domingo, 24 de agosto de 2008

Racismo em Angola

Temos vindo a constatar um aumento do racismo em Angola, sobretudo na cidade de Luanda. Não é só com o aproximar das eleições, o seu crescimento tem vindo a sentir-se desde as primeiras eleições em 1992. Brancos e mulatos angolanos têm vindo a ser hostilizados, sobretudo pelos colegas de trabalho que desejam o lugar de chefia que ocupam, sem que para o efeito tenham as aptidões necessárias. Na rua, são olhados com desconfiança, "vai para a tua terra, seu tuga, kangundu da tuji" ou " vai para a terra do teu pai, seu mulato". Os expatriados levam pela mesma bitola, não escapam aos insultos, ameaças. Para a população em geral, todos os brancos são ladrões. Como não podem se virar contra o poder instituido há que descarregar a sua frustação na côr da pele do outro. Nos musekes, temos muito demagogo, a insuflar os ânimos das populações contra os brancos que nos vêm tirar as nossas riquezas, todos vivem bem, têm água, luz, carros e o nosso Povo, tem o quê? A nossa esperança é que depois das eleições a coisa passe a serenar, os ânimos acalmem, mas se não se fizer mais pelo bem estar das populações, aumentando a qualidade de vida da maioria do povo angolano não sabemos onde esta onde de racismo vai parar.
Há uns anos atrás tinha escrito uma crónica, onde referia que quinhentos anos de opressão a um povo são difíceis de apagar. A nível da intelectualidade as diferenças tendem a atenuar-se, a diluirem-se mais facilmente, mas nas populações a integração é mais complicada. Por muito que se queira ou explique, o branco é sempre olhado como parente do antigo colono. Dizia, eu, que esperava que o tempo conseguisse fazer esquecer tudo isto e a verdadeira harmonia entre estas duas raças fosse possível a médio prazo, a curto prazo era mais o meu desejo, mas uma coisa é gostar e outra é acontecer. Pelo andar da carruagem, parece que, nem a longo prazo.

9 comentários:

Anônimo disse...

O racismo tem tudo a ver com a ignorância, o analfabetismo e a miséria.Enquanto em muitos países africanos for mantida uma classe dominante que usurpa os direitos e os bens da maioria dos povos, todo o tipo de sentimentos IRRACIONAIS, entre eles o racismo, serão um enorme entrave ao desejável convívio e harmonia entre todos, amarelos, vermelhos ou às riscas.Quanto mais evoluído é um povo, mais tolerante se torna. África, ou antes, os que detêm o poder, se estivessem verdadeiramente interessados na evolução dos seus povos, deveriam olhar para os bons exemplos, que já os há, onde convivem pessoas de religiões diversas, culturas e cores diferentes, em bastante harmonia e com metodologias propícias a atingir a máxima perfeição possível nesses domínios. Mas...não "interessa" abrir os olhos à populaça...por aí poderia começar a perda de privilégios e abastança para os poucos que detêm as maiores fortunas do mundo, indiferentes ao sofrimento ad eternum de milhões de deserdados. É pena, porque quem fica com a fama de racista são os pobres coitados que não percebem nada do que se passa, enquanto que os "outros", até se dão ao luxo de casarem as suas filhas predilectas com criaturas da raça que não ensinam o povo a aceitar...Até quando??!!

Mariana

F. disse...

Fernando, que bom que retornastes. Andava a sentir a tua falta por aqui. É preciso dizer que o racismo não é exclusividade de Angola. Existe em muitos lugares do mundo contra as minorias, sejam elas negras ou brancas. Eu nunca fui racista, pois fui educado numa escola onde tive o previlégio de construir sólidos laços de amizade com judeus, negros, árabes, japoneses, baianos (vítimas também de muito preconceito em São Paulo) que duram até hoje. Talvez por isso me incomode tanto, agora, ser alvo do preconceito de uma população contra a qual nada fiz. Só preciso cuidar para evitar o efeito de ação e reação, o que me transformaria também numa pessoa preconceituosa.

Muito bom que tu, sendo angolano, tenhas tocado neste ponto, porque eu e a Migas já o havíamos abordado e fomos bastante criticados. As pessoas pensam que, por sermos expatriados, estamos a exagerar e tal.

AP disse...

