domingo, 3 de maio de 2009

Roberto Carlos, Angola, 50 anos de carreira e dores de cotovelo


"Embaixo dos caracóis dos teus cabelos, uma história pra contar de um mundo tão distante..."

Roberto Carlos faz 50 anos de carreira, 68 de vida, e começou um giro imenso pelo Brasil na semana passada cantando aqueles sucessos que todos nós, falantes da Língua Portuguesa, sabemos de cor e salteado. Gosto, particularmente, do disco que Maria Betânia gravou com as músicas dele. É um dos meus top-10 do iPod.

"No seu corpo é que eu encontro, depois do amor o desanso, e essa paz tão infinita..."

Tá, mas o que isso tem a ver com Angola e com esse blog - que anda a definhar a olhos vistos?

Roberto é um dos cantores brasileiros mais amados neste país africano e foi o primeiro a cantar a paz, em 2003, num show que entrou para a história e para a memória afetiva de todos que conheci aí pois comemorava 12 meses sem guerra. Foi o primeiro artista de cá a tomar coragem e ir deleitar os ouvidos cansados dos tiros com coisas como:

"Você não sabe quanto coisa eu faria pra te fazer feliz..."

Essa reportagem, exibida à época pela TV Globo, é uma preciosidade. Simples e tocante sobre o que é gostar de um artista e poder vê-lo de perto em Luanda. O marido surpreendeu a esposa colocando o LP de Roberto na cama na noite da lua-de-mel. E 32 ano depois foi ao show do Cine Tropical. Coisa do cotidiano que são mais bonitas do que muitos filmes românticos.

"De manhã um bom dia na cama, a coversa informal. O beijo depois do café, o cigarro o jornal..."

Sou de uma geração que foi patrulhada na escola para não gostar do "Rei' pois, diziam os professores marxistas, ele se alinhou à ditadura militar e, ao contrário de Caetano Veloso e Gilberto Gil e Chico Buarque, não fazia "música de protesto". Bobajada de quem não se apaixona nunca, "num é?"

Pois bem, em Luanda eu e meu pequeno grupo de amigos brazukas aprendemos a redescobrir a beleza da poesia desse grande cantor pelas lentes de Leonel, nosso querido motorista que todos os dias nos brindava com " Detalhes", " Mulher Pequena" e diversos outros sucessos no seu toca-discos. No "Karaóke" do Danadão, só dava Roberto, não era?

"Quando a coisa fica quente, ai essa mulher me usa.. quero só que se arrebente algum botão da sua blusa..."

Agora, vejo na Sic uma longa matéria sobre os portugueses que vivem no Brasil e que também são loucos pelo Rei. Um tuga, desidratado de tanto chorar, revelou que a canção que abre esse post é o seu hino do exílio - e talvez seja o de todos nós que, um dia, moramos longe do nosso país. Outra, numa prova de concisão incrível, diz que as músicas de Roberto são fantásticas porque dizem à pessoa amada aquilo que queremos dizer e não sabemos. Quer uma prova?

"Não adianta nem tentar, me esquecer, durante muito tempo em sua vida, eu vou viver..."

Roberto canta uma música para cada pessoa e para cada um dos seus amores. E a sua, qual é?

"Daqui pra frente, tudo vai ser diferente, você vai aprender a ser gente, porque o seu orgulho não vale nada, na-da!"


4 comentários:

Anônimo disse...

só uma correçãozinha. caetano e gil não faziam musica de protesto. quanto ao rei, adoooro, especialmente os anos 60 e 70.

zé maia disse...

Outra correçãozinha: Roberto Carlos na verdade vez um pacto com o diabo, trocando sua perna (não se sabe ao certo se foi a direita ou a esquerda) por fama e reconhecimento em toda a lusoesfera. Além da perna Roberto perdeu totalmente a capacidade de usar roupas marrons. Bom pra ele. Gire o disco Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura ao contrário na terceira faixa do lado B e você ouvira esse post inteirinho, com a minha voz...

Suleiman Zanucki disse...

Roberto Carlos foi sempre muito ouvido em Angola, desde sempre. Sou testemunha viva. Cantei as musicas do rei quando era menino. Hoje já não ligo tanto mas ficou aquele carinho.

kianda disse...

LoL, adorei Roberto canta uma música para cada pessoa, durante a minha juventude eu e o meu grupo de amigas ouvíamos Roberto e conforme a fase tínhamos uma música. Muitas vezes nos lembramos disso com muita gargalhada ...
"andei por uma estrada muito longa e pensei ..."