quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Pedinte fardado

Ao ler esta história no Sem Destino, lembrei-me desta outra que se passou há alguns dias comigo.

Estava eu outra noite pacientemente parado na fila da gasolineira, aguardando pela minha vez de saciar a sede de Dorotéia, quando um policial devidamente fardado aproximou-se do vidro do passageiro e pediu que eu o abrisse. Como se tratasse de uma autoridade, cedi, apesar dos protestos da P. Pois o referido ensaiou uma cantilena segundo a qual tinha um parente doente no hospital e precisava de algum dinheiro, dá-me só uns 200 kwanzas para pegar um candongueiro.

Como o bafo de álcool deixasse tonta até a Dorotéia, neguei-lhe o kumbú que cetamente seria investido em mais algumas cucas. A autoridade ainda ensaiou uma cara feia, mas partiu sem mais protestos.

7 comentários:

fernando baião disse...

Eu já aqui referi, que o angolano, tem a mania que todo o branco é rico. Então é um corre corre à pedinchada. Alguns são mais atrevidos e até ameaçam qd dizemos que não temos dinheiro. Eu já tive um caso desagradável, também, com um homem sem uma perna, como recusei dar-lhe dinheiro, bateu com a muleta no meu carro.Tive me acalmar, pois ia fazer mais o quê?

Migas disse...

Conheço uma história parecida, envolvendo "pedintes fardados". Foram uns dois, a uma certa empresa dizer que o filho tinha falecido e precisavam de dinheiro para o óbito e patati-patatá... A pessoa em questão, fez uns telefonemas a perguntar se podia "emprestar"... ahahah os senhores, face a tantas "dificuldades" deram corda às sapatilhas e puseram-se a andar. Também já ouvi dizer que resulta dizer: ya, empresto, digam onde é o óbito que deixamos lá o caixão... ahahahah Como é óbvio não vão dizer porque, não existe óbito! Mas pior do que pedintes fardados são ladrões fardados :o(

Anônimo disse...

Parece que ir para Africa em geral, se não fôr africano só dá com dois vencimentos. Um para trabalhar, outro por ser branco ou de outra côr que não preto.

kandanda disse...

Discordo em absoluto sr.º anónimo. Não deve confundir a nuvem com Juno nem a árvore com a floresta! Há tanto pula que saca kumbú doutros pulas ou mesmo de africanos! Vá à chamada Europa do leste e exponha-se...mas olhe que mesmo na Lusitânia pátria ele há com cada gatuno, e com tanta treta que até engana a própria sombra! Sr.º anónimo a ciência de enrolar os outros não está na cor mas na circunstância e na exposição ao meio...é o fado que os lusos tão bem sabem cantar!

F. disse...

Kandanda tem um ponto importante aí, anónimo. Acho que várias coisas influenciam essa relação entre pedinte e abordado. A roupa que usas, a viatura, tudo indica que podes ter algum dinheiro no bolso. Mas talvez aqui, Kandanda, por serem os brancos na maior parte da vezes expatriados, e por terem os expatriados famas de serem bem remunerados, a componente cor da pele também influencie, como citou o Fernando. Não podemos, no entanto, reduzir tudo à uma questão racial. Este é o tipo de caso em que a simplificação pode levar ao preconceito.

fernando baião disse...

São muita vezes, resultado dos traumas do tempo colonial, em que os brancos é que mandavam e o negro ou trabalhava ou levava porrada.Mas agora já não é o branco a mandar e o problema mantêm-se. Não é de certeza necessariamente um problema racial, pois também vejo os pedintes muitas vezes a ameaçar negros e sobretudo negras que viagem de automóvel.Só que o branco é mais propício a dar esmola e eles "abusam". Depois (aqui para nós que ninguém nos ouve, nem mesmo o anónimo) muitas vezes o branco tem um certo receio de não dar nada e ser insultado ou mesmo molestado.

Bibbas disse...

Não tem nada a ver se o alvo e branco, preto ou mulato. Tem mais a ver com o genero (as mulheres sao mais abordadas para dar q os homens), com o carro, com os oculos, e ate com o ar simpatico ou nao do condutor. Caro que a maior parte dos estrangeiros em Luanda são claros e como tal são um alvo. A classe menos favorecida e menos educada, tem "motivos de sobra" para pensar que os claros tem mais, pois sao ainda poucos os claros que pedem esmola, tem proteses, ou mesmo vivem no meio so Sambizanga ou Ngola Kiluange, e por isso muitas vezes atacam como vemos no dia dia. As coisas estão a mudar pois a pobreza esta a generalizar-se e tb as dinamicas sociais