quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O anjo do Paludismo

A dor de cabeça começou leve, no final da tarde. Mas como ontem eu havia feito uma caminhada pela manhã do Miramar à Ilha (ida e volta), logo a atribui ao excesso de sol que havia tomado.

Depois do jantar, a dor aumentou. Mas em velocidade e intensidade inéditas. Tentei deitar, a dor piorou. Fiquei sentado na cama, comecei a sentir a pele arrepiar, o estômago a enjoar. Quis vomitar, mas não consegui.

Como todo expatriado está para o diabo assim como a malária está para a cruz, já logo achei que havia recebido a visita do anjo do paludismo. Crença nem tão infundada, haja vista que o Miramar tem mosquito que baste e, devo confessar, sou bem descuidado com isso.

Odeio o cheiro dos repelentes, a consistência, a ardência que provocam na pele e a sensação de estar todo melado depois de usá-los. Entendo perfeitamente o asco dos pobres seres alados quando se deparam com uma pele pálida de expatriado cheia dessa gosma. Melhor passar longe.

Bom, lá fui eu bater à clinica no meio da noite requisitando uma gota espessa. Não custa nada, só 1400 kwanzas (19 dólares). Exagero? Atire a primeira pedra o expatriado com mais de seis meses em Angola que nunca fez um desses para descobrir que tinha uma gripe. É mesmo assim. O terror que os estrangeiros têm da malária a transforma na suspeita número 1 para todo tipo de enfermidade, de espinhela caída à unha encravada.

No meu caso, posso dizer orgulhoso, é a segunda vez que faço o exame em nove meses. Mas isso porque eu sou relaxado, tenho convicção de que passarei por Angola sem viver a experiência das febres terçãs. Mas conheço expatriado que faz um teste por mês, em média, e sempre sai do hospital com o bolso cheio de Coartem, por via das dúvidas.

Na hora que leva para o sair o resultado, já comecei a me sentir melhor. A dor diminuiu enquanto eu dava umas boas risadas com o Casseta&Planeta da semana passada (sim, aqui passa com uma semana de atraso), o sono bateu e, quando a P. ligou para a clínica para saber o resultado, eu já estava quase dormindo.

Claro que não era paludismo. E peguei num sono profundo sem saber, afinal, que raio de surto foi aquele.

20 comentários:

Renato disse...

Prezados moradores desta casa de Luanda, tenho quase 1 ano que enfrento diariamente os problemas de Luanda. Neste tempo todo nenhuma "dor de barriga" me aflingiu. Acho que o que falta por aqui é tentar mostrar para a população em geral o que fazer para diminuir as doenças e implantar políticas visando a diminuição de doenças menos graves. Não é só o paludismo que pode matar meu caro "F".

No mais desejo a todos desta casa um feliz natal e prospero ano novo ( de preferencia no Mussulo). No meu regresso do Brasil quero continuar a acompanhar as atividades desta casa.

Lara disse...
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Menina de Angola disse...

F. eu fiz exame na segunda semana em Angola, agora nem esquento mais eu vivo gripada, com sinusite e sono hahhahaa

Ainda bem que está melhor, a pior sensação que tive em Angola foi a de ficar doente e não ter ninguém por perto para fazer uma manhazinha básica...

beijao

fernando baião disse...

F. espero que esteja melhor, mas não se brinca com o paludismo, existem mais de 120 espécies de paludismo em Angola, mosquito na terra, resiste a quase tudo, Sheltox, não mata, alimenta mosquito, ficam mais fortes e o zunido mais barulhento.Pequena dor de cabeça, má disposição (desde que não seja por cerveja a mais) ir logo ao controlo da gota espessa.Fica bem. Kandandu

m.Jo. disse...

Caro F,
Já tive um surto também, pensei que fosse e não era. Fui ao hospital. Entrei andando, saí de cadeira de rodas. Tenho duas "canadianas" aqui do lado por testemunhas. E ainda estou lidando com as conseqüências dessa "consulta". Hoje, a possibilidade da doença (malária) me amedronta menos do que a possibilidade de ter que voltar ao hospital, por qualquer razão.
E se existe alguma coisa que eu posssa desejar a você, e a todos os amigos para o ano novo, é isso: que possam ficar longe de hospitais, clínicas e ambientes da espécie.

Migas disse...

