sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O meu 5 de setembro




Desde que cheguei a Luanda, o 5 de setembro entrou na minha agenda como uma data envolta em apreensão e especulação. Angolanos e estrangeiros tinham medo de como seriam as primeiras eleições desde o fim da guerra civil. A primeira tentativa, em 1992, acabou piorando ainda mais a guerra.

Pois meu 5 de setembro foi incrivelmente tranqüilo. Na parte da manhã, acompanhei uns amigos jornalistas na cobertura da votação. As filas eram longas e houve muito atraso, mas os eleitores faziam questão de esperar para colocar seu voto na urna. Chamava a atenção o número de senhorinhas (não as vejo com tanta freqüência pelas ruas), vestindo suas melhores roupas: “Quero exercer meu direito. Cheguei às 5:30 e estou um pouco cansada, mas vale a pena. Estou confiante com o meu país”, disse Dona Fátima, de 75 anos.

Na parte da tarde fiz uns amiguinhos (metade do meu tamanho e um sexto da minha idade!) e joguei bola numa pracinha até o anoitecer. Vários gols, nenhuma briga, muitas risadas e uma gostosa sensação de paz. É claro que as eleições são importantes, mas no fundo é nas crianças que eu aposto para o futuro deste país.

4 comentários:

Anônimo disse...

É isso aí. A criançada está com tudo, vale a pena investir nelas que vão acabar ensinando , pelo exemplo, os mais velhos. Nem sempre a razão está nos mais experientes, pois depende do tipo de experiência que eles viveram e da disposição de "mudar o modo de pensar e viver", assimilar os novos conceitos, etc. Beijinhos RD.

Anônimo disse...

Filhota, por isso te amo. Você tem um papel e o cumpre bem neste planetinha. Fica com a proteção do padrinho.
Beijos.
chr

Flávia da Costa disse...

Querida P,
Obrigada por nos lembrar o caminho certo para lutar. As criancas valem todo o esforco.
Bjs!

Diário da África disse...

E nem me chamou para jogar bola...