sábado, 15 de março de 2008

Globosat – cena 2: nosso amigo Zeca



Entramos no jipe das N.U. e o motorista me lembra de checar se a porta está travada:
-É que há gatunos que aproveitam o congestionamento para roubarem as pessoas dentro dos carros.
-E isso é comum por aqui?
-Sim, cada vez mais comum. A Globo mostrou aqueles gajos em São Paulo roubando bolsas dentro dos carros, pois não demora a começarem a fazer o mesmo por aqui. Tudo o eles mostram vira logo moda em Luanda.

Em Angola, domina a cultura do importado. Os carros são japoneses, os enlatados são europeus; os plásticos, chineses. E os cabelos (sim! Isso mesmo!), brasileiros. O porto é um dos mais movimentados do continente, e os navios chegam a esperar dias na fila para atracar. Mas a grande importação chega mesmo pelas parabólicas. E a Rede Globo é, sem dúvida, o exportador número 1 de tendências. Do mundo imaginário das novelas à vida real dos noticiários. Atenção Zeca, Bonner & Cia: olha que responsabilidade!

2 comentários:

Prof. Ramalho disse...

O planeta já é uma grande aldeia global. Oxalá possamos exportar e importar bons exemplos. Resta apenas uma reflexão: Por que o imaginários da pessoas tem tanta atração pela desgraça noticiada pela mídia. Um dia se pagará bem menos para ancorar propaganda nessas notícias tão nefastas e deletérias.

introspective disse...

Essa é, de certa forma, a vingança do Brasil contra Portugal. Eles podem ter roubado nosso ouro, exterminado nossos índios, subjugado nosso povo... mas, 500 anos depois, vejam só, o Brasil é uma forte referência cultural, e não só no mundo lusófono. Chegue você em Paris, na Alemanha, em Londres, e diga que é do Brasil. Ninguém fica indiferente, todos têm algum comentário a fazer. Se não conhecem o Brasil, querem conhecer, adoram nosso povo, a verdade é que, com todos os podres que possui, o Brasil instiga o mundo.

E Portugal? Alguém no mundo ainda se lembra de Portugal? Portugal é um país invisível internacionalmente.