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Era novembro e vivíamos, na mesma semana, os feriados de 11 e 15 de Novembro, proclamações das repúblicas de Angola e do Brasil, respectivamente.
Há semanas, a Ju tinha uma idéia fixa de fazemos uma "épi áuár", como toda a gente costuma pronunciar "répi auár" do lado de lá do mar, com todos os nossos amigos de trabalho.
Até então, ninguém nunca tinha deixado a redação tão cedo e ido para o bar (resumo da happy hour) e fizemos aquilo naquele dia, só então dando-se conta da importância das duas datas para as duas nações.
Pois bem: o local escolhido foi o Veneza, restaurante famoso pelo bacalhau servido geralmente frio nas vezes em que lá estive e uma decoração de deixar corada até a mais cafona das africâner.
O ocupamos uma longa mesa, pedimos dezenas de Cucas, várias caixas de sumo, uns pica-paus, um cachocho frito e lá fomos desfiando histórias em torno dos dois eventos.
Súbito, alguém tem a idéia de cantar o hino nacional de Angola. De pronto, o restaurante para para ver aquele evento. Em seguida, as gargantas brasileiras se ufanam e passam a explicar, em alto de bom tom o que é o lábaro estrelado ou como ouviram do Ipiranga às margens plácidas.
Uns comensais riam à socapa daquelas demonstrações de patriotismo, mas não estávamos nem aí. Só queríamos expressar nosso orgulho pelo 11 e o 15 de Novembro, datas de proclamação de duas Repúblicas que, há 120 anos (no caso do Brasil) e a 34 (no cado de Angola) tentam acertar na vida, apesar dos pesares, e são irmãs de sangue e luta.
Mesmo atrasado, pelos afazeres da nova lida, parabéns pelas datas.