sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Se a Casa não fosse só de Luanda

Tive a oportunidade de sair de Luanda e passar esta semana pré-eleições numa província ao norte do país. Aqui a situação me parece um pouco diferente. A pergunta: “E se o MPLA não ganhar?” faz mais sentido.
A palavra que mais ouço nas ruas é: MUDAR.
As pessoas falam com muito gosto que depois destas eleições Angola vai mudar.
Cheguei também a participar de uma conversa na qual o homem que falava comigo chamou um amigo e apontando para mim disse: “ Depois destas eleições estes brancos não vão mais por aqui ficar, isto também vai mudar”. Diante de tamanha sutileza, provavelmente com os olhos arregalados, tentando ainda esconder o medo, respondi: “Sim, agora Angola vai mudar”.

6 comentários:

Miguel disse...

Fávia, tens que ver isso numa outra perspectiva. Tiveste a oportunidade de falar com um fóssil político, completamente desenquadrado da realidade e do que vai ser o futuro de Angola. Para grande desespero de algumas correntes.

septuagenário disse...

Infelizmente em toda a África, vai ser assim mesmo, exibir um certo racismo contra quem não seja africano negro.

E se um dia fosse possível desaparecer momentâneamente de África qualquer presença estranha (branco colonizador, ou chinês, japonês etc.), nesse mesmo momento seria a maior carnificina étnica impossível de imaginar.

Já houve pequenos mas horríveis exemplos (ruanda, burundi, biafra etc.) que só foram possíveis por ausência de inimigo comum: O BRANCO COLONIZADOR.

Evidentemente que embora seja um problema africano, mas foi exacerbado pelo materialismo e ideologias importadas do exterior.

kandanda disse...

Mas não é a cor que é provocativa. É o figurismo da mesma. A Europa contribui muito para esta malquerença, desde sempre.

Flávia da Costa disse...

Sim, Miguel, entendo.E agora ate me sinto parte da historia do pais de alguma forma...

Septuagenario, concordo muito com voce. So acho que isto nao acontece so na Africa. Hitler tambem matou brancos para ter raca pura, lembra?

Kandanda, a verdade e que ha muita mistura de racas por toda parte do mundo. Se procurarmos bem nem sempre somos o que parecemos. No Brasil somos todos mesticos.

Anônimo disse...

Flavia, creio que foi uma exceçao o que aconteceu com voce e acho que nao devemos pegar a parte pelo todo. Afinal, voce deve conhecer outras centenas de angolanos que nunca te falaram isso e que nao pensam assim.

João disse...

Flá, volta pra cá! Luanda vai continuar igualzinha depois das eleições.
=]