quinta-feira, 13 de março de 2008

A superpopulação

Luanda tem certamente a maior concentração de pessoas por metro quadrado do mundo. Dos cerca de 8 milhões de habitantes do país, mais de 6 vivem na capital. Vieram durante a longa guerra civil que só terminou em 2002. É que enquanto o exército da UNITA (oposição) ia tomando as províncias, o MPLA (governo) garantia o caminho livre para a capital, dominada por ele. Assim Luanda passou a receber todos os dias multidões de angolanos vindos de todos os cantos do país.

Em algum lugar eles tinham que morar. E assim foram ocupando todos os espaços que estavam dando sopa. Terrenos, parques, calçadas, prédios em construção e até, pasmem, a praia! Fizeram seus acampamentos e aos poucos foram erguendo paredes, abrindo portas e janelas, instalando suas parabólicas, delimitando seu pedacinho privado no espaço público. E assim vivemos hoje em meio a um mar de telhados de zinco, chamados de musseques. Não tem por onde escapar. Como diz o F., favela na praia é algo que não deve existir em nenhum outro lugar do mundo.

Dizem que muitos aguardam as eleições (previstas para setembro) para ver se a paz é mesmo de verdade e voltar para suas províncias. Eu pessoalmente acho difícil... A capital pulsa freneticamente, impulsionada por um crescimento desembestado. E seduz a todos com os luxos e os lixos do mundo globalizado que desembarcam diariamente na sua baía sedenta.

14 comentários:

Rafa disse...
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anna v. disse...

Nossa. Estou muito desanimada com Luanda. Tenho tanta curiosidade a respeito de Angola! Como é a situação política? A polarização Unita x MPLA continua? As pessoas são politizadas? (Se é que já deu pra perceber a partir da convivência com angolanos) Qual a imagem do Brasil aí?

Greta Trotman disse...
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Andre disse...

Oi P. e F.!!!!

Meu Deus, que sofrimento, ja nao quero ir mais pra Angola... :-)

Adorei o comentario do F. sobre favela na praia... realmente eh o ultimate most ultra mundo cao.

Mandem noticias sobre o trabalho que vcs foram fazer, gostaria de saber se vcs se sentem seguros nas ruas e na moradia nova de vcs.

Espero que vcs nao tenham perrengue nas eleicoes... vcs provavelmente viram como foi o Quenia recentemente...

Boa sorte, torco por vcs daqui do Oriente Medio.

Abrs, A.

edu disse...

Definitivamente a temporada na Casa da Luanda não será tão aprazível quanto a Casa da Lagoa.

Mas tenho certeza que tudo vai correr bem.

Qualquer ajuda por aqui, na São Paulo de verdade, é só gritar.

abs.
Edu

Mauricio Santoro disse...
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Luísa disse...

Continuarei a ler-vos sempre!

Cantem, até que a voz vos doa!!!

Aline disse...
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Prof. Ramalho disse...

P. e F. Adorei todas as reportagens até agora. Perfeitas, dão uma visão bem real do que é Angola e, melhor, uma visão do após guerra. Continuem nessa linha, ampliando para todas as áreas que completem uma visão perfeita da sociedade local. Muitos alunos e professores daqui estão acompanhando.
Beijos.
Prof. Ramalho

Regina D. disse...

Impressionante a inversão de valores, começam com o top e esquecem a base. Regina D.

P. disse...

Rafa, Maurício, André, Edu, Aline, prof. Ramalho e Regina D.: que bom que estão gostando! Não deixem de nos visitar!
Anna V: F. escreveu um post sobre isso especialmente pra você.
Gre: ainda não nos sentimos muito seguros pra tirar fotos. Até bem pouco tempo elas eram proibidas na rua! Imagina... Mas aos poucos vamos perdendo o medo. Aguarde!

Gisele disse...

Favela na praia? Não é só em Angola não... Vide a Brasilia Teimosa em Recife!

Anônimo disse...

Obs: Angola tem cerca de 16 milhoes de habitantes, e nao 8.

F. disse...

Pois é Anônimo, mas quando esse post foi escrito, o censo eleitoral ainda não havia terminado e esse era o número que se divulgava. Depois do censo, quando cadastraram 8 milhões de eleitores, passaram a estimar a população em 16 milhões de habitantes.