Sabem qual foi uma das minhas melhores experiências profissionais? Numa empresa espanhola, onde no mesmo escritório estávamos 3 tugas, 3 espanhóis, 2 brasileiros e 1 russo. E almoçávamos no restaurante de um argentino. Isso é que era bonito!
O racismo é um verdadeiro cancro que devemos erradicar do mundo!

Migas disse...

Fernando, pior do que o racismo contra os expatriados, é o racismo entre angolanos! Mulatos e negros. Uma vez, um mulato disse-me que tinha tido muitos problemas na sua empresa no início, pois os colegas viam-no como um possível futuro chefe. Ou seja, como era mulato, ia querer subir a chefe. E por isso os colegas não lhe facilitavam a vida. Outro aspecto curioso é ver alguns angolanos chamarem-se de "pretos" uns aos outros, com o intuito de insultar. Estarão a ser racistas? Mas então, não devíamos evitar fazer com os outros, o que não queriam que fizessem com eles? E se fosse um branco a chamá-lo de "preto" o caso seria mais grave? Enfim, eu tenho muitos amigos negros em PT, mais moçambicanos do que angolanos mas, o que é certo é que sempre os vi de forma muito tranquila e de igual para igual. Aliás, um deles é das pessoas mais inteligentes que conheço. Para mim seja preto, branco, amarelo ou às bolas é uma pessoa e trato-a como tal. O que o F. refere, é bem verdade. Espero não me tornar numa pessoa preconceituosa pois às vezes ouvimos e vemos coisas pouco bonitas.

Abraço!

Anônimo disse...

Lida a postagem do Fernando Baião e os comentários, bateu-me uma reflexão. Por quê? O racismo, miséria humana, não é justificável a qualquer título. Se não somarmos energia e esforços, questão de tempo, não sobrará para ninguém. Independente de crenças, religiões e filosofias, a espécie humana distingue-se pelo racional (?). Aliado a isso, existe um sentimento complexo que é o amor. Não existe outro caminho para se atingir a paz no Planeta. O homem é um ser social e precisa entender e exercer o seu papel. Mas, enquanto essa evolução coletiva não chega, é muito importante que cada qual faça o seu papel e entenda que não é superior a ninguém, apenas diferente.
chr

Anônimo disse...

"Existe em muitos lugares do mundo contra as minorias, sejam elas negras ou brancas." O que não é o caso de Angola e nem do Brasil.

Anônimo disse...

Angola não é, nem será por vontade própria, uma excepção em África. Logo, os brancos e mestiços que se cuidem, porque a qualquer momento, à exemplo doutros países Africa- nos,os negros desencandearão con- tra os não negros, uma subsisten-te carnagem, mercê do seu reconhe-cimento de infrioridade. O rasti- lho já está incendiado e do seio do partido no poder apenas aguar- dam a morte de JES para passarem à acção.E isto é já do conhecimento púablico e notório.

http://cidadaoportugues.wordpress.com/ disse...

Sou português, filho de mãe angolana mulata e pai branco português!A minha avó materna é negra angolana, o meu avô materno é branco português nascido em Portugal de Salazar. A minha trisavó era escrava e quem a libertou colono! Sou um filho de todas essas raças. Nunca tinha imaginado pensar em adjectivar nenhum dos referidos pela cor. Somos família. Morei dois anos em Angola dos 10 aos 12 e não senti racismo nenhum. Era o pula, como me chamavam, ya, mas nada me impedia de andar com todos os outros e ir até ao Mutu ou ao Alda Lara jogar futebol, ou à zona verde ou à praia. Lembro-me que no andar do prédio do Livro éramos um branco, um mulato e um negro. Eu queria mesmo voltar para Angola pelo país, clima, oportunidades, beleza natural, família que tenho aí e calor do povo. Mas honestamente, racismo não é algo que pense conseguir suportar e é uma questão na qual tenho pensado e que me fez consultar este tópico, pois tenho ouvido essa ideia de aumento do racismo e não percebo. Quer dizer, claro que me lembro do meu pai ter sempre que dar a gasosa, etc, mas também me recordo que, entre nós, miúdos, não havia. Este senhor diz tudo o que eu penso sobre o assunto: http://bimbe.blogs.sapo.pt/345348.html

Anônimo disse...

os brancos tem de pagar pelos seus crimes, filhos da puta