quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Sobre nacionalismos e bandeiras

Quando se vive como expatriado, as nacionalidades – e nacionalismos – sempre acabam aflorando. O choque de culturas, a saudade de casa, a barreira da língua... Tudo isso faz logo surgirem as comunidades de compatriotas.

Em Luanda tem os “Brazucas”, os “Tugas”, os “Vikings”, os “Chinas”... Acho isso tudo saudável, desde que não terminemos por nos fechar em clubinhos nacionalistas.

Eu, pessoalmente, sempre preferi as torres de Babel. A mistureba de nações sempre resulta em conversas mais interessantes, em jantares mais saborosos, em mentes mais abertas e tolerantes. Me encantava a idéia do Esperanto (a língua universal), pena que nunca vingou.

A diversidade cultural é a maior riqueza da humanidade. E se há algum sentido nessa história de países, bandeiras e fronteiras, deve ser para preservá-la. Fico toda orgulhosa ao falar do nosso carnaval, ao mostrar fotos do meu Rio de Janeiro, ao comer uma boa moqueca e ao ouvir Tom Jobim. Mas baixo a bandeira verde-e-amarela para qualquer duelo nacionalista.

Até porque, num país com tantos problemas como Angola, acho que temos outras bandeiras mais importantes para levantar do que as dos nossos países. Por isso, quando vim pra cá deixei em casa minha bandeira brasileira e trouxe na mala a da educação, da saúde, da igualdade, do desenvolvimento, da paz... São bandeiras universais. E diante delas, qualquer discussão sobre nacionalismo perde importância.

Ou você pediria o passaporte da criança da foto acima?

13 comentários:

Anônimo disse...

P.
Quanta sabedoria neste seu post. Se todos fossemos assim, o Mundo seria um lugar bem melhor e não haveriam "Angolas".
O seus escritos tocam-me sempre no coração.
Bem haja.

Beth/Lilás disse...

Clap Clpa Clap
Que lindo P.!
O brasileiro inteligente e educado é isso o que você mostra.
Que orgulho saber que gente como você está aí, ajudando outras pessoas.
abraço carioca

Sal Ober disse...

certissima sua intervenção.
certeira o seu jogo de palavras
certa a conclusão

saudações


http:\\coresemtonsdecinza.blogspot.com

Anônimo disse...

Olá menina da Casa de Luanda
Tão bom ler o que escreveu.
Claro que a uma criança dessas, nem a nenhuma do mundo, não deveria haver limites de fronteiras, nem limites de nada.
Dessa educação que fala, desse convívio bonito que só trás sabedoria e carinho por todos.«PORQUE TODOS DEVERÍAMOS SER IGUAIS».
Mas caminhe de olhos bem abertos, observe com sua sabedoria e intuição o que lhe vai passando pelos olhos.
Vai ver que o desequilíbrio e a injustiça vivem em reinado tirano na minha CASA IMENSA que é Angola.
Angola inteirinha de Cabinda ao Cunene!.


Obs.

E como gosto de ler o que algumas meninas brasileiras escrevem!
Cusco com tanto gosto a Menina de Angola e a Casa de Luanda!
Marcadores de primeiro plano!
Ah...esqueci de dizer que adoro Tom Jobim!
Beijinho
Massaroca

Anônimo disse...

Parabéns pelo post...

É uma reflexão que deve ser feita... A postura das "panelinhas" limita inclusive a vossa relação com os Angolanos...

Santana

fernando baião disse...

Se todos os expatriados pensassem como você, como uma flor, Angola seria um jardim. Infelizmente, ainda não chegamos lá, tem muito espinho pelo caminho. Cada comunidade vive no seu gueto (condomínio) e as relações com a população angolana dá-se apenas nos contactos esporádicos com algum colega de trabalho ou com a empregada Maria que está lá em casa a fazer as limpezas. É muito pouco.Espero que as suas palavras tenham eco, não só na comunidade dos brazucas, como nas das outras. Gostei.
Kandandu

F. disse...

O Fernando toca num ponto importante, porque acho que, infelizmente, a maioria dos expatriados por aqui levanta uma bandeira unica: aquela que eh verde com uma cabeca (grande, que a pequena ninguem aceita) bem no meio. Por isso nunca se integram ao pais.

Anônimo disse...

a P. é única...

fico muito orgulhosa por ter no meu País, mesmo que temporariamente, pessoas como a P.

F., parabéns pela mulher maravilhosa que vc tem.

kandandu
FC

Menina de Angola disse...

P,

Adorei esse post... mas como é difícil fazer essa integração, né! As vezes até mesmo entre os que falam a mesma língua como brasileiros, angolanos e portugueses. Imagine so com os "chinas"?! Mas com certeza vai chegar o dia que isso vai mudar...

bj

Anônimo disse...

INfelizmnte não vai mudar nunca. E acho que cada vez mais vai piorar. A nacionalidade, a raça, e outros esteriótipos são bandeiras que se desfraldam quando a conveniência política assimo exigem. E quem devia promover esse quebrar de barreiras, os governos, recorrem a elas sempre que necessário. Angola se quiser dar (mais um?) exemplo que elimine dos bilhetes de identidade a raça.
POde ser que (utopia) um dia a CPLP tenha força e pessoas com inteligência suficiente para que possam pelo menos no espaço da lusofonia promover uma efectiva integração de comunidades e não obstaculizar o livre movimento de pessoas. Haja coragem e desenvolvimento ecónomico e social que o permitam.
JL

P. disse...

Pois é, galera... quebrar fronteiras (de culturas, de valores...) não é fácil. Pela internet parece muito mais fácil, né... Hmmm, será que o ser humano é mais legal virtualmente? ;o)

JL, bem lembrada essa história do bilhete de identidade. Raça é uma palavrinha horrível e me parece coisa do Apartheid.

Massaroca, pra você que gosta de ler o que as brasileiras andam a escrever, você já leu a branquela d'Angola (branqueladangola.blogspot.com)? Uma delícia de blog.

Flávia da Costa disse...

Querida P, mais uma vez brilhante! Inteligente e doce, servindo de exemplo a ser seguido!
Tenho muito orgulho de ti!
Beijos!

Anônimo disse...

P. cada dia mais me orgulho de vc. Mas aqui na terra-tupiniquins tb precisamos de gente como vc e F.Pra que ir tão longe se vcs podem dar suas contribuições aqui primeiro? Beijões saudosos . RD