sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Ser Angolano é...

Insultar a condutora que lhe faz sinais de luzes e um gesto com a mão significando “passe, passe”, quando já se está no meio da estrada. É que, sinais de luzes, utilizam os reis da estrada que dizem: hey mundo, eu uso sinais de luzes porque vou levar tudo à minha frente... qual aspirador, qual tractor.

E também...

Aproveitar o aceno da condutora, em sinal de agradecimento por ter dado aquela “vaguinha” na fila, para dizer um “olá tudo bem”... É que isto de se agradecer no trânsito não é normal e, se ela acenou, com certeza me achou fofo.

"Em Angola, sê angolana" mas, eu já não tenho pachorra para ir às aulas como-se-comportar-como-angolana...

15 comentários:

kianda disse...

"...se ela acenou, concerteza me achou fofo." - concerteza migas, ahahahahahaha

Anônimo disse...

"concerteza" não está escrito errado?
Acredito que o correcto seria com certeza, separado.

E sim, o que mais custa estar em Angola são as pessoas, o desrespeito, a falta de educação e bom senso!

Migas disse...

Estava sim senhora anónimo! E eu que ia jurar que se podia escrever "concerteza". Mas não. Já vi na net que nem sequer é daquelas palavras que se podem escrever de duas maneiras. :o) Já agora, por curiosidade, uma dessas palavras e que ainda suscita alguma dúvida na língua portuguesa, é "cobardia" ou "covardia". Ambas estão correctas mas, ainda há quem considere que "cobardia" é apenas dito pelos dos norte, como eu... :o) Bem, e vou dar por terminada esta intervenção, antes de meter uma argolada porque eu até sou mais números!

Obrigada!

Beijos kiandita!! :P

fernando baião disse...

Minha cara Migas. Não leves tudo tão "a peito". Tem angolano, bom, educado e de boas maneiras e nem sempre estes, os bons, são doutores, são pessoas do povo, que sofreram na carne, muitos anos de humilhação.Agora existem os kazucuteiros, os novos ricos, que de educação, são nada. Temos, infelizmente, que aguentar com eles, como em muitas outras partes do mundo, também, as pessoas de bem, os têm que aguentar.Há trinta anos atrás, a grande maioria DOS ANGOLANOS, não tinha direitos, viviam à margem da sociedade estabelecida pela colonização, o civismo dessa maioria era levar porrada, até o analfabeto branco se julgava superior ao angolano licenciado. Não quer dizer que eu defenda a kazucuta, a falta de educação, a ausência de civismo, mas tenho que "desculpar" certas atitudes,hoje, ainda somos umas criancinhas a gatinhar pelo nosso país, mas, rapidamente, iremos atingir o "homos erectus".
Desculpa o desabafo, mas não é contra ti, sei o que sofres, o estresse a aumentar todos os dias, mas faz uma pausa, no ombro do teu amor, e vais ver que tudo se torna um pouco mais fácil e "docinho".

Migas disse...

Sim Fernando, eu compreendo e o post não é generalista nem tão pouco insultuoso. Apesar de talvez o título possa parecer generalista. É mais uma chamada de atenção ao que se vive diariamente cá. A migas até tenta ser simpática e depois, é mal interpretada. Nos países ditos "civilizados" também há faltas de civismo... e se há. Mas diga lá... não deixa de ser caricata a segunda situação. Quer dizer que é tão raro o gesto de se agradecer a passagem que, até se pensa que é um engate em plena fila de trânsito. eh eh eh
Quanto ao facto das classes, no trânsito quase que posso admitir que é tudo igual. Quer o rico de carro novo, quer o pobrezinho que anda no "gira-bairro". Não noto grande diferença de comportamento.

Beijinhos e bom findi! :o)

Anônimo disse...

Oi Migas, adoro os seus pontos de vista e adoro o jeito com que expõem as suas idéias. Digo isso porque me identifico muito com suas histórias.

Achei isto na net sobre cob(v)ardia: "O Dicionário da Língua Portuguesa 2003 da Porto Editora regista covardia, mas remete-nos para cobardia, o que quer dizer que esta é a forma preferível, embora aquela não seja incorrecta."

beijos

"Senhora Anônimo"

fernando baião disse...

