sexta-feira, 27 de junho de 2008

Angola a Branco e Preto


Velha Muximba do Iona - a tribu muximba próxima parente dos vacuvale pertence também ao grupo herero. Vivem em pleno deserto uma vida nómada, sempre em busca de água e pasto para umas escassas cabeças de gado que possuem.

Como já anteriormente tinha referido, ao ser convidada para escrever nesta casa, pensei muitas vezes que não teria imaginação para escrever em dois blogues, que apesar de muito diferentes na linha editorial, quando o tema é Angola ficariam parecidos. Depois pensei, que tal eu procurar na minha biblioteca, nas minhas memórias, no meu baú, poemas, artigos, estórias, música, gravuras e quadros que possam dar a conhecer a todos que visitam esta casa um pouco mais do meu País.

Este é um desenho de Neves e Sousa, que "scaniei" do livro Angola a Branco e Preto e deixo aqui o pedaço final da Carta Aberta a Neves e Sousa escrita por Jorge Amado e publicada no inicio do livro:

"... Agora você me escreve para contar a razão verdadeira do adiamento da viagem:est´preparando um livro, com 100 desenhos de Angola, uma visão da terra e do homem, da vida e do mistério, ao modo, diz você, das Sete Portas da Bahia, de Carybé. Bem, se é assim há uma razão válida alhe desculpar e logo informo os amigos do motivo justo e passamos a esperar o livro com ansiedade. Creio que você vai fazer algo definitivo e extremamente valioso no sentido do conhecimento de Angola e aqui estamos nós muitíssimos interessados. Como vocÊ sabe, nós baianos somos angolenses ou angolanos, de uma ou de outra forma o somos, comemos comidas de Angola, usamos termos de Angola, veneramos sntos de Angola nos candomblés angola, nossa luta e baile da capoeira é angolana, e temos o samba de Angola, sem falar no sangue que nos corre nas veias, sangue negro de Angola, do melhor. Somos também, é bem verdade, nagôs e gêges, congos e malês, índios, portugueses, árabes, judeus, e agora incorporamos japoneses, sem falar nos italianos, húngaros, alemães, polacos e eslavos variados, misturamos tudo para sermos esses mestiços porretas que somos...
JORGE AMADO "

7 comentários:

Manu disse...

Oi Pri!
Adorei tua visita! Eu aqui sempre me lembro de ti. Não me sinto sozinha na aventura pelas coisas do mundo. Sei que tu estás em um lugar "parecido". Super saudades...assim que eu tiver internet de forma mais constante vou xeretar um pouco mais nisso tudo ne Luanda. Tenho refletido muito sobre a influência da cultura africana na nossa vida. Eu aqui às vezes me pego com saudades de Iemanjá. Na volta tu me conta mais disso tudo, por enquanto vou acompanhando teus passos e pensando na vida!
Beijocas para ti!
Manu

Migas disse...

Excelente escolha Kianda! Acho que vou gostar muito de "bisbilhotar" a tua biblioteca! :o)

... mestiços porretas... ahahah, adorei este termo!

Beijos

F. disse...

Kianda, querida, que prazer encontrar-te aqui finalmente. Mal podia esperar pela tua chegada! Sabem que a melhor coisa que poderia ter acontecido a esta casa foi abrir as suas portas? Por que agora eu também me surpreendo quando a acesso, com as novidades aqui postadas, tantas coisas boas e surpreendentes... Obrigado aos novos moradores! Bjs.

Moira disse...

Cara Kianda,
A abertura das portas da casa de Luanda está a ser muito enriquecedora gostei do tema e do texto, assim quem vos visita pode saber um pouco mais sobre Angola, a sua história e o seu povo. Bjs

fernando Baião disse...

Jorge Amado, que saudade, Jubiabá, Capitães d'Areia, Subterrâneos da Liberdade e muitos outros, foram leituras da nossa juventude, um dos motores da luta revolucionária pela independência nacional. Mistura de sangues, todos nós temos, árabes, judeus, portugueses, alemães de Kalulo, brasileiros e agora chineses. Mulato chinês, só conheci um, meu colega de escola, filho de pai chinês de Macau e mãe Santomense, nascido no Sambila, adorado no museke, raridade em Angola,e como raro que era, virou "vedeta" do bairro.

Uma Brasileira nas Arábias disse...

Kianda,
Parabéns pela estréia! Estarei acompanhando, como sempre, as novidades da casa. Abs,
Paty

Anônimo disse...

É muito bom ler todos esses comentários e artigos e perceber o quanto estamos próximos uns dos outros e partilhamos de mesmos sentimentos. Claro, quem se aproxima desse tipo de "trabalho", dedicação de escrever, por si só, já é um Ser especial. Parabéns a todos.
chr