segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O coqueiro e as luzes do crepúsculo


Um pé de coqueiro solitário verga-se com o próprio peso e com o do tempo numa praia qualquer de Angola. Ele carrega consigo uma solidão tão imensa que confude-se com a própria solidão da história de fluxos e refluxos do país.

No final de cada dia, o sol banha-lhe com cores fulgurantes que aos poucos vão se transformando num carmim-alaranjado e vão deitar-se ao mar, como se dissessem:

-- Ai de ti, coqueiro, sempre preso nessa terra! Vem para cá, pois é do outro lado que ainda há tardes, que ainda há pessoas no banho de mar, que ainda se faz verão...

E o coqueiro, coitado, sempre dono de si e do tempo, olha para as cores e responde:

--Deixa estar, ó cores belas, tu também, daqui a pouco, será escuro.

E faz-se noite na terra das Palancas Negras.

sábado, 17 de outubro de 2009

Há um ano, mais ou menos...na Ilha


...Essas duas figurinhas aterravam em Angola com um único propósito: mostrar para nós como a vida é cheia de som e fúria.

PS: essa foto eu tirei escondido deles, num dia que tentamos ir à praia na Ilha de Luanda e não conseguimos, dado o engarrafamento. Gostava imenso de ofertar-vos agora, um ano depois.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Notícias do triângulo Angola-Brasil-Portugal

A semana (iniciada hoje no Brasil, por causa do feriado) começa farta de notícias que juntam os três vértices do triângulo num só saco de gatos. Confiram (os títulos levam para as reportagens originais):

O publicitário baiano Duda Mendonça abriu uma filial da sua agência em Lisboa e já está causando polêmica. Não faço a menor idéia do que seja esse tal de Pingo Doce (tampouco a matéria do Económico explica), mas os leitores podem nos ajudar? Os tugas precisam dar um desconto ao baiano, o cara é muito bom.


Est ouvert officiellement par le maire de Bordeaux Alain Juppé, le Ministre de la Culture et de la Communication Frédéric Mitterand, et le Commissaire général Didier Faustino. Guidé par le commissaire de LUANDA SMOOTH AND RAVE Fernando Alvim et avec la gouverneure de la ville de Luanda Francisca do Espírito Santo, ils sont passé par le Grand Théâtre pour une visite a notre exposition.
Fotos do evento aqui.

Roberto Leal vira discípulo do Candongueiro
Eu devo ter tomado alguma coisa estragada: nesse momento, na SIC, passa um clip de Roberto Leal cantando com sotaque brasileiro a música "Procurando Tu". O Cenário são as ruas de Lisboa (belíssima à noite) e aquele que por muitos anos foi o grande embaixador de Portugal no Brasil, vejam só, está em busca de...uma linda dama angolana, daquelas de deixar o Candongueiro à beira de uma síncope nervosa. Uma catorzinha de derreter catedrais. A moça insinua-se para o Tuga mais Brasileiro que já existiu em vários sítios: na Torre de Belém, nos Jerónimos, no Chiado, no elevador de Santa Justa...no final... Não encontrei o vídeo no Youtube, mas valapena assistir este.
Na mesma SIC, de instante em instante, dois comerciais ótimos sobre Angola. Um sobre aquele prédio de luxo que está subindo ali próximo ao Miramar e outro sobre as facilidades de se retirar o Bilhete de Identidade. Nem parece que há qualquer burocracia no país. Para matar as saudades do sotaque, como diz o F. Vamos ver se o vídeo cai no youtube.

The New Yorker mostra o lado mais cruel do Rio de Janeiro.
Depois da euforia da escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016, banho de água fria da revista The New Yorker com essa reportagem aqui, sobre A Terra das Gangues (Nada a ver com calças de ganga, hein meus amigos?).

Xuxa dança Kuduro em Luanda no Dia da Amizade


Dica da Kianda, nossa amiga na Tuga.
Gostei imenso.

sábado, 10 de outubro de 2009

Feliz dia da Amizade Brasil Angola

Acabo de ver na TV os preparativos para o show da Amizade Brasil-Angola, que deve estar acontecendo exatamente neste momento em que escrevo, no estádio dos Coqueiros, tendo a Xuxa como uma das atrações musicais.
Daqui, do lado de cá, mando todos os abraços e votos de felicidade para esse povo tão querido, tão amigo, tão irmão. Estamos juntos, angolanos!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Aos que pensam em viver em Angola

Tenho recebido muitos comentários de pessoas que cá chegam em busca de informações sobre Angola. Geralmente receberam proposta de emprego e estão nas dúvidas que assaltam a alma em momentos de grandes mudanças. Normal.

O que eu poderia dizer?

Aceite o desafio. Mas só o faça certo de que deixa no Brasil, em Portugal, onde quer que esteja, os medos que tantas dúvidas lhe trazem. Porque mudanças são difíceis, para qualquer lugar do mundo. Nenhum povo é igual a outro; misérias, riquezas, costumes, tudo é diferente.

Mude-se para Angola com o coração aberto para amar o sotaque, as comidas, a inocência escancarada do angolano comum; mude-se para Angola aberto a entender a frieza, a distância, os medos de uma gente que por séculos não teve em quem confiar; entender e aceitar que não se apaga tanta dor de tanta guerra tão facilmente.

Vá disposto a aprender muito, porque Angola tem mais a lhe ensinar do que os diplomas que carrega. Vá pronto a ser mudado, mais do que a mudar.

E enquanto lá estiver, liberte-se de Luanda. Deixe-se perder pelas províncias tão belas e tão puras. Viva Angola intensamente, cada segundo. Porque quando a hora chegar, antes do que você espera, poderá levar na bagagem, em lugar de engarafamentos, preços altos, faltas de água e luz, a alegria das Mumuílas diante da câmera, a lembrança do vento fresco da Serra da Leba no rosto, o deslumbre da luz nas tardes de Luanda.

E partirá, então, cheio de saudades, mas feliz por saber que ajudou a transformar, pelo menos, um Triste em Forte.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Agora os petits-fours, inimigos mortais de qualquer dieta e templos da perdição em dois endereços

O bolo de aniversário da Menina Yara, embaixadora da Banda Calipso: saudades de uma tarde de brindes em grande
A montra escandalosa da Nila, no Zé Pirão: atores de novelas falsos, flertes no fim de tarde e o pecado da gula

Palmieres, rocamboles, pastéis de nata e toda a sorte de gulodices do Três em Um, na rua do Martal:
templo da filosofia dos dias iniciais