Sabes F. que o que muitas vezes leva a que fiquemos doentes e logo com a dúvida "será que é paludismo?" são as diferenças de temperatura: AC do carro ou casa + calor cá fora.
No meu caso, confesso que eu devo ser "A" aberração... ah ah ah Quando me der, vai ser de caixão à cova porque, na realidade, em 2 anos nunca fiz o teste nem nunca estive doente. :o) Os meus únicos problemas foram mesmo os de barrriga... :o) E mesmo isso, foi logo no primeiro ano. :o) Será que já estou com gene local? ah ah ah

Beijinhos e fica bem!

Anônimo disse...

olha amigo brasuca.se tens tanto medo do paludismo nem de tua casa do Brasil deverias ter saido ,pois para apanhar malária (dengue)poderias ter lá ficado ,so que talvez,como vieste para cá ganhar a vida ,já tens mais hipóteses de puxar os cordões a bolsa ,para fazeres análises,que no fim de tudo e no encontro de contas,acabam por serem pagas por este miserável povo,que não passa de um corpo inerte onde abutres de toda a espécie vêm debicar o seu pedaço.

F. disse...

Meu caro anônimo, posso perceber que você deve ser novo por aqui. Antes de vir destilar a sua agressividade infundada, por favor, leia com atenção os textos desta casa. Vai entender que nem cá estou para encher a bolsa, nem estou a reclamar do paludismo ou a me pavonear de que no meu país as coisas são melhores. Esse nacionalismo irracional, incapaz de admitir - para enfrentar e resolver - os problemas deste país é que acaba por aumentar a miséria do povo. E os abutres a que se referes, posso assegurar-te, estão mais entre a elite angolana, primeira a desprezar e a rapinar os pobres, do que entre os que chegam de fora.

Migas disse...

É Natal, é Natal, tralálálálá... E é por estas e por outras que por vezes, é bem melhor estar quietinho e não escrever nadinha. Porquê??? Porque simplesmente não há pachorra para "pessoas" estúpidas, mesquinhas, xenófobas e tcharan... BURRAS!!! Porque só um burro interpreta o post desta forma! F., desculpa lá o comentário mas, definitivamente a migas de vez em quando passa-se. Quem realmente perde? Os leitores inteligentes, pois claro. Mas sem dúvida, os blogs cansam por parvoices destas... Bolas!

F. disse...

Passaste-te em grande, Miguitas (rs). Mas claro que estás desculpadíssima. Quanto anónimo, eu até que já me acostumei à cretinices do género... bjs.

Anônimo disse...

Se ser novo para si meu caroF, é não estar aqui a debicar um pedaço da carcaça então acertou.Xenofobia e nacionalismo irracional,são expressões ,normalmente usadas,por todos aqueles como o senhor que não admitem,que aqueles que nasceram ,vivem e infelizmente cá deixaram a sua carcaça ,para pessoas como vocês,engordarem as vossas contas bancárias e principalmente dessa elite angolanana qie permite esse estado de coisas,pois eles são os brincipais benefeciados,tenham ainda a coragem de independentemente todas as ,privações.injustiças,e desigualdades, tenham ainda a modesta umbridade e a coragem de vos mostrar que voçês não têm moral para dar lições a ninguêm,como prova o vosso alinhamento subserviente,graxista e até imoral com a elite, cuja conduta você pelos vistos tambèm critica,mas como meros oportunistas, comem do prato que eles lhes servem e como mal agradecidos que são,cospem no mesmo mal eles viram as costas.As principais vitímas da malária como o senhor deve saber, não é a elite angolana nem os estrangeiros que por cá trabalham,mas sim esse povo sofrido que têm a certeza que a mesma poderia ser minimizada ,se muitos recursos não fossem desviados para pagar pessoas como muitos de voçês, cujo desempenho é bastante questionável e cuja obra deixa muito a desejar.

Anônimo disse...

