstituíveis e mais tarde, ou, mais cedo, será inevitável o seu desaparecimento físico"
Quando ele estava no hospital, em coma, nos últimos dias, lembrei-me desse livro, lembrei-me que o tinha algures na minha inbox, e imediatamente pensei, um dia tenho que o publicar, nunca o tinha lido, até ontem.

Os textos estão terminados, não sei se ele em revisão iria alterar alguma coisa, mas sei que o vou editar, com a vossa ajuda, com a ajuda de todos que gostavam do meu pai, em jeito de homenagem, vou publicar.

Tamos juntos.
Kandandú

Agora sim eu entendi a reeleição


A reportagem da Folha de S.Paulo citada aqui ontem pelo X. teve uma continuidade. No episódio de hoje, o repórter explica a dependência da economia angolana do petróleo e encontra até um notável crescimento de outros setores, com fonte da Católica.

Além de se assustar com o preços cobrados por um café (5 USD) e um sanduíche (20 USD), ele tenta fazer uma rápida explanação do cenário político angolano, no trecho que - com a autorização do X., notório opositor das cópias de textos na internet -, reproduzo a seguir com o devido crédito:

"O futuro econômico de Angola também depende dos rumos da política. A nova constituição permitiu ao atual presidente, José Eduardo dos Santos, se candidatar. Ele deve ser o cabeça de lista do MPLA, partido do governo, em 2012. A partir daí, deve iniciar o plano de sucessão pacífica e renunciar, deixando o poder para o vice após mais de três décadas." (o grifo é nosso).

Xé, quer dizer então que o mais velho vai se candidatar à reeleição para em seguida renunciar? Epá, esses repórteres acreditam mesmo em tudo o que ouvem...

Considerações sobre o petróleo e o preço da gasolina


Olhem as ironias do mundo globalizado: Angola produz 1,9 milhão de barris de petróleo/dia e tem reserva de 14 bi - Tudo igual ao Brasil.

Enquanto o litro da gasolina custa R$ 2,70 (arredondando) em Natal, em Luanda é equivalente a R$ 0,70. Durma-se com 1 comparação dessas.

Sem contar q só há 1 refinaria em Angola, processando 3, 75 mil barris/dia, pouco mais de 50% da demanda do país. O resto é importado.

Quase o mesmo cenário da vizinha Venezuela, onde a gasolina custa quase nada. Pq no Brasil a gasolina é tão cara, algum economista explica?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Milagre Angolano


A Folha de São Paulo, um dos dois mais influentes jornais diários do Brasil (o outro é O Estado de São Paulo), estreou um novo projeto editorial e gráfico ontem e brindou os leitores com uma longa reportagem (exclusivo para assinantes do UOL) sobre Angola.

Muitas informações nós, moradores e leitores desta Casa já sabemos de cor e salteado, mas é sempre bom ouvir uma voz a mais.

Não concordo com a prática de copiar textos alheios na internt, até porque sei o trabalho que o jornalista da Folha deve ter tido para coletar as informações ontem publicadas.

Vou falar com o editor do caderno, por sinal um amigo muito querido, e se ele autorizar os leitores da Casa serão brindados com a reportagem.

domingo, 23 de maio de 2010

Nu Feminino...Momento de Relax...


"Algures" (lol) lendo um post da Menina de Angola sobre um programa de rádio que a digníssima condômina estava escutando no carro, enquanto matava o tempo em algum engarrafamento na Samba ou no Cacuaco (estou supondo...), com entrevistas surreais com vendedores do Roque Santeiro, lembrei-me de uma coisa inesquecível no nosso cotidiano em Luanda...

Ao sair do jornal ao meio dia e ir para casa, sempre escutávamos a Rádio Nacional de Angola, na hora do noticiário do meio-dia, que começava ao som maravilhoso de tambores...São 13 horas... De Luanda, capital da República de Angola, transmite a Rádio Nacional... tum, tum, tum, tum, tum...

Já na volta para o trabalho, era a vez da audição do programa "Nu Feminino, Momento de Relax". Agora não sei se o nome do programa é mesmo esse ou se é só uma vinheta, entre uma música e outra. E se é da RNA. Não deve ser da Eclésia, com esse nome, por supuesto, não é

Ah, como era maravilhoso esse programa...!!! Músicas perfeitas para quem estava morrendo de sono, depois do almoço, preso num congestionamento colossal. Até Adriana Calcanhoto tocava...

Claudinho sempre sintonizava nesta estação e fazia questão de ensinar aos brasileiros como se pronuncia a palavra "relax", totally diferent from here...

ahahahaha, algum leitor da casa de Luanda é ouvinte do Nu Feminino?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Semana de Gastronomia na Casa de Luanda


Tilápia reduzida no molho de tomates acompanhada de risoto com camarão

Semana de Gastronomia na Casa de Luanda


Das coisas que ando fazendo na cozinha. Críticas ou pedidos de receita nos comentários, faz favoire...