sexta-feira, 6 de março de 2009

Angola entrou na minha vida...

...muito antes de eu pisar em Luanda.

Tinha quase 10 anos de idade quando apareceu na minha sala de aula da quarta série uma aluna nova. Chamava-se Carla Patrícia e mais singular do que o nome, para nós, era o sotaque com que ela se expressava.

Usando a língua como no tempo de Camões, com todos os esses bem marcados e os pronomes nos lugares certos, Carla Patrícia nos contou que nascera em Angola em 1971. Mas que deixara o país quando este se tornara independente.

Na partida, ela se separara dos pais, que foram tentar a vida no Brasil; fora levada pelos avós para Portugal, onde vivera até entrar na minha sala de aula da quarta série.

O tempo passou e em algum momento mudei de escola e perdi o contato com Carla Patrícia. Nunca mais a vi, nem sei nada sobre o que se passou com ela depois da oitava série.

Provavelmente, nunca mais a encontrarei e jamais poderei contar a ela que agora já conheço aquele lugar chamado Angola, que ela nos apresentava em seu sotaque lisboeta como o melhor lugar para se viver em terras de África.

3 comentários:

Jussara disse...

Que lindo relato. Me apaixonei por Angola também assim, ainda não pude pisar lá, mas meu coração lá já está com uma pessoa muito especial.

Bjs!

Suleiman Zanucki disse...

Nesse tempo o Brasil recebeu muitos angolanos e portugueses. Amigos meus foram para lá. Mostrou-se aquele país generoso e amigo de sempre. Essa é uma das razões que me faz sentir ser também brasileiro, apesar de nunca ter pisado o seu solo.

Anônimo disse...

Tenho uma história mais ou menos parecida.
Tínhamos trailer num camping em Bertioga, e a família do trailer da frente era conhecida como portuguesa. Ao nos conhecermos, soubemos que eram angolanos, moravam no Brasil fugidos da guerra. Os anos se passaram e Catarina, a filha do casal, tornou-se uma grande amiga, líder da turma, com personalidade forte.
A última vez que tínhamos nos visto foi na minha festa de 15 anos, até que... Num daqueles milagres da internet, nossa líder Cata resgatou toda a turma de amigos do camping e promoveu um dos mais emocionantes encontros, 15ou 20 anos anos depois.
Agora, minha amiga angolana está no meu MSN, nos falamos sempre. Seu nick? "Cata Huambo", a cidade onde ela nasceu e que eu pude conhecer melhor por meio dos posts desse blog.
Celina