Se ser novo para si meu caroF, é não estar aqui a debicar um pedaço da carcaça então acertou.Xenofobia e nacionalismo irracional,são expressões ,normalmente usadas,por todos aqueles como o senhor que não admitem,que aqueles que nasceram ,vivem e infelizmente cá deixaram a sua carcaça ,para pessoas como vocês,engordarem as vossas contas bancárias e principalmente dessa elite angolanana qie permite esse estado de coisas,pois eles são os brincipais benefeciados,tenham ainda a coragem de independentemente todas as ,privações.injustiças,e desigualdades, tenham ainda a modesta umbridade e a coragem de vos mostrar que voçês não têm moral para dar lições a ninguêm,como prova o vosso alinhamento subserviente,graxista e até imoral com a elite, cuja conduta você pelos vistos tambèm critica,mas como meros oportunistas, comem do prato que eles lhes servem e como mal agradecidos que são,cospem no mesmo mal eles viram as costas.As principais vitímas da malária como o senhor deve saber, não é a elite angolana nem os estrangeiros que por cá trabalham,mas sim esse povo sofrido que têm a certeza que a mesma poderia ser minimizada ,se muitos recursos não fossem desviados para pagar pessoas como muitos de voçês, cujo desempenho é bastante questionável e cuja obra deixa muito a desejar.

Anônimo disse...

Se ser novo para si meu caroF, é não estar aqui a debicar um pedaço da carcaça então acertou.Xenofobia e nacionalismo irracional,são expressões ,normalmente usadas,por todos aqueles como o senhor que não admitem,que aqueles que nasceram ,vivem e infelizmente cá deixaram a sua carcaça ,para pessoas como vocês,engordarem as vossas contas bancárias e principalmente dessa elite angolanana qie permite esse estado de coisas,pois eles são os brincipais benefeciados,tenham ainda a coragem de independentemente todas as ,privações.injustiças,e desigualdades, tenham ainda a modesta umbridade e a coragem de vos mostrar que voçês não têm moral para dar lições a ninguêm,como prova o vosso alinhamento subserviente,graxista e até imoral com a elite, cuja conduta você pelos vistos tambèm critica,mas como meros oportunistas, comem do prato que eles lhes servem e como mal agradecidos que são,cospem no mesmo mal eles viram as costas.As principais vitímas da malária como o senhor deve saber, não é a elite angolana nem os estrangeiros que por cá trabalham,mas sim esse povo sofrido que têm a certeza que a mesma poderia ser minimizada ,se muitos recursos não fossem desviados para pagar pessoas como muitos de voçês, cujo desempenho é bastante questionável e cuja obra deixa muito a desejar.

Anônimo disse...

Meu caro Migas,não caio como o senhor no insulto barato e colocando epítetos nas pessoas que não conheço ,como é o seu caso.a liberdade de opinião é um bem que se deve cultivar independentemente das opiniões que cada um tenha e a discussão de ideias é a forma mais salutar de debate sem cair como é o seu caso ,em insultos irracionais ou a sua xenofobia não admite que se conteste os valores do país que voçê representa.Leitores inteligentes meu caro, cansam-se de certeza de pessoas como o senhor ,que sem argumentos plausíveis cansam-se da falta de argumentação dos seus tristes comentários.

Anônimo disse...

Meu caro MIGAS O MAIOR BURRO,SÃO PESSOAS COMO O SENHOR QUE NÃO ACEITAM A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E QUE SE RECUSAM A VER A REALIDADE TRANSCRITA NO COMENTÁRIO DESSE ANÓNIMO,MAS TAMBÉM PUDERA ,COMO PODERIA ACEITAR SE ESTÁ HABITUADO A DISCRIMINAÇÃO QUE EXISTE NO SEU PAÍS E QUE PELOS VISTOS A ACEITA

Anônimo disse...

Minha cara Migas das duas uma:ou a senhora (desculpe a ironia) é mais uma triste cidadã, que para continuar a usufruir de algumas migalhas, não se importa de vender a alma e de certeza que não só,tal é a veemência que dá ao seu comentário, que é de imediato reconhecido pelo seu dono,ou será mais uma das muitas que desembarcam,nos vários voos,que ligam os nossos países,que a troco de uns bons tostôes vêm saciar os apetites sexuais da elite angolana e de vários empresários do seu país de origem,ficando hospedadas no H.TRÓPICO ou em várias vivendas dos complexos habitacionais brasileiros, que querendo melhorar de vida ,sentimento perfeitamente natural,se submetem a todo o tipo de submissão,mas daí a querer-se passar por inteligente e fazedora de opinião vai uma diferença abismal.
SÓ SEI QUE NADA SEI.

Migas disse...