Cara Migas, sem querer entrar em diálogo, compreendo-te muito bem, eu próprio, em Agosto, tive duas situações caricatas, saí ao meio dia da rua Cabral Moncada, entre a Maianga e a Sagrada Família, para ir almoçar ao Chá de Caxinde, na baixa, com amigos.Cheguei às cinco e um quarto e mesmo assim, ainda andei a pé do Banco Nacional até ao local do almoço. No Largo ex-Serpa Pinto, ou Katekero, como antes o designava, numa hipotética passadeira, parei para deixar passar dois angolanos, passa ou não passa, depois de grande impasse, lá avancei, ao passar, ainda ouvi, passa lá seu branco burro.Como vês todos sofremos, mas são os "prublémas" que estamos com eles. Kandandu e um bjinho de fim de semana mais calmo

kianda disse...

Não é Cabral Moncada, é Eduardo Mondlane, ex-Cabral Moncada :-)
Qto ao "concerteza", peço desculpa, escorreguei na mesma casca de banana que a migas...bem chato.
Beijús!!!

Migas disse...

E uma vírgula em falta, fez-me adivinhar o género! O que queria dizer era: estava sim senhora, anónimo (estava errado)! E afinal, fui descobrir que era uma menina anónima (prefiro tratar por menina). Obrigada pelas palavras! No fundo, acabo por escrever o que os olhos vêm. Para o bem e para o mal, como se de um casamento se tratasse! :o)

Fernando, realmente o trânsito e toda a falta de civismo inerente a este "prubléma" é das piores coisas que Luanda tem, para quem vem de fora. Eu não me queixo das pessoas que trabalham comigo, ao contrário de muita gente. Ou porque tenho sorte, ou porque os sei levar, ou porque ainda está para vir o angolano que me tira do sério no trabalho. Mas no trânsito... Ah, no trânsito. O trânsito faz crescer cabelos brancos!! :o)

Beijinhos e bom findi! :o)

Migas disse...

Eh pá, lembram-se daquela vez escrevi um post a dizer que caí de joelhos, mesmo em frente a um grupo de angolanos? E que saí de rabinho entre as pernas a rogar pragas a mim, por andar sempre apressada? Pois bem, foi precisamente nessa rua, Kianda. Eduardo Mondlane! :o)

F. disse...

Migas, só você mesmo pra botar fogo nesta casa! Já andávamos a sentir a tua falta, pá. Eu de trânsito nem falo mais. Hoje perdi duas horas e meia para ir do Miramar ao Cazenga. Entre ida e volta, perdi seis horas - das quais, apenas uma dedicada ao trabalho que fui fazer. Essa parada do trânsito realmente não é nada fácil.
Eduardo Mondlane, ex-Gabriel Moncada, é o endereço de um grande amigo meu.
Bjs,

Migas disse...

:o) Oi F., e eu também! Falta de tempo mesmo! Muito trabalho, que é para isso que cá estamos! :P Tenho as fotos do Uíge para ir colocando cá. Mais uma perspectiva de Angola e com alguns aspectos bem positivos! Vou ver se no fim-de-semana arranjo algum tempo para ir actualizando! :o)

Quanto ao trânsito, temos de criar uma rubrica intitulada: academia de body combat. ah ah ah A ver se a ira nos passa! :P

Beijo

fernando baião disse...

Hoje é dia das gaffes". Concertezas e outras e agora é o F. a escrever ex-Gabriel Moncada em vez Cabral.Moro ali, ou melhor, agora mora o meu filho mais velho, há mais de trinta anos. Estou de acordo, trânsito e mais trânsito, já estamos cheios, não vai mudar nos próximos tempos, a não ser que os que têm verdes de "cabeças grandes", montem uma carreira de hélios para a população. Mas, não estou a ver os do Sambila a irem de hélio para o Rocha Pinto, nem os assaltantes do Kazenga a irem a Viana, gozar o fruto do seu "desvio" com as garinas lá da zona.Vamos continuar a ximbicar quando chove, canoa foi feita para isso, não é só para rio e lagoa, mas também para os charcos grandes que as nossas chuvadas fazem nos bairros ditos periféricos. Beijinhos para as meninas e kandandu para os de barba rija.A good weekend, como diz o Bush, bom fim de semana prolongado, como diz o kaluanda.

Anônimo disse...

ai Migas, esse teu casamento com Angola para o bem e para o mal,ultimamente anda muito para o mal. É só desgraças!!
Pede o divórcio, menina...

Migas disse...

ah ah ah... Esteve bem! :o)

Pois, mas o casamento não é isso mesmo? Às vezes há momentos maus mas, há que saber ultrapassá-los! Mas, sobretudo o que quero transmitir é que, é muito difícil mudar a nossa forma de ser e agir. Eu não consigo seguir a máxima: em Angola, sê Angolana... :o)

Abraço