quarta-feira, 30 de julho de 2008

Aos amigos que nos ajudam a voar

Marie nos acolheu na chegada. Lucca nos apresentou ao mar. Zezé nos deu uma grande família angolana. Camaz hospedou nossos móveis, e ainda ajudou a levá-los lá na casa do chapéu... Louise, James, Phil, Viveca, Fabiana e Carlos nos deram teto, o bem mais precioso por aqui! Susana ligou do outro lado do mundo para dar a força e os conselhos que eu precisava no trabalho. Flávia nos acolheu como irmãos, dividiu tantas e tantas mesas de bar, nos deu o gostinho do mundo dos "alfas, bravos e romeus". E tantas outras pessoas nos deram conselhos, contatos, boléias...

Esta manhã, quando Luanda insistia em ficar contra nós, foi de novo a Flávia que nos deu água quentinha para o dia recomeçar relax e cheiroso! Por isso decidi fazer este post para homenagear cada um desses amigos tão importantes na nossa vida luandense.

Há uma frase do italiano Luciano Di Crescenzo que eu adotei como assinatura nos meus emails: "Somos anjos de uma asa só. Temos de nos abraçar uns aos outros para poder voar ". Aqui em Luanda, isso é mais que nunca verdade.

O problema é que até hoje, infelizmente, quem nos ofereceu a mão (ou as asas...) foram sobretudo os expatriados. O individualismo é uma das mais tristes heranças da guerra em Angola. A lei da selva é ainda muito forte por aqui, e se reflete na forma como as pessoas conduzem, moram, trabalham. Difícil encontrar uma ajuda desinteressada.

Espero que, junto da tão falada reconstrução nacional, o angolano possa reconstruir também a solidariedade, que sem dúvida está lá latente na sua alma africana.

7 comentários:

Flávia da Costa disse...

Meus queridos irmãos:
Não sei o que seria de mim sem vocês por aqui. Já não há como viver sem a poesia do F no blog e a inteligência com doçura que tem a P.
O caminho que vocês escolheram é muito tortuoso, e me impressiono com a força que vocês continuam a lutar.
Preciso ainda dizer que recebo carinho de angolanos também,mas só fui entender com o passar do tempo.

AP disse...

Caros, realmente essa aparente falta de solidariedade que vocês falam é apenas uma ferida por sarar desta sociedade que tanto sofreu. A seu tempo ficará curada!
Quanto aqueles como nós, longe de tudo e todos, temos que ser uns pelos outros, não é? Como se diz por aqui: "Estamos juntos".

Uma Brasileira nas Arábias disse...

Solidariedade é um sentimento tão difícil de encontrar... Eu não sei se o problema é que eu sempre espero ser tratada como eu trato as pessoas ou se o mundo carece de pessoas com disponibilidade para ajudar.
Parabéns aos amigos que ajudaram sem interesse. Você e P. me ajudaram muito (sem interesse algum, o que é mais nobre) e gratidão é o que sempre podem esperar de mim. Amigos são para estas coisas.
Se cuidem.

Lilás disse...

O sofrimento endurece os homens.
Mas, espero, de coração, que este povo tão sofrido volte a sorrir e olhar os outros com menos desconfiança.
Um beijo carioca em cada um de vocês.

Anônimo disse...

Queridos, não desanimem que a festa ainda nem começou.
Quando a dureza apertar, é só bater aqui no Solar das Ingombotas. Vcs sabem o endereço. Aqui tem água (quase sempre), água quente (quase sempre), mosquitos (sempre) e "xixi de gato" (só quando a Flávia traz...).

Abs.,
A.

Migas disse...

Bonito post P. Isto não é fácil, não... E realmente o apoio dos colegas que se transfomam em amigos para a vida, é essencial para que não achemos que estamos sós nesta terra que não é nossa! :o)

Anônimo disse...

........com certeza esse blog tem uma família de anjos, todos de uma asa só, voando irmanados.
Parabéns a todos.
chr