terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sobre escolhas e felicidade

Então eu passei dois meses e meio com a mochila nas costas, pé na estrada, visitando dez províncias que me pareceram tão mais relaxantes, tão mais tranquilas, sem o trânsito e a fumaça e bagunça urbana da cidade de Luanda. E não me cansava de repetir mentalmente, 'ah eu seria mais feliz em Benguela', para depois, mais alguma semanas, mudar para 'ah eu seria mais feliz em Lubango', e então mudar de novo para,'ah, eu seria tão mais feliz em Huambo'.

Estava tão compenetrado em tanto chão de estrada que só no último fim de semana me dei conta de que, depois de tanto tempo morando em Luanda, jamais tinha sentado o meu traseiro num barquinho para cruzar a baía que separa o continente da tão festejada Ilha do Mussulo. Então vamos lá, pá, que não se pode ficar sem conhecer o Mussulo.

E vinte minutos de travessia depois, lá estava eu, mergulhado nas águas verdes, bem clarinhas do mar, debaixo de um belo sol, pensando, 'ah, eu seria tão mais feliz vivendo no Mussulo'.

Com tanto lugar para ser feliz nesse país, alguém pode me explicar, por favor, por que é que tanta gente continua insistindo em viver em Luanda?

4 comentários:

Migas disse...

Pois é F., tens toda a razão. No entanto, haverá explicação para essa infeliz concentração. Roma e Pavia não ser fizeram num dia... No entanto, nestas palavras, quer-me cá parecer que em 2009 ainda nos encontramos numa dessas províncias. Não? Ai, era tão boooom! :o)

Menina de Angola disse...

F eu ja me fiz a mesma pergunta e fi além fiz essa pergunta para um angolano bam bam de Luanda que pela sorte do destino conseguiu sair de uma povoação no meio do nada e se tornar num dos grandes poderosões da cidade... O que as pessoas fazem em Luanda.. e a resposta foi a comodidade, por mais que seja duro acreditar é melhor ficar por aqui e ganhar uns trocados para comer e beber dia a dia do que ralar a bunda capinando nas provincias...

Tem uma prainha no KM 30 da estrada que vai para o sul que é lindissima como o mussulo, aliás é em frente ao mussulo, a mesma baia, a mesma água mas sem o agito do mussulo e um pouco de lixo demais pro meu gosto, nada que um mutirão e um trabalho sério de consciencia ambiental não resolva ; )

bj

fernando baião disse...

Oi, F. Mussulo( quer dizer, Mu sulu, para o Sul)já era. Agora é só mota de água, lixo, lataria e restos de comida, barcos e mais barcos e casas de betão, como disse um amigo meu de infância, um dia a ilha do Mu Sulu, vai abaixo.Mas, felizmente, como disse a Menina de Angola, ainda há praias bem bonitas e água azul uns klómtros mais à frente, para Sul.
Kandandu

joão disse...

F., isso tá me soando papo de paulistano -- aquela gente que só fala mal de São Paulo mas não consegue abandonar a cidade.

Nos queixamos tanto de Luanda porque ela realmente mexe com as nossas paixões, assim como SP.

Eu, particularmente, tenho me permitido elogiar a cidade -- já reparou nos azulejos (e chaminés!) dos casarões portugueses, nos antigos neons da Baixa e na luz do fim de tarde (em qualquer canto)?

Isso só tem aqui.

Adorei conhecer Benguela, Soyo, Lobito, Menongue... mas dois, três dias longe e não via a hora de voltar.

Com todos os problemas, Luanda é fascinante. E vicia.