domingo, 30 de março de 2008

Coragem, paciência. E persistência!

Na minha primeira reunião de trabalho, uma colega me deu o conselho que eu voltaria a ouvir da boca de muitos neste primeiro mês de Luanda: “Coragem e paciência!” De cara preocupei-me com a segunda parte... Confesso que esta nunca foi uma das minhas virtudes! Mas enfim, cheguei disposta a exercitá-la. Item obrigatório para quem vai trabalhar em um país cheio de problemas estruturais, traumatizado pela guerra e com um calor que não dá trégua!

Depois de quase um mês exercitando essa habilidade, chego à conclusão de que, em muitos casos, pedir paciência é a forma que os angolanos encontraram de impor seu ritmo pra lá de lento aos estrangeiros que chegam impondo velocidade. Sabe aquela coisa de não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje? Pois aqui o ditado é ao revés!

Os angolanos pedem paciência por não cumprirem o combinado, por te deixarem esperando horas sem dar nenhuma satisfação, por não fazerem o trabalho direito, por terem a burocracia mais enrolada que já vi no mundo. E se falta luz toda semana, paciência... Se faltam livros e professores nas escolas, paciência... Se faltam hospitais, paciência... Se o guarda é corrupto, paciência!

O problema é que, ao fazer da paciência uma panacéia, questões urgentes não são resolvidas nunca. Isso num país onde as questões urgentes são tão fartas quanto o petróleo... Por isso é que todas as grandes empresas daqui preferem contratar mão-de-obra estrangeira... Em algumas construtoras brasileiras, até o operador do trator é trazido de fora!

Pois minha dica a quem chega em Luanda seria: Traga muita paciência sim. Mas não abuse na dose! Quanto ao conselho da colega, mudaria só algumas letras... Acho “Coragem e persistência” uma combinação mais esperta, ou pelo menos mais responsável...

É verdade que persistir pode ser mais doloroso que esperar. E pode ser também mais custoso (meus créditos do celular vão embora como água, de tanto que ligo cobrando os outros!). Alguns colegas de trabalho me olham de lado, porque dou mais trabalho a eles. Outros simplesmente não entendem o porquê da pressa. Mas alguns (ainda que poucos) se mexem, empenham-se e resolvem! Ufa!

Minha esperança é que, pelo exemplo, essas exceções se multipliquem. E que os angolanos percebam que é muito mais prazeroso descruzar os braços e colher os frutos do trabalho bem realizado.

4 comentários:

Paty@Bahrain disse...

Sabe que aqui no Oriente Médio é a mesmíssima lentidão? Por isso também contratam os estrangeiros pra tudo. O povo local não trabalha e quando o faz, deixa tudo para amanhã. Impressionante como adiam qualquer coisa... Quando dizem que algo vai acontecer "inshallah" ("se Deus quiser", em árabe), pode contar que que não vai acontecer. Às vezes, isso me irrita profundamente, mas estou aprendendo a balancear paciência, persistência e não desistir.

Anônimo disse...

É bom ouvir que o caminho que vc escolheu é o único no qual acredito: o exemplo.
Pode parecer pouco, mas tenho certeza de que condutas com a sua tem um poder imenso! Celina

F. disse...

Paty: pois é, encontrar esse equilíbrio é o grande desafio.

Celina: também acredito que o exemplo é a melhor pedagogia!

Bjs,

Anônimo disse...

Paciência tb não é o meu forte, mas lá na Entidade bauzaquiana que vcs conhecem tenho tb que ter muita. Portanto, não é ´só aí que a persistência vence, temos que acreditar na volta das energias positivas sempre concientes de que nossa saúde não pode ser afetada. Voces são jovens encaram tudo com bom humor e esperança, o que já é um bom quisito. Beijinhos, Regina D.