Meus caros (porque parecem ser vários anónimos):

Nem me dou ao trabalho para explicar o conteúdo do meu comentário porque para meio entendedor, meia palavra basta. Se não fossem xenófobos e com a mania da perseguição aos estrangeiros, não vinham cá escrever que, se não queremos malária voltamos para o nosso país e blá blá blá. Historietas dessas, já estamos todos fartos de ouvir. As opiniões são sempre bem-vindas mas, sinceramente, qualquer um de nós, dispensa opiniões desta índole. Se são tão amigos dos "pobrezinhos", porque não vão gastar o tempo que gastam por aqui a ajudar os que mais precisam do vosso apoio? Era bonito, não era? A malta da Casa agradece, porque sinceramente, apesar de aceitarmos opiniões diversas às nossas, não aceitamos insinuações baratas e, às quais já estamos todos (infelizmente) acostumados sobre a nossa presença naquele que parece ser o vosso país. Os "pobrezinhos" também agradecem porque, ao que parece vocês terão muito que ajudar! E ficavamos todos felizes! Está certinho?

Ah, e a migas não precisa vir cá saciar apetites sexuais dos angolanos porque felizmente, as mulheres angolanas são muito mais bonitas que a migas e deixam a menina no chinelo!!! E, até estão com sorte por eu responder a provocações tão pouco simpáticas!! Não é todos os dias!

Cumprimentos a todos e, para o novo ano, que tal tirarem as palas dos olhos e virem cá à Casa com olhos de ver? Ah? Era bonito!

Anônimo disse...

Minha cara Migas ,as "palas " serão removidas,quando a mudança do regime se consumar,pela via democrática e consequentemente ,a cooperação for revista, de modo a permitir uma cooperação que não seje tão prejudicial e baseada na reciprocidade de interesses onde de certeza pessoas como a senhora (desculpe a irona)não terão lugar.Cooperação como a actual,que delapida de forma significativa ,os recursos desse país,com pessoas que parecem nem estar informadas das contrariedades,que vão encontrar e ainda se dão ao luxo de de brincar com as dificuldades que o mesmo enfrenta,que só vão fazer diagnósticos quando a doença já é irreversível, é brincadeira indesculpável e não têm nada a ver com xenofobia,pois temos perfeito conhecimento e certeza ,que a cooperação, em certas áreas é inevitável e essencial e se for feita com países com idioma comum,separando como é óbvio ,o trigo do joio,será ouro sobre azul.Escritores de expressão comum,como F,PESSOA,Carlos D. de Andrade,Pepetela ,J,AMADO e tantos outros aproximam-nos assim como a tradição cultural,gastronomia etc, etc.Sim "we can change" e quando isso acontecer,pois esses quatro anos vão comprovar que essa certeza,que foi legitimada pelo voto,encontra-se podre de mais ,para fazer mudanças e quando isso acontecer e muitos acordos forem revistos,muitos não terão lugar.
Minha cara Migas,tendo em conte os seus comentários desrespeitosos,gostaria de lhe informar ,que pelo ASPECTO DA VACA PODE-SE PERDER UM BOM BIFE ,portanto não se subestime,e de certeza se o bife for temperado com migas,de certeza que embarca,por mais horripilante que seje o aspecto.
FELIZ ANO NOVO,com dinheiro no bolso, saúde para dar e vender.

Bibbas disse...

HUM cheira a agressividade... A diversidade é louvavel, e ter gente de outras paragens a trabalhar, a passear ou mesmo somente a observar Angola e os Angolanos é muito bom...quem não tem medo do paludismo, devia ter, pois é o que mais mata no nosso pais. Já chega de acreditar que por causa dos estrangeiros vivemos mal, não temos bons empregos...bla bla bla...esse papo cheira mal!!!é tempo de deixar de tapar o sol com a peneira, questionar a nossa lideranca e acreditar que Angola pode mudar para que mais ninguem tenha medo do paludismo...pois estara irradicado...

Anônimo disse...

voces anonimos sao tao "espertos" desculpem a ironia que nao conseguem compreender que se os estranjeiros saissem daí do país voces matavam-se todos a pancada... deus disse um dia amem-se uns aos outros sejam pretos brancos ou amarelos, estranjeiros ou da casa todos viemos ao mundo pa deixar o nosso contributo e quem tem em seu poder a capacidade de julgar?? cada um de nos???!!!!! nao estamos todos muito enganados