sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ainda, a chaga maldita da escravidão (ou escravatura), pela pena de Machado de Assis



Não temos mais o que discutir: Joaquim Maria Machado de Assis é, sem sombra de dúvidas, o maior escritor em Língua Portuguesa de todos os tempos. Que me desculpem os Queirozeanos que visitam o blog, mas o "Bruxo do Cosme Velho", como ficou conhecido o autor de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", entre tantas outras jóias, é o maior escultor da nossa língua em comum. 

Hoje a maioria dos brasileiros precisa ler Machado com um dicionário, pois ele escreve como se visse na Tuga, salpicando os textos com "fumos", "pequeno almoço", "ao pé de si" e por aí vai. Uma delícia.

Ontem, aproveitando um dia de pura preguiça, fui à uma livraria e comprei essa caixa com três livros da foto acima, que contém os três principais romances de Machado. Fazia décadas que havia lido-os e, como é sempre bom reler um livro com o peso dos anos, armei a minha rede indígena e comecei a viagem por "Memórias".

Ei que, no capítulo XII, intitulado "Um Episódio de 1814", Luanda - sempre Luanda, a adorável Luanda - salta das páginas do romance. Veja só o trecho abaixo. Trata-se da descrição de um jantar no Rio de Janeiro da época do Império, para comemorar a derrota de Napoleão Bonaparte.

Um sujeito, ao pé de mim, dava a outro notícia recente dos negros novos, que estavam a vir, segundo cartas que recebera de Loanda, uma carta em que o sobrinho lhe dizia ter já negociado cerca de quarenta cabeças, e outra carta em que... Trazia-as justamente na algibeira, mas não as podia ler naquela ocasião. O que afiançava é que podíamos contar, só nessa viagem, uns cento e vinte negros, pelo menos.

E eu, que já morei nesta cidade negra, já atravessei para lá e para cá a partir dessas duas pontas do Atlântico, fiquei imaginando que mundo era esse, no Rio de Janeiro do séc. 19, onde milhões de angolanos (4,5, para ser mais exato) foram transladados para cá e eram tratados assim, como números.

Abaixo uma fotinha do Museu da Escravatura, na zona sul de Luanda, de onde essas almas partiram para nunca mais voltar.

Um comentário:

Rafaela Rodrigues disse...

Olá! Achei seu blog nos favoritos do Maurício Santoro. Sou pesquisadora de Relações Internacionais e membro da Anistia Internacional. Estou aproveitando o espaço desse blog bem frequentado para divulgar nosso novo projeto. Por favor, precisamos da ajuda de todos para ajudar a salvar as mulheres grávidas da Nicaragua.

Visitem meus blogs e se interem do assunto, não vai demorar nem 10 minutos. Se quiserem emails do governo da Nicaragua, deixem comments que eu responderei.

Obrigada pelo espaço! Espero vocês!

http://humanrightsjournal.blogspot.com/
http://passodecaranguejo.blogspot.com/